Coração-manjedoura: alegria e esperança

Tempo, tempo, tempo, tempo… O tempo humano, chronos, é entendido como finito, destrutivo… Nós, cristãos, vemos o tempo como kairós, o tempo de Deus, como tempo de salvação, favorável à graça de Deus, especialmente em dezembro. Tempo de olhar para trás e agradecer a Deus por mais um ano combatendo o bom combate e guardando a fé (cf. 2Tm 4,7) diante de uma pandemia que parou o mundo. Como diz a música:¹ “Te agradeço por tudo que tens feito,Por tudo que vais fazer,Por tuas promessas e tudo que és.Eu quero te agradecer com todo meu ser.” É tempo de olhar para frente, Tempo do Advento, tempo de piedosa e alegre expectativa pelo nascimento de Jesus, o Salvador. E para esse tempo de kairós ser bem vivido, com abertura à graça de Deus, precisa de preparação para esperar Jesus que veio, vem e virá. No Tempo do Advento, começamos a trilhar o caminho de um novo ano litúrgico na vida da Igreja, caminho espiritual para viver e celebrar o mistério da esperança, vigilância e preparação dos corações. Mas essa espera não é passiva, estática, inerte. É uma espera ativa, de conversão, reflexão e preparação do coração para receber o Menino Jesus que deve nascer e habitar em nós. Quando Jesus nasce e faz morada em nosso coração-manjedoura, Ele cuida, faz novas todas as coisas, cura, dá novo sentido… Como está nosso coração? Talvez não esteja preparado, talvez esteja confuso, ansioso, adoecido… Não importa como está o coração. Permita que Cristo nasça e faça morada, liberte, restaure… Aproveite bem este tempo de espera ativa até o Natal, procure preparar-se por meio do sacramento da reconciliação, mudança de vida, perdão, caridade, oração… Quem reza é sempre conduzido pelo céu e para o céu. Nossa Senhora, Mãe do Menino Deus, nos dá um conselho constante em Medjugorje: “Queridos filhos, rezem, rezem e rezem”. O Catecismo da Igreja Católica (cân. 524) nos diz que, “Ao celebrar em cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: ‘É preciso que ele cresça e que eu diminua’ (Jo 3,30)”. Como a diz a música:² “Ouço uma voz vindo da montanha,Ouço cada dia melhor.Ouço uma voz vindo da montanha,E eis uma voz a clamar.Preparai o caminho.Preparai o caminho do senhor.” De acordo com as Normas Universais do Ano Litúrgico e Calendário Romano Geral, “O Tempo do Advento possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o Tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa” (cân. 39). Que todos encontrem o Menino Deus em nosso coração-manjedoura, que possamos irradiar sua luz com pensamentos, palavras e ações: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). Nesse caminho de esperança e vida nova, com a Mãe Santíssima, possamos juntos cantar:³ “Cristãos, vinde todos com alegres cantos.Oh! Vinde. Oh! Vinde até Belém.Vede, nascido, vosso rei eternoOh! Vinde, adoremos!Oh! Vinde, adoremos!Oh! Vinde, adoremos o salvador!” Maria Cristina MaiaMissionária leiga de Deus Uno e Trino, membro da Equipe de Espiritualidade SSpS BRN e da Equipe Nacional de Espiritualidade SSpS e SVD. Referências¹ Música “Te agradeço”. Autora Ana Paula Valadão. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=oX21nw-Vv6M. Acesso em: 4 nov. 2021. ² Música “Preparai o caminho”. Autor Monsenhor Jonas Abib. Disponível em: https://www.letras.mus.br/padre-jonas/291066/. Acesso em: 4 nov. 2021. ³ “Cristãos, vinde todos” (Adeste fideles). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jc4_w2yIUqc. Acesso em: 4 nov. 2021.

