O encontro que me libertou (Jo 7,53-8,11)

A passagem de Jesus e a adúltera insere-se na narrativa das conversas entre Jesus e os “judeus”, inclusive interrompe esses debates. Os estudiosos se questionam sobre o sentido de a perícope encontrar-se justamente nessa seção. O tema em si mesmo é incomum no quarto Evangelho. Além do mais, a forma literária (apotegma ou paradigma) em que se expressa é um gênero mal atestado no restante do escrito joanino. Chama-nos também a atenção a mudança na atitude de Jesus. Nas seções anterior e posterior, nós o vemos discutindo; aqui, porém, fica calado e, somente no fim do episódio, toma a palavra. Uma das hipóteses explica que a razão de essa perícope estar nessa seção está em seu conteúdo. Entretanto, antes de seguir com a apreciação do texto, propomos sua leitura, para melhor acompanhar os comentários. 7 53E cada um voltou para sua casa. 8 1Jesus foi para o Monte das Oliveiras. 2De madrugada, voltou ao templo, e todo o povo se reuniu ao redor dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3Os escribas e os fariseus trouxeram uma mulher apanhada em adultério. Colocando-a no meio, disseram a Jesus: 4“Mestre, esta mulher foi flagrada cometendo adultério. 5Moisés, na lei, nos mandou apedrejar tais mulheres. E tu que dizes 6Eles perguntavam isso para experimentá-lo e ter motivo para acusá-lo. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo. 7Como insistiram em perguntar, Jesus endireitou-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado atire a primeira pedra!”. 8Inclinando-se de novo, continuou a escrever no chão. 9Ouvindo isso, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos. Jesus ficou sozinho com a mulher que estava no meio em pé. 10Ele se endireitou e disse-lhe: “Mulher, onde estão eles Ninguém te condenou”. 11Ela respondeu: “Ninguém, Senhor!”. Jesus então lhe disse: “Eu também não te condeno. Vai e, de agora em diante, não peques mais”. Em 7,53-8,1-2, temos a conclusão da perícope anterior, e a introdução à seguinte cena. Nesta, os agentes da ação são os escribas, os fariseus, a mulher, Jesus e, provavelmente, também a presença de uma multidão que estaria ouvindo os ensinamentos de Jesus. A narrativa pode ser dividida da seguinte forma: vv. 3-6b, descrição o inquérito dos fariseus e escribas; vv. 6c-8, a reação de Jesus; e, nos vv. 9-11, o desenlace. O quadro está emoldurado de elementos-chave, tais como “ir para casa-templo”, os interlocutores vão para casa; “o Monte das Oliveiras”, nos sinóticos, há referências de Jesus dirigir-se, nas noites, ao Monte das Oliveiras (cf. Lc 21,37); “na madrugada, ou dia seguinte”, essa expressão realça a autoridade dos ensinamentos de Jesus. Há outros elementos que, por sua importância, merecem uma explicitação mais ampla. Chama nossa atenção, sobretudo, a reação de Jesus diante dos acusadores: “Jesus começou a escrever no chão com o dedo” (v. 6c). “Inclinando-se de novo, continuou a escrever no chão” (v. 8). Qual é o sentido desse movimento de Jesus Que significa escrever com o dedo no chão O que será que ele escreveu Em O Evangelho segundo João, Johannes Beutler, considera a observação de Thomas O’Loughin. Esse estudioso, por sua vez, trouxe à tona a leitura comparativa feita por Santo Agostinho, entre João 8,1-11 e a escrita do Decálogo. Lembremos que é no Decálogo que se assentam as bases de julgamento contra o adultério. O adultério era tido como um dos três pecados mais graves, portanto a Lei a seu respeito era a pena de morte (cf. Lv 20,10; Dt 22,23-24). Na época de Jesus, quando surgia algum problema legal difícil, costumava-se levá-lo aos rabinos, para que estes tomassem uma decisão. Dessa forma, compreende-se que os escribas e fariseus se aproximaram de Jesus como a um rabino. Trouxeram-lhe uma mulher surpreendida em adultério. Eles tinham razão em sua acusação, mas, observando atentamente a trama, percebe-se que faltam elementos para um processo formal de julgamento contra um caso de adultério, pois o parceiro, que igualmente deveria ser submetido à ação, estava ausente (cf. Lv 20,10; Dt 22,22-24). Isso leva a supor que o problema em questão era bem mais complexo. A cena traz o tom acusador, porém o foco da acusação é Jesus e não a mulher. O texto diz que os escribas e fariseus queriam experimentar e acusar Jesus. Jesus é colocando diante de um dilema, se concordasse com os escribas e fariseus que era preciso apedrejar a mulher, estaria contradizendo-se em seu amor e sua misericórdia. E ainda estaria atentando contra a lei romana, pois, sendo judeu, não tinha poder de impor a pena de morte. Se, pelo contrário, ele dissesse que era preciso perdoá-la, seria acusado de desobedecer à Lei de Moisés. É evidente que os escribas e fariseus pretendiam fazer Jesus cair numa armadilha. Diante desse cenário, a resposta de Jesus foi decisiva, porém Jesus se calou, curvou-se e escreveu com o dedo no chão. Seguindo a leitura comparativa de Santo Agostinho, estamos diante de um contraste entre a escrita em pedra do Decálogo e a escrita de Jesus na areia. Será essa diferença a grande mensagem dessa perícope? Em todas as épocas, as leis surgem visando a garantir o desenvolvimento integral dos indivíduos e das coletividades. Pois, quando a vida se vê ameaçada, requer mecanismos que a resguardem. Desse modo, em todas as sociedades, as leis se tornam necessárias. Entretanto, quando essas leis são manipuladas em benefício de uns poucos ou de alguma instituição, elas se tornam instrumentos de opressão e morte, sobretudo para os mais indefesos. Mas Deus não abandona. Ele, de diversas formas, impele-nos à conversão. Deus continuamente suscita no coração das pessoas a chama profética em favor da vida ameaçada (cf. Is 1,21-23; 58,3-7; Am 2,6-8; 5,10-12; Mq 3,1-4). No silêncio de Jesus, podemos ler a atitude profética de denúncia: “Por isso o sábio se cala neste tempo, porque é tempo de desgraça” (Am 5,13). O silêncio profético é um grito de denúncia contra a injustiça. Além do mais, o gesto desconcertante de Jesus de inclinar-se e escrever na areia obriga os acusadores a repetir a pergunta. Será que

