Eleições: CRB Nacional divulga carta e convoca religiosos a promoverem discernimento

A Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB Nacional) divulgou a carta “Pelo discernimento ético e democrático no processo eleitoral brasileiro”. O texto pede que religiosas, religiosos e pessoas de boa vontade promovam um processo de reflexão, oração, diálogo e formação diante das eleições de 2026. O documento reafirma o compromisso da vida religiosa consagrada com a defesa da democracia, dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana. Saiba mais!
Vivat Internacional: indígenas tenharins homenageiam irmã advogada

Seis tenharins do Amazonas foram acusados de assassinato e encarcerados injustamente. Na condução da defesa dos indígenas, esteve a irmã Michael Nolan, da Congregação da Santa Cruz (CSC), organização membro da Vivat Internacional. Uma das teses da defesa foi baseada em aspectos culturais, o que pode ser considerado um avanço. Para agradecer a absolvição dos réus, a comunidade homenageou a religiosa com um cocar, algo muito mais significativo do que um mero adorno. Saiba mais!
Conheça a irmã Sheela Savari: uma jovem voz em favor dos sem-voz

A jovem irmã Sheela Savari, uma serva do Espírito Santo e advogada, faz dos Tribunais da Índia seu campo de missão. Sua presença ao lado dos pobres e marginalizados leva mais do que apoio jurídico. Ela é sinal de esperança e profecia numa sociedade marcada pela injustiça.
Jupic na prática: quando justiça, paz e cuidado com a criação entram na sala de aula

A Jupic (sigla de Justiça, Paz e Integridade da Criação) representa um importante aspecto da missão das irmãs servas do Espírito Santo (SSpS). Na Rede de Educação SSpS, esse princípio se traduz na formação de “cidadãos globais” que compreendam a profunda interconexão entre as crises sociais e ambientais. No artigo, Rodrigo Mendonça Pereira, diretor-geral do Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora (MG), apresenta alguns projetos desenvolvidos com os alunos. Veja!
Formação permanente: servas do Espírito Santo discutem as práticas de justiça e paz

