Juntos pela saúde: espiritualidade & ciência

O Dia Mundial da Saúde é celebrado em 7 de abril. A saúde é um tema que merece constante atenção, movimento e investimento educacional. Os conceitos e iniciativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) foram a referência para a professora Marli Teresinha Everling tratar sobre o assunto. Confira!

Após mobilização, governo revoga decreto de privatização de rios amazônicos

O Diário Oficial da União publicou, nesta terça-feira (24 de fevereiro), a revogação do decreto que permitia a privatização das hidrovias dos rios Tocantins, Madeira e Tapajós, na Amazônia. A notícia foi acolhida com festa por centenas de manifestantes. Veículos da “grande mídia” disseram que houve vandalismo nas instalações da Cargill; religiosos que acompanhavam o movimento negam. Saiba mais!

SSpS apoiam manifesto contra decreto que privatiza rios da Amazônia

As missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), ao lado de outras congregações que compõem a Vivat Internacional Brasil, unem-se aos povos indígenas, ribeirinhos e ambientalistas que protestam contra o Decreto n.º 12.600/2025. A medida do governo federal permite a privatização das hidrovias dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. A proposta beneficia o agronegócio, mas coloca em risco a sobrevivência de comunidades amazônicas. Saiba mais!

Planeta Terra: nossa casa

“Que tipo de mundo queremos transmitir às gerações vindouras, às crianças que estão nascendo?” (Papa Francisco, Laudato si’, 160). A Terra está sendo cada dia mais explorada pelas ações humanas. As pessoas, ao priorizarem as próprias necessidades, lucros e benefícios, acabam esquecendo que sua própria sobrevivência depende do bem-estar do planeta. A comunidade humana precisa ter consciência de que faz parte do meio ambiente: nós somos o meio ambiente. Sem a natureza em equilíbrio, não temos condições de sobrevivência. Então temos de nos preocupar com as gerações futuras e também com nossa própria geração. Nós, professores do Colégio Santa Maria (Cascavel–PR), buscamos levar nossos alunos a entenderem essa ideia de que precisamos cuidar de nosso planeta. Esse trabalho de conscientização é feito por meio de vários projetos realizados no colégio, pelos quais se enfatizam os cuidados com o planeta Terra. Entre as várias iniciativas, escolhi uma para apresentar neste artigo. O projeto sobre sustentabilidade, intitulado “Uma vida sustentável é possível”, levou alunos das turmas do 6º ano para passar uma manhã em um “sítio-escola sustentável”. A família que vive no lugar visa à sustentabilidade. Os alunos perceberam esse fato no cultivo das plantas, na manutenção da casa, nas estruturas de banheiros e nos demais ambientes do local. As construções são de barro, num sistema chamado “adobe” (tijolo de barro). As plantações, que são orgânicas, alimentam a família e são comercializadas por ela. Os estudantes aprenderam a fazer o tijolo, trataram os animais, alimentaram-se de comidas saudáveis, participaram de várias atividades lúdicas que tinham como objetivo instigá-los a terem a convicção de que podemos viver com o que a natureza nos oferece. Toda a tecnologia é importante, porém nada existiria sem a natureza. Na conclusão das atividades, os alunos conseguiram compreender que dependemos da natureza para sobreviver e que precisamos mudar alguns hábitos para garantir uma vida com mais qualidade para as gerações futuras. Precisamos “descascar mais e desembalar menos”, dar destino adequado para os resíduos que produzimos, reaproveitar, sempre que possível, objetos que utilizamos, dar um destino correto àquele equipamento que não serve mais, ou seja, diminuir o consumo. Assim, podemos reduzir muito os impactos gerados pelas indústrias. Dessa forma, concluo dizendo que, no momento em que nós, seres humanos, entendermos que somos o meio ambiente e que, sem a natureza, não existiríamos, conseguiremos cuidar do nosso planeta, assim como está pedindo o 15º Capítulo-Geral das Irmãs Servas do Espírito Santo e o Papa Francisco, com a frase citada no início do texto. “Despertadas pelo grito da Trindade através da dor e do sofrimento da Mãe Terra e de nossos irmãos e irmãs à margem, a conversão ecológica e a vida sustentável se tornam um compromisso ético inalienável” (15º Capítulo-Geral das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo, 2022). Simone LazzarottoProfessora de Biologia no Colégio Santa Maria, Cascavel-PR.

