Mulher, pedaço do mundo

Sou um pedaço do mundo O mundo é um pedaço de mim Sou braço, colo e abraço Sigo intuição e metas Sou vazio e solidão De repente, sou lágrima e dor, alegria e rancor, compaixão e paixão A paz e a guerra habitam em mim A esperança e a força bruta correm nas minhas veias Acredito no que não vejo e não creio em muita coisa que insisto em enxergar Escuto pássaros nos locais menos improváveis Aprecio o choro de quem se banha de lágrimas para (re)nascer A vida pulsa em mim e, para seguir viva, também pulsa no Universo A fé me cobre nos caminhos mais íngremes Eu nunca estou só Sou filha, mãe, neta, bisneta, irmã, prima, amiga Somos muitas Sei ser pá, terra e semente Sei ser paz e compaixão, e indignação Aprendo a ser cerca e me afasto Sou mulher, sou “humananidade” Enxergo o mundo pela lente do amor, vejo dores, sinto sabores, dissabores e odores. Devolvo conchas para o mar e deixo as pedras rolarem Sou corrente elétrica, tenho correntes em mim Abro portas e janelas para a vida me levar, e para (tentar) ir aonde quiser Aprendi a atirar pedras no leito do rio, para formar círculos infinitos Nasço mulher, acordo mulher, durmo mulher Há mulher em mim que se cala e tem medo Tem mulheres caladas para sempre, na ironia de quem se acha mais e é menos Sou mulher, realizo, destruo, construo e desconstruo o que querem de mim Na matemática da vida, lido com equações, divisões, somas, subtrações e multiplicações, em possibilidades infinitas Sou o que quiser, somos os quereres de muitas mulheres Somos mulheres Sou mulher Sou um pedaço do mundo O mundo é um pedaço de mim Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

Mulher: gênero, biologia, trabalho e construção cultural

Você se lembra da música de Benito Di Paula? “Agora, chegou a vez, vou cantar / Mulher brasileira em primeiro lugar / […] Norte a sul / Do meu Brasil / Caminha sambando/ Quem não viu / Mulher de verdade / Sim, senhor / Mulher brasileira é feita de amor.” Refletindo sobre o Dia Internacional da Mulher, podemos perceber que a música sempre exaltou a mulher em prosa e verso, entretanto vemos muitas batalhando no trabalho, criando os filhos, dedicando-se à família, sem falar naquelas que arrumam tempo para estudar e dedicar-se à solidariedade. Temos cientistas de renome, exemplos de várias “guerreiras”. Mas como o Brasil é o quinto país em feminicídio? Infelizmente, nas sociedades humanas, ainda existe uma mentalidade de que mulher deve somente servir ao homem, seja o pai ou o marido, cuidar das tarefas domésticas e das crianças. Trabalhar fora de casa, dirigir um carro ou uma empresa é coisa para homem. O péssimo exemplo de um deputado do Estado de São Paulo, que foi à Ucrânia recentemente, em tempo de guerra, com uma proposta “humanitária”. Postou em uma de suas redes um comentário, afirmando que “as ucranianas são fáceis porque são pobres”, comparando a fila de refugiadas com a fila de baladas no Brasil. Um médico turista, em um dos países do Oriente Médio, também fez comentários maldosos a uma comerciante. Uns meses antes, durante a Copa do Mundo, na Rússia, um advogado foi advertido por mexer com jovens do local. Esses fatos demonstram como a mente machista ainda está fortemente presente no sexo oposto. A cada minuto, temos notícias de violência doméstica, tanto física e psicológica quanto patrimonial. Quase sempre, não há aceitação do término de um relacionamento, significando que o outro é visto como propriedade privada, rejeitando a ideia de liberdade das mulheres e suas conquistas. A pensadora francesa Simone de Beauvoir (1908-1986) fez muitos estudos sobre a condição da mulher na sociedade. Em sua obra O segundo sexo (1949), afirmou que “ninguém nasce mulher, mas se torna mulher”. Conforme a mulher conquista seu espaço, cresce seu reconhecimento. Nesse sentido, a questão do ser mulher não é biológica, mas cultural ao longo da história de um povo. A questão de gênero (masculino/feminino) é vivida por homens e mulheres, independentemente da visão biológica, mas em determinada época e lugar. O corpo é construído culturalmente. Assim, o corpo da mulher, em nossa sociedade, foi “coisificado”, ou seja, passou a ser visto como uma mercadoria, uma “coisa”, basta observar as propagandas. Neste século XXI, muitas mulheres têm ocupado diversos espaços, mas ainda precisamos de mulheres ocupando os espaços políticos, como as câmaras municipais e o Congresso, o cenário científico-acadêmico, etc. Procuremos educar as gerações com sabedoria e nos despertar para a importância de sermos tratadas como seres humanos e não como coisa mercadológica. Há muito trabalho a ser realizado. Aproveitemos a Campanha da Fraternidade, que reflete sobre não condenarmos a mulher, atirando pedras, como faziam os fariseus, mas dando oportunidades, gerando vida. Mulheres, uni-vos! Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia, filiada à ABA, APEOESP e SBPC. Atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura, pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.

