A escultura humana no bibliodrama

Setembro é o Mês da Bíblia, e encontrar novas maneiras de apresentá-la às novas gerações é nossa missão. Para que isso aconteça, o bibliodrama é uma forma que vem ajudando, de modo inovador, as pessoas a se reencontrarem com a Palavra de Deus. A técnica apresenta muitos elementos que possibilitam uma vivência mais íntima com a Palavra, e uma delas é conhecida como escultura. A partir da leitura e da reflexão de um texto bíblico, os ouvintes são convidados a construir uma escultura com o próprio corpo. Foi o que aconteceu com o grupo de catequese familiar dos alunos que se preparam para o sacramento da Eucaristia, no Colégio Espírito Santo, na capital paulista. Desafiados à experiência feita de forma remota e criatividades liberadas, os resultados foram surpreendentes. Com base no texto da visita de Maria à sua prima Isabel, quando soube que esta estava grávida também, os catequizandos e seus familiares criaram esculturas muito expressivas, representando a acolhida, a disponibilidade, a alegria, o encontro e muito outros temas refletidos a partir do texto. Tudo feito com muita alegria e esmero. Temos aqui mais uma forma de evangelização e de vivência da Palavra. Assim, concluímos com o testemunho do professor Max de Oliveira Faria, sobre vivenciar da escultura com as crianças da catequese. “A experiência da escultura humana foi muito profunda para os participantes. Durante a motivação, pude perceber os olhos e os gestos que nasciam de forma livre, espontânea e carregada de amor. A palavra “encontro” motivou a interação, mas o que vimos foram sentimentos que se materializavam em gestos, abraços, mãos dadas. Foi uma oportunidade única, em que uma experiência bíblica de Maria e Isabel fez desabrochar, em nossas crianças e suas famílias, um gesto de profunda intimidade.” Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS. __________
Resposta ao “Perseverança On-Line” surpreende professor

O professor Max de Oliveira Faria, do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, apresenta a “Perseverança On-Line”. A proposta busca não deixar esfriar a fé de crianças e adolescentes e valoriza o encontro entre alunos e professores. Max recorda que todos têm necessidade do outro, desejo da companhia, assim surgiu o desejo de, no ambiente virtual, suprir essa demanda. “Estamos vivendo tempos de mudanças e renovações, dentro e fora de nossas casas, dentro e fora dos nossos corações, quando toda a sociedade foi ‘convidada’ a valorizar e explorar novos espaços, por isso não tivemos dúvidas em iniciar a ‘Perseverança On-Line’”, explica Max, que leciona Ensino Religioso e é responsável pelo grupo da Perseverança. A calorosa acolhida da ação surpreendeu o professor. “Quando fizemos a proposta desse formato, esperávamos alguma resistência por conta da demanda que hoje nossos alunos tiveram de assumir, porém, logo que receberam o convite, percebemos a alegria em cada mensagem de resposta, pois o reencontrar quem amamos é motivo de muita alegria”, conta.No primeiro encontro da “Perseverança On-Line”, foi pedido que os alunos apresentassem um símbolo que representasse a alegria e a esperança. “Ficamos impressionados com as partilhas e depoimentos, pois todos os alunos reconheceram na família, na escola e nos momentos com os amigos como os mais significativos e importantes, e já estavam morrendo de saudades”, relata Max. Ao fim do encontro, o professor confessa que percebeu a importância que os educadores e catequistas têm na vida de crianças e adolescentes. “Nós nos tornamos referências para boas práticas, ocupamos um espaço na vida deles que poucas profissões ocupariam, galgamos um lugar dentro da história e no coração desses jovens, mudamos perspectivas e os ajudamos na construção dos seus projetos de vida”, declara. “Nossa prática não se resume à sala de aula, mas vai além dos muros, dos conteúdos e avaliações. Somos responsáveis por regar sementes, descobrir tesouros e lapidar pedras preciosas.” O professor vê com esperança o futuro. “Tenho fé que sairemos deste momento transformados e com a certeza de que o melhor lugar do mundo é dentro de um coração amigo”, conclui. Assista ao vídeo que a turma do “Perseverança On-Line” preparou declamando o poema “Recomece” de Bráulio Bessa. Veja também a letra do poema. RECOMECE – Bráulio Bessa Quando a vida bater fortee sua alma sangrar,quando esse mundo pesadolhe ferir, lhe esmagar…É hora do recomeço.Recomece a LUTAR. Quando tudo for escuroe nada iluminar,quando tudo for incertoe você só duvidar…É hora do recomeço.Recomece a ACREDITAR. Quando a estrada for longae seu corpo fraquejar,quando não houver caminhonem um lugar pra chegar…É hora do recomeço.Recomece a CAMINHAR. Quando o mal for evidentee o amor se ocultar,quando o peito for vazio,quando o abraço faltar…É hora do recomeço.Recomece a AMAR. Quando você caire ninguém lhe aparar,quando a força do que é ruimconseguir lhe derrubar…É hora do recomeço.Recomece a LEVANTAR. Quando a falta de esperançadecidir lhe açoitar,se tudo que for realfor difícil suportar…É hora do recomeço.Recomece a SONHAR. Enfim, É preciso de um finalpra poder recomeçar,como é preciso cairpra poder se levantar.Nem sempre engatar a résignifica voltar. Remarque aquele encontro,reconquiste um amor,reúna quem lhe quer bem,reconforte um sofredor,reanime quem tá tristee reaprenda na dor. Recomece, se refaça,relembre o que foi bom,reconstrua cada sonho,redescubra algum dom,reaprenda quando errar,rebole quando dançar,e se um dia, lá na frente,a vida der uma ré,recupere sua fée RECOMECE novamente. Fonte: www.tudoepoema.com.br/braulio-bessa-recomece
Aposentei… será?

