Vocação é caminho de amor e serviço

A Igreja Católica dedica o mês de agosto às vocações, especialmente às de especial consagração, como é o caso das irmãs, padres, diáconos e leigas e leigos consagrados. Também lembra a vocação de catequistas, pais e de todas as pessoas que se dedicam com amor ao serviço do próximo. Viver a vocação é responder ao chamado de Deus, que convida cada pessoa, com amor, respeito e carinho, a colocar seus dons a serviço dos outros, contribuindo para a vida da comunidade e o progresso da humanidade. O chamado de Deus se manifesta dentro de cada pessoa como convite, desejo, necessidade e até mesmo como forte apelo para dar o que tem de melhor em razão de um bem maior. Por isso, provoca alegria e profunda realização. Responder ao chamado de Deus traz verdadeira felicidade ao sair de si para acolher, ajudar, amar, colaborar e servir às outras pessoas. Ao longo dos séculos, milhares de pessoas escutaram e responderam ao chamado de Deus e ofereceram suas vidas para que crianças, jovens, enfermos, mulheres, idosos e pessoas nas mais variadas situações pudessem ter uma vida melhor, mais conscientes do amor de Deus por elas. Deus continua chamando Hoje, Deus continua chamando em todas as línguas, países e culturas. Inclusive entre as pessoas que vivem muito perto de nós e, quem sabe, dentro de nossa própria família. Você certamente também está sendo chamado, chamada para uma missão feita especialmente para você. Já parou para pensar? Irma Nadir Vieira Pereira, por exemplo, vivia tranquila em sua família e comunidade quando Deus a chamou para algo mais. Então, ainda bem jovem, começou a ajudar a comunidade a se organizar, a fazer as celebrações… Depois sentiu o impacto das injustiças sobre o seu povo, na comunidade remanescente de quilombo, em Nhunguara, Município de Eldorado-SP, e viu que era necessário lutar pelo direito à terra. Assim, seu coração foi se alargando e se abrindo ao chamado de Deus que a convidava à missão muito mais além de sua pequena comunidade. Irmã Nadir respondeu sim e entrou para a Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo e se consagrou como irmã missionária. Como o chamado de Deus é dinâmico, Ir. Nadir continuou atenta ao seu coração, escutou o apelo dos irmãos na África e deu mais um passo. Foi para Moçambique servir à missão. O tempo foi passando, e ela completou 25 anos de consagração religiosa e retornou à sua comunidade para celebrar. Hoje, Ir. Nadir, de volta ao Brasil, dedica-se à missão com os migrantes em São Paulo-SP e continua a dizer sim ao chamado de Deus para amar e servir a todas as pessoas que o Senhor coloca em seu caminho. O vídeo a seguir é da celebração de ação de graças pelo jubileu de 25 anos de vida consagrada de Ir. Nadir e é pura expressão de alegria, tanto dela como de sua família de sangue, da família religiosa e de sua comunidade de origem. Viver a vocação, portanto, é fonte de bênçãos que se multiplicam, trazendo o Reino de Deus no agora de nosso tempo. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpS Jornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)
Comunidade de Nhunguara celebra jubileu de irmã Nadir

Irmã Nadir Vieira Pereira é de Nhunguara, uma comunidade remanescente de quilombo, no Município de Eldorado-SP, perto da Caverna do Diabo. Uma região muito bonita do Vale do Ribeira, onde a natureza ainda está bastante preservada. Lá mora sua família há muitas gerações. Neste ano, Ir. Nadir completa 25 anos de consagração religiosa como missionária serva do Espírito Santo, dos quais nove esteve em missão em Moçambique, África, e por vários meses colaborando na formação das jovens no Paraguai. Agora a religiosa está de volta ao Brasil, dedicando-se ao Centro de Integração do Migrante (CIM), no bairro do Brás, em São Paulo-SP. Com a perda da mãe, três anos atrás, Ir. Nadir ficou em dúvida se celebraria o jubileu em sua comunidade de origem. Mas suas seis irmãs e o irmão caçula, quando souberam, não