“Educar para um novo humanismo”

A educação humanista assume um papel fundamental no processo de desenvolvimento da pessoa, sobretudo quando inspirada por um espírito evangelizador que gera o desejo de perceber o outro e a realidade, numa perspectiva transformadora. No contexto da educação católica, interpelam-nos as palavras do Papa Francisco, na encíclica Laudato si’, indicando-nos que “A educação será ineficaz e os seus esforços estéreis se não se preocupar também por difundir um novo modelo relativo ao ser humano, à vida, à sociedade e à relação com a natureza”.1 Nesse intuito, o Papa convida os educadores e as educadoras do mundo inteiro para assumirem um pacto educativo global, com a intenção de despertar para a necessidade de educar para um novo humanismo. E o que vem a ser essa proposta? Educar para um novo humanismo é um convite a romper com as formas ineficazes e estéreis, sobretudo para os tempos atuais, e abraçar, portanto, uma “educação para um novo pensamento, capaz de unir diversidade e unidade, igualdade e liberdade, identidade e alteridade”. Trata-se de compreender e respeitar as diferenças, acolhê-las assim e “exercitar o pensamento que articula a unidade na diversidade e que considera a diferença como uma bênção para a própria identidade”.2 No cenário brasileiro, a Campanha da Fraternidade de 2022 traz um lema prenhe de significados: “Fala com sabedoria, ensina com amor” (Provérbios 31,26). Essas expressões nos indicam qual a centralidade da missão de educar. À luz dessas palavras, a educação deve favorecer espaços onde a pessoa seja iniciada em processos, a fim de conquistar seu desenvolvimento cognitivo, emocional, espiritual e social, como protagonista de sua existência, educando-se em estilos de vida conscientes e responsáveis Numa prática educacional em que o novo humanismo é a centralidade, há um amplo exercício do diálogo, um trabalho contínuo para promover a cultura do encontro, um esforço em tecer redes de cooperação para fortalecer uma “revolução da ternura que salvará o nosso mundo que está muito ferido”. 1 PAPA FRANCISCO. Carta Encíclica Laudato Si: sobre o cuidado com a casa comum. Brasília: Edições CNBB, 2015. (Documentos Pontifícios, 22). Disponível em https://www.vatican.va/content/francesco/pt/encyclicals/documents/papa-francesco_20150524_enciclica-laudato-si.html 2 PACTO EDUCATIVO GLOBAL. Instrumentum laboris. Disponível em https://www.educationglobalcompact.org/resources/Risorse/instrumentum-laboris-pt.pdf Ademais, diante das oportunidades apontadas com esta reflexão, motivam-nos algumas palavras imortalizadas em nossa literatura pelo educador e poeta Rubem Alves: “Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado”.3 3 ALVES, Rubem. Por uma educação romântica. 8. ed. Campinas: Papirus, 2009. Professor Alisson BaraúnaCoordenador da Dimensão Missionária no Colégio Espírito Santo, São Paulo-SP.

