À Luz do Evangelho Dominical

Continuamos a celebrar as alegrias do Natal. Na oitava desta importantíssima solenidade, festejamos a Sagrada Família, que acolheu Jesus e é referência de muitas outras famílias, em todos os tempos. Segundo o Evangelho de Mateus (2,13-15.19-23), José assume a missão de defender o pequeno Jesus da ação do Império, que queria eliminar o Salvador. Um anjo é que ajuda José a defender a própria família. Segundo o padre Arlindo Dias, missionário do Verbo Divino, o personagem aparece outras duas vezes em Mateus: no anúncio do nascimento de Jesus e na ressurreição do Senhor. Para salvar o Menino, José é obrigado a levar Jesus e Maria para o Egito. A Terra Prometida torna-se agora o lugar da escravidão. O Egito, outrora país das correntes, passa a ser o lugar do refúgio. O evento tem uma impressionante relação com a passagem da libertação do antigo povo, liderado por Moisés. Como acolhemos quem busca refúgio? Essa é uma das questões que hoje nos são propostas. Assista ao vídeo da Verbo Filmes e saiba mais.
Nasce para nós o “Filho do Amor”!

O “Filho do Amor”, esse foi o modo que Santo Arnaldo Janssen encontrou para falar do Menino Jesus que, “vestido com as roupagens de nossa carne”, tornou-se “nosso irmão”. Assim a humanidade conheceu de perto o amor, tocou o amor e deixou-se tocar por ele. Vestir-se com a roupagem de nossa carne significa ser humano, na mais profunda experiência do ser! Na pessoa dos mais necessitados, dos que lutam diariamente por seus direitos, daqueles cujas vozes se calaram… Mas também na carne da gente que zela pela justiça e pelo amor, que vai aonde se perdeu a esperança, aonde se necessita de sua palavra, de seu alimento, de sua força para viver. Jesus criança, o Filho do Amor, que transforma nosso coração no Natal, é o mesmo Jesus que, durante sua vida, mostrou, nos milagres que realizou, o valor de nossa fé. É o mesmo Jesus que se sentiu tocar por tantos que precisavam de cura para suas dores. Hoje somos nós, não somos? Somos os cegos quando não enxergamos quem está ao nosso lado. Somos os paralíticos quando não saímos de nós mesmos em favor do outro. Somos a samaritana em busca da água viva. Somos os discípulos de Emaús, ao percebermos que Jesus é quem está diante de nós. Acreditar que Jesus é o Cristo, permitir que Ele nasça ou renasça em nossas vidas é ser testemunho vivo do grande mistério de amor na casa que habitamos. Agora, pare um pouquinho sua leitura e olhe para o presépio… Deixe que essa imagem venha a seu pensamento neste tempo de Natal. Permita que esse Amor toque seu coração. Vamos, juntos, caminhar no seguimento de Jesus, em tudo o que Ele aqui deixou. Vamos, juntos, transformar nossa Casa Comum! E, com Santo Arnaldo Janssen, exaltemos Jesus em seu poema de Natal: Com os anjos gostaria de cantar Na profundidade da noite, em todo lugar E levar a mensagem da criança Que no estábulo espera por nós. Quero acordar os que dormem, Que nunca viram a luz do sol, Convidar os de coração oprimido, Que nunca conheceram a alegria do Natal. A todos, a todos quero dizer Onde encontrarão seu Salvador. Nanci Queiroz, missionária leiga de Deus Uno e Trino, Rio de Janeiro-RJ. ________ Rehbein, Franziska C., SSpS. Fascinado pelo mistério, Arnaldo Janssen: homem de oração. Steyler Verlag, 2004.