O ano de 2022 na perspectiva de cinco mulheres

Os últimos anos têm sido bem difíceis, seja em nosso país, seja em outros contextos. Mas é preciso cultivar a esperança, atitude diferente de esperar passivamente. Cada pessoa precisa fazer sua parte, para que a sociedade possa voltar a ter o mínimo de leveza. Cinco mulheres convidadas por nosso blog comentam o ano que termina e falam de suas perspectivas para 2022. Desafios, política, espiritualidade, compaixão, saúde são alguns dos temas. Veja a seguir. Novas perspectivas Fim de dezembro e de um longo período sombrio para a humanidade, que, por dois anos, suporta ameaças de uma pandemia e somente agora começa a ter esperanças de alívio. Com esse leve estímulo, nasce meu desejo de que, em 2022, muitas coisas boas voltem: os abraços, os passeios, as viagens, as grandes festas, as oportunidades de trabalho, no momento adormecidas, enfim, os detalhes prazerosos que, pelo distanciamento social, ficaram para trás. Nós, que sobrevivemos aos desafios de 2020 e 2021, já comemoramos a virada do ano e queremos participar ativamente da vida em 2022. Sabemos que são os desafios que nos impulsionam para frente. “É muito sábio, porém, evitar anseios excessivos, mesmo em se tratando de boas causas”, dizia Santo Arnaldo Janssen. Que nossa vida possa voltar a ter leveza, humor! Tem ela de ser uma vida animada, sem ser banal e pequena. Porque não vivemos sozinhos, precisamos de uma vida em que haja um sentido de olhar para o outro, um pouco de paz e de muita gratidão a Deus. A vida sem amor não tem nenhum sentido. Que 2022 nos traga a todos nós muito otimismo, inspiração para nossas capacidades de sonhar e de amar, oportunidades e força de vontade para realizarmos os nossos sonhos. Lúcia Helena de MeloProfessora de Língua Portuguesa para estrangeiros _____________________________________________ Três aspirações para 2022 Todos os dias, rezo o terço para que os membros de minha família (todos eles citados nominalmente) sejam ajudados em suas dificuldades espirituais e temporais. Muito preocupada com a situação política de meu país, rezo também pelo Brasil, porque nosso presidente, já sem nenhuma credibilidade internacional, em vez de governar, somente está interessado na próxima campanha eleitoral, na ganância de obter cada vez mais poder. Enquanto isso, ao nomear seus comparsas para os cargos mais significativos para seus interesses, vão-se desorganizando a saúde, a educação, a cultura, o meio ambiente, os costumes e as relações exteriores. É uma gestão realmente desastrosa! Minha terceira aspiração é pelo fim da pandemia e para que eu tenha mais paciência, enquanto aguardo o atendimento de meus desejos, louvando a Deus pela esperança e pela paz que só Ele pode dar. Maria de Lourdes SimõesProfessora de Língua Portuguesa _____________________________________________ Presença de Deus Eu espero, no ano de 2022, estar com uma vida financeira mais estável e conquistar minha casa própria. Que todos de minha família estejam com saúde! Desejo que acabe esta pandemia para que possamos ter uma vida normal. Que, em 2022, todas as famílias tenham alimento na mesa, que as pessoas se coloquem no lugar do outro e que cada um sinta a dor do próximo. Sei que os que têm melhor condição não têm culpa pelos que não têm, mas um pouco de humildade seria bom para todos. Que, em 2022, não haja tanta desigualdade entre as pessoas, que todos tenham o mesmo direito à saúde e as mesmas oportunidades de educação e de trabalho. Que todos os corações sejam cheios da presença de Deus, pois, no dia em que isso acontecer, veremos o mundo melhor. Ester Souza ReisProfissional de serviços domésticos _____________________________________________ Cultivar a esperança O ano de 2021 termina. Ano com muitas incertezas, com poucas expectativas quanto ao combate à pandemia de covid-19 e muita dor e desesperança a nosso redor! No entanto, queremos cultivar a esperança para o novo ano, na certeza de que o que vírus da covid-19 seja controlado. Mais do que controlar o mal causado pela pandemia, rogamos a Deus que seja combatida a corrupção, a raiz de todos os males na humanidade e na Criação. E que a semente do Verbo Encarnado, que está em cada coração humano e na criação, possa desabrochar para que haja mais vida e vida em plenitude em todo o universo! Irmã Terezinha ColomboMissionária serva do Espírito Santo _____________________________________________ Mudar o mundo para melhor O ano de 2021 foi muito difícil para todos nós. Com muita fé em Deus, que em 2022 possamos ter mais união, amor e oportunidade de mudarmos o mundo para melhor. Josiane AlvesFuncionária do Convento Santíssima Trindade

