Websérie Diálogos: sírio fala de sua situação no Brasil e de projetos em favor dos refugiados

Há uma década, o povo da Síria, nação localizada no Oriente Médio, vem sofrendo devido a uma disputa de poder. O país está situado em uma região estratégica e atrai a cobiça de poderosos locais e estrangeiros. Apesar da riqueza de uma cultura multimilenar, os efeitos da guerra continuam a ter um impacto desastroso sobre os sírios em todo o mundo. Cerca de 12 milhões de pessoas, quase a metade da população pré-conflito, estão deslocados tanto dentro quanto fora do país, inclusive no Brasil. Abdulbaset Jarour fugiu da Síria aos 20 anos e, em 2014, buscou refúgio no Brasil. Ele nasceu em Alepo, a maior cidade do país e uma das mais antigas do mundo. Em conversa com a irmã Maria Inês Aragão, missionária serva do Espírito Santo, Abdulbaset conta que sua terra natal é um lugar de referências bíblicas. As memórias são talvez as coisas mais essenciais que podemos estimar ao longo de nossa vida. Elas desenvolvem nosso caráter conforme nossas percepções, e os encontros passados ficam lá guardados. As memórias da guerra e da violência desempenharam um papel significativo na formação do que Abdulbaset é hoje. “A vida me tornou refugiado pela maldade humana”, afirma. Somente quem vive em uma terra estrangeira entende o que significa ser um refugiado. Ele conta que é muito doloroso estar nessa condição. Por sentir na pele o drama de ter de abandonar a própria terra, hoje é ativista em favor da causa migratória e tem projetos para fazer ainda mais pelas pessoas que estão na mesma situação. Qual é a nossa resposta para pessoas refugiadas? Cito o 14º Capítulo-Geral da Congregação das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo: “As necessidades de nosso planeta são esmagadoras e sempre mudando. Nosso carisma nos chama a servir aqueles que mais precisam receber as boas-novas do amor de Deus que tudo inclui. Suas histórias se tornam nossa história, e nossa história não pode ser dita sem eles”. Por meio da dimensão de Comunicação SSpS no Brasil, trazemos um dos episódios sobre o contexto dos refugiados em nosso país. Podemos fazer algo para promover a paz e a fraternidade? Veja a entrevista! Ir. Elizabeth Rani, SSpSMissionária serva do espírito santo, nascida na Índia e há um ano no Brasil. Estudou Pedagogia e Literatura Inglesa e faz parte da Equipe de Comunicação da Província.

CIM celebra o Dia Internacional do Migrante e apresenta novidades

Em 18 de dezembro, o Centro de Integração do Migrante (CIM), localizado em São Paulo-SP, celebra o quinto aniversário e o Dia Internacional do Migrante. A data foi proclamada em 4 de dezembro de 2000, com a Resolução 55/93 da Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), diante do aumento do fluxo migratório no mundo. Há dez anos, em 18 de dezembro de 1990, a Assembleia adotou a Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migratórios e de suas Famílias. Celebrar significa, antes de tudo, uma oportunidade para reconhecermos a contribuição das(os) migrantes ao bem-estar, à economia, à cultura, à religiosidade trazidos de tantas nações. É promover o respeito a seus direitos humanos e à cidadania universal de que são detentores como cidadãos membros da família humana. O CIM tem como propósito acolher e integrar as(os) migrantes na capital paulista. O centro oferece um espaço físico no bairro do Brás como uma alternativa de devolver a dignidade e a autoestima, muitas vezes deixadas para trás forçadamente. Para o CIM, nestes cinco anos de existência, o mais significativo é lembrar a acolhida, com o testemunho das(os) migrantes de encontrar um lar, uma casa, uma família. A escuta, a orientação, a capacitação, os acompanhamentos marcaram a vida desde as crianças até os mais idosos, pessoas vindas de países vizinhos ou dos mais distantes, com culturas riquíssimas e religiões diversas. O CIM aprende todo dia com essas riquezas. Muitos são os momentos oferecidos pelo CIM para integrar nacionalidades: momentos de convivência, intercâmbio, delícias gastronômicas, música, dança. As crianças, sempre uma alegria à parte, foram as mais beneficiadas com muitas atividades socioculturais e lúdicas, integrando diferentes países como Congo, Chile, Brasil, Bolívia, Peru, Paraguai. Especialmente neste tempo tão difícil por que estamos passando, de distanciamento físico, a partilha e a solidariedade chegaram a mais de 1200 famílias. Nossa especial gratidão a cada pessoa, a cada migrante e a cada instituição que fez sua doação generosa e solidária. O ano de 2021 nos espera com desafios ainda maiores, mas temos certeza de que poderemos retornar nossas atividades com as crianças, adolescentes, jovens, homens, mulheres tão sedentas de amor, respeito e conhecimento. Não param a saudade e os pedidos para o retorno dos cursos de português, inglês, espanhol, manutenção de computadores, empreendedorismos, bolos e salgados. A orientação segura sobre como obter documentos, acessar serviços públicos, o apoio psicológico, as rodas de conversa com as mulheres, enfim, o atendimento diário, a escuta ativa, o papo informal de quem confia batem todo dia à nossa porta. Teremos novidades. Uma delas é a formação de um grupo de mulheres; o reaproveitamento de retalhos, produzindo peças de artesanato; um espaço para uma enfermeira e orientação sobre saúde; alternativas de saúde, por meio da ioga, conhecimento do corpo e exercícios de relaxamento. No CIM, as necessidades e desafios se transformam em disposição e criatividade. A motivação em servir a irmã, o irmão migrante está sempre, graças a Deus, nos rodeando. Avante! Assista o depoimento da Ir. Malgarete falando sobre a história do CIM Irmã Malgarete Scapinelli Conte, SSpS