O encontro que busca respostas (Mt 11,2-6; Lc 7,18-23)

No começo dos evangelhos, encontramos João Batista como primeiro legitimador de Jesus (Jo 1,29-34; Mc 2,5), mas depois os relatos dão a entender que João não tem clareza sobre quem é o Nazareno e se interroga sobre ele: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro” (Mt 11,2-6; Lc 7,18-23). Para nós, que nascemos na época recente, a pergunta de João pode até soar discordante, pois, na atualidade, basta acessar o Youtube e encontraremos abundantes vídeos sobre Jesus. Dessa forma, até quem nem frequenta a catequese mais básica postula-se a ser um conhecedor do Cristo. As muitas informações, no entanto, nem sempre nos aproximam do Jesus dos evangelhos. Às vezes, somente criam imaginários que ou tranquilizam as consciências diante dos problemas sociais ou justificam comportamentos contrários ao Evangelho. É doloroso ver como, em nome de Jesus, agride-se, despreza-se, lucra-se, até mesmo se cometem assassinatos. Diante dessa realidade, é necessário interrogar-nos, ler os acontecimentos mais além da superficialidade e da banalização que se impõe. É necessário contemplar por onde o mistério de amor e vida plena revela sua face. Nesse marco, propomos o relato de Mateus (11,2-6), o qual encontra seu paralelo em Lucas (7,18-23), almejando que traga luz à nossa vida. 2João, ouvindo falar, na prisão, a respeito das obras de Cristo, enviou-lhe alguns dos seus discípulos para lhe perguntarem: 3“És tu aquele que há de vir, ou devemos esperar outro”. 4Jesus respondeu-lhes: “Ide contar a João o que ouvis e vedes: 5os cegos recuperam a vista e os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem e os mortos ressuscitam, e aos pobres é anunciado o evangelho. 6E bem-aventurado aquele que não se escandaliza por causa de mim!”. O texto consta de uma pergunta de João (v. 2) e de uma longa resposta de Jesus (vv. 4-6). A resposta se articula com precisão. Assim, no versículo 5, temos seis frases breves, os dois pares primeiros estão unidos por χαί (e) e se justapõem em forma assindética, os dois últimos começam por χαι. O versículo 6 também começa com χαι, sendo que a força recai sobre esta última frase, por ser de maior extensão. O relato está emoldurado em seu contexto e apresenta uma unidade geral, com exceção do versículo 6, pois o tom da frase (“E bem-aventurado aquele que não se escandaliza por causa de mim!”) parece não se encaixar bem na pergunta de João. Além do mais, a bem-aventurança parece estar dirigida a todos os seguidores e não apenas a João e a seus discípulos. Ora bem, se a bem-aventurança é parte da resposta de Jesus, podemos compreender que a pergunta sobre “o que há de vir” não pode satisfazer-se teoricamente. Nesse terreno, são necessárias as decisões pessoais a favor ou contra Jesus. E as curas “do tempo de salvação” devem ajudar a fazer a escolha. O relato diz que João estava na prisão. Imaginemos a situação desse homem acostumado a andar e respirar o ar livre do deserto (Lc 3,2-3; Mt 3,1), e agora está confinado numa diminuta cela, afogado pelas paredes. Nessa situação crítica do cativeiro, a dúvida, a perplexidade ou até a surpresa pode ter surgido no coração do Batista. Os estudiosos concordam que não se trata de uma dúvida sobre se Jesus é ou não o Messias. João duvida porque não vê Jesus desempenhar o papel de “reformador fogoso” que ele esperava que fosse. No capítulo 3,17 de Mateus e 3,12 de Lucas, João apresenta o Messias reformador. Jesus não responde à pergunta de João de forma direta, mas indiretamente remete ao tempo de salvação que profetas e reis quiseram ver. E ainda remete à própria experiência dos interrogadores: “Ide contar a João o que ouvis e vedes: os cegos recuperam a vista e os coxos andam, os leprosos são purificados e os surdos ouvem, e os mortos ressuscitam e aos pobres é anunciado o evangelho” (v. 5). Notemos que Jesus aponta os fatos, algo que João talvez não aguardasse como resposta. Quem sabe João esperasse que Jesus respondesse: “Os pecadores são destruídos. O juízo começou. A ira de Deus está em marcha!”. Nós também, diante da realidade de injustiça social, política e econômica, de gênero, da realidade de opressão, destruição da natureza, do extermínio de grupos étnicos minoritários, com certeza, gostaríamos de escutar que Deus virá como um trovão a destruir todos os males que nos afligem. Mas a resposta de Jesus foi: “Voltem e digam a João que chegou o amor de Deus”. Deus não age de forma intervencionista, desrespeitando a liberdade que nos deu. Ele age com o único fogo que é o do amor. E o amor nos abre à salvação de Deus e nos encoraja a viver e lutar por um mundo de amor, justiça e paz para todos. Nesse horizonte, compreende-se o fim da resposta de Jesus: “E bem-aventurado aquele que não se escandaliza por causa de mim!”. Trata-se da bem-aventurança que proclama ditoso quem se aproxima de Jesus sem ideias preconcebidas e sem preconceitos. Pois aquele poderá compreendê-lo como a personificação das bênçãos divinas anunciadas pelo profeta Isaías (61,1) e não como o reformador de fogo. Sejamos também nós parte dos bem-aventurados, levando a boa notícia do amor e da misericórdia de Jesus aos que ainda não o conhecem! Irmã Juana Ortega, SSpS, é teóloga especializada em Bíblia. Nasceu no México e é missionária em Moçambique.