Empoderamento feminino é uma questão de consciência. – Entrevista com Irmã Cecília Hansen

O dia das mulheres sem dúvida é uma data memorável para todos nós, para lembrar da força das mulheres e de toda sua conquista na sociedade ao longo dos anos. E o que mais nos chama a atenção no ser feminino, é que, ao mesmo tempo que possui uma lado carinhoso e delicado, ele também possui um lado forte e virtuoso. Essas incríveis qualidades, infelizmente, não são do conhecimento de muitas mulheres, ou até são, porém existe o medo do despertar desta força. Nossa Ir. Cecília Hansen, que durante 17 anos trabalhou com os grupos de mulheres nas periferias de São Paulo, conta como foi sua vivência de acompanhar, aconselhar e encorajar as mulheres. Baseada em suas experiências, ela afirma que “a mulher precisa tomar consciência do seu papel na sociedade e na Igreja”. Experiência com o Grupo de Mulheres “Na década de 1970, pós Concílio Vaticano II, D. Paulo Evaristo Arns fez um apelo às Congregações para liberar irmãs para a periferia. Esse chamado veio ao encontro do meu desejo de trabalhar com os (as) empobrecidos (as). Em 1972 iniciei meu trabalho em Vila Remo – periferia da Região Sul de São Paulo. Os Padres me convidaram para conhecer e ver a realidade e lá fiquei 17 anos. Naquela época, Vila Remo era uma periferia no extremo da cidade. Tudo faltava. Não tinha água encanada, coleta de lixo, faltava escolas, creches, transporte, etc. A maioria do povo vinha do Nordeste e do Interior de Minas, desenraizada de sua família, cultura e ambiente em busca de melhores condições de vida. Iniciamos o nosso trabalho formando Comunidades Eclesiais de Base. Era uma nova forma de viver a Igreja. Era uma Igreja circular onde todos (as) tinham voz e vez. Cada participante tinha o seu papel: padre, religiosa, leigo e leiga. Trabalhávamos em equipe (em redes). O trabalho foi distribuído. Todos tinham um compromisso com as CEBS  – Comunidade Eclesiais de Base. Eu, pessoalmente, além das CEBS, me dedicava mais à catequese, aos Grupos de Mulheres e ao Movimento do Custo de Vida. A Palavra de Deus nos inspirava e sustentava nossa espiritualidade. Era uma releitura da Bíblia a partir do oprimido, era uma espiritualidade encarnada na Palavra de Deus e na vida – na linha do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos)”. Clube das Mães “Sendo uma Igreja onde todos (as) tinham voz e vez, o povo trazia para as nossas celebrações e encontros seus problemas, suas dificuldades, suas necessidades, suas angústias, suas esperanças. Formaram-se vários grupos conforme as suas necessidades. Assim, também as mulheres se organizaram em grupos. Todas as comunidades nos bairros tinham um grupo de mulheres que naquela