Mês da Bíblia: a preciosa herança do profeta e do doutor

Desde 1971, a Igreja no Brasil celebra, em setembro, o Mês da Bíblia. Esse período está ligado à memória litúrgica de São Jerônimo, celebrada no dia 30. Conheça algumas curiosidades sobre esse grande doutor da Igreja, tradutor e estudioso da Palavra, e que nos deixou um valioso legado. Saiba mais também sobre o profeta Ezequiel, cujo livro é destacado neste ano.
Mês da Bíblia: “Porei em vós meu espírito, e vivereis” (Ez 37,14)

Em setembro deste ano, a CNBB propõe como tema de reflexão do Mês da Bíblia o livro do profeta Ezequiel. A imagem dos “ossos ressequidos”, descrita pelo profeta, denuncia a situação do povo que se debandara para o lado dos idólatras. Essas situações de morte ainda existem em nosso tempo, mas somos chamados a anunciar o “sopro de Deus” que dá a vida. Veja a reflexão do Pe. Deolino Pedro Baldissera.
Nove curiosidades sobre a Bíblia

Em artigo passado, apresentei algumas propostas para celebrar o Mês daBíblia. Reforço: reduzir as homenagens à Palavra de Deus, no Mês da Bíblia, a umaprocissão e a palmas é pouco demais. Este é um tempo oportuno de louvar a Deus,justamente buscando nos aprofundar, de vários modos, no conhecimento daSagrada Escritura. No decorrer dos séculos, sobretudo nas últimas décadas, os estudos bíblicostêm avançado de modo significativo. Com o apoio de outras ciências, como aArqueologia, a Linguística, a História, a Teologia, entre muitas outras, vamosdescobrindo dados que nos ajudam a compreender a trajetória de um povo que,com sua experiência de Deus, nos deixou uma valiosa herança.Neste texto, eu gostaria de apresentar nove curiosidades sobre a SagradaEscritura. A ideia é fomentar, de um jeito mais leve, o interesse pelo estudo daBíblia. 1 BibliotecaA palavra “Bíblia” vem da língua grega (como muitas outras que usamos nocristianismo) e tem alma no plural. A tradução seria “biblioteca”, um conjunto delivros. É uma coletânea cultivada, com muito carinho, por séculos. São váriosautores (de santos a pecadores), contextos e modos de lidar com o Sagrado e ohumano. Ao todo, são 73 livros, sendo 46 no Antigo Testamento (AT) e 27 no NovoTestamento (NT). Algumas versões têm livros a menos no AT, pois desconsideram ostextos tardios (deuterocanônicos), escritos em grego. 2 Antigo e Novo TestamentosA palavra “testamento” pode ser entendida como “aliança”, “contrato”. Temos,portanto, uma Antiga e uma Nova Aliança. Em resumo, é um “acordo” entre Deus eos homens: “Eu sou seu Deus, e vocês são meu povo”. Hoje se entende que não éadequado dizer, em vez de Antigo Testamento, “Velho” ou “Primeiro” Testamento;nem “Segundo” Testamento no lugar de Novo Testamento, pois ambos formam umaunidade. Para se referir ao AT, alguns teólogos consideram mais preciso usar aexpressão “Escrituras Hebraicas” ou “Bíblia Hebraica”. 3 Quando foi escrita A maioria dos estudiosos acredita que os textos do AT foram organizados a partir doséculo ano VI antes de Cristo, provenientes de antiquíssimas e veneráveis tradiçõesorais. Sim, existiu “uma bíblia antes da Bíblia”. Talvez o escrito mais antigo seja oCântico de Débora, presente no capítulo 5 do Livro dos Juízes. O último livro do ATa ser compilado foi o da Sabedoria (por volta do ano 50 a.C.). Já os do NTcomeçaram a ser organizados alguns anos depois da morte e ressurreição de Jesus,a partir do ano 50. 4 Não é reportagemA Bíblia não tem o objetivo de ser ata, crônica, reportagem ou manual de ciências(no sentido moderno do termo). Geralmente ela traz os fatos lidos à luz da fé. Afinalidade é, sob inspiração divina, iluminar os caminhos, catequizar, curar, corrigir,consolar. Como exemplo, temos dois relatos da Criação (veja os capítulos 1 e 2 deGênesis). São formas de celebrar transmitidas por escolas diferentes. Ler aEscritura ao pé da letra leva ao fundamentalismo e pode provocar tragédias. 