Chamado na Itália, missionário na Amazônia: entrevista com o frei Paolo Maria

Para celebrar as vocações à vida religiosa consagrada, nosso blog traz a entrevista com o frei Paolo Maria Braghini, missionário italiano capuchinho. De maneira apaixonada e apaixonante, frei Braguinha, como é carinhosamente chamado, fala sobre seu chamado e a missão entre os povos da Amazônia. Imperdível!
Ponte para que diferentes mundos se encontrem

Juan Tapia Contreras é um jovem chileno, missionário do Verbo Divino (verbita). A congregação, conhecida pela sigla SVD, é um dos ramos da Família Arnaldina, a primeira a ser fundada por Santo Arnaldo Janssen. Atualmente, João, como quis ser chamado no Brasil, estuda filosofia no Instituto Santo Tomás de Aquino (ISTA), em Belo Horizonte-MG. Apoia os trabalhos das Casas do Homem de Nazaré e, nos fins de semana, colabora com a pastoral na Paróquia São Gabriel, no bairro Taquaril, na capital mineira. Na entrevista concedida ao também verbita Pe. Arlindo Pereira Dias, da Rede Rua, o missionário partilha um pouco de sua experiência junto ao povo da rua, em 2021. João participou em um projeto de distribuição de alimentos realizado em São Paulo-SP, durante a pandemia de covid-19, coordenado pela Rede Rua. Rede Rua: Quem é Juan René Tapia Contreras? João: Chegando aqui no Brasil, eu quis ser conhecido como João, para facilitar um pouco a vida de todos e também a minha. Percebi que ajudaria no nosso relacionamento. Eu acredito profundamente que, quanto mais familiar e mais próximo eu estiver das pessoas, mais ajudará minha vida pastoral, minha caminhada. Falo assim porque eu sou um religioso da Congregação do Verbo Divino. Sou chileno e estou aqui no Brasil há quase quatro anos. Cheguei em 2019, para fazer uma etapa que nós chamamos de noviciado. Depois de um ano de experiência muito profunda na oração, na contemplação e no conhecimento da Congregação do Verbo Divino, comecei a estudar Teologia em São Paulo. Nessa caminhada, na Teologia, pude também conhecer as pessoas em situação de rua. Então comecei a fazer uma pastoral muito bonita nessa área. Rede Rua: Por que você decidiu continuar no Brasil? João: Eu fiquei no Brasil, depois do noviciado, por uma razão muito prática, e que também tem raízes bem profundas. Na prática, é que, no Chile, eu não tinha mais a possibilidade de estudar Teologia. A nossa Congregação estava para fechar a casa de Teologia. Portanto eu não teria condições para voltar para o Chile. Diante dessa situação, eu fiquei como “sem-casa”, sem pátria para poder continuar minha formação. Mas aí eu vi também a vontade de Deus em poder decidir livremente o lugar que eu poderia ficar. Na verdade, eu tinha opções, porém eu decidi pelo Brasil devido à necessidade de continuar uma busca que eu tinha iniciado lá no noviciado. A busca de estar ao lado, de estar junto aos menos favorecidos da sociedade. Vi essa possibilidade aqui no Brasil, como poderia ser em qualquer parte do mundo, mas eu tinha tido a experiência aqui no Brasil, a qual era muito mais forte e muito mais dilacerante em relação à realidade do povo. Por isso eu decidi fazer minha formação aqui, transformando em prática o que entendia por Teologia. Rede Rua: Como você foi ao encontro do povo da rua? João: Conhecer as pessoas em situação de rua, o povo da rua, era um anseio bem profundo que começou a surgir na mesma época do noviciado. No Chile, eu morava em Santiago e, durante minha formação, havia muitas pessoas em situação de rua, que sofriam bastante. Mas, para mim, isso era uma realidade paralela, uma realidade que não me tocava. A partir da experiência que eu vivi no meu primeiro ano aqui no Brasil, isso me transformou. Era uma experiência espiritual que tinha que se concretizar. Uma experiência que surgiu da oração e tinha que se fazer ação, que tinha que se fazer vida. Eu me lembro de que a experiência mais marcante para chegar à rua, depois dessa experiência de oração, experiência mística, foi conhecer um casal na rua, que se aproximou de mim. Eu mal falava o português e, pior ainda, não entendia quando eles me falavam. Porém eu tive uma atitude de escuta para com esse casal que encontrei na Chapelaria Social da Rede Rua, em 2019. Eles estavam passando e, por acaso, a mulher começou a contar um pouco da vida dela, das perdas que teve, dos filhos e de como chegou à rua. Isso me tocou tanto que, mesmo não compreendendo tudo o que ela me falou, ficou em minha memória e coração. Quando a gente se despediu, foi com um abraço. Ela falou que iria orar por mim, ele também. Isso me marcou bastante, porque, apesar de não nos conhecermos, não ter entendido muito do que eles me falaram, eu tive uma atitude de abertura para com eles. Eu senti que eles também se entregaram para mim. Isso mudou a minha compreensão das pessoas e do mundo daqueles que vivem em situação de rua. Rede Rua: A pandemia o aproximou da população de rua? Como? João: A pandemia, para todos, foi uma situação bem complexa e bem difícil, que nos levou a entrar em nós mesmos. No meu caso, a pandemia me ajudou a pensar mais em mim, coisa que eu normalmente não fazia. Isso teve um efeito contrário. Eu entrei e comecei a pensar mais em mim, comecei a me preocupar mais comigo. Lá dentro, eu percebi que eu tinha que sair de mim mesmo. É interessante, porque, antes da pandemia, eu fazia muita atividade, muita ação social. Mas hoje, olhando para trás, eu vejo que tudo isso é ativismo, que faz bem para muitas pessoas, que são ajudadas, mas, para mim, não era o melhor. Então, quando veio a pandemia, fiquei muitos meses fechado, trancado em casa. Eu percebi que eu precisava sair de mim mesmo. Então foi um duplo movimento: um de entrada e um de saída de mim. Nesse movimento de saída, eu percebi que muitas pessoas precisavam de alguém que as escutasse, de alguém que estivesse perto. Eu sabia que, entrando na rua, chegando à rua, eu não iria mudar a vida ou a realidade que eles estavam vivendo, e que ainda continuam vivendo. No entanto, eu sabia que, pelo menos, iria tocar ou atingir o coração de uma pessoa, ou de algumas pessoas. Isso me motivou, no contexto da pandemia, a
Santo Arnaldo Janssen: um homem à frente do seu tempo