À Luz do Evangelho Dominical

Chegamos ao último domingo do Advento, um tempo de expectativa pelo encontro com o Senhor que veio, vem e virá. A Palavra de Deus na liturgia de hoje destaca o Evangelho de Mateus (1,18-25), que tem uma preocupação em confirmar a fé das comunidades, sobretudo as da Palestina e Síria. Reforça que Jesus é o verdadeiro Ungido que devia vir para resgatar o povo e anunciar um novo tempo. O missionário do Verbo Divino, Pe. Arlindo Dias, medita sobre como foi o anúncio do nascimento de Jesus na visão de Mateus. O texto começa destacando que a gravidez de Maria foi por obra do Espírito Santo e não de um homem. Aos olhos da sociedade da época e conforme a lei de Moisés, Maria merecia a pena de morte. Mas José, com sua grandeza e senso de justiça, decide salvar a vida da noiva e de Jesus. Em sonho, um anjo ajuda José, personagem de destaque em Mateus, a compreender o projeto de Deus. O Cristo recebe dois nomes: Jesus (Deus nos Salva) e Emanuel (Deus Conosco), mostrando que Deus não abandona seu povo. Os nomes cumprem e superam a esperança do povo. As figuras de Maria e José nos remetem aos pais e mãe que cobrem seus filhos com o manto do amor, mesmo em situações adversas. Assista ao vídeo da Verbo Filmes e veja mais.
Reflexões sobre o Advento

Iniciamos um novo ano litúrgico. É um tempo especial que a Igreja nos oferece para avaliarmos o caminho que percorremos até aqui. Da janela do meu carro, parado no sinal, observo as luzes que iluminam e inspiram. Um clima de solidariedade, de cooperação se torna realidade. Crianças que antes se isolavam em seus quartos, com seus jogos eletrônicos, agora vêm pra rua, em busca de afeto e do contato humano. Neste cenário, uma certeza: precisamos tirar de nossos corações as trevas que não permitem Deus chegar até nós. Devemos tirar os obstáculos que nos atrapalham e as estruturas que nos condicionam. Renovação interior de cada pessoa e de nossa sociedade são condições para que o Reino aconteça entre nós. Na simplicidade de uma criança, a grandeza de Deus se revela. O sentimento de que o Reino se faz presente não apenas nos traz uma profunda alegria como também um novo tipo de relacionamento com o próximo. O cristão não apenas tem alegria, mas é uma alegria para quem o encontra no caminho. Amor e serviço! O amor de Deus para com os seres humanos ultrapassa todo nosso entendimento. Por isso o Verbo se faz carne e veio armar a sua tenda entre nós. Os céus fecundam a terra. Assim, todas as criaturas, todos os seres viventes, transformam-se, impregnados pelo amor que se revela no espírito que invade e aquece todos os corações dos homens de boa vontade. Tudo o que move se torna sagrado e sacramento do amor de Deus. Assim, o Advento se torna um tempo apropriado para refletirmos sobre o mistério da Encarnação e mergulharmos em nossa humanidade. Meditarmos sobre o sentido profundo de sairmos de nós para irmos ao encontro do outro. Sobre o significado de aceitarmos nossa fragilidade e, consequentemente, as de nosso semelhante. Sobre a importância de alimentarmos nossa espiritualidade numa esperança histórica. E, finalmente, sustentarmos nosso coração na generosidade e gratidão. Desejamos, portanto, que este Advento e Natal sejam momentos de encontro, proximidade e convivência amorosa e fraterna, fecundas de compromisso com a vida em todas as suas expressões. Geraldo Célio Andrade e Jonas José Santana, professores de Ensino Religioso.
