SSpS do Brasil emitem nota em repúdio a conflitos e reforçam opção pela paz

As irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) do Brasil emitem uma nota em repúdio ao aumento dos conflitos em todo o mundo, o maior número desde a Segunda Guerra Mundial, e reafirmam a opção pela busca da paz, da concórdia e da defesa da Casa Comum. “Não podemos permanecer indiferentes diante do sofrimento de tantas pessoas”, diz a mensagem. Veja a íntegra do documento.

Cristo ressuscitou! Aleluia!

A Páscoa nos recorda que a vida sempre encontra um caminho, que a esperança é mais forte que o medo e que Deus continua fazendo tudo novo em nós. Com alegria, partilhamos a mensagem das irmãs Maria de Fátima Kapp (coordenadora da Província Divina Sabedoria) e Ana Elidia Caffer Neves (coordenadoras da Província Stella Matutina).

Aleluia! É a ressurreição de Jesus!

Neste drama em que vive o mundo, com o crescente número de vítimas da covid-19, talvez a cena pascal com a qual mais nos identificamos é a dos discípulos de Emaús, que abandonam Jerusalém e voltam para casa tristes e desiludidos. Com a morte do Mestre, aquele casal vê seus sonhos se desfazerem e um grande vazio se apossar deles. Uma dor sufocante na garganta e, no peito, uma sensação de fracasso e de perda irremediável fazem-nos ver apenas insegurança e medo em relação ao futuro. Assim caminham eles, assim caminhamos nós, conversando pelo caminho os infortúnios da pandemia. Um estranho se aproxima, apressa o passo e os alcança. Um diálogo se inicia… Partilham seus sofrimentos, desafogam as mágoas do coração, mas não reconhecem Jesus. O sol está se pondo quando chegam em casa e convidam o peregrino para entrar. Sentam-se à mesa e, ao partir o pão, imediatamente reconhecem Jesus, o ressuscitado, que desaparece diante de seus olhos. Então tudo muda! O cansaço desaparece, a noite se ilumina, a alegria jorra do coração, o medo se transforma em coragem, e uma nova força toma conta deles. Voltam correndo a Jerusalém para contar aos outros discípulos que encontraram Jesus ressuscitado. Que, nesta Páscoa, possamos permitir que a presença de Jesus ressuscitado nos transforme. Deixemos que Ele se aproxime, converse conosco e nos pergunte: “Por que estão tristes e abatidos? Onde está a sua fé, a sua esperança? Como são lentos para entender que tudo o que está acontecendo tem uma razão de ser, algo a ensinar e um caminho novo a mostrar!”. Sintamos nosso coração arder, nossos olhos se abrirem e nossas forças se renovarem. Coloquemo-nos de novo a caminho, restaurados no amor, na fé e na esperança. Vamos ao encontro de todos aqueles que sofrem e anunciemos: Jesus ressuscitou! O amor é mais forte do que a morte, e a vida é eterna! Estamos de passagem, aprendendo como construir uma nova terra para poder viver o céu. Um dia, vamos todos nos reencontrar na partilha do pão e nos reconhecer como realmente somos! Feliz Páscoa! Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, Coordenadora de Comunicação Congregacional e membro da Equipe Editorial do site vivatdeus.org