tiveram dúvida: queriam fazer a festa dos 25 anos com a família reunida e toda a comunidade. Então começaram os preparativos. Tríduo missionário Uns dias antes do dia do jubileu de prata, uma equipe de seis irmãs missionárias servas do Espírito Santo e dez missionários verbitas foram a Nhunguara e, juntamente com Ir. Nadir e sua família, visitaram as famílias e doentes, cobrindo todas as comunidades da região. A equipe missionária chegou na terça-feira, dia 23. Irmã Ashrita Soreng, missionária da Índia há sete anos no Brasil, ficou muito tocada com os dias de missão: “Lembrei-me muito da terra onde nasci, a natureza, o rio correndo próximo à casa… A família nos acolheu com muita união, abertura e felicidade, como se fosse nossa família!”. Também para as irmãs Joyti Canare, Juliana Andrade, Yustina Giri, Teresita Luján e Marli Moreira, a missão foi um tempo de convivência como Família Arnaldina. Elas contam que visitaram as famílias e partilharam sobre a missão de Ir. Nadir em Moçambique. Também as celebrações do tríduo foram muito significativas. Irmã Yustina diz que aprendeu muito com a família e a comunidade, “Especialmente a fé, a simplicidade e a cultura que sabe acolher as pessoas”, completa. Entre os seminaristas do Verbo Divino, o estudante de Teologia Ilidio Ipalana, de Angola, conta: “Foi um prazer conhecer esta região, em especial, a família da Ir. Nadir e este povo, que é muito alegre e acolhedor”. Ele relata que participaram das celebrações, visitaram e rezaram com os doentes e as famílias, inclusive as mais afastadas. A celebração jubilar no sábado, 27 de julho, foi presidida pelo bispo diocesano de Registro, Dom Manoel Santos, e mais três padres. A coordenadora provincial, Ir. Maria Percila Vieira, apresentou as irmãs e falou sobre o carisma da Congregação. Na homilia, o bispo falou sobre a beleza da vocação à vida consagrada e sua importância para a Igreja. Uma família muito unida A família de Ir. Nadir se empenhou para que tudo corresse bem e preparou almoço para todos os convidados. Uma de suas irmãs, Nair Aparecida Vieira Torres, 49 anos e mãe de cinco filhos, conta que a família é muito unida e vive o que os pais ensinaram. “Além de irmãs, somos amigas e companheiras, sempre juntas, rindo, conversando, uma dando força à outra”, explica. Para Nazaré Vieira Pereira, a caçula das irmãs, de 39 anos, “A semana de missão foi maravilhosa. Saímos e depois voltamos contando aonde foi, como foi… Conversava, cantava, dançava… A comunidade ganhou vida nova, renovação!”. Os irmãos contam que eram oito filhos, mas Antônio, o mais velho, faleceu. Hoje são sete: Natália, Nadir, Nair, Neuza, Neide, Nazaré e João Júnior. O jubileu foi o primeiro evento que eles realizaram depois da morte do irmão e da mãe, o que se tornou ainda mais significativo para eles. A comunidade de Nhunguara, contam, sempre foi da família Vieira, incluindo seus tios e primos. Anos atrás, por causa de um projeto de construção de barragem que inundaria suas terras, tiveram de se unir para defender o direito de permanecer na região e conseguiram. A luta os fortaleceu e, hoje, são cerca de 200 famílias espalhadas na área, sendo que a comunidade católica à qual pertence a família da Ir. Nadir é formada por 12 famílias. Uma vocação especial “Ter uma irmã religiosa missionária significa muito para a família”, explica Nair, lembrando a escolha vocacional de Ir. Nadir e como ela ajudou a formar a comunidade de Nhunguara, “fazendo a homilia e ajudando a cantar”. Ir para a missão “foi a escolha dela e todos nós apoiamos, desde o pai, a mãe e nós irmãos”, narra a irmã de Nadir. “Com o empenho dela, conseguimos educar nossos filhos, pois a gente sempre diz que temos uma ‘irmã’ na família e precisamos seguir o exemplo dela”. E completa: “Para nós, é muito gratificante!”. ___ Principais momentos da celebração Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacionale coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)