Irmã Nelly Boonen: os desafios da justiça restaurativa no contexto escolar

A vivência da justiça restaurativa em contexto escolar foi o tema de uma palestra da Ir. Nelly Boonen, missionária serva do Espírito Santo, em Roraima. A atividade, promovida pelo TJ-RR, celebrou os 20 anos do projeto Justiça Comunitária. Irmã Nelly teve uma extensa agenda no Estado, marcada por visitas, formações e uma entrevista à rádio diocesana. Saiba mais!
Ecumenismo: um novo caminho de fé

“Eles se mostravam assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações” (At 2,42). E logo mais adiante: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava seu o que possuía, mas tudo era comum entre eles” (At 4,32). Esse sumário de vida das primeiras comunidades cristãs traduz o sentimento dos apóstolos, dos seguidores de Jesus e constitui-se em elementos fundantes de uma teologia do caminho. Etimologicamente, ecumenismo quer dizer o “mundo habitado”. Esse conceito amplia-se conforme as sociedades evoluem. De mundo habitado para “mundo civilizado”, com uma cultura mais aberta, com os avanços sociais, políticos, econômicos e religiosos que possibilitaram compreender sua amplitude. Em relação ao cristianismo nascente, podemos entender esse “mundo habitado” dentro de uma perspectiva espiritual, pois desta “terra habitada” Deus faz parte, por meio de seu filho Jesus, com a colaboração humana. As expressões máximas desse cuidado eclesial são os concílios ecumênicos, que cuidam das influências do “mundo em geral” nas questões doutrinais e disciplinares da Igreja. Contudo é no Concílio Vaticano II que a questão do ecumenismo tem o avanço e a profundidade em sua abordagem e prática, que, na voz do Papa João XXIII, anunciava-se o “abrir as janelas” da Igreja para o mundo. E o Papa Francisco pede uma Igreja de “portas abertas”, uma Igreja em saída. Igreja de janelas e portas abertas, em saída e a caminho, sob o sopro do Espírito, com novos ventos, em direção aos limites das fronteiras humanas. O movimento ecumênico busca construir a unidade dos cristãos, por meio de maior proximidade e estreitamento de laços entre as Igrejas cristãs, em suas diversas denominações (católica, ortodoxa, luterana, anglicana, entre outras), pela superação de divergências teológicas e culturais, fortalecendo o diálogo e a cooperação para a paz mundial. Mas como compreender essa construção da unidade, se nós, cristãos, que bebemos da mesma fonte, parecemos historicamente divididos em grupos religiosos e que, por vezes, entram em conflitos? A teologia paulina nos imerge na imagem do Corpo de Cristo, que implica um forte compromisso ético de cuidado e solidariedade dos membros uns para com os outros, especialmente para com os mais fracos (1Cor 12,12-27). Essa imagem evoca a unidade da Trindade e nos convoca a “vivermos com um só coração e uma só alma, orientados para Deus”, como diz Santo Agostinho. Apesar do crescimento da consciência da identidade e missão dos cristãos na Igreja e no mundo, ainda há longo caminho a percorrer. Essa responsabilidade que nasce do batismo e da confirmação se manifesta de formas diferentes em cada cultura. Alguns pilares, entre outros, que sustentam a caminhada em busca da fraternidade universal e que podem ser compreensíveis em todas as línguas destacam-se por sua essência e obrigam-nos a pensar em como cuidar bem da “casa comum”, tendo em vista o bem comum de todos: encontro-acolhimento, respeito, justiça e ética. Encontro-acolhimento: ir ao encontro do Outro, com a atitude do Bom Pastor, com a prática do Bom Samaritano, sentar-se junto ao poço de Jacó, sob a ótica da Nova Aliança, “ouvir” o que não está sendo dito e “guardar essas coisas no coração” (Lc 2,51). Respeito: é o primeiro princípio/ da ética; reconhecer o Outro em sua identidade cultural e social, em sua dignidade humana. A gente não vê algumas pessoas que estão à nossa volta. Que saber da experiência nasce da relação entre o conhecimento do outro