Congresso Verbita: leigos e leigas comprometidos na missão

Foram dois anos de preparação junto aos leigos das paróquias do Verbo Divino para realizar, de 8 a 11 de julho, no Distrito de Santa Isabel, Município de Domingos Martins-ES, o III Congresso Verbita da Subzona Brasil. Com o tema “Leigos e leigas comprometidos na missão”, o encontro contou com 235 participantes, sendo 119 leigos, 87 padres, 6 irmãos, 20 seminaristas e 3 irmãs. Do número total de participantes, 51% foram de leigos. Destes, 65% de mulheres. Conforme apontado no Documento 105 da CNBB, a Igreja reconhece que ainda é preciso ampliar os espaços para uma presença feminina mais incisiva na Igreja, a exemplo de Maria, a primeira leiga cristã. O congresso é realizado desde 2010. O objetivo é enfatizar o propósito de, junto com os leigos e leigas, formar uma única família na missão. A expectativa é marcar os 125 anos de presença verbita no Brasil, a serem celebrados em 2020. A programação dos quatro dias foi intensa. Houve momentos de oração, celebrações, partilhas nas oficinas (Animação Missionária, Animação Vocacional, Bíblia, Comunicação, Jupic, Leigos e Leigas Associados e Espiritualidade), mesa-redonda, apontando e questionando os rumos da SVD no Brasil, análise de conjuntura, Vivat, momento cultural e saída para as comunidades. Três questões foram debatidas nas oficinas e partilhadas em plenário: “De que maneira vemos a participação eficaz do leigo na comunidade?”, “Que perspectivas temos para o futuro?”, “Como podemos nos organizar para que isso aconteça?”. A memória dos congressos da Subzona Brasil foi apresentada pelo padre verbita Marcelo Catani, que analisou, entre outros, os seguintes pontos: • 1995: Todo aquele que der testemunho de mim diante dos homens, testemunhá-lo-ei diante do meu Pai (Mt 10,32). • 2005: Desafiados pelo diálogo profético do Verbo Encarnado e um despertar para novas realidades, tendo como diferencial estar entre os excluídos. • 2010: Congresso de Pastoral Paroquial Verbita. As paróquias são redes de comunidades eclesiais de missão, de Palavra e caridade. • 2015: Romaria à Basílica Nacional, em Aparecida-SP: 120 anos evangelizando o Brasil, colocando os últimos em primeiro lugar, recordando a história, protagonismo dos leigos na missão, família à luz da Palavra e perspectivas futuras. O padre Anselmo Ribeiro, membro do Conselho-Geral dos verbitas, refletiu sobre os rumos que os missionários do Verbo Divino devem tomar no Brasil, com base no amor transformador do Verbo Encarnado, na voz profética do Papa Francisco, nos gráficos apresentados com projeções quantitativas de padres e irmãos até 2030. Em seguida, partilhou os aspectos centrais do Capítulo-Geral ocorrido no ano passado, em Nemi, Itália: • o leigo como parceiro na missão nos 85 países onde os verbitas estão presentes; • a experiência de amor e espiritualidade trinitária (chamado à vida, encarnação, redenção, renovação, comunhão, envio e missão); • comunidade de vida e missão (intenção e cuidado na formação das comunidades, envio, permanência e retorno de missionários, planejamento e programação); • enraizados na Palavra (o nosso nome é a nossa missão, a Palavra no centro da vida, agir através da Palavra – diálogo); • discernimento (para Santo Arnaldo, o discernimento não era uma opção, mas uma necessidade vital para permitir entrar na Palavra e cumprir a vontade de Deus; olhar além dos nossos limites, nosso trabalho não é suficiente); • comprometidos com a missão (estilo de vida simples: financeiro, estruturas, relações, planejamentos); • testemunhas da renovação e transformação (construção de um projeto missionário, comprometidos com a opção fundamental de Jesus, redimensionamento e redistribuição de recursos, capacitando todos os agentes); • 1895-2020 (alcançar um consenso e construir um pacto. Processo de escuta: o que Deus quer de nós? Estamos dispostos a perguntar? Estamos dispostos a ouvir?); • processo de colaboração (leigos e leigas parceiros na missão, corresponsabilidade e formação). O professor João Guilherme Porto, diretor da Faculdade Arnaldo Janssen, apresentou provocações sobre a atual conjuntura, marcada pela evolução tecnológica, percepção acelerada do tempo, realidades em mudança permanente, violência e abismo social naturalizados, profundas e estruturais mudanças sociais. A missão do cristão é estar no mundo, porque nossa casa é onde Deus nos coloca, conforme dizia Santo Arnaldo. O Hino do Laicato Verbita, composto pelo Pe. Cirineu Kuhn, ainda ecoa nas mentes e corações, e traduz essa interculturalidade e presença do leigo na missão desde a geração fundante: “Somos a Igreja viva Nosso rosto você pode ver Somos leigos e leigas verbitas E esta é a nossa maneira de ser!” “Há dois anos, estamos trabalhando nas paróquias do Verbo Divino com os leigos e criando uma preparação na qual damos a conhecer a espiritualidade Arnaldina. Coincidiu com o nosso Capítulo-Geral em Nemi, Roma, Itália, em 2018, quando um dos temas tratados foi sobre ‘o laicato verbita nos 85 países onde estamos trabalhando’. Sentimos a importância da presença que nos marca pela convivência internacional, um estar com o povo e trazer a palavra de Deus com os mais necessitados”, afirmou o irmão Paolo Delucca. Padre Matheus Nurak destaca pontos importantes. “Contamos com a honrosa presença do Superior-Geral, Pe. Paulus Budi Kleden, e Pe. Anselmo Ribeiro, membro do Conselho-Geral. O congresso demonstrou a ressignificação e fortalecimento da participação e do companheirismo dos leigos e leigas na missão verbita, o que não se trata apenas como uma necessidade do tempo atual, mas sim como fundamento que nos marcou desde o início da Congregação.” Maria Cristina MaiaAlém de professora universitária, mestre em Sistemas de Gestão e doutoranda em Educação, é missionária leiga de Deus Uno e Trino e membro da Equipe de Espiritualidade Nacional SSpS/SVD.

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