Realidade em conta-gotas

Em 15 de maio, comemora-se o Dia do Assistente Social. Para celebrar a data, partilhamos um diálogo apresentado por Maria José Brant (Deka), do qual podemos tirar muitas lições. Veja!
Entre ações e orações: violentômetro

Eu até peço a Deus que nos livre do mal que é o feminicídio. Mas, além de rezar, eu me lembrei também do “Violentômetro”, um material muito didático, criado originalmente no México. Orações e ações mudam histórias! Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, veja o impressionante alerta de Maria José Brant (Deka)!
“Pega-pega corrente…”

A força do coletivo vem sendo subestimada diante de tantos muros. É assustador criar crianças nesse clima. Muitas experiências vivas e potentes ficam de fora em nome da proteção, do zelo, dos evidentes perigos, do empobrecido cotidiano. Ao darmos as mãos, as relações se fortalecem, a experiência de contar com o outro vira prece. Maria José Brant (Deka) fala sobre uma brincadeira que marcou sua infância. Confira!
Sobre imaginAÇÃO…

Imagine uma sombra de árvore refrescando seu dia, imagine-se plantando e espalhando sementes. Imagine a força de um abraço carregado de perdão, imagine-se sendo acolhido sem julgamento. A “imaginAÇÃO” pode ser o primeiro passo para tudo o que desejamos acontecer. Partilhamos a poesia de Maria José Brant (Deka). Confira!
Sobre PAI, PAIxão e comPAIxão

Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
Sobre enamorar e enamorar-se

Entre tantas datas celebrativas, religiosas, comemorativas e até de apelo comercial, o amor pede passagem no mês de junho, que, tradicionalmente, nos lembra a defesa do meio ambiente. Fica inaugurado um tempo de celebrar o amor em sua fase inicial de aprendizagem, de experimentações afetivas, de mudança de fase, de novos laços, de ampliação das escolhas e desejos. Tempo de renovar juras de amor e de escolher nunca desistir do amor e da partilha. Nestes tempos de celebrar o amor, será preciso não pensar no namoro em si, mas no enamorar, no enamorar-se… Cada um de nós experimenta esses ciclos continuados de encantamento que são a base para as escolhas que fazemos na vida, muito além do amor entre pares. Se eu me enamoro, antes de tudo, crio as defesas para não permitir que nem um ato sequer me faça sentir desrespeitado, desrespeitada nessa proximidade. Se eu me enamoro e enamoro o milagre da vida, minhas escolhas serão balizadas pela defesa intransigente da dignidade da pessoa humana. Na simplicidade, no “enamoramento” e no encantamento, escolhas vão se desenhando diante dos nossos olhos, mãos, corpo e mente. A vida vira um discernimento permanente. Vira namoro, vira vocação, vira devoção, vira meta, vira casamento, vira separação, vira transformação, vira sonhos… A vida, (in)finitamente, apresenta-se em forma de broto e, se cuidada e protegida, vai crescer, alongar-se, achar seu lugar ao sol. Enamorar-se, enamorar e namorar são faces da mesma mirada. É permanecer onde existe a mansidão, a paz interna, a paixão, a devoção, a partilha, a partida, o descanso no colo de alguém, a esperança traduzida em gestos e atitudes. Enamorar-se, enamorar e namorar é “querer permanecer, mesmo podendo voar”. Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
Mulher, pedaço do mundo

Sou um pedaço do mundo O mundo é um pedaço de mim Sou braço, colo e abraço Sigo intuição e metas Sou vazio e solidão De repente, sou lágrima e dor, alegria e rancor, compaixão e paixão A paz e a guerra habitam em mim A esperança e a força bruta correm nas minhas veias Acredito no que não vejo e não creio em muita coisa que insisto em enxergar Escuto pássaros nos locais menos improváveis Aprecio o choro de quem se banha de lágrimas para (re)nascer A vida pulsa em mim e, para seguir viva, também pulsa no Universo A fé me cobre nos caminhos mais íngremes Eu nunca estou só Sou filha, mãe, neta, bisneta, irmã, prima, amiga Somos muitas Sei ser pá, terra e semente Sei ser paz e compaixão, e indignação Aprendo a ser cerca e me afasto Sou mulher, sou “humananidade” Enxergo o mundo pela lente do amor, vejo dores, sinto sabores, dissabores e odores. Devolvo conchas para o mar e deixo as pedras rolarem Sou corrente elétrica, tenho correntes em mim Abro portas e janelas para a vida me levar, e para (tentar) ir aonde quiser Aprendi a atirar pedras no leito do rio, para formar círculos infinitos Nasço mulher, acordo mulher, durmo mulher Há mulher em mim que se cala e tem medo Tem mulheres caladas para sempre, na ironia de quem se acha mais e é menos Sou mulher, realizo, destruo, construo e desconstruo o que querem de mim Na matemática da vida, lido com equações, divisões, somas, subtrações e multiplicações, em possibilidades infinitas Sou o que quiser, somos os quereres de muitas mulheres Somos mulheres Sou mulher Sou um pedaço do mundo O mundo é um pedaço de mim Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
Sobre andar com fé…