e a vida humana em sua integridade? Justiça: o termo justiça sempre indica uma relação com o outro. Em Jesus, há uma síntese entre o projeto do Reino de Deus e sua pessoa: a justiça e o justo. Mais do que ser “do bem”, é necessário ser bom. Há uma convocação para uma nova ordem: aquele que adora a Deus é profundamente influenciado a viver esta nova era (o amor, o direito, a justiça, a liberdade, a felicidade), constituindo um novo ethos social e religioso. A lei só é válida quando nela está contida a justiça do Reino. Jesus opera visivelmente ações de justiça do Reino (Lc 7,22-23). Ética: vem de ethos: “morada e proteção do ser humano”. Diferente de cosmético, que apenas enfeita. Falamos de vida boa, digna, justa. O ser humano é o fundamento ético para princípios e valores de vida e a mais vida. Implica sua essência: o ser. Ter a coragem de ser, de ser em relação ao outro e ao mundo. De ser inconformado e indignado com a injustiça e desigualdade, ser determinado, ser engajado, ser comprometido e leal, ser profissional, ser transparente, ser apaixonado pelo que faz, enfim: ser ético; “fé ética é o amor”, como diz Edgar Morin. Há uma referência primeira: Jesus vivia com as pessoas. Esse é o caminho que os apóstolos aprenderam. Mariano Gaioski é formado em Filosofia, Teologia e especialista em História e Educação. Trabalhou em diversas ações pastorais nas dioceses de Registro, Santo Amaro e Campo Limpo, também com adultos em situação de rua e com crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional (abrigos) na cidade de São Paulo. Foi professor e coordenador pedagógico em escolas estaduais de São Paulo, na região de Campo Limpo. E-mail: marianogaioski56@gmail.com.
A serviço da justiça, paz e reconciliação

A situação prisional do Brasil é uma catástrofe. Em julho de 2019, a população prisional era de 773.151 pessoas privadas de liberdade. Dessas, 33% não tinham qualquer condenação. A população carcerária triplicou nos últimos 20 anos. De acordo com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen), o Estado de São Paulo ocupa a primeira colocação, com 233.755 presos; seguido por Minas Gerais, com 78.003 detentos; Rio de Janeiro, com 59.966; Rio Grande do Sul, com 40.687; e Pernambuco, com 33.555. Diante desse cenário, o Centro de Direitos Humanos e Educação Popular (CDHEP) estabeleceu uma parceria com o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) e o Conselho Nacional da Justiça (CNJ) para implantar ações de justiça restaurativa em dez tribunais do Brasil. Esse avanço é fruto de 15 anos de trabalho e busca inquietante, de uma pesquisa de doutorado e de muitas formações oferecidas dentro e fora do Brasil com os mais diversos públicos. Pouco a pouco, fui me capacitando, ganhando experiências e enxergando lugares de atuação. Desde 2013, outras duas irmãs servas do Espírito Santo (SSpS) de minha comunidade, Martina Gonzalez e Helena Christo, dão formação em fundamentos de justiça restaurativa em presídios de São Paulo, em conjunto com a Pastoral Carcerária. Inspirada na Escola de Perdão e Reconciliação, esse curso trabalha as dimensões cognitivas e emocionais para reconhecer e lidar com sentimentos e necessidades que afetam as relações, aprofundando o perdão como um valor. Ao introduzir a justiça restaurativa, desconstrói e reconstrói conceitos e práticas já enraizadas e propõe um modelo de justiça que conecta e restaura pessoas e relações, possibilitando a reconciliação. O trabalho no presídio tem um aspecto pastoral muito importante, e agradeço minhas irmãs por assumirem essa missão. Cada curso tem dez encontros semanais de três horas de duração, e ouvimos testemunhos edificantes dos presos. Mas me inquietava que o resultado não tinha incidência na política pública. Com o número sempre crescente de encarcerados e as condições nos presídios cada vez mais desumanas, sempre questionava a comunidade: como a justiça restaurativa poderia evitar o encarceramento, a