Missão com migrantes durante a pandemia

O Centro de Integração do Migrante (CIM) é um espaço alternativo de formação e orientação para migrantes, localizado no bairro do Brás, na região central da cidade de São Paulo. A obra está a caminho de seu quinto aniversário, em dezembro próximo. O CIM é uma das frentes de missão das irmãs missionárias servas do Espírito Santo na cidade de São Paulo. Hoje somos três irmãs aqui: irmãs Lucilene Soares, Nadir Pereira e Malgarete Conte. O CIM realiza sua missão em parceria com outras instituições, como Missão Paz (padres escalabrinianos), Caritas, Veredas (USP), Mary Knoll, Colégio Espírito Santo, Congregação dos Missionários do Verbo Divino (SVD). O centro também conta com a contribuição de muitos outros voluntários e voluntárias que dedicam seu tempo e seus talentos para acolher, servir e ser solidário com nossos irmãos migrantes, diante do quadro de mobilidade em que vivemos na cidade. As ações realizadas no CIM são diversificadas, buscando atender às necessidades e demandas dos migrantes que aqui chegam. Para crianças, as atividades são diárias: brincadeiras, reforço escolar, inglês, artes, educação física, computação. Para adolescentes e adultos, há atendimentos e suporte com a documentação, plantão psicológico, jurídico, assim como aulas de português, informática, manutenção de computadores, bolos e salgados, empreendedorismo e espanhol. O CIM também oferece atendimento em geral ao público durante a semana, como o Bazar da Solidariedade. As roupas obtidas em doação são vendidas a preço simbólico para quem mais necessita. Também o CIM é o lugar do encontro, da acolhida, da partilha do conhecimento cultural. Aqui nos reunimos para celebrar as festas das culturas, dias de festa, e celebrações. Um espaço de vida e alegria. Com toda essa demanda, e com a participação de muitos migrantes, percebemos a necessidade de um espaço maior para poder atender melhor e com mais condições a cada pessoa que vem até o CIM. Com isso, neste ano, foi adquirido um novo espaço, no mesmo bairro. O local é maior e com mais possibilidades de trabalho e integração com os migrantes. Precisa passar por um processo de restruturação, para já podermos encaminhar os novos trabalhos. De coração aberto e portas fechadas Faz mais de dois meses que, por conta da pandemia, tivemos de fechar o atendimento, assim como todas as atividades que realizávamos em conjunto com outros amigos e parceiros do Centro de Integração do Migrante. Hoje socorre muitos migrantes e brasileiros que perderam sua renda por falta de trabalho, e vivem em uma realidade de fome e de necessidades básicas. Impelidas diante dessa nova situação, somos chamadas a realizar algo, mesmo com as portas fechadas. E assim, com a colaboração generosa de tantos amigos e pessoas de boa-fé, de organizações, Igrejas que realizaram doações com cestas básicas de alimentos, higiene pessoal e limpeza, podemos garantir ao menos o básico para tantos irmãos e irmãs nesta grande cidade de São Paulo. Temos a oportunidade hoje de ser “ponte” e realizar a “entrega” dessas doações. Com isso, podemos abrir as portas ao menos uma vez por semana e realizar a doação desse material que, com alegria, recebemos. Por este tempo de pandemia, é assim que realizamos a missão a qual Deus confia a nós, valorizando a solidariedade do povo que oferece com alegria generosa. “A pandemia mudou a minha vida” Para os migrantes que frequentam o CIM, a pandemia está somando dificuldades ainda maiores àquelas que normalmente enfrentam. A boliviana Dionísia explica: “Eu me sinto triste porque não sabemos quanto tempo mais vai durar, quando vai terminar. Parece que esta pandemia veio para ficar conosco. Gostaria de sair com minha família, mas não posso”. Para a menina Annalia Boliva, de 8 anos, e seu pai Abel Boliva, 39, a situação é crítica. Eles são da Venezuela e moram num pequeno quarto alugado no bairro do Belenzinho, em São Paulo-SP. A mensalidade consome dois terços do salário de Abel, que está no Brasil há cerca de 2 anos e meio. Annalia chegou há 11 meses e conta: “A pandemia mudou a minha vida. Agora estou estudando na minha casa, que é um quartinho pequeno. Eu estudo, assisto à tevê, leio a Bíblia e fico aguardando o meu pai, que vai trabalhar das 5 da madrugada até 5 horas da tarde”. Antes ela ia para a escola de manhã e, depois, para o Educandário São José, no bairro do Belém. Frequentava as aulas de informática do CIM. Annalia diz que sente saudades das irmãs, do vovô Angel (um dos voluntários que precisou ser hospitalizado por causa do covid-19 e que está se recuperando), dos coleguinhas e dos brinquedos. Abel relata que não estão fáceis estes três meses de confinamento. “Graças a Deus, continuo trabalhando, mas minha filha, minha companheirinha de 8 anos, não pode mais ir à escola nem ao Centro do Migrante. Está confinada em um quarto onde vivemos só ela e eu, passa 24 horas aqui… Mas estamos vivos, temos saúde e seguimos lutando”, diz. Antes da pandemia, Abel complementava o salário fazendo bicos à noite e nos fins de semana. Dessa forma, ele conseguia se manter e enviar alguma coisa para ajudar a família na Venezuela. Agora mal consegue pagar as despesas. Ele também sente falta do Centro de Integração do Migrante, que considera um grande apoio e do qual tem prazer em participar. Irmã Lucilene Ferreira Soares é missionária serva do Espírito Santo, está concluindo o Curso de Teologia e faz parte da equipe do CIM.