Guia Prático para o Mês Missionário Extraordinário

A Vivat Brasil, durante o encontro sobre o Sínodo da Amazônia, ofereceu este guia prático com sugestões e indicações de materiais para ser usados em outubro, para as atividades do Mês Missionário Extraordinário. Agora disponibilizamos na versão eletrônica, com os links para os materiais disponíveis na internet. Motivações e sugestões Para uso nas celebrações paroquiais, nas escolas, nos grupos de base e nas diversas instituições sociais das (arqui)dioceses. Motivação para o Mês Missionário Extraordinário (MME) e o Sínodo para a Amazônia (usar também o material do Mês Missionário):a. contextualizar a partir da Vivat Brasil;b. contexto atual do Brasil / importância do Sínodo e sua relação com o MME. 2. Sugestões práticas: Aproveitar o tempo antes das missas ou celebrações dominicais, para uma maior sensibilização a respeito do Sínodo, com vídeos e canções relativos ao tema da ecologia integral. Usar símbolos ecológicos durante a liturgia. Trabalhar a mesma temática nos diversos encontros e atividades da paróquia, escola ou instituição ao longo do mês de outubro. Utilizar atividades escolares para divulgar e discutir as questões relativas à ecologia integral e à realidade da Amazônia. 3. Durante o Mês Missionário Extraordinário, colocar banners com a temática da Amazônia em frente à comunidade ou instituição. 4. Usar Power Point com fotos e canções durante as missas ou encontros de formação e animação. 5. Sugestão prática para os domingos do mês de outubro:Orações do Mês Missionário Extraordinário e do Sínodo da Amazônia para serem rezadas no fim de celebrações e encontros. Dia 29 de setembro – Vídeo: Preparação para o Sínodo Dia 6 de outubro – Abertura solene do MME – Vídeo: Sínodo para a Amazônia Dia 13 de outubro – Canonização da Ir. Dulce – Vídeo: Mãos Carinhosas Dia 20 de outubro – Domingo das Missões – Vídeo: O Mês Missionário e a Amazônia Dia 27 de outubro – Encerramento do Sínodo da Amazônia – Vídeo: Repam – documentário 6. Orações do Mês Missionário Extraordinário e do Sínodo da Amazônia para serem rezadas no fim de celebrações e encontros.