época se chamava ‘Clube de Mães’. Formaram uma coordenação com representantes de cada Clube de Mães. O grupo escolhia a sua representante. A coordenação se reunia uma vez por mês e cada uma trazia a dinâmica e a vida do seu grupo e levava as propostas da coordenação para o seu grupo de volta. Queríamos a participação de todas as mulheres. Só assim se decidia sobre um assunto ou sobre uma ação assumida por todas. As mulheres sentiram mais que ninguém o sofrimento da situação. Tomaram iniciativas por vários movimentos sociais como: Movimento por creches, escolas, água encanada, transporte, etc. Um movimento que se destacava e se espalhava pela cidade e por todo país era o ‘Movimento do Custo de Vida’. Não conseguimos resultados concretos das nossas reivindicações, mas houve um grande salto na consciência das mulheres. Saíram das quatro paredes de suas casas e começaram a enxergar outras possibilidades na vida. Assumiram seu papel na Igreja e na sociedade”.   Centro Sofia de Solidariedade “Passei um tempo em Goiânia e São Luiz de Maranhão. Voltei em 1995 para São Paulo. Houve muitas mudanças na Igreja e na sociedade. Com a mudança da Igreja de São Paulo, o espaço para as  mulheres foi restringido e, às vezes, elas foram excluídas. Muitas mulheres sentiram a falta de se reunir,  trocar ideias e celebrar. Algumas mulheres se propuseram a se encontrar e convidaram mais mulheres. O Convento Santíssima Trindade nos ofereceu o espaço físico e a infraestrutura. A semente foi lançada e em 1995 o grupo teve início. O objetivo do grupo era olhar um pouco para nós mesmas, resgatar nossa dignidade, tomar consciência do nosso papel na sociedade e na Igreja, cultivar uma mística, vivenciar uma espiritualidade integrada, cósmica e buscar energias e inspiração para o nosso dia a dia. Temos sempre um olhar e um pé na realidade. Refletimos, aprofundamos e participamos da Marcha Mundial das Mulheres, Fórum Social Mundial, Campanhas contra a Dívida Externa e Alca, Centenário das SSpS, Romaria à Aparecida do Norte, Pentecostes, canonização do Pe. Arnaldo e a Beatificação de Madre Josefa, etc… Anualmente avaliamos os nossos encontros. Já trouxeram algum resultado: maior auto-estima, maior consciência do nosso papel,  uma nova concepção de mundo, aprendizagem de como lidar com conflitos, conquistas no espaço público, engajamento em projetos sociais. Todos os encontros se realizavam com dinâmicas participativas, usando técnicas, músicas, danças circulares, exercícios corporais integrando-nos com a natureza e energias do universo, a partir da ótica de relações de gênero e vivenciando uma espiritualidade holística, cósmica. A  natureza com o seu encanto fazia sua parte  na realização desse bem-estar”.