Este é um texto que vai falar de Natal.

♫♪♫♪ Bato à porta antes de entrar, porque tudo o que for dito em relação a aproximar o Natal de sua essência em nada quer comprometer a fantasia que povoa nosso imaginário. ♫♪♫♪ Buscar a essência, sim. Perder a magia, jamais! Já que não tem chaminé! Toc… toc… toc… Posso entrar? Natal é uma festa de aniversário, do nascimento de Jesus Cristo que veio ser mensagem viva de paz e esperança para a humanidade. Para muitos, esse sentido cristão da fé segue intacto… Para outros tantos, nem tanta fé, mas permanece o sentido da celebração, do encontro, da família, da alegria, da partilha, da ceia, da troca de presentes, da magia do Bom Velhinho. De maneira geral, ainda permanecem valores cristãos que precisam ser ressignificados e revigorados. Uma pista é não perder no consumismo o sentido desse ritual natalino de partilha. Junto do presente do Papai Noel, deixe uma mensagem de paz. Para as pessoas queridas e que estão distantes, façam cartões natalinos em família e enviem sem ser de forma virtual. Se não puderem fazer cartões, comprem cartões artesanais. Na árvore de Natal, coloque recadinhos de otimismo para convidados poderem colher na noite de Natal. Pense em pessoas que, pelas circunstâncias da “vida como ela é”, tenham se afastado por tropeços ou desentendimentos, e convide-as para a ceia. Se não tiver ceia, faça um bolo especial, uma receita daquelas de família, e faça brindes na simplicidade do cotidiano. Presenteie e seja presença na vida de crianças e adolescentes que possam não ter tido sucesso escolar e tenham vivido cenas de desavenças. Seu presente deve ser símbolo de esperança na mudança que sempre vai acontecer onde houver amor e fraternidade. Valorize e compre direto do artesão. Se não tiver dinheiro, faça uma seleção de músicas e disponibilize-as em alguma mídia digital. Não se endivide e não faça do Papai Noel a centralidade do Natal. Para crianças, ainda são passageiros desse voo mágico num trenó, junto ao presente, deixe um bilhetinho para uma meta solidária para o próximo ano. Mapeie em sua cidade endereços que privilegiem a comercialização da produção de mulheres e jovens empreendedores. Presenteie arte. Presenteie presença. Se der, celebre sua fé em comunidade. Enfeite sua casa com produtos reciclados e alternativos. Reaproveite os enfeites do ano passado. Crie uma atmosfera especial de luminosidade para acolher, de forma especial, quem vem se juntar a você. Independentemente de sua confissão religiosa ou até mesmo de ter convicção de fé e espiritualidade, leia uma reflexão qualquer na noite de Natal. Se for passar a noite de Natal sozinho, por opção ou circunstância, dê a si uma declaração de amor, mesmo que silenciosa. Faça uma prece pela paz no mundo. Compre um presente feito à mão e faça um lindo embrulho para você abrir, em sintonia natalina. Para quem vai se reunir em família e entre amigos, faça dessa oportunidade de celebração um encontro que marque a vida de cada pessoa presente. Traga a lembrança de entes queridos que já se foram e seguem irmanados nesse momento de celebração natalina. Não entregue um presente sem uma mensagem escrita à mão e cheia de afeto. Não exagere nem na comida, nem na bebida, nem nos presentes. Cumpra as promessas de presentes que talvez possam ter ficado inadequadas a partir desta leitura e capriche na simplicidade essencial no Natal do ano que vem. Afinal, “não são coisas” o que mais importa nessa vida. FeLUZ Natal para todos! Maria José Brant (Deka) Assistente social, estudante de Antropologia Analista de Políticas Públicas no Programa Bolsa Família Mestre em Gestão Social Mosaicista nas horas vagas
Natal feliz sem estresse

De repente, saímos à rua e vemos os enfeites de Natal, e só então nos damos conta de que mais um ano se passou e já estamos com tudo atrasado para as festas de fim de ano. Passado o susto inicial, vêm reflexões como “mais um ano que termina, e não fiz um terço do que tinha me proposto”; “o Natal e as férias estão chegando, e não organizei nada; jurei que este ano seria diferente!”, e assim vai. Frustrações, ansiedades, expectativas se mesclam com lembranças, saudades e sentimentos de solidão para alguns. Tudo isso é sinônimo de estresse. Importantíssimo lembrar que só podemos mudar efetivamente o que depende de nós. E, para isso, precisamos mudar paradigmas. Assuma, por exemplo, que aquela prima que sempre diz que ajudará você a preparar a festa e sempre se atrapalha não mudará, então pare