Uma Páscoa missionária

Viver em chave pascal significa abraçar cada momento da vida, desde a alegria até a fragilidade e a morte. Páscoa é tempo de coragem. Sair de um simples lugar celebrativo para o encontro com as pessoas. Veja a reflexão do professor Lucas Fortunato, do Colégio Sagrado Coração de Jesus, de Belo Horizonte (MG).
Quaresma: tempo de reequilibrar-se

A Quaresma é tempo de silêncio e escuta sensível de realidades que, por vezes, passam despercebidas. No Brasil, a CNBB oferece uma excelente oportunidade de reflexão, conscientização e ação por meio da Campanha da Fraternidade. No artigo, o professor Lucas Fortunato Carneiro reforça que este período nos convida a aprofundarmos nossa espiritualidade vivida no cotidiano. Confira!
Traços, sons, cores e formas na vivência da espiritualidade com a criança

Quando as crianças experimentam a espiritualidade na infância, isso ajuda a desenvolver a mente, as emoções e os relacionamentos delas. A espiritualidade pode ser sentida de muitas maneiras, por meio de coisas como sons, cores e formas. Este texto fala sobre como esses elementos são importantes para as crianças experimentarem a espiritualidade e como isso pode ajudá-las a se sentirem conectadas a algo maior. Os traços, ou seja, as linhas que compõem uma imagem, podem despertar a curiosidade e a imaginação da criança, proporcionando uma maneira tangível de se conectar com o mundo espiritual. Desenhos, símbolos e representações visuais de conceitos espirituais podem ajudar a criança a compreender e internalizar essas ideias abstratas. Por exemplo, mandalas, que são desenhos circulares utilizados em algumas tradições espirituais, podem auxiliar a criança a desenvolver um senso de equilíbrio e harmonia. Os timbres têm um efeito profundo na experiência humana, e vivenciar a espiritualidade com uma criança não é diferente. Música, canto, mantras e rituais sonoros podem criar um ambiente propício à introspecção e à conexão espiritual. As canções, por exemplo, podem transmitir valores e ensinamentos, além de gerar um sentimento de pertencimento a uma comunidade. Além disso, a criança pode se expressar musicalmente, criando timbres que refletem sua própria experiência e compreensão de espiritualidade. As cores têm um impacto poderoso em nossas emoções e percepções. Na vivência com crianças, elas podem ser usadas para representar conceitos e estimular a criatividade. Diferentes tradições atribuem significados simbólicos a cores específicas, como azul para serenidade e confiança, e amarelo para alegria e energia. Ao explorar esses significados, a criança pode desenvolver uma compreensão mais profunda de sua própria espiritualidade e expressá-la por suas escolhas de cores. As formas e traços têm papel importante na vivência espiritual com crianças. A geometria sagrada, que usa formas como círculo, triângulo e quadrado, está presente em várias tradições espirituais. As crianças podem explorar essas formas para entender padrões universais e a ordem cósmica, e expressar sua espiritualidade criando mandalas, formas geométricas complexas que representem a totalidade e a conexão com o divino. A experiência da espiritualidade na infância é valiosa para o desenvolvimento pleno da criança. Sons, cores, formas e traços têm um papel importante nessa vivência, permitindo explorar, de maneiras palpáveis, o mundo e suas diversas espiritualidades. Ao proporcionar experiências sensoriais e simbólicas, despertam a imaginação, a criatividade e a conexão com algo maior. É crucial que pais, educadores e cuidadores reconheçam sua importância e criem um ambiente acolhedor e estimulante para a expressão espiritual da criança. Lucas Fortunato CarneiroProfessor e coordenador da Dimensão Missionária no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG.
A pessoa e a educação, uma relação profundamente cristã