Vivat Brasil promove encontro sobre Sínodo da Amazônia

O Sínodo da Amazônia está provocando muita polêmica por causa da desinformação que está sendo divulgada, confundindo o público sobre suas finalidades e importância para a Igreja e para a humanidade. De fato, o Sínodo abordará questões relacionadas à evangelização e preservação do meio ambiente pela prática de uma ecologia integral, não somente na Amazônia brasileira, mas nos nove países que integram a Pan-Amazônia. Devido à urgência de esclarecer e envolver as pessoas na proposta do Sínodo da Amazônia, a Vivat Brasil promoveu um encontro para aprofundar o Documento de Trabalho e preparar agentes de pastoral, professores e representantes de organizações, para buscarem estratégias de como trabalhar os temas relacionados com a ecologia integral em suas comunidades ou locais de base. O encontro foi realizado neste sábado, 14 de setembro, no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP. Participaram 50 pessoas, membros da Vivat Brasil e representantes de dez paróquias da Grande São Paulo. O encontro foi aberto com um momento de espiritualidade ao ar livre, para se sentir o contato com a Criação, e continuou com apresentações dos conteúdos e estudo em grupos. Irmã Maria Percila Vieira, coordenadora provincial das missionárias servas do Espírito Santo, uma das congregações fundadoras junto com a Congregação do Verbo Divino, acolheu os presentes e explicou que os membros de Vivat Brasil julgaram importante provocar “uma maior consciência nas comunidades em relação a esse importante evento convocado pelo Papa Francisco, que envolve a Igreja da Amazônia, mas que deve também ser assumido por nós que estamos mais ao sul”, explicou. O missiólogo verbita, padre Fernando Doren, e a cientista da religião, Nilda de Assis Cândido, iluminaram uma parte do encontro. Eles apresentaram a síntese de alguns capítulos do Documento de Trabalho. Outros sete padres e duas religiosas também participaram. Foi distribuído o “Guia prático para o Mês Missionário”, com sugestões de cantos, apresentações e vídeos para serem utilizados durante o mês de outubro, tanto nas celebrações e atividades paroquiais como também nas escolas e outras organizações. Os interessados no guia poderão seguir o link e ter acesso ao conteúdo. No encontro também esteve presente a liderança indígena Imaculada Lima Barreto, da Região do Rio Negro e da etnia tucana, que atualmente reside em São Paulo. Ela deu testemunho da contribuição dos povos indígenas na preservação da floresta. No estudo em grupos, os participantes conversaram sobre as sugestões concretas do Documento de Trabalho, procurando ver como aplicá-las à realidade de São Paulo. Sugeriram utilizar as motivações do Mês Missionário Extraordinário e do Sínodo da Amazônia para chamar a atenção sobre o cuidado da Criação e aproveitar as sugestões do Guia Prático antes das missas e celebrações dominicais ou mesmo durante a própria celebração, como pequenos vídeos, a Oração do Sínodo, a Oração do Mês Missionário e alguns cantos de Campanhas da Fraternidade anteriores que abordam a preservação da natureza. Outra proposta foi a instalação de painéis para dar visibilidade ao Sínodo. Padre Arlindo Pereira Dias, um dos organizadores do encontro, avaliou que os participantes “desejam encontrar formas de estar em comunhão com os membros do sínodo em Roma e apoiar concretamente essa iniciativa importante e vital, relacionada com o cuidado da casa comum que Deus nos entregou com tanto carinho”. Segundo ele, a ecologia tem sido presença constante nas Campanhas da Fraternidade desde 1979, mas precisa ser mais bem compreendida. “Queremos gerar ações concretas e, ao mesmo tempo, dar prosseguimento a esse caminho depois da realização do Sínodo”, acrescentou Pe. Arlindo. Como parte da equipe organizadora do encontro, fiquei muito feliz com o engajamento e compromisso dos participantes. Todos saíram muito motivados para trabalharem as temáticas do Sínodo em seus próprios ambientes e com muito desejo de se organizarem para que a reflexão sobre a ecologia integral se transforme em ações concretas nas comunidades. Também expressaram o desejo de continuar a se reunir para estudo e aprofundamento. Do ponto de vista da Vivat Brasil, o encontro trabalhou uma das ações imediatas propostas pela rede de congregações que fazem parte da instituição, que é o acompanhamento do Sínodo da Amazônia e também se articular melhor dentro de suas duas prioridades: sustentabilidade e cultura da paz. Para conhecer melhor as propostas da Vivat Brasil, sugerimos assistir ao vídeo produzido pela Verbo Filmes, disponível no Youtube: Vivat Brasil – workshop maio 2019. Ir. Ana Elídia Caffer Neves, SSpS, secretária executiva da Vivat Brasil, jornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN). _______

