Juntos pela saúde: espiritualidade & ciência

O Dia Mundial da Saúde é celebrado em 7 de abril. A saúde é um tema que merece constante atenção, movimento e investimento educacional. Os conceitos e iniciativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) foram a referência para a professora Marli Teresinha Everling tratar sobre o assunto. Confira!

Ecologia integral: dimensão política & criatividade

A atenção à ecologia integral é um importante legado deixado pelo Papa Francisco. O futuro é decorrente do agora e depende de nós honrá-lo e concretizá-lo. Entre tantas possibilidades de olhar para esse tema, escolhemos a perspectiva política e da criatividade. Confira no artigo da prof.ª Marli Teresinha Everling!

Ecologia integral: a Criação, a espiritualidade, a Lua, a Páscoa…

Chegou a Páscoa! O tema da Campanha da Fraternidade é “Fraternidade e Ecologia Integral”, com o lema “Deus viu que tudo era muito bom”. Trata-se de uma ótima oportunidade para aprofundar um pouco mais o significado da Criação e de nossa responsabilidade para a sua preservação. Confira o artigo de Marli Teresinha Everling!

Espiritualidade ecológica em tempos de (des)informação

Muitos desafios se anunciam já na inauguração de 2025: desde movimentos no tabuleiro político que afetam a relação com o planeta até eventos climáticos que ocuparam boa parte do noticiário. Mas o tema do primeiro texto da prof.ª Marli Teresinha Everling deste ano diz respeito à espiritualidade ecológica, porque o ambiente externo é reflexo de nossa mentalidade. Confira!

A relação de dependência entre saúde, ambiente e vida na terra

Pensar em estilos de vida saudáveis e sustentáveis só faz sentido se relacionarmos a saúde com o ambiente local, regional e global em que vivemos. É o que procuramos fazer ao olhar para essa relação de dependência. Confira o artigo da professora Marli Teresinha Everling!