Reeducação para homens violentos? Conheça o Projeto Construindo Novos Valores

Mês passado, no Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres, falamos neste post sobre como a independência financeira feminina contribui para a saída das mulheres do quadro de violência doméstica. Hoje, no Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres, dedicamos um tempo para abordar outra face desta violência: a dos agressores. Por que homens batem em mulheres? Para entender melhor sobre este assunto, pesquisamos os principais motivos que fazem com que os homens cometam uma agressão e os resultados foram bem curiosos. Existe um status que se chama pole position, e mexe diretamente com o ego da pessoa. Este sentimento faz com que a pessoa se sinta mais vantajosa perante a sociedade. Quando acontece alguma situação em que o homem se sente inferiorizado pela mulher, ele pode vir a querer retomar esse status, inclusive com força física. Um outro fator comum foi a banalização da violência, provocada pela vivência destas pessoas em locais onde a violência é comum e diária. Pessoas que estão expostas todos os dias à violência, acabam achando comum e repetem o comportamento. Em média, 60% dos homens agressivos vivenciaram violência doméstica na infância. Outros fatores incluem: não saber lidar com a frustração, rejeição, afronta e uso de substâncias psicoativas (drogas). Independente de qualquer que seja o motivo que leva a uma discussão ou desacordo, defendemos que nenhuma situação deve ser tratada com violência, afinal, ninguém gosta de apanhar não é mesmo? A reeducação como caminho Entre os especialistas, é consenso que o caminho para a mudança dos comportamentos agressivos dos homens está na reeducação. Tem circulado um vídeo na internet onde escolas em Nairobi, no Quênia, tem dado aos alunos Aulas de Consentimento para meninos e autodefesa para meninas. Este ensino faz parte do programa da Fundação No Means No WorldWide (“Não Significa Não, Mundo Afora”, em tradução livre) e ajudou a reduzir a violência em 50% logo no início do projeto. Como o governo não dá conta de atender a todos que precisam, algumas ONGs iniciaram projetos para ajudar na causa, como a Casa Sofia, que fica no Jardim Ângela na Zona Sul de São Paulo.No Brasil, para atingir os homens adultos, a Lei Maria da Penha, no artigo 35, prevê a existência de centros para educar e reabilitar agressores. Porém são pouquíssimas as vagas disponibilizadas pela rede pública e elas não podem ser ocupadas por estupradores nem homicidas. A Casa Sofia possui o Projeto Construindo Novos Valores, desenvolvido pela assistente social Rosita Cruz, que oferece um trabalho exclusivo para homens que cometem ou cometeram violência contras as mulheres. Os encontros individuais e em grupo acontecem semanalmente. “O Projeto Construindo Novos Valores é um espaço de escuta, reflexão e responsabilização para homens autores de violência doméstica. Ele têm por objetivo sensibilizar a Sociedade e, em específico, os homens autores de violência contra a mulher, sobre as implicações da desigualdade de gênero e as possibilidades de mudança de comportamento.  Também são discutidos temas como ‘o lugar do homem na sociedade’, ‘a construção dos papéis de gênero’, ‘a violência em geral e contra as mulheres’. Os trabalhos com os homens são realizados por meio da metodologia de grupos reflexivos de gênero onde cada participante é tratado como responsável da violência contra a mulher. São utilizados os temas: gênero; relações de gênero; Direitos Fundamentais; masculinidade; direitos sexuais e reprodutivos; dinâmicas de grupo; noções de relações família e de casal e noções de psicopatologia” – explica Rosita Cruz, responsável pelo projeto. Que mudanças o trabalho traz para os homens? Segundo Rosita Cruz, existe uma conscientização pessoal e uma melhora significativa no comportamento dos agressores atendidos. Após algumas sessões, é notável uma melhora na qualidade das relações familiares e sociais e uma maior sensibilização da família para a resolução de conflito familiar. Os encontros fazem com que os agressores vejam que ninguém nasce violento, e que é possível controlar seu comportamento quando ele se esforça para isso. Saiba mais: Para mais informações da Casa Sofia e do projeto, ligue para (11) 5831-3053 / 5831 5387 (escritório) / 0800 770 3053 ou envie um e-mail para casasofia@santosmartires.org.br. Baixe aqui apostila “Vamos falar sobre masculinidade?”  