5 Cultura, tempo e lugares diferentesAo meditarmos sobre as passagens bíblicas, devemos ter em conta que é aexperiência espiritual de um povo proveniente de cultura, tempo e lugares bemdiferentes dos nossos. Por isso é importante o estudo bíblico, a meditação, aatualização para nossa realidade. Não à toa, algumas passagens soam estranhas eaté engraçadas para nós deste século XXI. Um exemplo é um trecho de Cântico dosCânticos (capítulo 1, versículo 9), comparando a amada à égua do cavalo do faraó.Um elogio e tanto em tempos antigos, mas, no mínimo, deselegante hoje. 6 Ordem dos livrosA ordem dos livros na Bíblia, tanto no AT quanto no NT, nem sempre se refere àdata em que foram escritos. Com toda a certeza, Gênesis, o primeiro da lista, nãoé o texto mais antigo. Há critérios distintos de organização, como a narrativa deum mesmo evento, o tamanho dos textos, o contexto histórico, o propósitocatequético, etc. O Evangelho mais antigo, por exemplo, é o de Marcos, mas, noNT, ele aparece em segundo lugar, atrás do de Mateus. 7 “Método abacate”Diferentemente de nossa cultura, nem sempre, a mensagem principal de umcapítulo ou mesmo de um livro bíblico está no fim do texto. Muitas vezes, amensagem central está… no centro! É o conhecido “método abacate”. Recordemosque estamos diante de um modo diferente de ver as coisas. 8 AutoriaÉ um costume muito antigo dedicar a autoria de grandes obras a um “patrono”, nãoexatamente a quem escreveu o texto. Por exemplo: a “lei” é atribuída a Moisés; oslivros sapienciais (palavra que remete à sabedoria) são dedicados a Salomão; osSalmos e textos poéticos, a Davi. Isso também ocorre no NT, em que há textos cujaautoria é dedicada a São Paulo ou a outro apóstolo. 9 “Puxão de orelha” no presépioQuando vemos o presépio, notamos duas figuras curiosas: um boi e um burro. Essaforma de retratar o nascimento de Jesus foi criada por São Francisco de Assis, em1223, em Greccio (Itália). Ainda hoje, há quem veja esses animais como a“aquecerem” o Menino Jesus, que nasceu em condições insalubres, pois “não havialugar para eles na hospedaria”, segundo os evangelhos. Na verdade, as duas figurasremetem-se à profecia de Isaías (capítulo 1, versículo 3): “O boi conhece seu dono,e o burro, o cocho de seu senhor; mas Israel não conhece, meu povo nãoentende!”. De fato, é um grande puxão de orelhas que o Pobrezinho de Assis,inspirado no profeta, quis dar nos irmãos e irmãs de todos os tempos, que ouvem,mas ficam indiferentes à Palavra de Deus. A intenção de colocar algumas dessas curiosidades é despertar para oriquíssimo tesouro que é a Palavra de Deus. A Bíblia é uma fonte inesgotável desabedoria a saciar as pessoas ao longo dos séculos. Cada geração descobre naSagrada Escritura uma luz para os desafios e vitórias de cada tempo. O importanteé reconhecer, como ensina a Igreja: o Senhor está presente, de forma real, tambémneste pão que sustenta nossa caminhada. Deixemo-nos encantar com o magníficomundo da Bíblia! Alessandro Faleiro Marques
Mês da Bíblia: o Livro de Josué e os tempos atuais pós-covid-19

O mês de setembro estava começando quando vi, pelas redes sociais, um padre, grande amigo, incentivando sua comunidade de fé a ler, estudar e aprofundar o texto bíblico escolhido pela CNBB para o ano de 2022: o Livro de Josué. Assim, eu me senti tocada a também ler a Escritura, uma vez que já fiz parte do Grupo de Animação Bíblica de minha paróquia e sei que os encontros sobre a Palavra são sempre muito proveitosos, com grandes partilhas e insights enriquecedores. Desta vez, contudo, comecei a ler Josué, apenas eu e meu esposo, em casa, sem material de apoio, apenas a letra seca do texto bíblico. Esta