“Desenvolvimento e prática da justiça e paz e integridade da Criação” foi o tema da formação permanente das missionárias servas do Espírito Santo, realizada, no formato on-line, no dia 18 de março. O tema é uma proposição do Governo-Geral para que as práticas de justiça e paz, legado dos fundadores, permaneçam como premissa para a missão. Como rezam as normas constitucionais da Congregação,a promoção da justiça, paz, integridade da Criação (Jupic) e defesa da vida humana é parte integrante do chamado religioso-missionário. O evento reuniu cerca de 150 irmãs representantes das missões nos Estados Unidos, Colômbia, Equador, México, Cuba, Paraguai, Chile, Bolívia, Argentina e Brasil. A assessoria foi das irmãs Petronella Maria Boonen e Maria Inês Aragão. Com base nos capítulos-gerais, Ir. Maria Inês aprofundou as práticas de justiça e paz na instituição. A expressão “justiça e paz” apareceu, pela primeira vez, em 1990, no 8º Capítulo-Geral, como desafio de servir à libertação integral da pessoa humana. “A missão justiça e paz, e integridade da Criação é vivida desde a fundação, pois os fundadores sempre tiveram um olhar para as populações mais pobres, o que vale dizer, faz parte do nosso carisma”, acrescenta. Ainda segundo Ir. Maria Inês, nos documentos capitulares, a justiça não se refere a uma justiça corretiva, vingativa, mas a uma justiça evangélica. “Ou seja, construção de comunidades e sociedade de justiça evangélica, reconciliação e cura, onde não haja lugar para qualquer violência pessoal e social, e exista a promoção da integridade da Criação, favorecendo a passagem do consumismo ao uso consciente de recursos, da exploração à ecorresponsabilidade, de uma consciência passiva a um envolvimento ativo nas mudanças sistêmicas.” As práticas de justiça e paz no dia a dia das servas do Espírito Santo Durante o encontro, algumas irmãs puderam testemunhar como se dão, no concreto, as práticas de justiça e paz e integridade da Criação. Irmã Mariel Clapassón, educadora da Escola de Diamante, na Argentina, falou sobre o Projeto Cuidado da Casa Comum, por meio do qual alunos e professores semearam árvores autóctones da zona costeira e limparam espaços públicos, como praças, ruas e a orla do rio Paraná. Quando prontas para o transplante, os alunos do ensino secundário plantaram as árvores nesses espaços, em acordo com a Câmara Municipal da Cidade de Diamante e com a ajuda e orientação dos Parques Nacionais. “A fitoterapia nos permite usufruir respeitosamente as plantas, tirando delas as essências que beneficiam o ser humano, sem danificar a própria natureza. Isso resulta em bem-estar para mim mesma, pois a natureza é minha sobrevivência”, explicou Ir. Maria Aparecida Ricardo Ribeira, de Três Passos, Rio Grande do Sul, que atua nessa área, no Brasil. Irmã Carolina Gonzalez, que trabalha junto às comunidades indígenas no México, afirma que, dentro da pastoral indígena, promove a Jupic, acompanhando os processos de defesa e fortalecimento da identidade cultural dos povos originários Zapotecas, Mixtecas e Chatinos. “Fazemos isso por meio da revitalização de sua língua materna, que se opõe à cultura homogênea, bem como tornando visível sua luta por sua terra e território, a partir da Remam” (Rede Ecológica Eclesial da Mesoamérica). “Trabalhamos com reflorestamento, enriquecimento de bosques com árvores frutíferas, cuidando da cobertura vegetal, cultivo associado de três plantas, em três tempos, no mesmo terreno. Essas plantas crescem e convivem juntas, uma dando força à outra (mandioca, milho e amendoim ou abóbora). Reforçamos, valorizamos e resgatamos o estilo de vida, de trabalhar e plantar dos povos que, muitas vezes, é depreciado”, contou a Ir. Angela Balbuena, que trabalha no projeto de produção agroecológica com as comunidades indígenas Ava Guarani, Mwya Guarani e Paî Tavy Terá (Kaiowá), no Paraguai. Vivat: presença religiosa nas Nações Unidas pela justiça e pela paz Ao ser questionada sobre a origem da Vivat, uma organização que traz em seu bojo a luta pela justiça e pela paz, Ir. Petronella Maria Boonen explicou que é uma fundação das congregações das Missionárias Servas do Espírito Santo e Missionários do Verbo Divino. “A proposta da Vivat é ser presença, diante das Nações Unidas, da vida religiosa, para levar as vozes dos povos e comunidades vulneráveis, seus problemas e preocupações com o cuidado da Casa Comum, a superação da desigualdade e a violação dos direitos humanos. Isso demanda um profetismo inspirado no Evangelho, que escuta e responde aos gritos dos pobres e da terra.” Ainda conforme Ir. Petronella, é preciso fomentar nos membros da Vivat a ação local em rede, conjugada com uma incidência global. “Articular a defesa de direitos humanos com instituições internacionais e pressionar governos locais significa trabalhar em um campo de missão que demanda investir na formação inicial e continuada.” Rosa M. MartinsMestra em Jornalismo, Imagem e Entretenimento pela Fundação Cásper Líbero, licenciada em Filosofia pela Universidade Salesiana de Lorena (Unisal), bacharela em Teologia pela Pontifícia Universidade São Boaventura de Roma. É missionária scalabriniana e vive em Santo André-SP. Indicada ao Prêmio Tarso Genro de Jornalismo em 2020, foi vencedora do Prêmio Papa Francisco, categoria mestrado, do Prêmio CNBB de Comunicação com a dissertação “Menores estrangeiros não acompanhados: uma análise da representação no fotojornalismo italiano”, em 2021.
Justiça e Paz promove CF 2019

A Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP) da CNBB e representantes de Justiça, Paz e Integridade da Criação da Conferência dos Religiosos do Brasil (JPIC – CRB) realizaram, de 22 a 24 de fevereiro, em Brasília-DF, um encontro em aliança das duas organizações. O tema foi “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). O evento teve três objetivos principais: 1) promover a troca de experiências entre as comissões de Justiça e Paz diocesanas, regionais e brasileiras, com as comissões de Justiça, Paz e Integridade da Criação da CRB; 2) analisar a realidade brasileira, tendo como critérios a Encíclica “Laudato Si’”, a Campanha da Fraternidade, a Constituição Brasileira de 1988 e o Sínodo da Amazônia; 3) fortalecer a Rede Brasileira de Justiça e Paz, mobilizando uma comunicação para a transformação social, com destaque para o Dia Mundial dos Pobres, instituído pelo Papa Francisco. A missionária SSpS, irmã Malgarete Scapinelli Conte, membro da Diretoria da Redes (Rede de Solidariedade das Missionárias Servas do Espírito Santo), esteve presente e conta que o encontro reuniu 87 pessoas de 22 Estados. A reunião proporcionou momentos de muita partilha do que cada participante faz relacionado ao tema. “Existe muita vida acontecendo no Brasil, mas se dá pouca visibilidade a esse fazer cotidiano no meio do povo”, afirma Ir. Malgarete. “Apesar das riquezas partilhadas, senti muita indignação ao ver tantas injustiças cometidas por diferentes autoridades”, desabafou. Entre os assuntos discutidos, o que mais a impressionou foram os dados trazidos sobre o modelo predatório de exploração da Amazônia, envolvendo madeira, pecuária, mineração, monocultura e energia. Ela cita que, em quatro décadas, o desmatamento passou de 0,5% do território da floresta original para cerca de 18%. Além de 50% da madeira oriunda da Amazônia serem explorados ilegalmente, pelo menos outros 40% apresentam algum tipo de irregularidade, como fraudes em documentação ou uso de trabalho escravo. De cada 5 hectares de terra na Amazônia 1 é ocupado sem documentação ou com documentos falsos. Irmã Malgarete lembra também que a Amazônia desmatada concentra 9 em cada 10 mortes de ativistas em conflitos no campo e menciona a irmã Dorothy Stang, assassinada em 2005. “A morte da floresta é o fim da nossa vida”, dizia Ir. Dorothy. Muito indignada com a situação, Ir. Malgarete afirma que há estudos que mostram que é possível ter um outro modelo que seja socioambiental e trabalhe a agroecologia direcionada aos povos da floresta e à redistribuição da renda. Reforçando a proposta da Campanha da Fraternidade deste ano (Fraternidade e Políticas Públicas), Ir. Malgarete acrescenta: “Temos muito de trabalhar na conscientização, na formação e troca de experiências, fortalecimento e organização desde as bases e na comunicação, recriando nossa narrativa no anúncio do Reino. É muito importante a participação em conselhos, fóruns, audiências públicas e outros”. A seguir, publicamos a íntegra da carta redigida pelos participantes e dirigida ao povo de Deus. No texto, apresentam suas principais preocupações em relação ao contexto mundial e nacional. Também apresenta propostas de enfrentamento, em consonância com a CF 2019, cujo lema “Serás libertado pelo direito e pela Justiça” (Is 1,27), assumido por eles. MENSAGEM AO POVO DE DEUS III Encontro Nacional da Aliança CBJP/CNBB e JPIC/CRB Nacional de Justiça,Paz e Integridade da CriaçãoXVII Encontro Nacional das Comissões Justiça e Paz e Afins] “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27) Nos dias de 22 a 24 de fevereiro de 2019, mais de oitenta representantes da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), de comissões de Justiça e Paz regionais e diocesanas (CJP), de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC) da Conferência de Religiosos e Religiosas do Brasil (CRB) realizaram, em Brasília, na Casa de Retiros Assunção, o III Encontro Nacional da Aliança CBJP/CNBB e JPIC/CRB Nacional, e o XVII Encontro Nacional das CJP e Afins. Os participantes vieram de 22 Estados, garantindo a presença de todas as regiões do País. Com esta carta, saúdam todos e todas que, em nome do Evangelho, dedicam suas vidas à defesa da justiça e à promoção da paz. O cenário nacional e internacional inspirou constante preocupação. A ameaça de conflito internacional envolvendo especialmente a Venezuela, um possível envolvimento brasileiro nesse conflito armado na região, o modelo predador de desenvolvimento nacional, agressões e ameaças a defensores e a defensoras de direitos humanos, e a destruição de direitos sociais (conquistados e incluídos na Constituição Federal de 1988) constituíram elementos imprescindíveis para compreender o que está em jogo atualmente e mereceu a atenção das comissões reunidas. Foram relacionados ainda a Medida Provisória nº 870/2019 (que redefine as atribuições dos órgãos do Poder Executivo), o Projeto Anticrime e a proposta de reforma da Previdência, apresentada pelo governo federal, como aspectos recentes que marcam a conjuntura nacional brasileira e que confirmam um quadro de incertezas nos próximos anos para o País. As comissões reunidas assumem a perspectiva das populações empobrecidas, por quem o Papa Francisco nutre cuidado e dedicação especiais, e porque foi em sua defesa que ele convocou o Sínodo para a Amazônia. São essas populações, formadas pelos povos indígenas, quilombolas, quebradeiras de coco e outros povos originários e comunidades tradicionais, as principais vítimas da Emenda Constitucional nº 95/2016 (que congelou ao reajuste apenas pela inflação, por 20 anos, os recursos destinados à saúde, educação e outras políticas sociais); da terceirização e reforma trabalhista; da entrega dos territórios preservados às mineradoras; da expansão das monoculturas; e da perda da biodiversidade. Essas reformas aprovadas e as propostas apresentadas atingem principalmente as mulheres, as pessoas idosas, os jovens e as crianças. Defender o ecossistema inclui levar em consideração essas populações tradicionais que, milenar ou secularmente, povoam, de forma harmônica, os diferentes biomas brasileiros. Do mesmo modo, manifestam sua preocupação com o modelo de política criminal adotado pelo atual governo, sobretudo no que se refere ao incentivo ao armamento da população e ao estímulo à violência policial, que poderá vitimizar, principalmente, a juventude pobre e negra que habita as periferias. Tais medidas não levam em conta a complexidade do fenômeno, desresponsabilizam o Estado pela segurança pública