Testemunho de um missionário verbita que se evangelizou com sua missão

São José Freinademetz nasceu na Itália, nas Montanhas das Dolomitas, no Tirol. A formação de suas raízes religiosas primariamente foi feita pelas devoções de sua família. Diariamente, rezavam o rosário nas intenções missionárias. Mais tarde, sentindo a vocação ao chamado sacerdotal, fez os estudos de Teologia no seminário de Bressanone. Depois de um tempo, sentiu que sua vocação era ser missionário e conheceu a Congregação do Verbo Divino. Foi para Steyl, Holanda, onde Santo Arnaldo Janssen estava fundando a Congregação. O primeiro passo foi dado enquanto José Freinademetz superava os obstáculos dos idiomas. Ele era ladino, com sua própria língua, foi estudar Teologia em Alemão e, em sua região, também se fala italiano. O missionário foi enviado para a China por sua Congregação do Verbo Divino. Ele sempre foi pessoa simples e humilde, verdadeiro homem de Deus. Sabia que era para sempre e que não voltaria para suas montanhas. Ele levava no coração o envio para evangelizar outros povos. Chegando à China, teve problemas em aprender outra língua e cultura, além de enfrentar um mundo hostil a uma evangelização colonialista daquele tempo. Até na própria comunidade, nem sempre foi fácil a convivência. Mas o missionário, dotado de uma fé profunda e com uma vontade férrea em propagar a Palavra de Deus, foi superando as muitas dificuldades. Naquele ambiente, o padre José foi descobrindo que o Espírito Santo atua por meio das pessoas e culturas para as quais havia sido enviado, passando por sua própria conversão primordialmente. Santuário Quando voltei de minha missão no Paraguai para trabalhar na Itália, foi-me proposta a construção do Santuário, com uma igreja, museu e hospedagem para grupos de retiro. No primeiro momento, achei que era uma grande pretensão poder contribuir para essa obra no lugar onde o santo tinha marcado a vida de muitas pessoas. Com o tempo, aceitei o desafio, porque senti que era um processo pelo qual eu poderia me identificar com os valores aprendidos na missão e que enriqueceriam os peregrinos que passavam por Oies, na busca de um lugar tranquilo onde poderiam rezar e meditar a vida missionária com o exemplo de São José Freinademetz. Um ambiente sossegado, onde as pessoas vão ao encontro com elas mesmas e se abrem à escuta de Deus. Gostei dessa motivação que estimulou minha caminhada como verbita missionário, podendo incluir um testemunho que é muito animador e inspirador na obra de Deus. A cada vez que vou à Itália, passo vários dias na Casa do Santo, buscando entender como ele segue acompanhando a mim e a tantos outros verbitas e peregrinos em busca de respostas valiosas, até o dia de hoje, aos desafios na missão. É uma graça que Deus me proporciona quando sinto essa aproximação e que me guia no dia a dia, no meio de um discernir o que é de Deus e o que posso abandonar. Daqui, vejo o quanto são importantes os testemunhos de vida que deixamos trilhar neste mundo e que fazem a diferença de uma vida plena, com uma espiritualidade com o pé no chão, perto do povo, percebendo a vontade de Deus em nossa vida. Agradeço essa possibilidade de comunicar, com carinho e alegria, o que me faz mais verdadeiro como missionário verbita. Irmão Paollo Delucca, SVD.
Aquele rolê na China

Já viajou pra um lugar onde você não conhecia ninguém, não sabia que gosto tinha a comida e ainda nem falava a língua? A gente se sente como um peixe fora d’água não é? Essas situações são vividas por milhões de migrantes no mundo inteiro. Hoje queremos contar a história de vida de um migrante muito importante pra nós. José Freinademetz, o primeiro missionário do Verbo Divino, Congregação que também foi fundada pelo nosso fundador. Nascido em abril de 1852, no Norte de Itália, era de uma família simples e com uma grande fé católica. Estudou Teologia no Seminário Diocesano de Bressanone (Brixen) e foi neste momento de sua vida que nasceu a paixão pela missão. Em 1978 foi para China em Shantung do Sul, uma província com 12 milhões de habitantes e somente 158 cristãos. Foram dois anos marcados por duras e longas viagens, assaltos e dificuldades na formação das pequenas comunidades cristãs. Mas apesar de todo o sofrimento, José Freinademetz sempre se manteve dedicado à preparação, animação espiritual e formação de sacerdotes chineses e de outros missionários. Seu amor pela China era tão grande, que ele quase queria se transformar num chinês, numa carta para sua família ele disse: “Eu amo a China e os chineses; eu quero morrer e ser sepultado entre eles. E no céu eu quero ser um chinês”. Faleceu em janeiro de 1908 e o seu sepulcro se transformou num centro de peregrinação para os cristãos. Antes de ir, ele deixou uma lição muito bonita, a de que o amor é um exercício diário, é deve ser feito mesmo nas pequenas atitudes. Pois, foi com o estímulo do amor, que ele conseguiu conviver num país estranho e superar todos os momentos difíceis. Se você é migrante e se sente sozinho, venha visitar o nosso Centro de Integração do Migrante, estamos te esperando de braços abertos.