foi uma experiência também muito interessante, que nos trouxe a oportunidade de pensar sobre nosso atual momento. Já na introdução, os biblistas fazem uma salutar colocação: “O livro de Josué olha para duas direções. Para trás, completando a saída do Egito com a entrada em Canaã. Para diante, inaugurando a nova etapa do povo com a passagem para a vida sedentária” (Bíblia do Peregrino, p. 313). Sedentária é uma palavra estranha, mas demonstra bem o fenômeno que levou os hebreus a deixarem de ser nômades e a ocuparem a Terra Prometida. Os escritos de Josué expõem uma grande mudança por que o povo hebreu estava passando. Finalmente, eles chegavam à terra de Canaã, mas esta não foi conquistada de modo fácil, sem adversidades. Ao contrário, para ocupar a “terra que mana leite e mel”, o povo escolhido enfrentou guerras contra várias nações, especialmente os cananeus. Nessa disputa, inclusive, os hebreus contaram com a ajuda de Raab, a prostituta, que, já tendo sabido sobre o Deus daquele povo, decidiu ajudá-los à custa da vida de sua própria gente. A aliança estabelecida é muito forte, e Raab, pelo que fez, por sua fé e coragem, é equiparada a Abraão por grandes exegetas. Ao longo do texto de Josué, descrevem-se algumas disputas com povos que estavam no lugar, o que demonstra que, apesar de “prometida”, a terra não foi ocupada pacífica e facilmente; ao contrário, ela foi conquistada com muito sacrifício, dor, perdas, etc. O povo já havia conseguido fugir do Egito, atravessado o Mar Vermelho, mas, em determinados momentos, descritos categoricamente no livro, é possível ver situações de idolatria bem como de exploração econômica, como as já vividas no Egito, e isso precisava ser logo combatido para haver unidade entre o povo e este não se perder. Para enfrentar a exploração e os desvios, os sábios de Israel se utilizaram das ações memoriais, que tinham o condão de evitar situações que transgredissem o projeto do povo. Esses gestos memoriais iam muito além da recordação. Eles recolocavam os envolvidos dentro do projeto, como senhores e participantes da experiência salvífica, recobrando sua parcela de responsabilidade no objetivo maior de um povo. Nesse texto, é interessante notar a divisão de terra às tribos conduzida por Josué. Cada clã recebeu uma parte, com as descrições físicas e lhe foi explicado o porquê de cada uma receber esta ou aquela porção. Os levitas, que hoje poderiam ser equiparados aos atuais diáconos, não receberam nenhuma área significativa, pois tinham como função o serviço religioso e a propagação da Palavra em todas as tribos. Período pós-covid-19 Ao ler o texto de Josué, agora em setembro, não pude deixar de associá-lo ao momento pós-covid-19 que vivenciamos. Sinto que estamos como o povo hebreu, que olha adiante, mas ainda têm fortes memórias e percepções de tudo aquilo que é seu passado recente e doído. Ao mesmo tempo em que estamos muito felizes com o fim (pelo menos aparente) da pandemia, após tantas idas e vindas, ainda sentimos em nosso peito a dor pelas quase 700 mil mortes em nosso país e as sequelas da doença. Estão latentes o grande empobrecimento coletivo e a falta de perspectiva de muitos em nossas comunidades. Diante desse quadro, tendo a experiência hebreia como ponto de partida, devemos pensar adiante sem nos esquecer de que fazemos parte do grande projeto de Deus. Precisamos nos animar mutuamente e, se for preciso, buscar ajuda profissional e tentarmos, juntos, impulsionar os passos dos irmãos que caminham conosco. Uma verdadeira caminhada sinodal rumo aos novos desafios. Não é fácil, mas também não foi fácil para aquele povo, porém a íntima experiência divina nos leva a continuarmos tentando. Tânia Cecília Cardoso de Oliveira MarquesEntusiasta no conhecimento da Bíblia.