de esperar pela ajuda dela e assuma o que apenas depende de você fazer. Assuma também que o dia somente tem 24 horas e que você tem limites de ação. Aprenda a delegar coisas e, se não fizerem, não se fez e pronto. Simplifique sua vida. De nada adianta fazermos tudo o que cremos que deve ser feito e chegarmos exaustos ao Natal. A palavra crise vem do grego krisis, que significa julgar, selecionar. Então avalie e selecione o que você tem como prioridade e o que pode fazer sem se exaurir. Santo Agostinho já recomendava as reflexões diárias como método de autoaprimoramento e evolução da consciência, então vamos lá. Sem a consciência da necessidade da mudança de atitudes e paradigmas, nada muda. Em Programação Neurolinguística (PNL), dizemos que “loucura é fazermos sempre a mesma coisa esperando resultados diferentes”. Fomos criados numa sociedade que nos cobra acertarmos sempre, fazermos tudo sempre perfeito, sermos sempre vencedores, e a realidade da vida não é essa; somos apenas seres humanos com possibilidades e limites. A cada vez que um leão sai para caçar, sete vezes volta com fome. A vida é assim, e precisamos encarar as realidades. Observe a si mesmo e verifique o que lhe traz conforto e desconforto. Use isso como referência de autorrespeito. Não é egoísmo, é autorrespeito. O dinheiro está curto? Então não comprarei presentes e já avisarei a todos. Estou muito cansado, cansada? Então não farei aquele peru que preparo todos os anos e todos adoram, vamos comprar pronto, por exemplo. Simplifique, faça essa experiência. Você vai se surpreender com os resultados. Deixemos então falsas expectativas de lado, sejamos realistas e selecionemos o que é possível e prioritário. Também em PNL aprendemos que o cérebro se organiza melhor quando fazemos planos por escrito. Não é lista no celular, é escrever mesmo, num papel, e se dando prazos. Como “até dia tal, estarei com tais coisas resolvidas e, para isso, preciso priorizar isso e aquilo”. Outra coisa que ajuda muito no gerenciamento do estresse, em qualquer época, é o ato de prestarmos atenção em nós, em cada momento, intencionalmente, especialmente observarmos nossa respiração. Essa simples e eficaz técnica faz parte do repertório de atitudes orientais para a saúde, que são as chamadas práticas meditativas. Há milênios que a sabedoria oriental tem muitas práticas para a saúde e que, apenas há poucas décadas, o Ocidente vem olhando e aproveitando. Você pode parar para fazer essa observação de sua respiração regularmente, todos os dias, durante cinco a dez minutos, sempre no mesmo horário, de preferência; por exemplo, ao acordar ou antes de dormir, ou no intervalo do almoço, e então simplesmente observar a respiração, o ar que entra e que sai e, muito importante, observar as sensações que vêm enquanto você observa a respiração. Quando os pensamentos vierem, deixe que passem como nuvens levadas pelo vento e volte a prestar atenção na respiração, apenas isso. Fique nessa prática enquanto estiver confortável ou pelo tempo que você tiver disponível, também em qualquer momento do dia em que você estiver muito ansioso, irritado, estressado, como na enorme fila do supermercado. Você pode se desligar do entorno e simplesmente, por um ou dois minutos, observar sua respiração com atenção. Essas pequenas pausas ao longo do dia acalmarão sua mente e melhorar todo o funcionamento cerebral. Assim você ficará mais produtivo, produtiva. Experiente e verá. Quando puder, faça também planos para o ano que virá, faça isso por escrito, olhando um calendário, escrevendo o que quer, como agirá para chegar lá, ou seja, quais estratégias usará, quais recursos já tem para alcançar a meta, quais lhe faltam e que prazos terá. Isso também aliviará o estresse que surge ao pensar no novo ano que está chegando. Se, nesta época, você se sente nostálgico, solitário, então é hora de se engajar em uma obra filantrópica e levar seu carinho e atenção aos que precisam mais que você, exercendo assim o mais puro espírito cristão. E por falar em espírito cristão, lembremo-nos sempre da finalidade essencial do Natal, que é o nascimento do Cristo. Pense: como posso, nesta época, sintonizar minha alma com o Cristo? Que práticas espirituais diárias podem ser feitas para cultivar o espírito cristão diariamente até a chegada do Natal? Cinira A. PalottaBióloga, pós-graduada em Cuidados Integrativos (Departamento de Neurologia da Unifesp), professora de Ioga, mestra em PNL e terapeuta em florais de Bach.