desumanização e a retroalimentação da violência causada pelas respostas punitivas do Estado? Em julho de 2017, participei de uma formação com a juíza Catarina Lima, de Planaltina-DF. Até então, ela era a única juíza criminal que levava em consideração os procedimentos restaurativos para incidir sobre a sentença. Ela estava tão aflita quanto eu em relação à bomba-relógio que o encarceramento em massa está construindo no Brasil. Depois de várias conversas buscando ver como aplicar a justiça restaurativa para ter reflexos na sentença, ela me convidou para trabalhar na Vara Criminal que ela coordena. Aceitei o desafio e a oportunidade, e, ao longo de um ano e meio, uma vez por mês, ia alguns dias a Brasília para os atendimentos. Com formação em Ciências Sociais, tive de aprender muito da área do Direito e descobrir as possibilidades da justiça restaurativa na área criminal. No CDHEP, conseguimos um financiamento para replicar e ampliar os aprendizados em uma Vara Criminal de São Paulo. Contratamos um criminalista e, após quase um ano, com outras duas juízas, iniciamos os atendimentos de casos de crimes graves. No momento, estamos com dez casos criminais e esperamos poder oferecer um bom desfecho para as vítimas, para os ofensores e para a sociedade como um todo. Paralelamente a essas ações, continuaram as reflexões sobre a possibilidade de ampliar a justiça restaurativa na Justiça Criminal. Com mais experiência e apoio de criminalistas, conseguimos oferecer esse novo projeto tendo em vista a diminuição do encarceramento. A parceria com o CNJ pretende contribuir para a implantação, estruturação e fortalecimento de órgãos e serviços de justiça restaurativa nos Tribunais de Justiça, na Rede de Garantia de Direitos e na sociedade civil para atuarem no Sistema de Justiça Criminal e Penitenciário e no Sistema de Justiça Juvenil e Socioeducativo em dez Estados da Federação. O projeto já aprovado se enquadra no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16 da ONU, que almeja o acesso à Justiça para todos e a construção de instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis. A mim cabe coordenar a aplicação desse projeto nos dez Estados participantes. Com exceção de São Paulo, são do Norte e Nordeste, os mais pobres e com instituições públicas mais deficientes. Minha sensação é de fecharmos um ciclo de trabalho, indo a outro nível de organização. A paciência, as articulações e as formações de muitos anos produziram uma semente a ser espalhada pelo Brasil. A terra foi preparada. Agora é hora de semear. Um belo desafio e uma ótima oportunidade. Irmã Petronella Maria Boonen (Nelly) é cofundadora da linha de Perdão e Justiça Restaurativa do CDHEP e doutora e mestra em Sociologia da Educação pela USP. O projeto já aprovado: link para https://www.cnj.jus.br/justica-restaurativa-chegara-a-10-tribunais-do-pais/
“Este sistema não Vale!”: Grito dos Excluídos

O Grito dos Excluídos completa, neste ano, sua 25ª edição. Assumido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde 1996, o Grito ocorre anualmente e é uma grande construção coletiva, com articulações que se estendem por todas as regiões do País, reunindo os mais diversos grupos, entidades, Igrejas e movimentos sociais. Contrapondo-se ao Grito da Independência, o Grito dos Excluídos tem sua culminância no Sete de Setembro, mas a sua reflexão se estende por todo o ano. Além de questionar os padrões de independência do povo brasileiro, essa grande manifestação popular tem como proposta ecoar a voz dos excluídos e marginalizados da sociedade, denunciando as mais variadas formas de exclusão e refletindo sobre os caminhos de construção para um Brasil mais justo, solidário e fraterno para TODOS os cidadãos e cidadãs. Com o lema nacional, “Este sistema não Vale! Lutamos por justiça, direitos e liberdade”, este ano o Grito propõe refletir sobre quatro eixos: • Sistema capitalista: a manifestação quer alertar para a insustentabilidade do