A ética do cuidado na missão no mundo de hoje

A mensagem central da encíclica “Laudato si’” (Louvado sejas) repete esta frase várias vezes ao longo de suas mais de 190 páginas: “Tudo está conectado” (Papa Francisco, 2015). O ser humano não está dissociado. Faz parte de um todo. É o macro e o micro juntos. Cuidar do todo é cuidar da parte, e não cuidar do todo é destruir uns aos outros, sobretudo os mais pobres e vulneráveis. A sociedade contemporânea convive com uma grande contradição. Vivemos em uma sociedade na qual o investimento em conhecimento e comunicação é enorme. Ao mesmo tempo, estamos cada vez mais sozinhos, isolados. As pessoas vivem numa solidão tremenda. A internet possibilita que façamos tudo on-line, sem sairmos de nossas casas, e isso tem causado um isolamento nunca visto. Diante disso, surge uma pergunta: como estamos nos relacionando com nossa casa comum? Como estamos nos relacionando com o nosso semelhante? Estamos muito preocupados com as tecnologias de última geração, meios de comunicação ultramodernos, porém estamos nos esquecendo de olhar para nossa realidade, para o chão nosso de cada dia, para nosso planeta, para nosso semelhante, com um olhar de compaixão. As coisas simples têm ficado de lado. Uma conversa na sala de tevê, um bate-papo tomando café, um sorriso diante de um caso; as pessoas não conversam mais. Necessitamos, no entanto, de coisas simples, como afirma Frei Betto (s.d.): Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das lojas: “Estou apenas fazendo um passeio socrático”. Diante de seus olhares espantados, explico: “Sócrates, filósofo grego, que morreu no ano 399 antes de Cristo, também gostava de descansar a cabeça percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores como vocês o assediavam, ele respondia: “Estou apenas observando quanta coisa existe de que não preciso para ser feliz”. “Tudo está conectado.” Tem-se percebido a urgência de um olhar simples, humanizador sobre nosso planeta e sobre as pessoas. Nosso modo de proceder deverá estar pautado em uma ética do cuidado, isto é, um modo de ser no mundo que se fundamenta nas relações que estabelecemos com todas as coisas. Não é à toa que, na encíclica do Papa Francisco, a expressão “tudo está conectado” se repete várias vezes. É uma chamada de atenção para olhar o macro e o micro sobre a ética do cuidado, esse modo de ser e de proceder no mundo, que se baseia numa prática humanizadora de todos as relações. Em “Saber cuidar”, Leonardo Boff (1999) chama a atenção que o que importa é estarmos atentos às pequenas atitudes humanas, nas ações cotidianas, no trato como o nosso semelhante, ou seja, nas coisas simples que marcam nossas relações. “Tudo está conectado.” Para aprofundarmos mais sobre esse assunto tão importante e necessário nos dias atuais, faço um convite muito especial a todos. Um webinar com o teólogo Leonardo Boff. Será no dia 8 de outubro, às 20h, no canal da Província Brasil Norte das irmãs servas do Espírito Santo, no Youtube SSpS Brasil Norte. Participe! Uma breve apresentação sobre o palestrante Leonardo Boff (1938) é teólogo, escritor e professor brasileiro, um dos maiores representantes da Teologia da Libertação, corrente progressista da Igreja Católica. Leonardo Genésio Darci Boff nasceu em Concórdia-SC, no dia 14 de dezembro de 1938. Filho de professor, graduou-se em Teologia no Instituto dos Franciscanos de Petrópolis, Estado do Rio de Janeiro. Doutorou-se em Filosofia e Teologia pela Universidade de Munique, Alemanha, em 1970. Referências BETTO, Frei. Passeio socrático. Blog Frei Betto, s.d. Disponível em: freibetto.org BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano compaixão pela terra. Petrópolis: Vozes, 1999. FRANCISCO, Papa. Carta encíclica Laudato si’. São Paulo: Paulinas, 2015. Gerry Adriano da Silva é filósofo, teólogo e professor de Ensino Religioso no Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG.

Semana Laudato Si’ 2020

O ano de 2020 marca o quinto aniversário da Laudato Si’. A encíclica do Papa Francisco sobre o cuidado com a Casa Comum foi assinada em 24 de maio de 2015. Mais que um documento eclesial, a encíclica é uma proposta de um projeto de vida para a humanidade e para o nosso planeta. A Laudato si’ foi acolhida como um documento profundo e cheio de beleza, e impulsionou pessoas ao redor do mundo a refletirem mais profundamente sobre o Criador e a criação. Sua visão da ecologia integral, que vê as conexões entre como tratamos Deus, a natureza e uns aos outros, oferece-nos verdades simples, porém profundas, sobre os laços que nos unem. Certamente esse documento é uma inspiração durante momentos de dificuldade, como a crise que atravessamos atualmente. Ele nos encoraja a refletir sobre os valores que compartilhamos e a criar um futuro mais justo e sustentável. Em uma grande campanha, o Papa convida todas as pessoas a participar da Semana Laudato Si’, de 16 a 24 de maio, que tem como tema “Tudo está interligado”. Assista, a seguir, ao vídeo do Papa Francisco. Para mais informações e materiais, acesse o site: Semana Laudato Si’ 2020 Vídeo do Papa Francisco:

