Semana do Migrante convida a acolher e integrar

De 16 a 23 de junho, em todo o Brasil, está sendo realizada a 34ª Semana do Migrante. Estão previstas atividades relacionadas ao tema “Migração e políticas públicas”, retomando a Campanha da Fraternidade deste ano. O lema escolhido é um convite ao compromisso com a causa dos migrantes: “Acolher, proteger, promover, integrar e celebrar. A luta é todo dia”. O Dia Mundial do Migrante é 29 de setembro, mas, no Brasil, comemora-se o Dia do Migrante em 19 de junho. Assim, este é um mês bastante movimentado para todos os que estão envolvidos na Pastoral dos Migrantes ou no apoio às suas lutas. Também as missionárias servas do Espírito Santo estão engajadas nessa missão e, em São Paulo-SP, acompanham e animam as atividades do Centro de Integração do Migrante (CIM), no Bairro do Brás. Atualmente são três irmãs que procuram, no cotidiano, oferecer acolhimento, amizade e um espaço onde os migrantes podem se encontrar, conviver, celebrar a vida e buscar caminhos para enfrentar suas dificuldades. Fundado em 2015, o CIM busca capacitar as pessoas que o procuram, para que tenham melhores condições de se integrar ao mercado de trabalho. Por isso, boa parte das atividades são cursos livres de línguas, especialmente o português, mas também inglês e espanhol, e também formação para o uso dos programas de computador mais utilizados, como Word, Excel e Power Point. Há ainda o de manutenção de computadores e de bolos e salgados, na área da culinária. No dia 6 de julho, haverá a entrega de certificados para os 43 alunos que estão concluindo cursos neste semestre. Já no dia 8 de julho, começarão as inscrições para os novos cursos, incluindo o de “Inovação e Empreendedorismo”, que será conduzido por dois migrantes cubanos. Para a Ir. Malgarete Scapinelli Conte, uma das responsáveis pelo CIM, o trabalho que realizam contribui especialmente para que os migrantes consigam se integrar, com suas culturas, no país que escolheram para viver. “Mas também é questão de amizade e ter um espaço de convivência e partilha”, afirma a missionária. O CIM, até o fim do ano passado, já entregou certificado de conclusão de curso a 178 pessoas. Mas há muitas outras atividades além da capacitação técnica, como atividades para crianças e adolescentes, orientação na regularização de documentos, festas e momentos de convivência que reúnem as famílias, entre outras. Para enfrentar os desafios e superar os sofrimentos da distância da família e do próprio país, um grupo de mulheres se reúne todos os sábados. Também um de homens está sendo formado. Essa é uma maneira de se organizarem e se ajudarem mutuamente. Há ainda um grupo de vivência para adolescentes, com o acompanhamento de uma psicóloga. Para todos esses trabalhos, o CIM conta com o apoio de profissionais voluntários e dos professores e alunos do Colégio Espírito Santo, do Bairro do Tatuapé. Além do atendimento diário no Centro, as irmãs Malgarete, Lucilene Ferreira Soares e Nadir Vieira Pereira estão presentes na Paróquia São João Batista do Brás, onde, às quartas-feiras, celebra-se a Eucaristia em castelhano e, no terceiro domingo de cada mês, é realizada a missa dos migrantes. ___________________________________________________________________________________________ Mensagem do papa Francisco para o dia Mundial do Migrante e do Refugiado 29 de setembro de 2019 Tema: “Não se trata apenas de migrantes” Queridos irmãos e irmãs! A fé assegura-nos que o Reino de Deus já está, misteriosamente, presente sobre a terra (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 39); contudo, mesmo em nossos dias, com pesar temos de constatar que se lhe deparam obstáculos e forças contrárias. Conflitos violentos, verdadeiras e próprias guerras não cessam de dilacerar a humanidade; sucedem-se injustiças e discriminações; tribula-se para superar os desequilíbrios econômicos e sociais, de ordem local ou global. E quem sofre as consequências de tudo isto são sobretudo os mais pobres e desfavorecidos. As sociedades economicamente mais avançadas tendem, no seu seio, para um acentuado individualismo que, associado à mentalidade utilitarista e multiplicado pela rede mediática, gera a “globalização da indiferença”. Neste cenário, os migrantes, os refugiados, os desalojados e as vítimas do tráfico de seres humanos aparecem como os sujeitos emblemáticos da exclusão, porque, além dos incômodos inerentes à sua condição, acabam muitas vezes alvo de juízos negativos que os consideram como causa dos males sociais. A atitude para com eles constitui a campainha de alarme que avisa do declínio moral em que se incorre, se se continua a dar espaço à cultura do descarte. Com efeito, por este caminho, cada indivíduo que não enquadre com os cânones do bem-estar físico, psíquico e social fica em risco de marginalização e exclusão. Por isso, a presença dos migrantes e refugiados – como a das pessoas vulneráveis em geral – constitui, hoje, um convite a recuperar algumas dimensões essenciais da nossa existência cristã e da nossa humanidade, que correm o risco de entorpecimento num teor de vida rico de comodidades. Aqui está a razão por que «não se trata apenas de migrantes», ou seja, quando nos interessamos por eles, interessamo-nos também por nós, por todos; cuidando deles, todos crescemos; escutando-os, damos voz também àquela parte de nós mesmos que talvez mantenhamos escondida por não ser bem vista hoje. “Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!” (Mt 14, 27). Não se trata apenas de migrantes: trata-se também dos nossos medos. As maldades e torpezas do nosso tempo fazem aumentar “o nosso receio em relação aos “outros”, aos desconhecidos, aos marginalizados, aos forasteiros (…). E isto nota-se particularmente hoje, perante a chegada de migrantes e refugiados que batem à nossa porta em busca de proteção, segurança e um futuro melhor. É verdade que o receio é legítimo, inclusive porque falta a preparação para este encontro” (Homilia, Sacrofano, 15 de fevereiro de 2019). O problema não está no fato de ter dúvidas e receios. O problema surge quando estes condicionam de tal forma o nosso modo de pensar e agir, que nos tornam intolerantes, fechados, talvez até – sem disso nos apercebermos – racistas. E assim o medo priva-nos do desejo e da capacidade de encontrar o outro, a