Tecendo relações em meio ao isolamento social

Alguns meses atrás, quem poderia imaginar as escolas funcionando de portas fechadas, com os alunos em suas casas e os professores também? Mesmo que as escolas da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo estejam bem equipadas com tecnologia de ponta, há muitas situações impostas pelo isolamento social com as quais é difícil de lidar. A pandemia do coronavírus trouxe uma mudança radical no cotidiano dos alunos e de suas famílias, como também no de educadores, sejam professores ou ligados à área administrativa. Para analisar a situação e buscar soluções para manter um ensino de qualidade e dialogar com as famílias, a equipe gestora dos colégios da Rede de Educação se reúne on-line diariamente. Nesse contexto, a equipe percebeu a necessidade do cuidado com as pessoas que passam por momentos de muito sofrimento. Daí surgiu o Projeto Tecendo Relações. Abraçado pela Dimensão Missionária, a iniciativa quer cuidar do emocional das pessoas durante a pandemia e pretende atingir quatro frentes: os alunos; os educadores, tanto administrativos como os professores; os familiares; e as obras sociais. Para isso são organizados encontros específicos para cada grupo. Irmã Maria de Fátima Marques, diretora-presidente da Rede de Educação, diz que, ao participar do projeto, pode perceber melhor o que significa para as pessoas viverem em isolamento social. Ela explica que, “mesmo estando no núcleo familiar, estamos cercados de mistério, de sentimentos de incerteza, de dúvidas, de insegurança” e, nos encontros on-line, os diálogos permitem uma vivência em que “as emoções afloram”. Ela identifica aspectos que aparecem com frequência: “O resgate da dimensão da família, a fé e a esperança, e a importância da equipe”. E acrescenta que o projeto ajuda a sustentar as pessoas neste momento de crise e a fortalecer o sentido de pertença como equipe da Rede de Educação. Agostinho Travençolo Júnior, coordenador da Dimensão Missionária das Escolas, assumiu o papel de mediador dos encontros on-line com os diferentes grupos. Ele considera o Tecer Relações como “um trabalho artesanal, pois se trata do fio que tece a vida, que tece as dores, que tece as nossas fragilidades e também os nossos sonhos”. “É um projeto de cuidado com a vida, em sua amplitude”, completa. “Criar esse canal, utilizando as ferramentas tecnológicas para que as pessoas possam falar um pouquinho de suas vidas, é muito importante e ajuda a fortalecer e abastecer as energias neste tempo de grandes desafios”, afirma. “Temos falado de questões muito essenciais da vida, que dizem respeito à nossa existência humana. As pessoas têm necessidade de falar sobre suas angústias, seus medos, seus afetos, suas preocupações e sua espiritualidade, o que, na verdade, torna todo mundo igual”, explica Agostinho. Os encontros são sempre uma surpresa. Os temas são variados, e cada grupo tem reações bem diferentes. Na avaliação do coordenador da Dimensão Missionária, as pessoas têm se surpreendido, no sentido de que o projeto convida a sair um pouco do trabalho, da rotina, para perceber que há gente se preocupando com elas, com seus familiares, com seus sentimentos. Agostinho confessa que conduzir os encontros tem sido gratificante. “Tem momentos que saio muito emotivo do contato que tenho com cada grupo”, conta. “Acho que temos deixado na vida das pessoas uma marca, possibilitando essa janela em que a gente pode ouvir a alma das pessoas, na qual pode ser essa presença motivadora na vida de cada uma delas.” Inspirado na experiência vivida nos encontros do Tecendo Relações, Agostinho criou este poema: Crochetar Teço tramasAcendo flamasTransformo fiosEntre dramas e desafiosCrio a vida ponto a pontoMesclando cores e encontrosSem pressa em meus devaneiosDançam mãos silenciosasFrágil força em novelos enleioE assim se compõe a vidaMesclando sonhos e desconstruções antigasUm faz e desfaz entrelaçadoOnde se perdem os pensamentosEm fios desembaraçadosMão que criaMão que teceMão que aqueceMão que fiaQue convive com o tempoQue textura utopiaArtesã de relaçõesE histórias de família Conheça um pouco da programação do Tecendo Relações: • Os encontros ocorrem às terças, quartas e quintas-feiras, às 18h.• A cada semana, temos grupos diferentes.• Quinzenalmente, às quintas-feiras, temos o “Tecendo com a Juventude Missionária Conectada”.• A primeira live com as famílias será no dia 28 de maio, às 18h. Live com música No dia 14 de maio, houve uma live com os alunos. O tema foi a Missão Sem Fronteiras de 2017 e 2019. Participou o músico João Pedro, ex-aluno do Colégio Stella Matutina, de Juiz de Fora-MG. A live, transmitida pelo Instagram, proporcionou uma conversa descontraída com os jovens e muita música.