A acolhida que muda a vida dos migrantes

O fenômeno da migração cresceu tanto no Brasil como no mundo que se tornou um forte apelo missionário para a Congregação, especialmente diante dos inúmeros sofrimentos e dificuldades que os migrantes enfrentam até se integrarem em sua nova terra. Em São Paulo-SP, as missionárias servas do Espírito Santo, ao escutarem as necessidades dos migrantes da região do Brás, deram início ao Centro de Integração do Migrante (CIM). Atualmente, o espaço oferece atividades educativas e culturais para crianças, adolescentes, jovens e adultos. A seguir, publicamos o depoimento de Lucélia Arrioja, imigrante venezuelana que trabalha no CIM como coordenadora de projetos sociais. O CIM ajuda a acalmar as angústias e a diminuir as dores O Centro de Integração do Migrante (CIM), localizado no bairro do Brás, na cidade de São Paulo-SP, funciona desde 12 de dezembro de 2015. Apareceu como uma luz no caminho dos migrantes que chegamos ao país, procurando uma mão amiga, entre tanto cansaço, angústia e momentos difíceis que passamos desde que decidimos começar a viagem até aqui. Nesse sentido, as pessoas que pensaram, criaram e materializaram o projeto trabalharam, dia após dia, com persistência, dedicação, humildade e, sobretudo, uma grande sensibilidade pelo próximo que não necessitava de palavras, porque, pelo olhar, o ouvir e o manter os braços abertos diante de qualquer circunstância, conseguiram ajudar a acalmar as angústias e diminuir as dores. E esse jeito de tratar as pessoas como seres humanos que são fez uma grande diferença que tocou no coração de muitas outras que eram cegas e surdas diante dessa realidade. No percorrer dos anos, multiplicou-se com o envolvimento e apoio de voluntários e pessoas da comunidade, convertendo-se em um espaço alternativo onde todas as pessoas são bem recebidas sem importar raça, cor, religião ou cultura. No entanto, não foi uma tarefa fácil, porque, como migrantes, sejamos de outros países ou dentro do Brasil mesmo, sofremos preconceitos. Muitas pessoas nos olham como ameaças e outras tantas se aproveitam de nossas necessidades e nos exploram com trabalhos forçados ou de muitas horas de duração. Porém o CIM tenta quebrar esses flagelos que nos afetam, usando a educação combinada com diferentes atividades que envolvem crianças, adultos e idosos. Nosso CIM, como muitas pessoas gostam de chamá-lo, veio para transformar a vida de todo aquele que passa ou faz parte dele, porque, em sua essência, tem como premissa proteger, integrar, promover e, sobretudo, acolher a todos e todas. Mas se esforçam para nos empoderar, por meio de cursos livres de capacitação, que nos ajudam a ter outras ferramentas tanto acadêmicas quanto espirituais para nos manter fortalecidos e sentindo que não estamos sozinhos em nossa caminhada nesta metrópole. No meu caso particular, eu considero o Centro como minha segunda casa e as irmãs e companheiros como parte dessa família que formamos baseada num vínculo que nos une, traduzido pelo amor que temos uns aos outros e que nos permitiu avançar nesta caminhada que empreendemos há pouco mais de dois anos, desde que saímos da Venezuela. E aconteceu porque, quando chegamos aqui, neste espaço, fomos acolhidos com tanto carinho e com uma “sorofraternidade” que jamais esqueceremos e que, para sempre, agradeceremos. Cada uma das irmãs e professoras(es) que já passaram ou que ainda se encontram trabalhando no CIM terão um lugar muito especial em nossos corações, como tenho a certeza de que estarão nos corações de outros tantos migrantes que estão no Brasil ou que já continuaram sua viagem. A mística de trabalho que aqui se tem faz com que cada vez somemos mais pessoas a participarem ativamente na criação de novos projetos ou na permanência e melhoria dos que já estão sendo executados. Para nós, isso é motivo de alegria e satisfação, porque é um resultado positivo que nos indica que estamos no caminho certo e que, para além dos tropeços, temos a convicção de estar colaborando, a partir de nosso CIM, para a construção de um Brasil melhor para todos os que aqui já vivemos e também para os que vêm chegando. Para finalizar, é importante mencionar que, nos últimos dois anos em que trabalhei nesta instituição, sinto muito orgulho, junto com os meus colegas, pelo fato de ter atendido muitas pessoas que enriqueceram o espaço com sua sabedoria e diversidade cultural. Lucelia del Valle Briceño ArriojaCoordenadora de projetos sociais do CIM