Dia da Amazônia

Comemorando o Dia da Amazônia, 5 de setembro, queremos refletir sobre nossa atitude em relação a essa grande dádiva da criação, importante não somente para nós brasileiros, mas também para a preservação da vida e do equilíbrio climático de todo o planeta. Neste artigo, Frei Betto fala sobre o Sínodo da Amazônia e da necessidade de se cuidar da ecologia integral, incluindo os povos da floresta, que são os mais ameaçados. Como cristãos, somos convidados a adotar uma postura ética em favor da vida e da integridade da criação. Amazônia, o rosto ecológico de Deus A Igreja tem consciência de que, se agora defende a causa indígena, ainda não se libertou da influência do projeto colonizador que vigorou no passado O Sínodo da Amazônia, convocado pelo papa Francisco para outubro, terá lugar em Roma, numa decisão equivocada do Vaticano, pois fora agendado, de início, para ocorrer no coração da selva. Ali se debaterá mais do que a presença da Igreja Católica naquela região interconectada e cada vez mais violenta e desigual. O bioma amazônico engloba nove países e ocupa mais de 7 milhões de km² habitados por 34 milhões de pessoas, das quais 3 milhões são indígenas, que dominam 340 diferentes idiomas. Ali, cada metro quadrado tem mais diversidade do que qualquer outro lugar do planeta. O bioma possui três tipos de rios: os de superfície; o subterrâneo, conhecido como “alter do chão”; e os “rios voadores”, assim chamados por acumular vapor na atmosfera e distribuí-lo em forma de chuva em toda a América do Sul. A Amazônia exerce forte relevância no ciclo do carbono, ao absorvê-lo em bilhões de árvores e impedir sua liberação na atmosfera em forma de gás. Reduz, assim, o aquecimento da Terra. As quatro dádivas da região são: • povos que sabem viver da selva e na selva, sem ameaçá-la; • o ciclo das águas e do carbono; • a biodiversidade; • e a regulação do clima. Segundo o papa Francisco, “os povos amazônicos originários nunca estiveram tão ameaçados em seus territórios como agora”. Em sua sabedoria ancestral, eles nos ensinam a se relacionar com a natureza, os demais seres humanos e Deus. No entanto, agora são vítimas de assassinatos, expulsões de suas terras, ação de grileiros e mineradoras, desmatamento, e proibição de se reunir e organizar. A Igreja tem consciência de que, se agora defende a causa indígena, pela qual há tantos mártires, por outro lado ainda não se libertou da influência do projeto colonizador que vigorou no passado. O Sínodo busca justamente implantar uma Igreja pós-colonial e solidária, com rosto amazônico e indígena. Para a Igreja, a região é muito mais do que um lugar geográfico; é também um lugar teológico, no qual transparece a face de Deus criador. Não há como manter a floresta de pé sem a sabedoria dos povos que a habitam. O “capitalismo verde” não convém, pois se rege pelas leis do mercado e busca patentear princípios e essências, privatizar a água e promover a pirataria dos saberes populares. Os povos indígenas guardam ainda uma sintonia holística com o Cosmo. Seus sentidos aguçados estabelecem um diálogo permanente com a natureza. Conhecem cada ruído, prenunciam a chegada da chuva ou da seca, identificam os recursos medicinais das ervas. O índio não é um indivíduo na natureza. Seu corpo, o território no qual habita e a natureza formam uma unidade. Os indígenas respiram uma cultura que se traduz, de fato, em espiritualidade da reciprocidade. Através de ritos e festas, celebram a exuberância da natureza e exorcizam os espíritos malignos. Sem recorrer à escrita, passam de geração a geração a cultura do cuidado da floresta e do respeito a todos os seres vivos. Para eles, a terra não é um bem econômico, e sim dom gratuito de Deus no qual descansam seus antepassados, e espaço sagrado com o qual interagem para preservar sua identidade e valores. Sofrem, no entanto, sérias ameaças de uma equivocada concepção de desenvolvimento e riqueza que lhes cobiçam as terras para implantar projetos extrativos e agropecuários, indiferentes à degradação da natureza e à destruição de suas culturas. Cinco grandes sintomas da crise planetária se manifestam na Amazônia: 1) mudança climática; 2) envenenamento da água; 3) perda da biodiversidade; 4) degradação da qualidade de vida humana e da natureza; 5) conflitos sociais marcados por violência e assassinatos. A convocação do Sínodo Panamazônico pelo papa Francisco é uma boa nova para toda a humanidade. Frei Betto é escritor, autor de “A obra do artista – uma visão holística do Universo” (José Olympio), entre outros livros. O texto foi publicado originalmente pelo portal O Globo.