sistema capitalista que, endossado pelo sistema político, vem gerando cada vez mais mortes e degradação. • Justiça: o Grito quer também debater sobre o sistema de justiça e proteção que almejamos, uma vez que “ainda não temos justiça que liberta e direito que protege os pobres”. • Direitos: com esse eixo, busca-se denunciar a exploração e a precarização que vêm ocorrendo no Brasil, afetando brutalmente a vida dos mais empobrecidos. • Liberdade: diante das atuais ameaças às diversas liberdades conquistadas por muita luta e sangue em nosso País, o Grito quer defender esses direitos: a liberdade de ir e vir, de ficar, de falar, de manifestar-se, de ser oposição. Os problemas sociais, às vezes, parecem muito grandes e, geralmente, sentimo-nos impotentes diante deles, sem saber o que fazer. Participar do Grito dos Excluídos, somando com outras pessoas, é uma excelente atitude que pode gerar mudança social. O Grito ocorre em muitas cidades do Brasil. Informe-se e participe! Seja protagonista da transformação de nossa sociedade! Stela Martins, SSpSCoordenadora da RedesRede de Solidariedade _______
Presença na Marcha das Margaridas

Nos dias 13 e 14 de agosto, cinco missionárias servas do Espírito Santo, representando a Povíncia Stela Matutina – Brasil Norte, participaram da Marcha das Margaridas. A manifestação reuniu em Brasília milhares de mulheres de todo o País, trabalhadoras rurais, das florestas e das águas. Neste ano, o lema da marcha foi “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”. A Marcha das Margaridas ocorre a cada quatro anos, desde o ano 2000, inspiradas pela história de Margarida Maria Alves, líder sindical assassinada em agosto de 1983, em Alagoa Grande-PB, por defender os direitos de trabalhadoras e trabalhadores rurais. Este ano é a sexta edição da Marcha, considerada a maior ação de mulheres da América Latina. É realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), com suas 27 federações e mais de 4 mil sindicatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais de todo o Brasil. Além da parceria de diversas organizações sociais e movimentos de mulheres, participam representações de 26 países de todos os continentes. Com o apoio também das mulheres indígenas, no dia 14 de agosto, a Marcha saiu em direção à Esplanada dos Ministérios e encerrou-se próximo ao Congresso Nacional. Estiveram presentes mais de 100 mil mulheres, levando suas reivindicações, como desenvolvimento sustentável com justiça, autonomia, igualdade e liberdade. As “margaridas” marcharam por uma vida livre de todas as formas de violência, sem racismo e sem sexissismo; por previdência e assistência social pública, universal e solidária; por saúde pública em defesa do SUS; pela proteção e conservação da sociobiodiversidade e aceso aos bens comuns; por respeito, igualdade e garantia de direitos; por democracia e fortalecimento da participação política das mulheres; por educação não sexista e antirracista, e pelo direito à educação no campo, entre muitos outros gritos, inclusive contra o feminicídio.. Participação das missionárias As irmãs que atuam diretamente no Centro de Integração do Migrante (CIM), Malgarete Scapinelli Conte, Lucilene Soares e Nadir Vieira Pereira, foram a Brasília dar seu apoio. Também a Ir. Maria de Fátima Marques, presidente da Rede de Educação SSpS, e Ir. Maria Aparecida Ribeiro, do Conselho do Instituto Trinitas, foram representando toda a Província. “Como missionárias servas do Espírito Santo, somos chamadas a estar presentes nas lutas dos povos e, como Centro de Integração do Migrante, também iremos para apoiar esta luta que deve ser de todas nós”, explica irmã Malgarete. Ela ainda acentua a importância de as mulheres camponesas levarem suas reivindicações à capital federal, pois “são elas que produzem comida sem veneno para a população”, afirma. “Temos uma potência agroambiental graças a milhões de margaridas que produzem alimentos saudáveis para as cidades, garantindo