CIM comemora 3 anos de acolhida aos migrantes

O Centro de Integração do Migrante (CIM) festejou três anos de serviços. Houve uma grande festa e a entrega de diplomas aos 78 alunos que concluíram os cursos de Informática, Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Culinária. A confraternização, realizada no dia 16, reuniu alunos, professores, voluntários e amigos, além das missionárias servas do Espírito Santo que levam adiante o trabalho do CIM, no bairro do Brás, em São Paulo. Neste artigo, Thales Speroni nos ajuda a refletir o que é ser migrante e o que temos em comum com todos os que estão longe de casa e do país. Vale a pena ler! Somos todos migrantes Para comemorar estes três anos do CIM, lugar de refúgio e amor, eu queria lembrar uma frase que se escuta frequentemente: “Todos somos migrantes”. Cabe perguntar: o que isso significa? Não seria eu, nascido neste país, no território deste Estado, um nacional, um local? Alguém poderia dizer: você é migrante porque algum parente seu veio de outro país. Mas isso basta? Pois bem, eu queria dizer que todos somos migrantes, e isso inclui todos mesmo, porque o mundo é um lugar estranho, um lugar de risco, de perigos, de maldade. Todos somos estrangeiros, porque o que temos dentro (a possibilidade de cuidar, de proteger e de fazer o bem) não é deste mundo: é de fora e de dentro, do que foi e do que pode ser.  O que temos dentro nos faz migrantes, pois nos faz iguais ao sermos estranhos a um mundo em que a vitória da justiça não é garantida. O que temos dentro é estranho, não porque é raro, mas porque não é algo que existe de forma automática. O mundo não é um lugar que incentiva o cuidado do próximo, pelo contrário. O trabalho (ou a falta dele), as fronteiras, os preconceitos nos dividem e nos fazem sentir excluídos. Nós nos esquecemos de que, ao fim e ao cabo, somos todos estrangeiros, pois carregamos com a gente um mundo que ainda não existe, mas que pode existir. Basta acreditar e lutar para isso. Admitir que somos migrantes significa negar as falsas divisões entre as pessoas e assumir o compromisso, rotineiro, diário e permanente, de ajudar, apoiar e cuidar do outro, seja quem ele for, venha de onde ele vier. Ser migrante não se trata de uma bandeira, de um país, de um passaporte. Trata-se de fazer desse lugar, que pode ser qualquer lugar, o nosso. As fronteiras entre os países, mas também entre os credos, as cores de pele, os gêneros, que não foram colocadas por nós, dificultam essa tarefa. Faz a gente facilmente esquecer que, ao sermos todos migrantes, não existe “eles” e “nós”.  O Centro de Integração do Migrante é um lugar de acolhida e hospitalidade, de segurança e de troca, um lugar também de aprendizado e amor. Um convite permanente para que entrem todos os migrantes (ou seja, todos nós). O centro leva a sério a mensagem de que somos todos migrantes, porque ele é um lugar em que o “nós” está acima do “eu”, um lugar em que a ajuda ao outro é sempre uma ajuda a si mesmo, porque como migrantes que somos, “o outro sou eu e eu sou o outro”. O centro representa um compromisso de vida, das irmãs, dos voluntários e dos colaboradores, mas também daqueles que passaram por aqui. Representa um compromisso que fica marcado na pele, de multiplicar, de fazer o cuidado recebido chegar àqueles que ainda não o recebem. No ano em que eu estive perto do Centro, eu me senti marcado por esse significado e, mesmo não estando mais por perto, eu sempre vou levar comigo esse compromisso e essa mensagem.  Thales Speroni, doutorando em Sociologia, é do Rio Grande do Sul e trabalhou durante três meses como voluntário no Centro de Integração dos Migrantes. _____________________________________________________________________________________________ Principais momentos da confraternização do CIM

O desafio de ser um estrangeiro

Todos sabemos que ser um estrangeiro não é nada fácil: estar longe da família e dos amigos,  conviver com uma cultura diferente da sua, não saber a língua, entre outros. Esses fatores são aspectos que interferem diretamente na qualidade de vida de um indivíduo. Em nosso Centro de Integração do Migrante lidamos com esta realidade diariamente, onde chegam até nós dezenas de migrantes com inúmeras dificuldades, desde emocionais à financeiras.  Como estamos na 33º Semana do Migrante, convidamos você a refletir no lema da campanha “De braços abertos sem medo para acolher”, conhecendo um pouco da história desses migrantes que vem ao nosso Centro. Hoje vamos te apresentar Sander Arandia Siles, que veio de Cochabamba – Bolívia, em busca de melhores condições de vida. Se ele viesse até você, você iria acolhê-lo?

Conheça o centro que acolhe migrantes no novo episódio de “É Nossa História”

Você já parou pra pensar na situação dos migrantes no Brasil? Pois é, não é fácil não! No 9º episódio da Websérie “É Nossa História”, vamos assistir sobre a difícil realidade que muitas pessoas enfrentam ao chegar a um novo país e também como a vida delas melhora ao conhecerem o Centro de Integração do Migrante, projeto social das Missionárias que acolhe migrantes e refugiados. Fique ligado no próximo episódio. Inscreva-se em nosso canal para receber a notificação. Até mais!

E se Jesus nascesse hoje, como seria?