Já se foram mais de sete décadas, e essa “senhora” de 74 anos ainda tem muito o que nos ensinar. E diria mais, segue inspirando, e seu conteúdo se torna cada vez mais atualizado e essencial. Para encarar retrocessos por aqui e pelo mundo afora, nunca foi tão urgente revisitar a Declaração Universal dos Direitos Humanos, essa sábia “senhora”, nascida em 1948. Eu destacaria seu artigo inicial: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência, e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.” Uma mistura de liberdade, dignidade, igualdade, razão, consciência e fraternidade em defesa da vida. Uma poderosa seta que indica caminhos e não permite atalhos nem arranjos que coloquem vidas em risco, que tem potência para reescrever nossa realidade mundial. Sigo escrevendo, com a permissão de quem pretende destacar a liberdade de crença nesse cenário de retrocesso, trazendo a discussão de uma maneira simplificada e que possa implicar a muitos. Agora, desatacaria o artigo 18 da Declaração: “Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença, e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto em público ou em particular.” Também trago para o diálogo a nossa jovem Constituição Federal de 1988, que, em seu artigo 5º, inciso VI, estabelece: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.” Diante de fatos que se acumulam, faço coro à indignação do Papa Francisco: “Como é possível que hoje muitas minorias religiosas sejam discriminadas? Como permitimos que as pessoas sejam perseguidas simplesmente por professar publicamente sua fé?”. Uma mistura de intolerância, discriminação, perseguição se opõe à liberdade de religião ou de crença, coloca em risco a coexistência pacífica e nos afasta da fraternidade. Supondo que, numa dimensão transcendental, na rota da fé e da livre expressão religiosa, iríamos nos tornar mais fraternos e complacentes com as diferentes concepções e visões de mundo, o que se vê é a intolerância e a discriminação ganhando força. Ao que parece, ao ferir a liberdade religiosa, colocamos em risco toda a humanidade e enfraquecemos os pilares da cultura de paz, da diversidade e da preservação da dignidade humana. Há de se encontrar e alargar os campos de intercessão que existem entre as mais diversas expressões religiosas, de crença, de culto e de fé. O que nos diferencia deve ser mediado pelo diálogo respeitoso e construtivo. De mãos dadas com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, vamos seguir construindo pontes e estradas que levem ao caminho do diálogo, do respeito, da paz no mundo e da dignidade humana. Como brasileiros, frutos da terra rica em diversidade de tradições e doutrinas, podemos mostrar ao mundo que andar com fé tem muitos caminhos. Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
Querido diário!

Passando aqui, rapidinho, no primeiro dia do ano de 2024, para conversar sobre a vida em 2023. Hora de fazer o balanço das promessas e atitudes, dos desejos e dos planos para esse ano ímpar. Primeiramente agradecer porque 2023 chegou ao fim e virou páginas que desejaríamos apagar. Lembra-se daquela promessa de ir para academia? Até tentei, mas ainda não deu! Aquela minha tia, para quem eu disse que ligaria toda semana, não conheceu meu afeto virtual. Está com Alzheimer e não se lembra mais de mim. Deu para se aproximar de Deus, nas orações diárias, nas presenças na vida comunitária da igreja de meu bairro. As árvores que desejei plantar, ainda não o fiz! Agora não gasto tudo o que ganho. Não comprei tudo o que gostaria e, a cada dia, quero menos coisas. Do bacon ainda não me despedi… Aquele trabalho voluntário até foi retomado, mas não com a disponibilidade que deveria. Respirei fundo e renovei meu olhar todas as vezes em que aquela pessoa que me fazia revirar os olhos chegou perto de mim. Lembra-se de uma amiga que me rondava feito urubu? Eu a tirei de minha vida. Coloquei pontualidade em minha correria. Passei a acordar mais cedo, para conseguir ser gentil no trânsito. Rezo toda noite, todo dia! Estou aprendendo a rezar o terço… Checkup médico em dia! Cada vez menos, eu deixo a pia adormecer com louças sujas. Ainda não aprendi a fazer pão caseiro e a produzi-lo toda semana. Meu coração segue batendo forte sempre que sigo vendo as crianças crescendo com dignidade. Existe vida virtual, mas o abraço presencial foi resgatado com sucesso. A saudade virou motivo de orgulho, pois só a tem quem amou! Ops! Era para eu dar boas-vindas para 2023! E saiba que foi o que eu fiz! Vamos vislumbrar 2023 construindo, a cada dia, a história que desejaremos contar na próxima virada. Que seja um ano de encontros, e que a fé na vida seja renovada, seja lá quantas e quais forem as linhas escritas pelo Criador neste ano que virá! Que nos encontre disponíveis e encantados! (Esse texto contém licença poética e brinca com o tempo! Que venha 2023!) Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
Sobre “agradeSER”

Por toda flor que brotou em meu caminho Por todas as vezes em que eu nunca me senti só Pelas vezes em que tropecei e não caí… Pelas vezes em que caí e me levantei Pelo abraço inesperado e gargalhadas sem fim Pela luz que ilumina cantos obscuros e pelo Sol que nasce iluminando a solidão Pelo rio que corre para o mar e por toda estrela que se apaga Por todas as vezes em que o ciclo da Lua se completa Pelas voltas que o mundo dá Pelas brincadeiras que aprendi Por todo acorde de música que fez meu coração pulsar lentamente Pela saúde que permite meu corpo se recuperar da exaustão Pelo dom de Deus que se expressa em sinfonias, soluções tecnológicas e descobertas científicas Por toda vez que soubemos economizar, num gesto de humildade dos que têm muito mais do que precisam Pelas mãos que ajudam a levantar Pelo amor que não se cansa de enfrentar tanta violência Pela coragem de me calar diante do que não é essencial e de gritar sempre que a vida se encontra ameaçada Pela esperança que me leva para dormir e acorda comigo Pela capacidade de sonhar e pelos sonhos realizados Pelo milagre da vida Por ter vivido amores desfeitos Por viver amores feito infinito Por toda criança que nasce e vence a batalha que é (re)nascer o tempo todo Por todo fio de cabelo branco que vira memória e sabedoria Pelo vivido… Por ser e viver, gratidão! Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.