a soberania alimentar e a preservação das sementes crioulas, dos ecossistemas e da biodiversidade”, acrescenta. O apoio das missionárias não foi apenas pela presença, mas também contribuindo para que outras mulheres de diversos Estados brasileiros também pudessem participar. Mobilização nas escolas A Marcha das Margaridas também foi trabalhada nas escolas da Rede de Educação SSpS. No Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG, a marcha foi recriada simbolicamente com alunos, professores e funcionários. Eles marcharam pelos corredores, em apoio às mulheres do campo e da cidade, por suas vidas e seus direitos. Foram homenageadas nove mulheres que tiveram destaque na história feminista do Brasil ontem e hoje: Margarida Maria Alves, Maria da Penha Maia Fernandes, Marta Vieira da Silva, Irmã Dulce, Nísia Floresta Brasileira Augusta, Nise Magalhães da Silveira, Carolina Maria de Jesus, Marielle Francisco da Silva e Laudelina de Campos Melo. Algumas imagens da Marcha das Margaridas
Rompendo fronteiras para construir a justiça e o bem comum

O fim de semana, de 28 a 30 de junho, foi marcado pelo 2º Encontro dos Alunos das Escolas da Rede de Educação SSpS – a “Missão sem Fronteiras”, que ajudou a juventude a pensar como o Evangelho e o trabalho missionário podem transformar a vida de tanta gente que se encontra à margem da sociedade. Os alunos viveram muitos momentos significativos, como os de reflexão e partilha de vida, além de assumirem um novo compromisso missionário. A missão reuniu jovens e educadores missionários de Belo Horizonte, Juiz de Fora, Rio de Janeiro e São Paulo. A proposta foi ultrapassar fronteiras e construir elos. Proteção, amor ao próximo, solidariedade e doação foram as palavras inspiradoras que moveram e deram vida ao encontro realizado no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte. A escola recebeu os alunos com música, reflexão e partilha. Foi uma oportunidade de perceber que o caráter da missão é mais amplo do que se imagina. O coordenador da Dimensão Missionária, Agostinho Travençolo Junior, foi uma das pessoas contagiadas pela experiência. “Foi impressionante ver o envolvimento e o compromisso de cada jovem participante, e tanta gente acreditando nas bases como fermento de transformação das realidades mais sofridas”, partilha. Outro destaque foi a presença da coordenadora do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Simone Fortunato Nunes, que ajudou o grupo a perceber que a missão somente pode dar-se quando as pessoas saem do lugar onde estão para irem ao encontro do outro. O passo mais marcante vivido pelos alunos durante a experiência foi a visita à Paróquia de São Sebastião, no Município de Brumadinho, um lugar que oferece apoio, orientação e doações às vítimas da tragédia provocada pelo rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Vale. Os testemunhos e a troca de experiências transmitiram a mensagem de que todos são discípulos missionários, testemunhando a esperança. O grupo de alunos participou de diversas ações voluntárias. Também ouviu relatos de moradores locais, de indígenas e quilombolas que vivem em locais próximos de onde o crime ambiental aconteceu. O Projeto “Missão sem Fronteiras” foi além de um fim de semana. Tocou o coração dos jovens e contagiou a vontade de continuar o compromisso missionário. Os participantes retornaram para suas cidades com o coração aberto e esperançoso, na certeza de que viveram momentos que ficarão guardados para sempre como inspiração para suas novas ações. Veja as fotos e assista ao relato de alguns jovens. Roberta Pimentel Aouila, professora de Língua Portuguesa do Colégio Stella Matutina, Juiz de Fora-MG; e Agostinho Travençolo Junior, coordenador do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP. Veja os principais momentos da Missão Sem Fronteiras Assista ao testemunho dos jovens
VIVAT – Brasil assume novos desafios