Muitas pessoas que conheço nutrem um enorme desejo de, um dia, ancorados por uma estabilidade financeira, quererem saborear os frutos da aposentadoria. Um desejo justo, já que o trabalho e todas as obrigações atreladas à atividade profissional exigem e acompanham os indivíduos por toda uma vida. Creio, contudo, que esse sonho, se olhado com mais critério, poderá trazer certo desespero quando ele se realizar de fato. Existe uma parcela da população que já transita por esse lugar. Após anos de dedicação em escritórios, escolas, empresas e demais áreas de atuação, veem-se desprezados e improdutivos. Falo isso por experiência própria, pois venho de uma família que batalhou muito para usufruir conquistas importantes. Um imóvel para morarmos, um carro para viagens e emergências e até mesmo a aquisição de uma linha telefônica que, à época, custou muito caro para nosso padrão econômico. O tempo foi passando, nós, os filhos, fomos crescendo e demos início à nossa jornada. O barulho de antes, com brincadeiras, música alta e pedidos comuns de qualquer criança – “MÃE, TÔ COM FOME!”, “MÃE, O EMERSON NÃO QUER ME EMPRESTAR A BOLA!” – foram substituídos por dias menos barulhentos, por refeições mais tranquilas, e a casa passou a ser reflexo do presente de meus pais. Eles deixaram de ser pai e mãe e se transformaram em avós, que já não tinham o mesmo vigor físico de antes. Iniciaram um processo de inércia e tristeza. Chegava a machucar o coração quando ouvíamos nossos pais dizerem: “Nossa, ainda lembram que têm pai e mãe?”. Fomos percebendo que estavam desanimados e infelizes, pois já se viam com a obra de suas vidas acabada. Até que um dia, despretensiosamente, um convite chegou a seus corações: “Dona Marlene, sr. Joel, vocês teriam um tempinho na semana para nos ajudar a montar algumas cestas básicas que serão entregues aos carentes da Favela do Moinho?”. Como um sopro de vida, aquele simples convite feito pela Pastoral Social de nossa comunidade religiosa devolveu a meus “bons velhinhos” a alegria de uma vida em doação. Já haviam se dedicado tanto a cuidarem de nossa educação que essa missão ainda estava latente e necessitava ser revisitada. Daquele primeiro convite para montar algumas cestas básicas, eles foram descobrindo que poderiam contribuir com a vida de muitas famílias nos serviços da Igreja, como ministros da comunhão, como palestrantes do Encontro de Casais com Cristo, fazendo lanche e cuidando de crianças na festa de Nossa Senhora Aparecida… Hoje, algumas caixinhas de remédios estão aposentadas no fundo de uma gaveta, quase esquecidas, da mesma forma que aquelas lembranças que antes serviam apenas para roubar o sorriso de meus pais. O ócio que nasceu com o fim do trabalho formal deu espaço à alegria de servir os necessitados. Parafraseando Jesus, muitas ovelhas, de outros redis, também foram alcançadas. Hoje dificilmente encontro meus pais em casa. Estão pelo caminho, lançando as sementes que tanto nos ensinaram a cultivar. Acredito que essa é uma realidade imutável. O trabalho é parte integrante e necessária para a realização de cada pessoa. Temos de entender que a percepção do trabalho atualmente não está unicamente relacionada ao formal, e sim a todas as atividades realizadas pelo homem, que busca o crescimento de si e do outro, com ou sem remuneração. Essa ação laboriosa cria um caminho para a alegria e criatividade, fazendo fecundo o solo dos sonhos e da realização pessoal. Max de Oliveira Faria, professor de Filosofia, Ensino Religioso e Educação Física; especialista em Educação Escolar e Grupos Especiais; membro da Equipe da Dimensão Missionária do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP.