Papo Vocacional – Propósito de vida

Estamos chegando ao fim do Mês Vocacional, mas vocação faz parte de nossa vida e cultura, e é um tema que nunca se esgota. No vídeo de hoje, a estudante Jade Santos Tamiett fala sobre seu processo de escolha vocacional, que somente foi possível a partir da descoberta de seu propósito de vida. E você, já descobriu o seu? Já sabe qual é a sua missão no mundo? O propósito de vida é a missão para a qual nos sentimos chamados. É o motivo pelo qual existimos e a contribuição que devemos dar para a sociedade e o mundo. Isso é algo muito pessoal, e cada ser humano tem o seu próprio propósito que precisa ser descoberto. Quando descobrimos qual é o nosso lugar no mundo e o que viemos para fazer, nossa vida ganha foco e direção. Sabemos quem somos e qual o caminho a seguir. Assim podemos aplicar todos os nossos esforços em direção à nossa meta. Jade é ainda muito jovem, mas já descobriu seu propósito de vida: ajudar a salvar o planeta. Assim ela pode se decidir pelas Ciências Biológicas, que vão dar as ferramentas e o conhecimento necessário para ela realizar seu intento. Todo ser humano tem uma missão a cumprir, a qual é diferente para cada pessoa. Realizar o chamado profundo de nosso coração, seja ele qual for, é a melhor maneira de encontrar a felicidade. Quando colocamos nossos dons e talentos a serviço dos outros, buscando o bem de todos e o crescimento pessoal, vamos concretizando nossa razão de existir. E você, já descobriu seu lugar no mundo? E que passos está dando para viver sua vocação?

Vocação é caminho de amor e serviço

A Igreja Católica dedica o mês de agosto às vocações, especialmente às de especial consagração, como é o caso das irmãs, padres, diáconos e leigas e leigos consagrados. Também lembra a vocação de catequistas, pais e de todas as pessoas que se dedicam com amor ao serviço do próximo. Viver a vocação é responder ao chamado de Deus, que convida cada pessoa, com amor, respeito e carinho, a colocar seus dons a serviço dos outros, contribuindo para a vida da comunidade e o progresso da humanidade. O chamado de Deus se manifesta dentro de cada pessoa como convite, desejo, necessidade e até mesmo como forte apelo para dar o que tem de melhor em razão de um bem maior. Por isso, provoca alegria e profunda realização. Responder ao chamado de Deus traz verdadeira felicidade ao sair de si para acolher, ajudar, amar, colaborar e servir às outras pessoas. Ao longo dos séculos, milhares de pessoas escutaram e responderam ao chamado de Deus e ofereceram suas vidas para que crianças, jovens, enfermos, mulheres, idosos e pessoas nas mais variadas situações pudessem ter uma vida melhor, mais conscientes do amor de Deus por elas. Deus continua chamando Hoje, Deus continua chamando em todas as línguas, países e culturas. Inclusive entre as pessoas que vivem muito perto de nós e, quem sabe, dentro de nossa própria família. Você certamente também está sendo chamado, chamada para uma missão feita especialmente para você. Já parou para pensar? Irma Nadir Vieira Pereira, por exemplo, vivia tranquila em sua família e comunidade quando Deus a chamou para algo mais. Então, ainda bem jovem, começou a ajudar a comunidade a se organizar, a fazer as celebrações… Depois sentiu o impacto das injustiças sobre o seu povo, na comunidade remanescente de quilombo, em Nhunguara, Município de Eldorado-SP, e viu que era necessário lutar pelo direito à terra. Assim, seu coração foi se alargando e se abrindo ao chamado de Deus que a convidava à missão muito mais além de sua pequena comunidade. Irmã Nadir respondeu sim e entrou para a Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo e se consagrou como irmã missionária. Como o chamado de Deus é dinâmico, Ir. Nadir continuou atenta ao seu coração, escutou o apelo dos irmãos na África e deu mais um passo. Foi para Moçambique servir à missão. O tempo foi passando, e ela completou 25 anos de consagração religiosa e retornou à sua comunidade para celebrar. Hoje, Ir. Nadir, de volta ao Brasil, dedica-se à missão com os migrantes em São Paulo-SP e continua a dizer sim ao chamado de Deus para amar e servir a todas as pessoas que o Senhor coloca em seu caminho. O vídeo a seguir é da celebração de ação de graças pelo jubileu de 25 anos de vida consagrada de Ir. Nadir e é pura expressão de alegria, tanto dela como de sua família de sangue, da família religiosa e de sua comunidade de origem. Viver a vocação, portanto, é fonte de bênçãos que se multiplicam, trazendo o Reino de Deus no agora de nosso tempo. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpS Jornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Vocação: chamado de Deus à vida plena