Ao refletirmos sobre o processo educativo, nossa mente será levada a lembranças de nosso tempo escolar, amizades e tantas aventuras vividas. Não há problema algum em trazer à memória essas lembranças. Estas podem apresentar-se como brecha para refletirmos sobre a relação entre educação e pessoa. Somos seres de relação e construção de cultura, somos seres dependentes e independentes em nossa forma de pensar e existir, e, para que tudo isso tenha sentido, a “educação” tem papel fundamental. Segundo o dicionário Michaelis, educação define-se por ato ou processo de educar(-se), e no caso de uma escola missionária, afirmamos que educar é um ato ou processo de educar a partir de três palavras: escuta, mediação e compreensão. Somos uma instituição que “educa”, não de modo aleatório, mas a partir do Evangelho e de um projeto que tem a pessoa humana no centro. Valorizamos tanto suas potencialidades como suas fragilidades. Nesse processo educativo, faz-se importante “ir além dos muros da instituição de ensino e experienciar as diversas oportunidades presentes no desenho dos territórios educativos em um contexto de crescente singularidade de grupos populacionais de convivência, acelerado pelos processos de globalização, das mobilidades e geridos pelo diálogo multicultural” (Texto-Base da CF 2022, n. 137). Buscamos ensinar de modo a libertar a mente a uma reflexão humanizada, crítica e responsável. O ensino de Jesus é libertador. […] De alguma forma, ele libertou a todos com sua sabedoria e seu amor. Libertou os acusadores de matar aquela mulher e, ao lhes tocar a consciência, ocasionou a consequente revisão da própria vida. Libertou a mulher de ser apedrejada e abriu-lhe nova oportunidade de vida. Partindo de perguntas ao redor de um fato, Jesus ilumina também, com a verdade da misericórdia e do valor da pessoa humana, os membros do povo que ali estavam e assistiam à cena. Tudo nos leva a concluir que ensinar é libertar o ser humano das muitas amarras impostas pelo pecado, pelo legalismo, pela insensatez, pelo ódio, pela falta da fraternidade (Dom João Justino Silva, 2022). Portanto, nós nos perguntamos: como, porém, pensar a humanidade? Pensar a humanidade a partir da educação, a partir da experiência, a partir da solidariedade. Pensar uma nova humanidade que educa olhando para o outro, que estabelece parâmetros de justiça, paz e fraternidade. “Essa é a chave. O novo humanismo deve principiar na ‘relação’, no ‘jogo’ do ser humano com seus iguais, com a natureza e com Deus” (Ercilia Magaldi, 2022). Referências CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Campanha da Fraternidade 2022: Fraternidade e Educação: “Fala com sabedoria, ensina com amor” (cf. Pr 31,26): texto-base. Brasília: Edições CNBB, 2022. MAGALDI, Ercilia Simone D. A pandemia e um novo humanismo. Vida Pastoral, São Paulo, a. 63, n. 345, p. 36-43, maio/jun. 2022. Disponível em: https://www.vidapastoral.com.br/edicao/a-pandemia-e-um-novo-humanismo/. Acesso em 13 jun. 2022. SILVA, João Justino de Medeiros. Fraternidade e educação. Vida Pastoral, São Paulo, a. 63, n. 344, p. 4-11, mar./abr. 2022. Disponível em: https://www.vidapastoral.com.br/edicao/fraternidade-e-educacao/. Acesso em 13 jun. 2022. Lucas Fortunato Carneiro é professor de Ensino Religioso e coordenador da Dimensão Missionária no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG.
Missão, um testemunho de encontro

No espaço escolar e de missão, deve-se considerar o valor do testemunho. A Semana Sem Fronteiras 2021 exigiu de cada educador, de cada educadora, estudante e famílias a capacidade de redescobrir o valor do testemunho. Muitas foram as histórias e vivências, indicando que a condição de estar nas fronteiras independe do local geográfico. Tempos novos exigem novas posturas, sem perder de vista a beleza do caminho missionário: encontrar, escutar e celebrar. Encontrar, entre os estudantes da educação infantil ao ensino médio, a ternura e o vigor da vida e dos saberes; escutar a realidade cultural de cada território e discernir o melhor modo de agir nas fronteiras existenciais e geográficas; e celebrar a diversidade que nos enriquece. Descobrimos que os protagonistas da missão são todos aqueles, aquelas que se deixam tocar pela força do Espírito Santo que sopra onde quer. Percebemos que a força da palavra é fundamental tanto nas fronteiras geográficas como nas virtuais. Muitas foram as imagens, experiências, testemunhos, ações e sonhos partilhados. Dessa forma, alegres e fortalecidos, os que estão nos espaços educativos e de missão, nas fronteiras e em tantos outros espaços afirmamos: “Não podemos deixar de falar sobre o que vimos e ouvimos” (Atos dos Apóstolos 4,20). No link a seguir, acesse o álbum e confira um pouco do muito que cada escola realizou: Lucas Fortunato CarneiroProfessor de Ensino Religioso,Colégio Sagrado Coração de Jesus,Belo Horizonte-MG.