Conservação e preservação de nossa casa comum

As Ciências da Vida diferenciam “conservação” e “preservação” quando associadas à natureza ou discussões ambientais. O primeiro termo está ligado à conservação da biodiversidade e da ecologia. Em tal abordagem, os ecossistemas incluem espécies naturais, permitindo, entretanto, o uso sustentável e a participação humana, desde que orientada para a proteção, o uso racional e as gerações futuras. Já a segunda visão abrange a preservação das espécies, ecossistemas, biomas, diversidade genética, em uma perspectiva na qual o mundo natural não está à disposição dos humanos. Concebe a proteção da natureza para além do valor utilitário e econômico e visa à perenidade e à proteção integral. Ambos os significados são relevantes e pertinentes. Conservação, por possibilitar o uso sustentável, por considerar a participação humana; e preservação, por causa do valor atribuído à biodiversidade para além do utilitário, pelo compromisso com a proteção integral. Para que o cuidado com a conservação e a preservação de condições de vida na terra extrapolasse o campo das Ciências da Vida, foi percorrido um longo caminho. No trajeto, foram publicadas várias obras centradas no tema, especialmente entre as décadas de 1960 e 1970, quando nossa pegada ecológica já se fazia evidente. A hipótese de “Gaia”, tão presente nos textos de Leonardo Boff, foi formulada por Lovelock em 1969 e publicada em 1979. Para ilustrar a delicadeza, a beleza e a fragilidade do planeta, Lovelock valeu-se de uma imagem produzida um pouco antes: o planeta azul imerso no cosmos, registrado do espaço em sua primeira fotografia colorida. A partir de suas investigações sobre a biosfera, o cientista intuiu que todos os seres vivos e elementos materiais da superfície da terra constituíam uma comunidade, um megaorganismo, que, “inconscientemente”, afinava-se para manter o planeta como um sistema viável para a vida. Em sua percepção, nós, humanos, não teríamos direitos especiais, mas obrigações para com a preservação do equilíbrio do sistema, uma vez que nosso destino está conectado com o impacto de nossas ações sobre a terra. O cuidado requerido pela terra, presente em “Gaia”, também foi abordado em conferências sobre o desenvolvimento e meio ambiente, como aquelas sediadas em Estocolmo (1972), Belgrado (1975), Tbilisi (1977), Moscou (1987), Rio de Janeiro (1992 e 2012), além de orientar as conferências climáticas anuais e documentos como a Agenda 21 e a Agenda 2030. Em tais ações, nem sempre a dimensão social e ambiental consegue sobreposição à agenda econômica, o que traz ainda mais relevância à Segunda Encíclica do Papa Francisco (2015), “Laudato si’: sobre o cuidado da casa comum”. A Organização das Nações Unidas instituiu 28 de julho como Dia Mundial de Conservação da Natureza. É mais uma oportunidade para que a Equipe de Comunicação das SSpS Brasil reafirme seu compromisso de missionariedade com o uso sustentável de recursos, a valorização da biodiversidade em uma dimensão não utilitária e o cuidado integral com o planeta e a vida. ReferênciasAGENDA 2030. Plataforma agenda 2030. Disponível em: http://www.agenda2030.com.br. Acesso em: 6 jan. 2021.BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela Terra. Petrópolis: Vozes, 1999.EVERLING, Marli; KAHLMEYER-MERTENS, Roberto S. Design, educação ambiental e ser-no-mundo: elementos para uma hermenêutica da complexidade e da sustentabilidade. In: Confluências Culturais; Dossier Nossa vida, nosso planeta, nossa saúde, Joinville, v. 11, n. 2. P. 58-71, 2022. Disponível em: http://periodicos.univille.br/index.php/RCC/article/view/1809/1524. Acesso em: 17 jul. 2023.FRANCO, José Luiz de Andrade. O conceito de biodiversidade e a história da biologia da conservação: da preservação da wilderness à conservação da biodiversidade. História, Franca, v. 32, n. 2, p. 21-48, jul./dez. 2013. Acesso em: 8 jan. 2021.LOVELOCK, James. Gaia: a new look at life on Earth. Oxford: Oxford University Press, 1979.MOREIRA, Catarina. Biosfera. In: Revista de Ciência Elementar,Porto, v. 3, n. 2, jun. 2015. Disponível em: https://rce.casadasciencias.org/rceapp/pdf/2015/113/. Acesso em: 17 jul. 2023.PADUA, Suzana. Afinal, qual a diferença entre conservação e preservação? In: Jornal Eco, 2 fev. 2006. Disponível em: https://www.oeco.org.br/colunas/18246-oeco-15564/#:~:text=Conserva%C3%A7%C3%A3o%2C%20nas%20leis%20brasileiras%2C%20significa,integral%2C%20a%20%E2%80%9Cintocabilidade%E2%80%9D. Acesso em: 15 abr. 2021.PAPA FRANCISCO. Laudato si’: sobre o cuidado da casa comum. In: Vatican.va, 24 maio 2015. Disponível em: https://www.vatican.va/content/dam/francesco/pdf/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si_po.pdf&ved=2ahUKEwjXkvHWspOAAxXKIbkGHTF6ATQQFnoECDoQAQ&usg=AOvVaw2u7wRcx62LzwHk1PDCrwCY. Acesso em: 15 abr. 2021. Marli Teresinha EverlingProfessora nos cursos de Graduação e Pós-graduação em Design da Universidade da Região de Joinville (Univille), coordenadora do Projeto Ethos – Design e relações de uso em contexto de crise ecológica, colaboradora do Instituto Caranguejo de Educação Ambiental (caranguejo.org.br), colaboradora do blog SSpS Brasil para temas ambientais (blog.ssps.org.br), colaboradora das redes sociais do design para temas ambientais. Instagram: @designuniville