Abre tua mão para teu irmão

A Igreja Católica no Brasil celebra, ao longo de setembro, o Mês da Bíblia. A inspiração vem de São Jerônimo, um grande estudioso da Sagrada Escritura que se dedicou a traduzi-la em uma linguagem mais simples, para que as pessoas tivessem melhor entendimento. Sob essa motivação, desde setembro de 1976, iniciando pela Arquidiocese de Belo Horizonte e rapidamente se expandindo pelo Brasil, a Igreja elege um tema, sendo um livro bíblico para estudo e reflexão. Assim, a comunidade cristã é convidada a ir ao encontro profundo com a Palavra e, através dela, cultivar o relacionamento com Deus e com a comunidade. Neste ano de 2020, o livro do Deuteronômio foi o escolhido pela CNBB. O lema proposto é “Abre tua mão para teu irmão” (Dt 15,11). Segundo os biblistas Carlos Mesters e Francisco Orofino, o amor de Deus, a memória do povo, o serviço aos irmãos, a atitude de uma comunidade em saída, a vida comunitária, a libertação da opressão e a aliança de Deus com o povo são os grandes temas que se destacam nesse livro. Diante da realidade complexa em que vivemos, com tantos males que assolam o planeta e a humanidade, o livro de Deuteronômio nos convida à terra prometida, para viver uma vida nova. É o convite à terra da fartura, da solidariedade, da justiça, do cuidado mútuo, do dom de Deus. Em Deuteronômio, no entanto, fica claro que não é possível chegar lá sozinho. O caminho é coletivo, com passos concretos, sendo necessário abrir a mão para o irmão, acolhendo a vulnerabilidade humana com compaixão e misericórdia. Que a Palavra de Deus nos oriente e seja luz para nossos passos. Para mais informações sobre o Mês da Bíblia, sugerimos as seguintes fontes: Como se preparar para o Mês da Bíblia 2020? Mês da Bíblia – 2020Tema: O livro do Deuteronômio Lema: “Abre tua mão para teu irmão” (Dt 15,11)Por Carlos Mesters e Francisco Orofino
Leitura continuada da Bíblia

“Santo Agostinho falava que Deus escreveu dois livros. E o primeiro livro escrito por Deus não foi a Bíblia, mas sim a criação plena de todas das coisas, a natureza, a vida. O Livro da Vida, é por ele que Deus quer falar conosco.” (Frei Carlos Mesters, biblista) Na Igreja Católica, setembro é o Mês da Bíblia. É o período em que os fiéis são exortados a ter mais contato com os textos da Sagrada Escritura e, assim, iluminar e rezar a vida com base nos relatos, orações e ensinamentos presentes na Palavra de Deus. Uma das formas de ter contato com o texto bíblico é a leitura feita em grupo, com a comunidade e com os irmãos de fé e caminhada. Por isso a turma da catequese de crisma do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, participou da experiência da leitura continuada da Palavra, promovida pelo Arsenal da Esperança há nove anos. Na tarde de 24 de setembro, esteve na escola o missionário do Arsenal, Ivan Sbrana. Junto com os jovens do grupo de crisma, a catequista Sônia Vieira e o coordenador da Dimensão Missionária, Agostinho Travençolo, Ivan motivou o momento de leitura compartilhada da Palavra. O trecho lido foi o dos capítulos 1 a 6 do 2º Livro das Crônicas, uma das obras históricas do Antigo Testamento e que relata o discernimento e o esforço do povo para entender a maravilha de sua relação com Deus. De forma orante, os crismandos leram a passagem. A experiência, certamente, fortaleceu e aprofundou a compreensão da importância de ser comunidade e participar amorosamente da Igreja. Veja o depoimento de alguns alunos: “A experiência que tive durante a leitura continuada da Bíblia foi bem intensa e interessante. A sala estava repleta de uma energia inspiradora, que servia como guia para a alma. Além disso, as músicas tocadas pelo professor Agostinho contribuíram, de forma muito positiva, para tornar o ambiente ainda mais aconchegante. Foi um momento em que a palavra pôde adentrar mais fundo em nossos corações. Com certeza, foi muito enriquecedor.” (Felipe Mesquita Moura Mota Rodrigues, 9º ano A) “É impossível alguém que acompanhe o cristianismo não ame utilizar este Livro Sagrado. Os ensinamentos de Jesus, a história da humanidade, a criação do mundo, Moisés, Noé, Davi e tantos outros personagens estão presentes dentro da Bíblia. É tão fundamental que é apresentada como a Palavra do Senhor. Surpreendentemente, a Sagrada Escritura fica esquecida dentro da gaveta nas casas das pessoas. Lemos Crônicas 2, em que se conta a história de Salomão, um rei justo e fiel a Deus. É um grande exemplo de vida, pois pediu ao Senhor sabedoria e inteligência para reinar. Aprendemos que não é necessário construir um santuário como o de Salomão para provar que somos católicos, mas nos pequenos gestos, como ler a Bíblia e praticar seus ensinamentos.” (Luiz Felipe Ricobom de Sousa, 9º ano B) Sonia Vieira da SilvaProfessora de Ensino Religioso e catequista do Colégio Espírito Santo ________
Qual é a diferença entre a Bíblia católica e a protestante?