A pessoa humana é um ser criado no amor e para o AMOR. Chamados por Deus à existência, carregamos em nós o sopro divino (cf. Gn 2,7). Cada ser humano é, em primeiro lugar, chamado à vida, a ser e “acontecer” no AMOR, já que cresce e se desenvolve de forma única e irrepetível. Conforme amadurecemos, nossa fé também vai criando raízes e começamos a fazer perguntas sobre o sentido de nossa vida, sobre o que estamos fazendo neste mundo, por que e para que Deus nos criou. Questionamentos dos quais muitas vezes sentimos medo, por temer realmente escutar a vontade de Deus para a nossa existência. Hoje, vivemos em uma sociedade em que temos muitos ideais de felicidade baseados no ter e no poder, que vão contra os valores evangélicos e podem nos confundir, levando-nos a escolher caminhos que, a longo prazo, trazem-nos sofrimento e nos levam à autodestruição. A vocação que vem de Deus, porém, vai sempre nos levar a escolher caminhos que nos conduzem a viver em plenitude. Em seu Filho, Jesus, Deus nos chama ao amor, portanto vocação é amar… e o amor é a fonte mais profunda da alegria. Não devemos, assim, temer a vontade de Deus, pois ela vai nos conduzir sempre à felicidade, seja no matrimônio, na vida religiosa consagrada ou na vivência do sacerdócio. No campo das vocações, muitas são as alternativas: Deus é criativo e generoso, e Ele sabe onde é o seu lugar. Não tenha medo de escutar a sua voz e, se a ouvir, tenha coragem de dar os passos necessários para responder a seu chamado. Caso ainda não tenha pensado sobre sua vocação, comece a perguntar a Deus onde Ele quer você e busque, no seu coração, conhecer aquilo que dá mais sentido à sua existência. Como Ele nos chama por amor, nossa resposta deverá sempre ser por amor e, assim, nosso caminho poderá não ser fácil, mas será pleno de sentido e de alegria. Coragem… Deus chama você, e o mundo precisa de sua resposta. A messe é grande, e poucos os operários.

Vocação: Jesus nos chama a segui-lo

No Novo Testamento, a vocação se encontra plenamente revelada na pessoa de Jesus. Ele próprio viveu a experiência de Deus como Pai e identificou sua vida com a vontade de Deus. Jesus foi fiel à sua vocação, mas também ele teve de ir descobrindo aos poucos o que Deus queria dele. Os quatro evangelhos convergem na busca constante de Jesus pela vontade do Pai. “Eu faço o que o Pai me mostra que é para fazer” (cf. Jo 8,38; 12,50). Jesus chamou outras pessoas a segui-lo na realização da mesma vocação. Por isso o chamado a acompanhar Jesus implica viver o discipulado, quer dizer, aprender com o Mestre a viver a mesma vida dele em vistas do amor, justiça e paz no mundo. O chamado “Vem e segue-me!” começa na beira do lago (Mc 1,16) e recomeça depois da ressurreição (Mt 28,18-20; Jo 21,4-17). Nas narrativas dos evangelhos, há uma variedade de chamados. Às vezes, é Jesus quem toma a iniciativa de chamar, outras vezes quem é chamado convida seu irmão, parente ou amigo. João Batista, depois de ter encontrado Jesus, indica “Eis o cordeiro de Deus”, e dois dos seus discípulos o seguem. Um deles é André, que encontra o próprio irmão e lhe apresenta Jesus como o Messias. No Evangelho de João (1,35-51), há uma sequência de pessoas que são apresentadas a Jesus e tomam a iniciativa para convidar outras. Jesus se dirige a cada uma com uma pergunta, um convite ou um presságio. A Pedro ele diz: “Tu te chamarás Cefas”. Jesus se volta e vê os dois discípulos de João seguindo-o e lhes pergunta: “Que procurais?”. Essa é uma pergunta profunda e mostra que o seguimento de Jesus não é uma aceitação passiva ou alheia ao ser humano. Pelo contrário, seguir Jesus sacia a sede mais profunda de todo homem e toda mulher. No encontro com a Samaritana, Jesus lhe diz: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é que te diz: ‘Dá-me de beber’…” (Jo 4,10). A narrativa mostra que a iniciativa de chamar é de Jesus, mas o encontro dos seguidores com Jesus muitas vezes passa pela mediação humana. A resposta dos dois discípulos “Mestre onde moras/permaneces?” amplia a pergunta existencial de Jesus “Que procurais?”. No texto, há muitas figuras simbólicas, e a repetição de verbos (vir, ver, morar, permanecer), que mostram que Jesus, ao atender ao desejo mais profundo do ser humano, oferece a ele uma nova casa (comunidade eclesial), deixando-o participar de sua “permanência”. Os primeiros cristãos compreenderam sua vocação ao ponto de morrer para testemunhá-la. Ao longo dos séculos, muitas pessoas têm se perguntado pelo querer de Deus e, por isso, vivido plenamente sua vocação. Hoje a nossa busca continua e iria nos ajudar muito a nos perguntar: que estou procurando? O que significa para mim o convite de Jesus: “Venham e vejam!”? Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e, atualmente, além de animadora vocacional, acompanha as jovens aspirantes na Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG.         Para aprofundar mais: Se você quiser aprofundar, aqui vão dois livros sugeridos pela Ir. Juana: BEUTLER, Johannes. Evangelho Segundo São João. Tradução de Johan Konings. São Paulo: Loyola, 2015. p. 69-79. MESTER, Carlos. Vai! Eu estou contigo!: vocação e compromisso à luz da Palavra de Deus. São Paulo: Paulinas, 2010. p. 9-11 e 129-141.