Daqui a 3 dias comemoramos o dia do nosso Santo Arnaldo Janssen e também os 15 anos da sua canonização. Como pai que foi da família arnaldina, claro que todos os anos fazemos questão de lembrar do seu aniversário. Mas não só por isso. Além de fundar a nossa Congregação, Santo Arnaldo foi um homem VISIONÁRIO! Como assim, visionário? Nós te explicamos. Arnaldo Janssen era um homem muito simples. Nascido em Goch, uma pequena cidade da Baixa Renânia (Alemanha), em 5 de Novembro de 1837, ele era o segundo de 10 filhos de uma família católica. Apesar de sua simplicidade, ele gostava muito de estudar e tinha grandes sonhos. E foi a perseverança no seu propósito maior que o tornou conhecido mundialmente. Arnaldo tinha o profundo desejo de ver o amor de Deus se espalhar para todas as nações, resolução que ele não poupou esforços para realizar. Em sua juventude, eram tempos difíceis para os católicos. O governo daquele lugar emitira uma lei proibindo o catolicismo. Muitos fiéis estavam sendo expulsos e também presos. “Como sair dessa situação?”, deve ter pensado Arnaldo Janssen. Foi aí que ele viu desta situação ruim, uma oportunidade para realizar algo que ele sonhava há tempos. Arnaldo propôs aos sacerdotes expulsos do país, que eles fossem em missão a outros países. “O Senhor desafia a nossa fé e incentiva-nos a fazer algo novo, precisamente quando tantas coisas implodem na Igreja”. Com a ajuda de alguns bispos, em 9 de setembro de 1875, ele inaugurou em Steyl – Holanda, sua primeira casa missionária, que mais tarde ficou conhecida como a Congregação do Verbo Divino. E nesta casa surgiram as primeiras mulheres ajudantes da missão. Com o crescimento das mulheres na missão, Arnaldo fundou, com o auxílio de Madre Maria Helena Stollenwerk e Madre Josefa Stenmanns, em 8 de dezembro de 1889, em Steyl também, a Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo e, mais tarde, em 1886, a Congregação das Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua, que se dedica exclusivamente à oração. Esse Arnaldo Janssen não é fraco não, foram 3 congregações religiosas, das quais milhares de missionários foram enviados a quase todos os países do mundo, para ajudar os necessitados e falar do amor de Deus. Santo Arnaldo faleceu no dia 15 de janeiro de 1909, tendo vivido sua vida numa permanente procura da realização da vontade de Deus e confiança na divina providência e no trabalho árduo. Foi canonizado pelo Papa João Paulo II no ano de 2003 e proclamado pioneiro do movimento missionário moderno nos países de língua alemã, holandesa e eslava. Atualmente, há mais de 6.000 missionários do Verbo Divino trabalhando em 63 países. As Missionárias Servas do Espírito Santo são mais de 3.800 e as Servas do Espírito Santo de Adoração Perpétua, mais de 400 (Dados do Vaticano). O que podemos aprender com Santo Arnaldo? Que aqueles que têm grandes sonhos, também devem dar grandes passos. Santo Arnaldo Janssen se empenhou desde cedo pelo seu sonho e foi apenas lá na frente que ele colheu os frutos de seu trabalho missionário. Vale a pena todo o esforço que fazemos para realizar nossas metas. O que você acha de se inspirar em Santo Arnaldo?
Novena Missionária: venha rezar conosco pela nossa casa comum

Neste Mês Missionário que tem como tema “Cuidar da Casa Comum é nossa missão”, preparamos uma surpresa para você: uma novena especial com vídeos e orações! A partir de hoje até o dia 18 de outubro iremos disponibilizar um vídeo + uma oração por dia para você. O trabalho, feito com muito amor pela Pontifícias Obras Missionárias com produção da Verbo Filmes, servirá para que você possa fazer esta novena em casa, no trabalho ou onde estiver. Basta reservar de quinze minutos a meia hora hoje e em cada um dos próximos oito dias. Você pode fazer só ou acompanhado. Nossa proposta é que você veja o vídeo, reze a oração e deixe que a compaixão pelo planeta e o cuidado de nossa casa comum floresça em seu coração. Estaremos em oração com você a partir de hoje. Vamos começar? Oração do Mês Missionário 2016 Pai de misericórdia, que criaste o mundo e o confiaste aos seres humanos. Guia-nos com teu Espírito para que, como Igreja missionária de Jesus, cuidemos da Casa Comum com responsabilidade. Maria, Mãe Protetora, inspira-nos nessa missão. Amém.