O que acha de aprender mais um pouquinho sobre a Bíblia? Você sabia que existem mais de 2.500 tipos diferentes de traduções dela? Segundo a União das Sociedades Bíblicas, são 451 línguas para as quais a Bíblia foi traduzida integralmente, enquanto aquelas para as quais foi traduzida em parte são 2.479. No Brasil, a Bíblia católica existe nas traduções: Jerusalém, TEB, Peregrino, Ave-Maria e CNBB, entre outras. Além dessas, existem a de tradução protestante, que são usadas em variadas denominações. Agora vamos à grande questão: Já que é tudo Bíblia, então não tem problema eu ler qualquer uma delas. Certo? Errado! Eis 2 motivos que fazem a maior diferença: Motivo número 1 – Na Bíblia protestante, os livros: Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico (ou Sirácida), 1 e 2 Macabeus, além de Ester 10,4-16 e Daniel 3,24-20; 13-14 não fazem parte da Bíblia. Para nós católicos, isto torna a Bíblia incompleta em comparação com as nossas traduções. Motivo número 2 – Sendo de orientação protestante, essas Bíblias trazem informações extras, como introduções aos livros bíblicos e notas de rodapé, dicionários bíblicos, entre outros possíveis comentários, orientados pela sua própria doutrina, que é diferente da doutrina católica. Essas informações são muito importantes para o entendimento do texto; e se estas forem de orientação protestante, elas estarão de acordo com a doutrina protestante e não com a católica. E como saber qual é a Bíblia que estou lendo? Quando você abrir as primeiras páginas da Bíblia, você pode ver nas informações gerais e de impressão qual é a sua tradução ou você pode ir no índice e ver se os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico e Macabeus estão lá. Se estiver, é uma Bíblia católica. Ganhei uma Bíblia cristã protestante, o que faço? Dê de presente para um protestante. Dessa forma, além de evitar confusões, você pode presentear alguém e fortalecer a amizade com outros cristãos. Falando em Bíblia, não deixe de ler a sua! Aumente seu conhecimento e desenvolva sua espiritualidade cada dia mais. Aproveita e deixa pra gente nos comentários seus versos favoritos.
Pequeno glossário para quem não fala catolicês

Se você é d@s muit@s que só ouviu o termo ‘carmelengo’ no filme “Anjos e Demônios”, não se sinta só. Carmelengo, núncio, dogma, homilia… pra quem não tem muita intimidade com o catolicismo, algumas palavras soam quase como outra língua. Mas não se preocupe. Com este nosso pequeno glossário católico, você ficará por dentro dos termos mais usados pela nossa Igreja. Aproveite! Pequeno Glossário Católico Apologética – justificação e defesa da fé católica por meio de argumentos racionalmente válidos. A pessoa que defende a fé nessa perspectiva é chamado de apologético. Nota: O conjunto de escritos associados às atitudes de defesa dos cristãos entre os séculos II a IV d. C. são conhecidos como “tradição apologética cristã”. Apóstolo – Palavra de origem grega que significa ‘enviado’. Eram os seguidores diretos de Jesus, enviados para propagar o cristianismo. Advento – Período de quatro semanas preparatórias para o Natal. Beatificação – Aprovação de uma pessoa como modelo cristão, para que possa ser cultuado. A beatificação é um passo para a canonização, na qual o beato é declarado santo. O beato pode ser cultuado apenas em alguns lugares (como um país ou a região em que viveu). Já o santo não tem essas restrições. Bispo – Responsável pela administração de uma diocese, maior unidade territorial da igreja. É considerado sucessor dos apóstolos. Está diretamente subordinado ao papa. A Igreja Católica tem cerca de 5.100 bispos. Canonizar – Processo de transformação de um beato em santo. Cardeal – Dignidade eclesiástica que compõe o Sacro Colégio pontifício e tem voto na eleição dos papas. É um título honorífico conferido pelo papa. Normalmente é dado a bispos ou arcebispos, mas pode ser ainda conferido pelo sumo pontífice a outras posições eclesiásticas, como padre, por exemplo. Camerlengo – É o cardeal que administra a igreja entre a morte de um papa e a eleição de outro. Catecismo – Texto que transmite a doutrina católica. Celam – Conselho Episcopal Latino-Americano. CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, uma