“Assim, José também foi da cidade de Nazaré da Galileia para a Judeia, para Belém, cidade de Davi, porque pertencia à casa e à linhagem de Davi.Ele foi a fim de alistar-se, com Maria, que lhe estava prometida em casamento e esperava um filho. Enquanto estavam lá, chegou o tempo de nascer o bebê, e ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria”. Lucas 2:4-7 Quando lemos na Bíblia sobre o nascimento de Jesus, logo nos vem à mente um cenário bucólico de uma aconchegante gruta com uma manjedoura ao centro recheada de palha sequinha e tecidos limpos, com lindos animais como testemunhas do evento divino. Só que não. Acredite: essa imagem que nos é colocada em livros e pela TV não chega nem perto do que se passou naqueles tempos. José e Maria estavam numa fase bem difícil de suas vidas. Primeiramente, ela engravidara antes do casamento. Uma mulher que tivesse relações antes do casamento, naquela época, era condenada por apedrejamento. Além do preconceito e risco de vida que eles estavam passando, o imperador César Augusto havia decretado que fosse feito um recenseamento no país e ele tinha que ser feito na cidade natal da pessoa. Como José pertencia à linhagem do Rei Davi, precisou viajar com Maria para Belém, uma viagem de 138 quilômetros por estradas montanhosas e que durou vários dias. A estação quente e seca de outono também não ajudava e Maria estava com quase 9 meses em cima de um animal pequeno de carga. Chegando à Belém, todos os alojamentos e comércios estavam lotados por causa do registro e o único lugar que José encontrou disponível foi um estábulo, onde improvisaram um leito para Maria ter o seu bebê.  Trazendo para os tempos modernos Situações como estas são vistas todos os dias em todos os lugares do mundo: pessoas sem recursos financeiros, pessoas sendo obrigadas a deixar seus países de origem por conta de guerras, desemprego ou por leis que não as aceitam no território. Trazendo esta situação para os dias de hoje, pense se Jesus bem não poderia ter nascido em qualquer das situações abaixo? Para refletir Que esta reflexão nos sirva como preparo para o verdadeiro nascimento de Jesus em nosso coração: aceitando o próximo como a nós mesmos, sem preconceito ou julgamento. Seja quem for e de onde vier. https://www.youtube.com/watch?v=iEVsOzn2xZU

