Namoro: tempo de carinho, alegria (e atenção aos sinais)

O Dia dos Namorados surgiu como uma data meramente comercial, mas podemos dar-lhe um olhar cristão, como ocorreu com outras celebrações ao longo da história. No artigo, apresentamos 12 pontos (além de um bônus) a serem observados no período do namoro. É uma das formas que encontramos para homenagear os casais que, apesar destes atuais tempos de ódio, divisões e bombas, insistem em testemunhar o amor. Confira!

Sobre enamorar e enamorar-se

Entre tantas datas celebrativas, religiosas, comemorativas e até de apelo comercial, o amor pede passagem no mês de junho, que, tradicionalmente, nos lembra a defesa do meio ambiente. Fica inaugurado um tempo de celebrar o amor em sua fase inicial de aprendizagem, de experimentações afetivas, de mudança de fase, de novos laços, de ampliação das escolhas e desejos. Tempo de renovar juras de amor e de escolher nunca desistir do amor e da partilha. Nestes tempos de celebrar o amor, será preciso não pensar no namoro em si, mas no enamorar, no enamorar-se… Cada um de nós experimenta esses ciclos continuados de encantamento que são a base para as escolhas que fazemos na vida, muito além do amor entre pares. Se eu me enamoro, antes de tudo, crio as defesas para não permitir que nem um ato sequer me faça sentir desrespeitado, desrespeitada nessa proximidade. Se eu me enamoro e enamoro o milagre da vida, minhas escolhas serão balizadas pela defesa intransigente da dignidade da pessoa humana. Na simplicidade, no “enamoramento” e no encantamento, escolhas vão se desenhando diante dos nossos olhos, mãos, corpo e mente. A vida vira um discernimento permanente. Vira namoro, vira vocação, vira devoção, vira meta, vira casamento, vira separação, vira transformação, vira sonhos… A vida, (in)finitamente, apresenta-se em forma de broto e, se cuidada e protegida, vai crescer, alongar-se, achar seu lugar ao sol. Enamorar-se, enamorar e namorar são faces da mesma mirada. É permanecer onde existe a mansidão, a paz interna, a paixão, a devoção, a partilha, a partida, o descanso no colo de alguém, a esperança traduzida em gestos e atitudes. Enamorar-se, enamorar e namorar é “querer permanecer, mesmo podendo voar”. Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

Apaixonados, nunca precisamos tanto de vocês!

Data criada mais para afagar o comércio, o Dia dos Namorados é celebrado, no Brasil, em 12 de junho, véspera da memória de Santo Antônio de Pádua, o famoso “casamenteiro”. Essa, entretanto, também pode ser uma ótima ocasião de avaliar como nós, cristãos e cristãs, estamos lidando com os casais apaixonados de todas as idades. Adianto: há muito a ser revisto por nós, na vida pastoral, social e familiar. Antes de escrever estas linhas, eu tinha o desejo de dar algumas dicas para os que se preparam para o matrimônio. Elas seriam baseadas em minhas experiências pessoais e de meu ministério de diácono na Arquidiocese de Belo Horizonte. Bem a tempo, dei-me conta de estar caindo na soberba. Melhor mesmo, para quase todos nós, seria suplicar a reconciliação com os próprios casais. Muitas de nossas comunidades de fé têm dívidas importantes com os namorados. Quantos já não tomaram uma bronca simplesmente por estarem de mãos dadas durante alguma liturgia ou circularem abraçados dentro de algumas de nossas instituições? A rispidez costuma vir de um moralismo sem fundamento, sem Evangelho, disfarçado de “zelo pela casa de Deus”. O amor dos namorados sacramentaliza, sim, o afeto de Deus pela humanidade. Em inúmeras passagens da Bíblia, o noivo é alegoria de Deus Pai ou de Cristo, a depender do contexto. A noiva, ora exuberante, ora anônima, ora pecadora a ser perdoada, é figura do povo, da Igreja. A celebração do matrimônio expõe, diante de nossos olhos, o mistério (sacramento) do Senhor que se derrete de amores por sua amada, antecipa-se e vai ao encontro dela no caminho (no corredor da igreja). Admirado por sua beleza, Ele a beija e firma com ela uma aliança. Para quem ainda não o fez, sugiro meditar, nessa ótica, o Cântico dos Cânticos. Assim, será fácil compreender o motivo de esse ser um dos principais textos de mística da história. Namorados, perdoem-nos por, muitas vezes, nós nos esquecermos de vocês em nossas comunidades de fé! Vocês costumam ser colocados de lado até na programação da Semana da Família, imaginem! No Dia dos Namorados, falamos mais contra o comércio aproveitador do que bendizemos a Deus pelo amor de vocês! Relevem nossa negligência, ao privá-los de espaço e tempo para ouvi-los e apoiá-los quando sofrem pelos desafios típicos desse tempo, como as discussões, as dúvidas, as fraquezas. Como perdemos em não lhes preparar um lugar digno em nossas paróquias, para saborearem juntos um sorvete. Queridos, lamentamos pelo descuido com vocês em tantos de nossos encontros vocacionais! Uma lástima! Como ainda temos coragem de falar de uma família cristã sólida sem um olhar carinhoso a vocês? Tenham misericórdia de nós! Nossas famílias também precisam (re)ver como lidam com os relacionamentos de seus filhos. Algumas se omitem, nem querendo saber com quem os seus estão saindo. Outras, por ciúmes ou superproteção, impedem ou embaraçam o desejo de seus filhos e filhas encontrarem a pessoa amada e com esta constituírem uma família. Quantos lares deixaram de surgir por isso! Também existem pais, mães e toda uma sociedade a forçar uma vocação matrimonial inexistente em alguns jovens, levando-os a uma vida de desventura. Uma pena! Vivemos tempos de culto idolátrico (inclusive por parte de “cristãos”) ao poder, à morte, à fome, ao “mercado”, às armas, à guerra. Assim, queridos casais apaixonados, precisamos muito de vocês! Clamamos por seu testemunho de beijos, abraços, conversas longas, ternas e “bobas”! Não se assustem com “D.R.” (no idioma namorês, “discutir a relação”), pois elas são normais na vida, quanto mais nesse tempo de discernimento. Ignorem os que confundem “namoro santo” com amor sem carícias. Quem inventou isso nunca namorou! Posso lhes garantir! Evitem o jejum de afeto! Apesar de tudo, não desanimem! Sejam muitíssimo bem acolhidos, bem-vindos em nossas comunidades de fé, em nossos encontros vocacionais, em nossos centros de apoio e pátios. Mesmo penitentes, ousamos abençoá-los. Louvado seja Deus por vocês! Dedico este texto a Tânia, minha namorada, com quem orgulhosamente sou casado (também, sim, temos nossas “D.R.”!). Obrigado por tudo! Eu te amo! Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo, membro da Equipe de Espiritualidade da Província Brasil Norte das SSpS.

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