À Luz do Evangelho Dominical

Já estamos no terceiro domingo do Advento, chamado “Gaudete”. A liturgia ganha um tom de alegria, dando uma amostra de como será o encontro com o Senhor, que já está perto. O Evangelho de Mateus (11,2-11) coloca próximos Jesus e João Batista, precursor de Cristo e, segundo o Mestre, o maior entre os que já nasceram, mas ínfimo diante do menor no Reino dos Céus. Padre Arlindo Dias, missionário do Verbo Divino, reflete que João teve a missão de anunciar o Cristo que viria libertar o povo. Diante das ações de Jesus, que comunicava paz, vida e esperança aos marginalizados, em vez de um motim, o Precursor parece confuso e busca saber se o ilustre primo era realmente o Ungido que libertaria Israel da opressão. Como resposta, Jesus baseia-se na profecia de Isaías e descreve um pouco de suas ações de resgate da dignidade do ser humano e evangelização dos pobres. “Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim” (Mt 11,6). O espanto que Jesus provoca é o da misericórdia, bem diferente de um “vingador” esperado pelo povo, pelas autoridades e mesmo pelo Batista e discípulos. Assista à produção da Verbo Filmes e saiba mais.
Advento: tempo de atenção

Na liturgia dominical de 1º de dezembro, entramos no ciclo natalino, o memorial de uma das bases de nossa fé: o encontro, ou melhor, os encontros com o Senhor que vem até nós. Este período é aberto com o Tempo do Advento, indicando a alegre e amorosa expectativa pela vinda de Cristo. Em muitas comunidades, dá-se um grande destaque à Solenidade do Natal que se aproxima. Este tempo, contudo, é bem mais do que arrumar a casa para “recordar” o nascimento de Jesus. É uma oportunidade forte de repensar a vida, de preparar-nos com vigilância também para o encontro definitivo com o Senhor, que virá gloriosamente. É um chamado a refletir se estamos atentos às diversas vezes em que Jesus vem a nós nos eventos do cotidiano. A Palavra de Deus nos convida a pensar como será a chegada do “noivo” que surge na alta noite, do “patrão” que cobra resultados, do “rei” que prepara um lugar em sua casa, do “pastor” que separa as ovelhas dos cabritos, daquele que chega sem avisar, como um “ladrão”. Alegorias usadas pelo Evangelho para nos dizer que devemos sempre estar prevenidos para um compromisso que não tem hora marcada. Este é um momento precioso para avaliar como vivemos o lava-pés da Eucaristia. Demos de comer e de beber, acolhemos os “peregrinos”, vestimos os nus, visitamos os enfermos e os encarcerados? Ou apenas paramos para ouvi-lo piedosamente nas praças, sem transformar em prática essa escuta? Se nossa vida for pedida de volta pelo Senhor, como a devolveremos a ele? Esses são alguns dos questionamentos que nos interpelam sobre o encontro com o Cristo que veio, vem e virá. O roxo dos paramentos, a delicadeza dos adornos e a doce discrição dos instrumentos musicais são um convite à conversão, à volta ao caminho pavimentado e seguro que é o próprio Cristo. Os alertas de Isaías e de João precisam ecoar em nosso coração para fazê-lo reluzir mais que os ansiosos adornos ostentados na faminta e descartável “liturgia” do comércio. A luz do Senhor que vem sobre a terra deve resplandecer como em Maria, a Mãe sempre à disposição a servir o Reino e a louvar o Deus que eleva os humildes. A expectativa desta época não pode ser experimentada com o mesmo afobamento que a vida urbana nos