Durante o workshop que se realizou de 27 a 30 de maio, no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, o grupo Vivat – Brasil se consolidou e decidiu tornar-se uma filial da Vivat Internacional. Com isso, a instituição brasileira assumirá, com mais eficácia, o compromisso de trabalhar para a erradicação da pobreza, para o desenvolvimento sustentável, a promoção das mulheres e a cultura da paz. Neste vídeo, você assistirá a uma reportagem completa sobre o Workshop Vivat – Brasil, produzida pela Verbo Filmes, e conhecerá o que é a Vivat Internacional e as prioridades assumidas pela Vivat – Brasil. Mensagem final do Workshop Vivat – Brasil Nós, representantes das congregações religiosas membros da Vivat Internacional: Sociedade do Verbo Divino, Missionárias Servas do Espírito Santo, Congregação do Espírito Santo, Irmãs Missionárias do Espírito Santo, Missionários Combonianos, Missionárias Combonianas, Irmãzinhas da Assunção, Irmãs da Santa Cruz e Missionárias Scalabrinianas, estivemos reunidos no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em Santo Amaro, São Paulo, nos dias 27 a 30 de maio. O workshop contou com a presença da equipe executiva da Vivat Internacional / Nova Iorque: padre Robert Mirsel, SVD, e irmã Helen Saldanha, SSpS, e teve como objetivo a rearticulação da Vivat no Brasil e a retomada dos trabalhos em conjunto. A ONG Vivat permite a nossas congregações religiosas consolidar o compromisso evangélico por Justiça, Paz e Integridade da Criação, organizando-nos para uma maior incidência no âmbito das Nações Unidas, na defesa e promoção dos direitos das comunidades que acompanhamos. Nesse sentido, refletimos temas relacionados às prioridades da Vivat: Erradicação da Pobreza, Igualdade de Gênero, Desenvolvimento Sustentável e Cultura da Paz. Fizemos memória da caminhada da Vivat no Brasil e das atividades das congregações presentes, análise da conjuntura nacional, partilha da atuação da equipe da Vivat Internacional junto à ONU e aspectos práticos da organização em nível de Brasil. Essas reflexões, realizadas num clima de muita partilha e comunhão, ajudaram-nos a elaborar um plano de ação e a designar uma equipe de articulação para a Vivat Brasil. Para garantir uma presença mais profética e eficaz, decidimos dar os passos necessários para nos tornarmos uma entidade legalmente reconhecida no Brasil como filial da Vivat Internacional. Também vamos divulgar os compromissos assumidos e envolver nossos irmãos e irmãs, em nossas congregações, bem como os leigos e leigas que atuam conosco. Nossa presença num mundo profundamente injusto e desigual desperta em nós a indignação e a solidariedade que, enraizadas na fonte da espiritualidade, suscita em nós o empenho e um compromisso maior com o trabalho em rede da Vivat, em busca da superação das forças que destroem a vida. Nestes dias de encontro, marcou-nos, em particular, a memória das numerosas vítimas em Manaus, mortas em consequência de um sistema carcerário desumano, e das vidas ceifadas pelos crimes socioambientais da mineração, especialmente em Brumadinho e Mariana. Comprometidos com a realidade do povo brasileiro, assumimos como prioridades o desenvolvimento sustentável (com foco no agronegócio e mineração) e a cultura da paz (com ênfase na migração e na proteção das comunidades e lideranças ameaçadas, em particular povos indígenas e populações tradicionais). Também optamos por uma ação imediata da Vivat Brasil na defesa do Estatuto do Desarmamento e no acompanhamento e apoio aos compromissos que nascerão do Sínodo para a Amazônia, reafirmando o protagonismo dos povos amazônicos em busca de novos caminhos para a Igreja e a Ecologia Integral. Concluímos o workshop fortalecidos na esperança e profundamente comprometidos em contribuir para uma vida melhor para o nosso povo, confiantes que as prioridades assumidas possam ser respostas às necessidades dos grupos mais sofridos. Vivat Brasil São Paulo, 30 de maio de 2019.
Você acredita que tolerância tem limite?