À luz do Evangelho dominical

O Evangelho deste domingo (Lc 15,1-32) traz três parábolas de Jesus: a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho pródigo. Três situações em que há uma quebra da unidade e algo ou alguém se perdeu: a ovelha que se desgarrou do rebanho, a moeda que precisou ser procurada e o filho que abandonou a família e esbanjou seus bens até cair na miséria. Em todas essas situações, Jesus mostra o quanto Deus se importa com cada pessoa, mesmo com aquelas que se desviaram do caminho e fizeram coisas erradas. No vídeo, o biblista Afonso Giglio Junior explica cada uma das parábolas e, partindo da história do filho pródigo e cada um dos personagens, apresenta os cinco passos necessários para o perdão. E você, com qual dos irmãos se identifica? Assista ao vídeo e se deixe tocar pelo amor misericordioso de Deus.

“Quanto amo a tua Palavra; passo o dia todo a meditá-la…” (Sl 119,97)

Este versículo descreve, com fidelidade, o que de fato tem sido o bibliodrama em nossas vidas. Chegamos à terceira etapa de nosso curso, e posso dizer que, a cada encontro, seguimos as palavras do Mestre: “Duc in altum”, avancem para águas mais profundas (Lc 5,4).   Participar do bibliodrama tem sido uma experiência única! Desde o primeiro encontro, passamos por momentos de profunda intimidade com Deus e com nós mesmos. O grupo está em perfeita sintonia, e isso pode ser percebido nos momentos de oração que são preparados a distância e que se conectam perfeitamente com as propostas de trabalho de nossos queridos facilitadores. Nossos encontros começam sempre com a oração que dará o tom de todo o trabalho a ser realizado. Confesso a vocês que, no primeiro momento, fiquei um tanto apreensivo, reticente sobre como seria o curso, mas, depois da primeira dinâmica de apresentação, toda e qualquer possibilidade de “travamento/estranhamento” foi por terra. Ali percebi o agir de Deus… e me deixei conduzir por seu Espírito. No bibliodrama, a porta de entrada para mergulharmos na Palavra é a preparação do ambiente de acordo com o texto bíblico a ser trabalhado. A contemplação da cena, fazer-se presente nela, faz-nos participantes daquele instante em que os protagonistas do texto sagrado fizeram a experiência. Mas o mais importante é que não repetimos a experiência deles, somos convidados, ou melhor, impelidos a sermos os protagonistas. Colocamos ali nosso viver, nossos sentimentos, frustrações, alegrias, esperanças… E isso faz toda a diferença, porque a Palavra ganha um novo sentido para nós. Nós nos tornamos um com a Palavra. Fazer essa experiência traz uma dinamicidade, uma profundidade que torna impossível fazer uma leitura bíblica sem querer aprofundar e atualizar seu sentido em nossas vidas. No encontro passado, conhecemos um novo elemento de bibliodrama, o “bibliolog”. Dos elementos trabalhados, esse foi um dos mais interessantes, pois nos permite “ler o que não está escrito” no texto. E aí está toda a maravilha dessa experiência, “o que não está escrito” passa a ser “escrito” com a nossa vida. A Palavra nos fala, ou melhor, grita para nós. E, ao ser interpelado por ela, não existe a menor possibilidade de ficar calado ou de não se deixar transformar… É o Oleiro moldando/refazendo o barro/vaso. E, como nos diz o profeta: “Assim também acontece com a minha palavra: ela sai da minha boca e para mim não volta sem produzir seu resultado, sem fazer aquilo que planejei, sem cumprir com sucesso a sua missão” (Is 55,11). Alexandre Pinho Britto, Bacharel em Teologia e Licenciado em Filosofia, coordenador da Pastoral do Colégio Imaculado Coração,no Rio de Janeiro. ________