Laudato si’: cuidando de nossa Casa Comum

Neste mês, a Encíclica Laudato si’ (Louvado sejas, meu Senhor) completou quatro anos de existência. Desde que foi lançada, veio ao mundo como uma grande primavera. Trouxe um florescimento, o aflorar do diálogo com todas as sociedades e religiões. O Papa Francisco lança ao mundo um grande apelo: cuidemos da Casa Comum, cuidemos do planeta. A Laudato si’ expôs, de forma clara, como devemos nos preocupar com a Terra. A novidade está em sua formulação: a Casa Comum. Não foi apenas uma preocupação unilateral em torno do meio ambiente, do meio onde se vive. Mas avançou para algo maior e nos fez pensar que o planeta é nossa casa. E sendo a nossa casa, deve ser cuidada, com afeto, esmero e responsabilidade. Uma obrigação de todos e todas que vivem dentro dela. Para tanto, apontou que, para organizarmos a casa, o planeta, precisamos ter em conta alguns pontos: a pobreza e a fragilidade do planeta, a interligação de tudo no mundo, as formas de poder que derivam das novas tecnologias, uma economia e um progresso não predatórios, o sentido humano da ecologia, a busca por diálogos sinceros entre os povos, a responsabilidade e local da política internacional, a cultura do descarte e um novo estilo de vida. Essa organização da casa comum não é fácil. Depende de cada um de nós, desde os pequenos gestos aos grandes feitos, tanto das Igrejas quanto das sociedades. Desses pontos destacam-se três. Primeiro, sobre a economia e progresso. O Papa Francisco, ao longo dos anos, nos adverte o quanto a ganância por riquezas vem gerando, cada vez mais, a pobreza, a miséria e a morte. Se existe a pobreza é porque não ocorre a distribuição justa dos bens e produtos de cada país. A economia está centrada nas mãos de poucos. Outro ponto é a questão política internacional e local que vem demonstrando o quanto desumaniza os povos. Vemos, na América Central, famílias inteiras em grande deslocamento, em busca de uma nova vida. Há alguns dias, presenciamos o quanto a vida vale pouco: um pai e sua filha, ambos da Guatemala, morreram afogados na travessia para os Estados Unidos. Assistimos a tudo isso e a outros casos mundo afora e nos perguntamos para onde vai o sentido da política humanitária do mundo. Para onde caminha o humano nestes tempos? O terceiro ponto nos mostra como tudo nos interliga dentro da Casa Comum. Na Laudato si’, o Papa Francisco nos mobiliza a pensar em outro mundo possível, de amor, solidariedade e partilha, com uma economia que beneficie a todos e todas, e um progresso que nos leve a um futuro de paz e comunhão. Hoje, no Brasil e em muitos países latino-americanos, presenciamos muitos gestos que nos fazem mais humanos e percebemos o quanto estamos interligados. O maior deles, para nós, cristãos e cristãs, é o Sínodo da Amazônia, que ocorrerá de 6 a 27 de outubro, em Roma. O Sínodo da chamada Pan-Amazônia, que compõe a Bacia Amazônica, toda uma área da selva onde estão muitas nações indígenas, quilombolas, reserva nativo-biológica de plantas e sementes que devem ser preservadas, atualmente palco de disputas internacionais por suas riquezas. Além disso, para nós, cristãos e cristãs católicas, de modo especial, traz a triste questão da falta do encontro de muitos cristãos e cristãs com a Eucaristia. Há povos que não recebem o Corpo de Cristo por falta de sacerdotes. Um assunto que nos provoca a refletir sobre o futuro das vocações religiosas no Brasil. Além desse assunto, outros temas serão discutidos no Sínodo. Oremos por nossos bispos, para que sejam iluminados pela luz do Espírito Santo. Que possamos, juntos, cuidar de nossa Casa Comum. O que apresentamos aqui, no plano de anúncio do papado de Francisco, é anúncio de vida e salvação, motivações nascida a partir da Doutrina Social da Igreja. Por isso a Igreja propõe ao mundo um ideal de uma civilização do amor. O amor social que é a chave para um desenvolvimento autêntico entre os povos. Porque tudo está interligado nesta Casa Comum. Nilda Assis Cândido, mestra em Ciências da Religião (UMESP), coordenadora de curso (CESEEP – Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular), professora de Filosofia da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

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