Independência financeira diminui violência contra mulheres

A história das mulheres vem marcada por violência e privação desde que o mundo é mundo e a nossa Irmã Missionária Maria Amália sabe muito bem sobre isto. Ela trabalha no Projeto Providência desde 2003, uma ONG que atende crianças e jovens de comunidades carentes de Belo Horizonte – MG. Do contato diário com famílias carentes, ela montou um grupo de mulheres para ajudá-las em suas diversas dificuldades do cotidiano. Através deste trabalho, muitas mulheres, algumas vítimas de violência doméstica, aprendem a ter mais autonomia em suas vidas. Ir. Amália afirma que o projeto ensina à mulher o verdadeiro significado de dignidade e valorização e, mostra que ela pode ser responsável pela própria vida sem depender de ninguém. No grupo feminino, ela orienta as mulheres sobre a vida pessoal e profissional e as ensina a pintar e costurar, sugerindo como uma opção de renda. Estatísticas sobre a violência contra a mulher no Brasil No Brasil, apesar das novas leis, como a da Maria da Penha, as estatísticas (veja o quadro) referentes à violência contra a mulher ainda são assustadoras: A cada 7.2 segundos uma mulher é vítima de violência física. (Fonte: Relógios da Violência, do Instituto Maria da Penha) O assassinato de mulheres negras aumentou (54%) enquanto o de brancas diminuiu (9,8%). (Fonte: Mapa da Violência 2015) Somente em 2015, a Central de Atendimento a Mulher – Ligue 180, realizou 749.024 atendimentos, ou 1 atendimento a cada 42 segundos. Desde 2005, são quase 5 milhões de atendimentos. (Dados divulgados pelo Ligue 180) 2 em cada 3 universitárias brasileiras disseram já ter sofrido algum tipo de violência (sexual, psicológica, moral ou física) no ambiente universitário. (Fonte: Pesquisa “Violência contra a mulher no ambiente universitário”, do Instituto Avon, de 2015). 54% conhecem uma mulher que já foi agredida pelo parceiro, em todas as classes econômicas. (Fonte: Pesquisa “Percepção da sociedade sobre violência e assassinatos de Mulheres”, de 2013) Vergonha e medo de ser assassinada são percebidas como as principais razões para a mulher não se separar do agressor e metade da população considera que a forma como a Justiça pune não reduz a violência contra a mulher. Como sair deste quadro? É consenso que não existe independência feminina sem independência financeira. Mulheres que dependem financeiramente do marido, se sujeitam à violência psicológica e física para não serem deixadas e consequentemente passarem dificuldades com seus filhos. A estabilidade da carreira traz a tranquilidade de poder seguir em frente com a sua vida. Quando uma mulher está em um ambiente de igualdade, ela tem controle maior sobre a família e o destino dos filhos e pode ser mais ativa na luta contra a injustiça e a discriminação em suas comunidades. E aí mulheres, bora conquistar o teu?