Vem aí o Mês Missionário Extraordinário

O mês de outubro, na Igreja, é o Mês das Missões. Mas, neste ano, será um mês ainda mais especial, com a proclamação, pelo Papa Francisco, do “Mês Missionário Extraordinário”. O objetivo é “Despertar, em medida maior, a consciência da missio ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral”. As missionárias servas do Espírito Santo, nos cerca de 50 países onde estão presentes em todo o mundo, abraçaram o apelo do Papa Francisco e estão se mobilizando para dinamizar o Mês Missionário, tanto em suas comunidades como nos locais e obras onde atuam. A secretária-geral das Missões, Ir. Gretta Maria Fernandes e Ir. Maria Cristina Avalos, da Direção-Geral da Congregação, em Roma, gravaram um vídeo, incentivando todas as irmãs a intensificarem ações missionárias e ajudarem a animar a Igreja local em torno do Mês Missionário Extraordinário. No Brasil, na Província Stella Matutina, as irmãs também estão se organizando para vivenciar, com intensidade, o mês de outubro. De acordo com a coordenadora provincial, Ir. Maria Percila Vieira (ao centro, na foto), o ponto fundamental é “Retomar o nosso ser missionário e nos animar mutuamente”. Para isso, ela está enviando uma mensagem a todas as irmãs, com algumas propostas para o Mês Missionário Extraordinário. Entre as ações concretas apresentadas, a primeira já está sendo feita, que é o acompanhamento da preparação do Sínodo da Amazônia, com estudo e orações nas comunidades. Como subsídio, as irmãs estão utilizando o texto “40 dias pelo Rio: navegando juntos a boa-nova de Deus a caminho do Sínodo Amazônico”, escrito por Mauricio López Oropeza, secretário executivo da Repam (Rede Pan-Amazônica), e publicado pela Unisinos, entre outros. As demais ações incluem a participação dos alunos e das irmãs nas atividades do Mês Missionário em cada escola e também encontros celebrativos nas comunidades, reunindo as que estão mais próximas. A ideia é levar a Cruz Missionária a cada um dos locais onde as irmãs estão e aprofundar o compromisso com a missão. A Cruz é uma cópia da que foi utilizada no Congresso Missionário na Bolívia e tem um rico simbolismo a respeito da evangelização. Outra realização para o Mês Missionário Extraordinário é o lançamento da Capela Missionária Virtual SSpS, um espaço on-line onde as pessoas poderão rezar, deixar pedidos de oração, interagir com as irmãs, receber informações missionárias e até colaborar com os projetos de evangelização. Essa é uma iniciativa da Equipe de Espiritualidade com a Equipe de Comunicação da Província e está em fase de preparação. Significado da Cruz Missionária A cruz missionária recorda a Páscoa de Jesus, que ilumina nossa vida e missão. A haste está em forma de espiral ascendente. Recorda o movimento característico da missão, da Encarnação em direção à Páscoa de Jesus crucificado e ressuscitado, que ilumina e transforma a realidade. Os cravos testemunham o martírio de Jesus na Cruz. As flores que brotam da Cruz representam a vida nova que nasce da Páscoa de Jesus Cristo. Em meio à dor e ao sofrimento, Deus se manifesta e faz ressurgir a esperança e alegria do Evangelho. A inscrição IHS significa “Jesus, Filho de Deus, Salvador dos Homens”. Relíquia de Santa Nazária, fundadora de uma Congregação Missionária feminina na Bolívia. A Cruz Missionária nesse formato faz memória às missões jesuítas da Bolívia e à evangelização dos povos da América Latina. Ela expressa o amor infinito de Deus e a salvação da humanidade. Hoje, a Cruz continua inspirando a evangelização dos povos e animando nossa espiritualidade na ação missionária.

“Estamos aqui porque amamos a escola”