organização de bispos. Não se inclui na hierarquia tradicional da igreja. Concílio – Reunião de bispos de um país, de uma região ou de toda a igreja. Neste caso, recebe o nome de concílio ecumênico. Conclave – Assembléia de cardeais para a eleição do papa ou local onde eles se reúnem para tal fim. Cúria Romana – Conjunto de órgãos e pessoas que auxiliam o papa e que governam o Vaticano e a Igreja Católica. Diácono – É um ministro religioso que está no último ano de estudos que o leva à carreira clerical. Há os diáconos em grau permanente que podem ser homens solteiros, casados ou viúvos. A Igreja Católica possui atualmente 39.500 religiosos que recebem esse título. Diocese – Parte da igreja sobre a qual um bispo tem jurisdição. Em geral, tem caráter territorial, mas há dioceses pessoais, como de bispos de comunidades nacionais em países estrangeiros. Dogma – Ponto da doutrina estabelecido formalmente pela igreja. É de aceitação obrigatória para os fiéis. Encíclica – Carta circular do papa abordando algum tema da doutrina, com mensagens universais dirigidas aos membros da Igreja Católica. Estola – Acessório utilizado pelo papa que simboliza o poder supremo do sacerdote e sua sujeição a Deus. O uso deste item significa que o pontífice está ocupado com algum dever eclesiástico. Também faz parte das vestes litúrgicas utilizadas pelos padres e diáconos durante a celebração da missa e dos sacramentos. Evangelho – Cada uma das narrativas da vida de Jesus que fazem parte do novo testamento. Homilia – Sermão, pregação, preleção dada por um sacerdote no decorrer de uma missa após a leitura do Antigo Testamento e do Novo Testamento e antes da recitação do Credo. Igreja Católica Apostólica Romana – herdeira e continuadora da missão evangelizadora que Jesus Cristo outorgou aos apóstolos. Há outras Igrejas Católicas (Armênia, Caldeia, Greco-Melquita, Maronita, Croata, Ucraniana, Grega e a Bielo-Russa) que se diferenciam pela língua litúrgica e pelo rito. Liturgia – Celebração com ritual estabelecido previamente pela Igreja Católica para o culto comunitário. A mais importante delas é a missa. Missa – Celebração principal da liturgia. Para os católicos, pão e vinho consagrados numa missa viram corpo e sangue de Jesus. Núncio – Embaixador do papa. Padre – Responsável por uma paróquia ou por serviços da igreja. Existem padres seculares (fixos em sua diocese) e missionários. A Igreja Católica tem ao todo 412 mil padres espalhados pelo mundo. Papa – Sucessor vitalício do apóstolo Pedro, é bispo de Roma e autoridade máxima da igreja. Páscoa – Celebra a ressurreição de Cristo. A principal festa do catolicismo é comemorada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera do hemisfério Norte, que geralmente é em abril. Paróquia – Divisão territorial da diocese sobre a qual um padre tem jurisdição. Pentecostes – Palavra grega que significa ‘quinquagésimo’. É a manifestação do Espírito Santo aos apóstolos no quinquagésimo dia após a ressurreição de Jesus, comemorada, portanto, 50 dias após a Páscoa. Primaz – O bispo que ocupa a diocese mais antiga de um país. No Brasil é o bispo de Salvador. Quaresma – Os 40 dias que vão da Quarta-Feira de Cinzas até o Domingo de Ramos, destinados à penitência (arrependimento por falta cometida). Renovação Carismática Católica – Movimento surgido na década de 60 nos Estados Unidos, na esteira do movimento protestante pentecostal. Valoriza os carismas (dons concedidos pelo Espírito Santo), além do culto à Maria, à figura do papa e ao catolicismo. A cura, segundo essa ideologia, é a resposta de Deus à oração. Sacramentos – Sete práticas litúrgicas que a igreja administra para a salvação dos fiéis: batismo, crisma, ordenação, casamento, confissão, unção dos doentes e eucaristia. Santa Sé – significa “cadeira santa”, ou seja, aquela especificamente ocupada pelo papa. Santíssima Trindade – As três pessoas -Pai, Filho e Espírito Santo- do Deus único. Semana Santa – Período que comemora a instituição da eucaristia, a morte de Jesus e sua ressurreição. Sínodo – Assembleia de bispos do mundo inteiro, que se reúne periodicamente para, sob
Setembro é o mês da Bíblia. Você sabe por quê?