Fortalecer a família em tempos de confinamento

Situações como as geradas pelo covid-19 nos obrigam a rever como estamos estruturando nossa relação com nossos cônjuges e como estamos lidando com nós mesmos. Estamos sobrecarregando alguém? Estamos nos deixando sobrecarregados em troca de admiração dos outros ou de baixo conflito dentro de casa? O quanto isso nos entristece, irrita ou nos torna uma pessoa tóxica? Talvez essa palavra seja forte demais, mas, em confinamento ou isolamento, podemos ser fortes contribuintes da toxicidade doméstica. Assim, depois dessas provocações, convidamos você a rever suas escolhas diante das novas múltiplas e complexas demandas de home office, homeschooling, homecare. Todos juntos e misturados. Não sabemos ao certo quanto tempo isso vai durar, mas é importante preocuparmos menos com as incertezas para olharmos mais para este momento como uma oportunidade de aprender novas formas de se organizar e viver em conjunto (formas mais justas, conscientes e respeitosas com o tempo e o espaço próprio e do outro). Mesmo antes do covid-19, sabíamos como o coletivo é bem mais poderoso para enfrentar situações complexas. Saindo da reflexão e indo para a ação: chame todos os que dividem um mesmo espaço e construam juntos, com abertura para as múltiplas visões, o que este momento significa e demanda de cada um e tracem novas expectativas, fruto das necessidades de todos. Essas necessidades serão ao máximo respeitadas desde que não impactem o bem-estar do todo. Nada disso é novidade, certo? Estamos diante de princípios da ética, mas uma das coisas que a pandemia do covid-19 nos mostra e impõe é a força da ética como forma de nos proteger e de superar este momento difícil. Você tem alguma dúvida disso? Os princípios éticos geram confiança, que é a base de toda equipe. Se tratarmos esse grupo de pessoas que moram juntas como uma equipe, vamos pelo lado do diálogo e aprendemos a cuidar um dos outros de forma que possamos sair da quarentena melhor do que entramos. Mas como dialogar? Primeiro escute, depois pergunte e peça esclarecimento se não entendeu ou se teve dúvidas, e depois traga suas posições e pensamentos conectando com possíveis pontos comuns do pensamento de seu interlocutor. Atitudes afetuosas para tentar entender e compreender mais do que de acertar ou ganhar (e ganhar o quê?) ajudam muito no processo de uma conversação ou diálogo. Se travar a conversa, persista com emoções positivas, dê passos para trás e se preocupe em entender a lógica e as necessidades escondidas e pouco claras da pessoa com a qual você se relaciona. Na sequência, construam objetivos e propósitos claros sobre como devemos estar como grupo ao fim de tudo isso. Busquem propósitos que desafiem hábitos antigos e poucos funcionais. Com base nesse propósito, criem e elaborem desafios intermediários e regras de como funcionar. Nessas regras, é importante que se respeite o espaço de som e de silêncio de que todo grupo/equipe precisa. Cuide do tom e da altura da voz, do som, da televisão ou do computador. Sinalize e comunique quando é o seu momento de estar com você e de poder ter seu canto: na varanda, no quintal ou no sofá de sala. Busquem construir em conjunto espaços de respeito. Disciplina para cumprir os combinados será a chave da confiança, que é a cola das equipes, permitindo que o todo vá adiante e evolua. Como tudo será muito novo, ajustes serão necessários e corriqueiros. Os feedbacks entre as pessoas em busca de se alcançar o propósito coletivo combinado e compartilhado pode ser um momento difícil, mas vital para se chegar aonde se quer. É inegável dizer que a pandemia gera aflições, incertezas e medo dentro de nós. Ficar isolados da sociedade e com uma rotina diária tão diferente da anterior pode ser desgastante se não fizermos novas escolhas. É importante usar este momento como uma oportunidade de fazer diferente de seu “normal”. É tempo de exercitar novas práticas, decisões e tomar atitudes para mudar o que desgasta ou limita você ou sua família. Ganhamos o tempo e o espaço (físico ou mental) de que precisávamos para transformar essa ameaça e essa freada obrigatória em uma oportunidade de se resgatar a si mesmo, os seus desejos e anseios não concretizados, agindo em prol de uma reconstrução de escolhas próprias e de quem está próximo de nós. Sairemos mais fortes e mais preparados para enfrentar coletivamente novas mudanças impostas ou graduais. Aline Souki Amaral de PaulaMestra em Organizações e Recursos Humanos, pós-graduada em Gestão Estratégica de Recursos Humanos e graduada em Psicologia, professora, coach profissional, master practitioner em PNL e consultora de gestão de pessoas com foco em desenvolvimento e gestão da mudança. ____ Gabriela Federman HofferGraduanda em Administração Pública na Escola de Governo Paulo Neves de Carvalho (Fundação João Pinheiro), com previsão de formatura para 2021, estagiária de Aline Souki em trabalhos de desenvolvimento de lideranças e de gestão estratégica de pessoas.