Entre os dias 28 e 30 de agosto, os coordenadores missionários da Rede de Educação Servas do Espírito Santo estiveram reunidos no Centro Missionário Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, para alinhar os objetivos da aprendizagem do Programa de Ensino Religioso dentro das especificidades da Base Nacional Comum Curricular. A inspiração do encontro foi a frase do Papa Francisco: “Nós estamos aqui porque amamos a escola. E digo ‘nós’ porque eu amo a escola, eu amei a escola como aluno, como estudante e como professor. E depois como bispo”. O encontro foi produtivo e enriquecedor. Juntamente com a Assessoria Pedagógica, propôs aos coordenadores missionários das escolas caminhos que deverão guiar as novas ações educacionais. O momento contou também com a Ação Pastoral das unidades, a qual tem por objetivo promover um novo jeito de ser e viver baseado no amor trinitário. Nesse sentido, as ações da Dimensão Missionária nas escolas devem iluminar toda a prática educativa, possibilitando que os processos pedagógicos contribuam com a transformação social e o compromisso com a vida, por meio da vivência da solidariedade e a busca por uma cultura de paz.  Ações solidárias, voluntariado, grupos de preparação para os sacramentos da Eucaristia e crisma, Juventude e Infância Missionárias, formação de educadores e pais, Missão Sem Fronteiras, Semana Sem Fronteiras, entre outros assuntos, foram discutidos e planejados pela equipe que acredita e realiza a educação por amor e com amor. “O encontro garantiu que os educadores retornassem a suas escolas com novas expectativas e uma bagagem renovada e preparada para o âmbito educacional”, afirma Agostinho Travençolo Júnior, coordenador missionário da Rede de Educação. Continue acompanhando o trabalho missionário das escolas, acessando o Instagram: https://www.instagran.com/acoespelapaz Luciana Marzullo Araujo, pedagoga e cientista da religião, coordenadora da Pastoral do Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG. ________

À luz do Evangelho dominical

Hoje é muito fácil dizer que seguimos Jesus, que somos seus discípulos e discípulas. Mas será que estamos seguindo os critérios que o próprio Jesus nos apresenta para seu seguimento? O Evangelho deste domingo nos apresenta quais as condições para poder ser discípulo ou discípula de Cristo. São exigências que vão até a raiz mais profunda de nossa vida e de nossos afetos. Jesus exige amor absoluto, desapego total e disposição para tomar a cruz. Será que estamos dispostos? O projeto do Reino de Deus é tão importante que não dá para fazer de conta. Seguir Jesus é entregar a própria vida, como Ele mesmo fez. Para nós, isso é impossível, mas, com a graça do chamado que Jesus faz a cada pessoa, podemos colocar tudo o que somos e temos a seu serviço e da humanidade. No vídeo produzido pela Verbo Filmes, o biblista Afonso Giglio Junior fala da radicalidade do seguimento de Cristo e da resposta que o Evangelho pede de nós. Confira!

“Este sistema não Vale!”: Grito dos Excluídos

O Grito dos Excluídos completa, neste ano, sua 25ª edição. Assumido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde 1996, o Grito ocorre anualmente e é uma grande construção coletiva, com articulações que se estendem por todas as regiões do País, reunindo os mais diversos grupos, entidades, Igrejas e movimentos sociais. Contrapondo-se ao Grito da Independência, o Grito dos Excluídos tem sua culminância no Sete de Setembro, mas a sua reflexão se estende por todo o ano. Além de questionar os padrões de independência do povo brasileiro, essa grande manifestação popular tem como proposta ecoar a voz dos excluídos e marginalizados da sociedade, denunciando as mais variadas formas de exclusão e refletindo sobre os caminhos de construção para um Brasil mais justo, solidário e fraterno para TODOS os cidadãos e cidadãs. Com o lema nacional, “Este sistema não Vale! Lutamos por justiça, direitos e liberdade”, este ano o Grito propõe refletir sobre quatro eixos: • Sistema capitalista: a manifestação quer alertar para a insustentabilidade do sistema capitalista que, endossado pelo sistema político, vem gerando cada vez mais mortes e degradação. • Justiça: o Grito quer também debater sobre o sistema de justiça e proteção que almejamos, uma vez que “ainda não temos justiça que liberta e direito que protege os pobres”. • Direitos: com esse eixo, busca-se denunciar a exploração e a precarização que vêm ocorrendo no Brasil, afetando brutalmente a vida dos mais empobrecidos. • Liberdade: diante das atuais ameaças às diversas liberdades conquistadas por muita luta e sangue em nosso País, o Grito quer defender esses direitos: a liberdade de ir e vir, de ficar, de falar, de manifestar-se, de ser oposição. Os problemas sociais, às vezes, parecem muito grandes e, geralmente, sentimo-nos impotentes diante deles, sem saber o que fazer. Participar do Grito dos Excluídos, somando com outras pessoas, é uma excelente atitude que pode gerar mudança social. O Grito ocorre em muitas cidades do Brasil. Informe-se e participe! Seja protagonista da transformação de nossa sociedade! Stela Martins, SSpSCoordenadora da RedesRede de Solidariedade _______