Faça parte de algo grande – Voluntariado no Centro de Integração do Migrante

Fazer algo que possa melhorar o mundo de alguma forma. Esta é a proposta de quem assume o serviço voluntário nas milhares de instituições sem fins lucrativos espalhadas pelo mundo. Você já pensou em fazer parte de uma delas? O voluntariado conquista pessoas em todos os lugares e é um trabalho em que a gratificação muitas vezes acaba sendo maior pra quem faz, do que pra quem recebe. Interessante, não? Você pode ajudar desde doando algumas horas de seu tempo para fazer uma visita a alguém ou contar uma simples história, até contribuindo com o seu talento ou com o que você sabe fazer melhor. Oportunidade é o que não falta. Basta escolher algum lugar que tenha uma necessidade, que será muito bem-vindo. Esse tipo de atividade não requer experiência e nem tampouco habilidade. O único requisito é estar disposto a ajudar. Essa prática garante diversos benefícios e muitos deles podem até ser incorporados ao seu currículo.   Sendo um voluntário no Centro de Integração do Migrante Como muitos sabem, nós, missionárias, possuímos um centro que apoia migrantes de diversos países. Ele fica localizado no Brás, bairro da zona leste de São Paulo famoso pelo comércio de roupas e acessórios provenientes, muitas vezes, de pequenas confecções do local que se utilizam de mão de obra análoga à de escravidão. São nesses locais que vão parar os que chegam ao Brasil em busca de oportunidade ou fugindo de situações de miséria e conflitos. – Saiba mais sobre a situação de migrantes e refugiados neste link. Neste centro são oferecidas gratuitamente aulas de português, inglês, computação e dança, além de outros serviços. Perguntamos a estes voluntários o que eles acham sobre este tipo trabalho e as respostas são de grande inspiração para todos(as) nós: “Trabalho como voluntária no Centro do Migrante desde seu início. Como trabalho há anos com Tecnologia da Informação, decidi contribuir com a formação dos migrantes nesta mesma área. Foi instalado um laboratório de Tecnologia no Centro do Migrante e criamos um programa de formação tecnológica onde os alunos aprendem as funções do computador, do básico ao avançado. Criamos uma grade curricular que abrange desde o curso de manutenção de computadores ao Excel avançado, passando pelo o uso consciente da Internet, onde ensinamos sobre crime eletrônico e suas punições. É um trabalho gratificante e que muito me orgulha. Acredito que, com esta iniciativa, estamos contribuindo para que os migrantes tenham melhores condições de vida através de um bom trabalho”. – Arlete Muoio “Minha experiência no CIM começou em 2015 quando as irmãs ocuparam o espaço na Rua Coimbra. A princípio, ajudei na instalação dos sistemas de alarme, cftv e internet, mas logo veio o convite para participar do grupo de instrutores que estava sendo formado. Definimos então que um curso de manutenção de computadores seria interessante, pois permitiria aos interessados uma formação que poderia abrir as portas para um emprego ou até mesmo uma empresa própria. Nossa primeira turma iniciou com 10 alunos dos quais 6 concluíram o curso. Hoje estamos concluindo a terceira turma com 12 alunos e os mesmos se sentem