Vocação: o que Deus quer de mim?

Agosto é o Mês Vocacional desde 1981, quando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) decidiu incentivar e despertar a responsabilidade vocacional nas comunidades. Desde então, cada domingo do mês celebra a vocação em um estado concreto de vida. Assim, no primeiro domingo, recordam-se os ministérios ordenados; no segundo, o matrimônio; no terceiro, a vida consagrada; e, no quarto, a vocação dos leigos. Mas ainda há gente que pensa que a vocação é apenas para pessoas muito especiais e esquece que Deus chama cada um, cada uma de nós. Por isso, antes de conversar sobre a vocação em cada estado de vida, vamos conhecer a vocação na Bíblia. A Bíblia é cheia de histórias vocacionais, fruto da busca persistente de homens e mulheres que, ao longo dos anos, têm se perguntado: “O que Deus quer de mim? O que ele quer de nós?”. As respostas a essas perguntas se encontram no Antigo e no Novo Testamento, na vida de pessoas concretas, como Abraão, Agar, Jacó, Moisés, Miriam, Ana, Samuel, Davi, Elias, Amós, Jeremias, Jonas, Jó, Isabel, João Batista, José (esposo de Maria), Maria e os apóstolos. Essas pessoas são emblemáticas na história da salvação e deixam ver os traços característicos tanto do chamado como da resposta e missão que cada uma delas recebe. Cada narrativa nos faz deparar com a profundeza da pergunta: O que Deus quer de mim? O que Deus quer de nós? O espírito que inspirou a escrever sobre o fascínio da vocação continua vivo, agindo em nós para que vivenciemos a mesma experiência de Deus. Ainda que o chamado venha de Deus e a resposta seja da pessoa com uma missão a realizar, nenhuma vocação se repete. As narrativas de vocação na Bíblia convergem na afirmativa: Deus não tira a liberdade das pessoas. Na Bíblia, podemos perceber as lutas internas que as pessoas chamadas travam no seu interior. Nós também experimentamos esses conflitos internos, pois levamos dentro de nós a grande luta da transformação do mundo e da conversão pessoal ao projeto de amor de Deus. São Paulo assim expressa a densidade e a profundeza dessa realidade: “Trazemos, porém, este tesouro em vasos de argila, para que esse incomparável poder seja de Deus e não de nós” (2Cor 4,7). Esse é o mistério da vocação. E você, quais são as lutas que você traz no seu coração? Você também experimenta a grandeza do amor de Deus que se manifesta na fragilidade do seu próprio ser? Assim como os vocacionados da Bíblia, nós hoje também somos convidados a fazer uma jornada de busca interior e a descobrir o que Deus está pedindo de cada um de nós. Venha fazer conosco este caminho durante o mês de agosto e descubra um pouco mais sobre sua vocação e o que Deus está querendo. Aproveite para enviar suas perguntas e partilhar suas experiências. Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México, trabalhou em Moçambique e, atualmente, além de animadora vocacional, acompanha as jovens aspirantes na Comunidade Madre Josefa, em Belo Horizonte-MG.         Para aprofundar mais: Se você quiser aprofundar, aqui vão dois livros sugeridos pela Ir. Juana: BEUTLER, Johannes. Evangelho Segundo São João. Tradução de Johan Konings. São Paulo: Loyola, 2015. p. 69-79. MESTER, Carlos. Vai! Eu estou contigo!: vocação e compromisso à luz da Palavra de Deus. São Paulo: Paulinas, 2010. p. 9-11 e 129-141.

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