O mundo comemora em 16 de novembro o Dia Internacional da tolerância. Esta é uma data que nós, missionárias, consideramos de extrema importância, principalmente para os tempos atuais onde o fundamentalismo religioso, a xenofobia, o terrorismo, o racismo, a marginalização e discriminação contra minorias e atos de violência e de intimidação cometidos contra pessoas que exercem sua liberdade de opinião e de expressão tem se acirrado. Mas o que é tolerância? A tolerância, segundo o dicionário online de significados, é o ato de suportar’” ou “aceitar”; agir com aceitação perante algo que não se quer ou que não se pode impedir. A tolerância é uma atitude fundamental para quem vive em sociedade. O apóstolo Paulo também nos pede em Efésios 4:2 “Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outros com amor”. Mas será que esta tolerância pode ser infinita? Não teria um limite? Acreditamos que sim. André Comte-Sponville, no livro “O Pequeno Tratado das Grandes Virtudes” (baixe aqui), afirma: “Ao contrário do amor ou da generosidade, que não têm limites intrínsecos nem outra finitude além da nossa, a tolerância é, pois, essencialmente limitada: uma tolerância infinita seria o fim da tolerância!”. “A tolerância infinita seria o fim da tolerância” é o que Karl Popper chama de “o paradoxo da tolerância”: “Se formos de uma tolerância absoluta, mesmo para com os intolerantes, e se não defendermos a sociedade tolerante contra seus assaltos, os tolerantes serão aniquilados, e com eles a tolerância”. Tolerar o sofrimento dos outros, tolerar a injustiça de que não somos vítimas, tolerar o horror que nos poupa não é mais tolerância: é egoísmo, é indiferença, ou pior. É ser conivente com o mal. Como então ser tolerante e não ser conivente com o erro? Como dizem, “o direito do outro termina onde começa o meu”. Pois bem, trazendo isto para um contexto mais específico, vemos na Justiça Restaurativa (já tratada AQUI no nosso blog), talvez, o exemplo máximo para o entendimento e desenvolvimento da tolerância como virtude. A Justiça restaurativa é uma prática para mediação de conflitos, busca do perdão e entendimento da responsabilidade dos atos. Criada na década de 70 e 80 nos Estados Unidos e Europa, o conceito e a filosofia de justiça restaurativa têm embasado programas sociais dedicados a cuidar das vítimas, dos ofensores e das comunidades, e têm orientado para a restauração de suas vidas e de sua interação social. A justiça restaurativa surge como contraposição à concepção tradicional da justiça criminal, a justiça punitiva-retributiva. Essa nova visão de justiça propõe um novo paradigma na definição de crime e dos objetivos da justiça. Nessa perspectiva, concebe-se o crime como violação à pessoa e às relações interpessoais, e o papel da justiça deve ser o de restauração dessas violações, ou seja, a reparação dos danos causados não somente à vítima, mas também à sociedade, ao ofensor e às relações interpessoais. Enquanto, em sentido contrário, a justiça punitiva-retributiva coloca o crime como um ato meramente violador da norma estatal, cabendo, como reação a essa conduta, a imposição de uma pena. Como funciona a justiça restaurativa? Um processo restaurativo procura dar assistência às necessidades e a recuperação da vítima, dando a oportunidade do ofensor e/ou qualquer indivíduo ou comunidade afetado pelo crime, de participar junto na resolução das questões envolvidas. O quadro abaixo mostra a diferença entre a proposta retributiva e a proposta restaurativa de justiça, demonstradas pelo esquema publicado por Highton, Alvarez e Gregório em ‘Resolución Alternativa de Disputas y Sistema Penal’. Justiça Punitiva-Retributiva Justiça Restaurativa Delito Infração da norma Conflito entre pessoas Responsabilidade Individual Individual e social Controle Sistema penal Sistema penal / Comunidade Protagonistas Infrator e o Estado Vítima , vitimário e comunidade Procedimento Adversarial Diálogo Finalidade Provar delitos Estabelecer culpas Aplicar