Dia da Amazônia

Comemorando o Dia da Amazônia, 5 de setembro, queremos refletir sobre nossa atitude em relação a essa grande dádiva da criação, importante não somente para nós brasileiros, mas também para a preservação da vida e do equilíbrio climático de todo o planeta. Neste artigo, Frei Betto fala sobre o Sínodo da Amazônia e da necessidade de se cuidar da ecologia integral, incluindo os povos da floresta, que são os mais ameaçados. Como cristãos, somos convidados a adotar uma postura ética em favor da vida e da integridade da criação. Amazônia, o rosto ecológico de Deus A Igreja tem consciência de que, se agora defende a causa indígena, ainda não se libertou da influência do projeto colonizador que vigorou no passado O Sínodo da Amazônia, convocado pelo papa Francisco para outubro, terá lugar em Roma, numa decisão equivocada do Vaticano, pois fora agendado, de início, para ocorrer no coração da selva. Ali se debaterá mais do que a presença da Igreja Católica naquela região interconectada e cada vez mais violenta e desigual. O bioma amazônico engloba nove países e ocupa mais de 7 milhões de km² habitados por 34 milhões de pessoas, das quais 3 milhões são indígenas, que dominam 340 diferentes idiomas. Ali, cada metro quadrado tem mais diversidade do que qualquer outro lugar do planeta. O bioma possui três tipos de rios: os de superfície; o subterrâneo, conhecido como “alter do chão”; e os “rios voadores”, assim chamados por acumular vapor na atmosfera e distribuí-lo em forma de chuva em toda a América do Sul. A Amazônia exerce forte relevância no ciclo do carbono, ao absorvê-lo em bilhões de árvores e impedir sua liberação na atmosfera em forma de gás. Reduz, assim, o aquecimento da Terra. As quatro dádivas da região são: • povos que sabem viver da selva e na selva, sem ameaçá-la; • o ciclo das águas e do carbono; • a biodiversidade; • e a regulação do clima. Segundo o papa Francisco, “os povos amazônicos originários nunca estiveram tão ameaçados em seus territórios como agora”. Em sua sabedoria ancestral, eles nos ensinam a se relacionar com a natureza, os demais seres humanos e Deus. No entanto, agora são vítimas de assassinatos, expulsões de suas terras, ação de grileiros e mineradoras, desmatamento, e proibição de se reunir e organizar. A Igreja tem consciência de que, se agora defende a causa indígena, pela qual há tantos mártires, por outro lado ainda não se libertou da influência do projeto colonizador que vigorou no passado. O Sínodo busca justamente implantar uma Igreja pós-colonial e solidária, com rosto amazônico e indígena. Para a Igreja, a região é muito mais do que um lugar geográfico; é também um lugar teológico, no qual transparece a face de Deus criador. Não há como manter a floresta de pé sem a sabedoria dos povos que a habitam. O “capitalismo verde” não convém, pois se rege pelas leis do mercado e busca patentear princípios e essências, privatizar a água e promover a pirataria dos saberes populares. Os povos indígenas guardam ainda uma sintonia holística com o Cosmo. Seus sentidos aguçados estabelecem um diálogo permanente com a natureza. Conhecem cada ruído, prenunciam a chegada da chuva ou da seca, identificam os recursos medicinais das ervas. O índio não é um indivíduo na natureza. Seu corpo, o território no qual habita e a natureza formam uma unidade. Os indígenas respiram uma cultura que se traduz, de fato, em espiritualidade da reciprocidade. Através de ritos e festas, celebram a exuberância da natureza e exorcizam os espíritos malignos. Sem recorrer à escrita, passam de geração a geração a cultura do cuidado da floresta e do respeito a todos os seres vivos. Para eles, a terra não é um bem econômico, e sim dom gratuito de Deus no qual descansam seus antepassados, e espaço sagrado com o qual interagem para preservar sua identidade e valores. Sofrem, no entanto, sérias ameaças de uma equivocada concepção de desenvolvimento e riqueza que lhes cobiçam as terras para implantar projetos extrativos e agropecuários, indiferentes à degradação da natureza e à destruição de suas culturas. Cinco grandes sintomas da crise planetária se manifestam na Amazônia: 1) mudança climática; 2) envenenamento da água; 3) perda da biodiversidade; 4) degradação da qualidade de vida humana e da natureza; 5) conflitos sociais marcados por violência e assassinatos. A convocação do Sínodo Panamazônico pelo papa Francisco é uma boa nova para toda a humanidade. Frei Betto é escritor, autor de “A obra do artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros. O texto foi publicado originalmente pelo portal O Globo.

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