muitos felizes com os conhecimentos adquiridos. Nestas três turmas tivemos alunos oriundos do Haiti, Angola, Bolívia, Paraguai, Venezuela, Peru e Brasil. A língua, a princípio oferece uma certa dificuldade, mas com o auxílio das apostilas e com uma atenção maior, conseguimos atravessar esta barreira. É muito gratificante observar o esforço de cada um deles para com as aulas. Muitos chegam correndo do trabalho, cansados e às vezes debaixo de chuva. Outros andam um longo percurso para chegar ao centro e participam com toda atenção. Outra satisfação é ter turmas mistas. Na turma que está concluindo, um terço é composto por mulheres. Pra mim foi uma excelente oportunidade para poder dar um pouco e receber tanto destas pessoas tão maravilhosas e com uma vida tão sofrida”. – Francisco Pereira Atualmente existem várias frentes de trabalho no nosso Centro de Integração do Migrante. Para fazer parte da sua equipe de voluntários como a Arlete e o Francisco, você deve procurar a Ir. Malgarete, responsável pela casa: Ligue para 11 2362-0196/ 97058-9130, envie um e-mail para centrodeintegracaodomigrante@ssps.org.br ou vá diretamente ao centro, que fica na Rua Coimbra, 459 – Brás – São Paulo. Seja bem-vindo!  

Centro de Integração do Migrante oferece cursos gratuitos de alfabetização

Você sabia que o Brasil é o 8˚ país com mais analfabetos no mundo? Dos 700 milhões de adultos que não sabem nem ler e nem escrever, cerca de 14 milhões estão aqui no Brasil. De acordo com dados da Unesco – Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, 8% dos adultos do Brasil são analfabetos e 40% não terminaram o ensino fundamental ou o ensino médio. Além dos brasileiros nativos, há também os imigrantes, que chegaram aqui sem saber o idioma, em busca de sustento e qualidade de vida e, acabaram somando a esta estatística. Apesar de parecer muito mais, o Brasil possui uma população baixa de imigrantes, são apenas de 700 mil estrangeiros numa população de mais 200 milhões, isto equivale a 0,3% da população total. A política brasileira para o acesso de imigrantes à escola pública é tida como avançada. Adultos e crianças teoricamente podem se matricular sem grandes exigências de documentação. Mas a prática difere da teoria. Irmã Malgarete Scapinelli, que trabalha com imigrantes explica: “apesar da facilidade do governo, muitos imigrantes não conseguem vagas ou, aos que já são formados pelo país nativo, não querem refazer o ensino fundamental e médio só para aprenderem a língua. É nesta lacuna que se insere o nosso trabalho”. Para ajudar com a demanda, as Missionárias Servas do Espírito Santo oferecem em seu Centro de Integração do Migrante, cursos de alfabetização da língua portuguesa e inglesa para adultos. Além do curso de língua portuguesa e inglesa, temos aulas de informática e de Excel. Para se inscrever nos cursos ligue para 11 2362-0196/ 97058-9130 ou vá no Centro de Integração do Migrante – Rua Coimbra, 459 – Brás – São Paulo. Qualquer dúvida envie um e-mail para centrodeintegracaodomigrante@ssps.org.br Além de aprender você terá contato com pessoas de diferentes nacionalidades. Mais que um aprendizado, será uma experiência!

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