impõe. Essa espera é alegre, corajosa e não nos permite cochilar. Que nós, a Igreja, possamos testemunhar, em palavras e ações, que estamos “doentes de amor” à espera do Amado, cuja boca é cheia de doçura e de quem tudo é encanto (cf. Ct 5,8.16). Sinal admirável No primeiro domingo do Advento, o Papa Francisco visitou Greccio, Itália, onde, em 1223, São Francisco de Assis apresentou o presépio pela primeira vez. Para demonstrar apoio à prática, seja na família, seja em locais públicos, o Pontífice publicou a Carta Apostólica Admirabile Signum (O Sinal Admirável). O desejo do Papa é que a mensagem ajude nas reflexões em preparação para o Natal. Como não poderia ser diferente quando se refere ao nascimento de Jesus, o texto é marcado pela espiritualidade que convoca ao olhar para Deus e para o ser humano. Como o Pobrezinho de Assis, o Papa se detém diante da tocante pobreza daquele rei que vem se fazer um de nós, sofrer nossas dores e alegrar-se conosco. Um Deus no meio do povo e não “acima de tudo”, como ainda insistem alguns. “Pensemos nas vezes sem conta que a noite envolve a nossa vida. Pois bem, mesmo em tais momentos, Deus não nos deixa sozinhos, mas se faz presente para dar resposta às questões decisivas sobre o sentido da nossa existência”, diz Francisco. O Bispo de Roma também recorda que a vinda do Senhor é primeiro para os pobres, na figura dos pastores. “Os pobres são os privilegiados deste mistério e, muitas vezes, aqueles que melhor conseguem reconhecer a presença de Deus no meio de nós”, diz o texto. O Filho de Deus também se encarna para todos os povos, representados pelos Magos, que partem de longe para chegar a Cristo: “À vista do Menino Rei, invade-os uma grande alegria. Não se deixam escandalizar pela pobreza do ambiente; não hesitam em pôr-se de joelhos e adorá-lo”. Veja, a seguir, o texto completo da Carta Apostólica Admirabile Signum. Diácono Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor de Língua Portuguesa de aspirantes e verbitas estrangeiros na Província Brasil Norte, revisor de textos para as irmãs servas do Espírito Santo.
À Luz do Evangelho Dominical

Iniciamos o Tempo do Advento, época de uma alegre e sábia expectativa. Quando aguardamos a chegada de alguém que amamos, essa espera é sempre marcada pelo júbilo. O padre Arlindo Dias, missionário do Verbo Divino, ajuda-nos a refletir sobre a mensagem do Evangelho deste domingo, retirada de Mateus (24,37-44). O trecho afirma que o Filho do Homem virá numa hora a qual não sabemos. Jesus fala sobre a destruição do Templo de Jerusalém pelos romanos, ocorrida por volta do ano 70 d.C. Para Cristo, o evento não era necessariamente uma tragédia, mas o fim de um tempo em que se pensava que o Reino de Deus era apenas prerrogativa do povo de Israel e não de toda a humanidade. Deus não é propriedade de um povo, de uma religião. Jesus nos chama a atenção para o risco de nos perdemos em nossos afazeres cotidianos, esquecendo-nos de nos preparar para um novo tempo. Quem sente que o Senhor está às portas, busca a conversão e ajusta a própria vida conforme o desejo de Deus, em ações concretas e não somente em palavras. Este é o espírito deste tempo: viver a justiça, a solidariedade com os mais sofredores, o contato próximo com o Pai e com o irmão e irmã. Como está nossa preparação para o encontro com o Senhor? Assista ao vídeo produzido pela Verbo Filmes e veja mais.