Que a Bíblia é o livro mais conhecido no mundo inteiro, é a base da religião cristã e contém inúmeros ensinamentos dados por Jesus Cristo, quase todo mundo sabe. Mas você sabe por que justo SETEMBRO é dedicado a ela? Senta que lá vem história… No ano 382, o Padre Jerônimo foi chamado pelo Papa Dâmaso para ser seu secretário particular. Ele recebeu a tarefa de traduzir a Bíblia do grego e do hebraico, para o latim. Neste trabalho, ele dedicou quase toda sua vida. No Brasil, em 1971, a Arquidiocese de Belo Horizonte (MG) propôs uma ação bíblica para todos os fiéis, leigos e consagrados, por ocasião da comemoração de seus 50 anos de existência. O período escolhido para os estudos bíblicos foi setembro, por ocasião da celebração em memória de São Jerônimo, que faleceu em 30/9. Sabendo da ação da arquidiocese, o Serviço de Animação Bíblica das Irmãs Paulinas passou todos os anos seguintes a celebrar o mês dedicado à Bíblia. Com os grupos de estudos bíblicos se multiplicando, a CNBB (Conferencia Nacional Dos Bispos do Brasil) passou a assumir a data comemorativa e instituiu a celebração por todo o país. Atualmente, além do Brasil, vários países da América Latina e África dedicam o mês de setembro à celebração da Bíblia. Quais atividades estão tendo na sua paróquia para celebrar este mês? Conte pra gente nos comentários. Se por acaso a resposta for “nenhuma”, tome a iniciativa e comece alguma ação, se precisar de ideias, nós ajudamos.
Você sabe por que o mês de setembro é o mês da Bíblia?

Desde o ano de 1971 que o mês de setembro, para nós católicos do Brasil, é dedicado à Bíblia. Mas desde 1947 se comemora o Dia da Bíblia no ultimo domingo de setembro. Por que setembro? O mês de setembro foi escolhido como mês da Bíblia porque no dia 30 de setembro é dia de São Jerônimo, quem traduziu a Bíblia pela primeira vez, do hebraico e grego para o latim, a língua falada pelo povo. Ele é o Padroeiro dos estudos bíblicos, dos estudiosos da Bíblia. O dia da Bíblia foi colocado no dia de sua morte, 30 de setembro. Quem foi São Jerônimo São Jerônimo foi um homem de grande cultura, era doutor nas Sagradas Escrituras, teólogo, escritor, filósofo, historiador. Ele nasceu na Dalmácia, hoje Croácia, no ano de 340. Sua família era rica, culta e de raiz cristã. Ele era filho único e herdou uma pequena fortuna de seus pais. Após a morte deles, Jerônimo foi morar em Roma. Lá, estudou retórica e oratória, com os melhores mestres da época. Com isso, adquiriu mais cultura ainda. Apesar de vir de uma família cristã, São Jerônimo ainda não tinha sido batizado. Só aos vinte e cinco anos ele tomou uma decisão madura e pediu o batismo. Então, foi batizado pelo Papa Libério. Depois disso, em oração, sentiu o chamado para a vida monástica. Mas não simplesmente vida monástica. Seu chamado era para a vida monástica dedicada à oração, ao recolhimento e ao estudo. Então, ele descobriu monges que viviam na Gália, atual França, e foi morar com eles. Lá, Jerônimo formou uma comunidade com seus amigos e discípulos. Estes dedicavam-se ao estudo da Bíblia e das obras de teologia. São Jerônimo dedicou sua vida ao estudo da Palavra de Deus, para transmitir o cristianismo em sua máxima fidelidade, ao maior número de pessoas passível. Por causa desse objetivo, e usando sua grande aptidão para aprender línguas, estudou hebraico e grego. Seu objetivo era compreender as escrituras nas suas línguas originais para transmitir um ensinamento seguro aos fiéis. São Jerônimo morreu com quase 80 anos no dia 30 de setembro do ano 420. Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, e quem ignora as Escrituras, ignora o poder e a sabedoria de Deus; portanto, ignorar as Escrituras Sagradas é ignorar a Cristo – S. Jerônimo Fonte: cruzterrasanta