Curso: O impacto da economia sobre as mulheres

Estamos vivendo num cenário de crise econômica que vem assombrando grande parte dos brasileiros, principalmente as mulheres.   Para entender melhor esta situação, a REDES – Rede de Solidariedade, em parceria com o CESEEP, preparou o curso “O Impacto da economia sobre as mulheres”. Ele acontece nos dias 07 e 08 de outubro, no nosso Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade. Dentre os temas abordados, estarão o funcionamento da economia brasileira, a divisão dos trabalhos entre mulheres e homens, a situação de vulnerabilidade e violência contra as mulheres, nossos direitos e alternativas para efetivação dos direitos. As inscrições para o curso já estão abertas e custam apenas R$ 85,00 (almoço incluso nos 2 dias do evento). CLIQUE AQUI e inscreva-se já. As vagas são limitadas! Data: 7 e 8 de Outubro Horário: Sábado: das 8h30 às 17h / Domingo: 8h30 às 12h30 Telefone: 11 5547-7222 Local: Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade – Rua São Benedito, 2.146 – Santo Amaro – São Paulo/SP (veja AQUI como chegar). O curso será ministrado pela Profa. Dra. Marilane Oliveira Teixeirano, economista, doutora e pesquisadora do CESIT/IE-Unicamp, assessora sindical e membro do Fórum Permanente em Defesa dos Direitos dos Trabalhadores Ameaçados pela Terceirização. 

3 heroínas – reais! – para você se inspirar

Apesar de serem consideradas mais frágeis por algumas pessoas no senso comum, muitas foram as mulheres que passaram ao longo da trajetória da humanidade marcando a história com sua presença e força. Se inspire com a vida de três heroínas, que com seu exemplo de coragem, amor e devoção, mostraram que todas as mulheres podem fazer a diferença: Joana D’arc: Nascida em 1412, Joana D’arc foi uma francesa que lutou na Guerra dos Cem anos (1337-1453), quando seu país enfrentou a rival Inglaterra. Com 13 anos de idade, começou a ter visões e receber mensagens divinas que a incentivava a entrar para o exército francês e ajudar seu país na guerra contra a Inglaterra. Motivada pelas mensagens e sabendo da sua impossibilidade de lutar por ser mulher, cortou o cabelo bem curto, vestiu-se de homem e começou a fazer treinamentos militares. Foi aceita no exército francês, chegando a comandar tropas. Suas vitórias importantes e o reconhecimento que ganhou do rei Carlos VII despertaram a inveja em outros líderes militares da França. Morreu em 1431, acusada de praticar feitiçaria, em função de suas visões, e condenada à morte na fogueira. Em 1920 foi canonizada pelo Papa Pio X. Madre Teresa de Calcutá: Nascida em 1910, Madre Teresa foi professora durante muitos anos em Calcutá – Índia, numa escola para meninas de classe alta. Em 1950, depois de muitos anos nas ruas de Calcutá, observando a miséria das periferias, fundou a Congregação das Missionárias da Caridade. Abriu 563 casas em 126 países, que acolhem moribundos, crianças abandonadas, leprosos e doentes com AIDS até os dias de hoje. Essas comunidades se dedicam a oração e a caridade e conta com a ajuda de irmãs e voluntários. Madre Teresa morreu em 1997 e foi canonizada em 2016 pelo Papa Francisco. Irmã Dulce: Nascida em 1914, foi uma religiosa católica brasileira que dedicou a sua vida a ajudar os doentes e necessitados. Desde sua adolescência, começou sua missão ajudando mendigos, carentes e enfermos. Se formou como professora primária e em seguida entrou para a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Em 1936, com 22 anos, fundou a União Operária São Francisco, juntamente com o Frei Hildebrando Kruthaup. Deve-se à Irmã Dulce a criação do Colégio Santo Antônio, voltado para os operários e suas famílias. Ela participou da criação de um albergue para doentes, localizado no convento de Santo Antônio, que depois transformou-se no Hospital Santo Antônio. Irmã Dulce morreu em 1992 e foi canonizada pelo Papa Bento XVI em 10 de dezembro de 2010. Estas mulheres desafiaram seus limites e as leis em busca de atender o chamado de Deus em suas vidas, e até hoje, milhares de pessoas são beneficiadas graças ao legado de paz e trabalho missionário. Há espaço para a missão na vida de todos e todas nós, basta deixarmos ser usados por Deus. “Cuidemos de cumprir bem as tarefas que Deus nos confiou.”  Madre Josefa Stenmanns

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