Junho e as vozes da ecologia e do meio ambiente

O mês de junho vem acompanhado de várias notas para reverenciar e cuidar da nossa casa comum, a Terra. Além de temas como educação ambiental, meio ambiente, ecologia, oceanos, vida no mar, mudanças climáticas como seca e desertificação, é o mês que demarca o início do inverno, com o dia mais curto do ano, demonstrando delicada relação de equilíbrio como Cosmos que afeta a organização de nosso dia a dia, do vestuário e alimentação até nossas horas de sono. Ao prestigiar o Dia Mundial do Meio Ambiente, dias depois de o Congresso Nacional mutilar o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a ministra Marina Silva destacou: Hoje é dia de termos consciência de que nosso tempo para agir está se esgotando e assumirmos definitivamente o que a ciência nos diz: ou respeitamos a natureza, e fazemos dela uma aliada, ou inviabilizaremos nosso futuro. Por tudo isso, faço desta data um convite para nos unirmos numa inadiável missão: a de tratar a natureza da forma correta, num esforço em benefício da nossa e das futuras gerações. A voz de Marina não ecoa solitária nesse cenário de crise ecológica. À sua convocação somam-se a sabedoria indígena, representada por Ailton Krenak; a tese do cuidado, defendida escritor e teólogo Leonardo Boff; e as orientações da Encíclica do Papa Francisco (2015), Laudato si’: sobre o cuidado da casa comum. Nesse documento, o Papa convoca: Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental que vivemos e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós. O movimento ecológico mundial já percorreu um longo e rico caminho, tendo gerado numerosas agregações de cidadãos que ajudaram na consciencialização. Infelizmente, muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustrados não só pela recusa dos poderosos, mas também pelo desinteresse dos outros. As atitudes que dificultam os caminhos de solução, mesmo entre os crentes, vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas. Precisamos de nova solidariedade universal. Como disseram os bispos da África do Sul, “são necessários os talentos e o envolvimento de todos para reparar o dano causado pelos humanos sobre a criação de Deus”. Todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades. É importante destacar, não só no mês de junho, que a Laudato si’ passa por questões urgentes, como poluição, resíduos e cultura do descarte; clima como bem comum; água; perda da biodiversidade; desigualdade planetária; deterioração da qualidade de vida humana e degradação social. Além disso, o Pontífice chama a atenção para a relação tecnologia, criatividade e poder; a fraqueza das reações; a globalização do paradigma tecnocrático; as consequências decorrentes da crise gerada pelo antropocentrismo moderno. A Encíclica situa a ecologia como tema central, relacionando-a com questões ambientais, econômicas, sociais, culturais e a vida cotidiana; defende o princípio do bem comum e da justiça intergeracional. O Papa Francisco apresenta orientações para ação fundamentadas no diálogo e na educação. O diálogo é considerado estratégia para desafios ambientais, política internacional, novas políticas nacionais e locais, transparência nos processos decisórios, interação entre política e economia para a plenitude humana, e relação entre religiões e ciências. Educação e espiritualidade ecológicas, por sua vez, devem guiar para outro estilo de vida, para a conversão ecológica, para a aliança entre a humanidade e o ambiente. O Papa finaliza propondo duas orações: a primeira pela nossa Terra, a segunda pela criação, fechando a Encíclica com as palavras: Deus de amor,mostrai-nos o nosso lugar neste mundocomo instrumentos do vosso carinhopor todos os seres desta terra,porque nem um deles sequeré esquecido por Vós.Iluminai os donos do poder e do dinheiropara que não caiam no pecado da indiferença,amem o bem comum, promovam os fracos,e cuidem deste mundo que habitamos.Os pobres e a terra estão bradando:Senhor, tomai-nossob o vosso poder e a vossa luz,para proteger cada vida,para preparar um futuro melhor,para que venha o vosso Reinode justiça, paz, amor e beleza.Louvado sejais!Amém. ___________________________________ ReferênciasSILVA, M. Pronunciamento da ministra do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, Marina Silva, em rede de rádio e televisão, por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho de 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mma/pt-br/assuntos/noticias/nosso-tempo-para-agir-esta-se-esgotando-diz-marina-silva-em-pronunciamento-do-dia-mundial-do-meio-ambiente. Acesso em: 13 jun. 2023. DICASTÉRIO PARA O SERVIÇO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO INTEGRAL; STOCKHOLM ENVIRONMENTAL INSTITUTE. A nossa casa comum: um guia para cuidar do nosso planeta vivo. Disponível em: https://www.sei.org/wp-content/uploads/2022/11/a-nossa-casa-comum-sei-vatican-20221128.pdf. Acesso em: 14 jun. 2023. __________________________________ Marli Teresinha EverlingProfessora dos cursos de Graduação e Pós-graduação em Design da Universidade da Região de Joinville (Univille); coordenadora do Projeto Ethos – Design e relações de uso em contexto de crise ecológica; colaboradora do Instituto Caranguejo de Educação Ambiental (caranguejo.org.br); colaboradora do blog SSpS para temas ambientais; colaboradora das redes sociais do design para temas ambientais – Instagram (@designuniville).

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