castigos Resolver conflitos Assumir responsabilidades Reparar o dano Tempo Baseado no passado Baseado no futuro O que acontece nesse processo? A vítima: Pode expor seus sentimentos e falar do dano sofrido, tem a oportunidade de fazer perguntas e contar o trauma que isto causou em sua vida. Também pode entender aspectos que levaram o ofensor a cometer o crime. O ofensor: Dá a possibilidade de conhecer o impacto de suas ações e de eventualmente seus atos e, a sua intenção, bem como o reconhecimento do erro. Quer aprender mais? Nossa irmã Petronella Maria Boonen, co-fundadora da linha de Perdão e Justiça Restaurativa do CDHEP, atualmente ministra cursos, oficinas e palestras sobre de Justiça Restaurativa, conflitos e habilidades emocionais para a área da socioeducação, área prisional, judicial e pastoral. Assista um vídeo no qual ele dá uma palestra sobre o tema no CHDEP Campo Limpo (http://cdhep.org.br/):
Ex-Ministro da Justiça Eugênio Aragão palestra sobre o Governo para as Missionárias

O Ex-Ministro da Justiça Eugênio José Guilherme de Aragão veio ao Convento Santíssima Trindade dar uma palestra para as Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo sobre a Constituição Brasileira, enfatizando a necessidade do Brasil passar por uma profunda reforma política. Muito bem-humorado, ele colocou de forma clara alguns aspectos que se encontram desalinhados na justiça do nosso país. Assista os vídeos a seguir: Crise Brasileira 1 Crise Brasileira 2 Sobre o Lula Esquerda Brasileira Movimentos Populares Questão Indígena Problemas de Moradia Influência das Redes Sociais Dilma e Lula O Judiciário e a Democracia O que achou da palestra? Conta pra gente nos comentários. Inscreva-se em nosso canal para receber novos vídeos.
JUPIC no combate à exploração de crianças e jovens

O abuso sexual e a exploração de crianças e adolescentes é uma triste realidade que ainda acontece nos dias de hoje. Em 80% dos casos essa violência ocorre nos próprios lares das vítimas ou são feitas por pessoas de confiança. Aqui no Brasil, a violência sexual é a quarta violação que mais acontece contra crianças e adolescentes. Segundo o Disque Direitos Humanos (Disque 100), em 2015 as denúncias contra esse crime chegaram a 52 mil. Como a Igreja procura enfrentar e tomar decisões em relação a esse problema? Alinhadas as ideologias de JUPIC. Você já ouvir falar da JUPIC? JUPIC é a sigla para Justiça, Paz e Integridade da Criação e tem como objetivo a transformação das estruturas, das políticas e das práticas que dominam e destroem a integridade da criação, e busca uma verdadeira qualidade de vida para todos e todas, especialmente para os/as marginalizados/as”. Listamos abaixo algumas medidas que podem se tomadas na preveção e no combate destes crimes: Na prevenção 1) Tomar consciência do abuso sexual e da existência de vítimas e agressores, de crenças e sistemas sociais que facilitem situações de abuso sexual. 2) Promover debates, palestras, cursos, seminários e rodas de conversas sobre a sexualidade de forma didática e à luz da Bíblia. 3)de segurança e confiança que promova relações saudáveis baseadas no amor e no respeito mútuo. 4) Rezar pedindo que Deus proteja as comunidades e famílias destes males . No combate: 1) Denunciar os sistemas sociais e culturais que favorecem a existência deste crime aos Conselhos Tutelares, de Direitos, Assistência Social e da Saúde, as ONGs, a Polícia Militar e Civil e aos profissionais de educação. 2) Acolher e acompanhar vítimas e agressores, encaminhando-os ao atendimento de psicólogos, assistentes sociais, médicos, etc. 3) Desenvolver políticas próprias de proteção infantil na igreja e em seus programas (escolas bíblicas, retiros, acampamentos, passeios, etc.) 4) Manter a esperança e o compromisso, apesar dos fracassos, confiando em tudo o que Deus pode fazer, apesar de nossas limitações. Você pode conhecer mais sobre JUPIC pelo site da Redes – Rede de Solidariedade e das Irmãs Missionárias Servas do Espirito Santo