Novo espaço de espiritualidade na internet

Há mais de um ano, estamos trabalhando num projeto de evangelização que se tornou um sonho para nós… Um sonho porque, ao contrário do que imaginávamos inicialmente, surgiram muitos obstáculos no caminho… Mas agora temos a alegria de anunciar que estamos prestes a alcançar nossa meta e será um presente para você que acompanha nossas publicações. Imagine um espaço na internet para vivenciar a espiritualidade, acompanhar a liturgia diária, rezar, aprofundar a fé e até mesmo encontrar uma comunidade para rezar com você e por você… Gostou? Então imagine que você sinta vontade de conversar com alguém, esclarecer dúvidas, partilhar algo que está em seu coração ou simplesmente receber orientação em seu caminho espiritual… Pense que você está indo para o trabalho e, no caminho, ouve pelo celular a leitura orante do Evangelho do dia… Ou reza o terço junto com as missionárias servas do Espírito Santo. Você também encontrará orações variadas, o santo do dia, testemunhos missionários, reflexões e vídeos que ajudarão a aprofundar a fé e o compromisso com o Reino de Deus. Tudo isso estará disponível, em breve, em nossa Capela Missionária virtual. Uma capela real no mundo virtual A Capela será um espaço de oração e de espiritualidade acessível a todas as pessoas que desejarem, em meio à correria e desafios da vida cotidiana. Será uma oportunidade de dedicar alguns momentos do dia para crescer na relação com Deus e se conectar com a humanidade, num espírito missionário. Antes de iniciar o projeto, pesquisamos na Internet e não encontramos nenhuma capela virtual católica que tivesse uma identidade explicitamente missionária. Por isso temos a alegria de lançar a primeira e queremos contar com seu apoio para nos ajudar a torná-la um espaço de oração não apenas virtual, mas real, que possa acompanhar você em seu dia a dia. A Capela Missionária é uma iniciativa das missionárias servas do Espírito Santo do Brasil, que inclui duas sedes provinciais, uma em São Paulo-SP, no Convento Santíssima Trindade, e outra em Ponta Grossa-PR, no Convento Espírito Santo, além das quase 30 comunidades de irmãs espalhadas de norte a sul do Brasil, oito escolas, uma faculdade, cinco centros educacionais, um hospital, um centro de fisioterapia e diversas obras sociais. Seguindo as pegadas de Santo Arnaldo Para mim, é realmente uma alegria poder seguir as pegadas de nosso fundador, Santo Arnaldo Janssen, que, no século XIX, já utilizava o que havia de mais moderno em comunicação para a evangelização. Em seu tempo, existia apenas a imprensa e foi por meio dela que propagou a obra missionária de Steyl, através de revistas e almanaques que ofereciam formação religiosa, cultural e entretenimento às famílias. Tenho certeza de que, se Santo Arnaldo vivesse hoje, ele daria continuidade à obra missionária por intermédio das redes sociais, do rádio, da televisão e de todos os meios de comunicação disponíveis. Assim, o trabalho que fazemos por intermédio do blog, do Facebook, do site, do Twitter, Instagram e, em breve, também pela Capela Missionária está em profunda sintonia com nosso carisma missionário e contribui com o trabalho de evangelização da Igreja. Missão on-line Estamos trabalhando com muito carinho na Capela Missionária para, além de oferecer um espaço de oração e de vivência da espiritualidade, que ela seja também um ambiente de missão on-line. Por detrás da tecnologia, teremos quatro irmãs bem preparadas para interagir com as pessoas que frequentam o site da capela, oferecendo orientação espiritual. Também haverá duas orientadoras vocacionais à disposição. Além disso, todo pedido de oração será atendido pelas comunidades das irmãs dos nossos dois conventos, que rezarão nas intenções e necessidades encaminhadas pela Capela Missionária. Ofereceremos também a oportunidade para colaborar concretamente com a missão, por meio de nossas diversas obras sociais e missionárias. Muito em breve, será o lançamento da nossa Capela Missionária. Aguardem! Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

O amigo fiel

Hoje, Dia do Amigo, padre Expedito Lopes de Castro, membro da Pastoral Missionária do Colégio Stella Matutina e pároco da comunidade Nossa Senhora de Fátima, na cidade de Juiz de Fora-MG, nos presenteia com uma linda mensagem sobre a amizade. Trata-se de uma oração intitulada “O amigo fiel”. Padre Expedito testemunha que “Deus é nosso amigo”. “Os amigos são uma grande influência na vida de cada pessoa” e “um bom amigo é uma bênção”, explica. Recordando o Livro do Eclesiástico (6,14), que diz “Amigo fiel é poderoso refúgio, quem o descobriu, descobriu um tesouro”, ele nos mostra, neste vídeo, o quanto a amizade de Deus nos dá força nos momentos difíceis de nossa vida. Quem não precisa de um amigo? Nestes tempos de distanciamento social, em que não podemos nos aproximar de tantas pessoas que amamos, que não podemos sentir o calor de seu abraço, a amizade é ainda mais crucial… Quem não precisa de um amigo, uma amiga para desafogar o que arde no coração ou pesa na alma? Quem não precisa de alguém para quem não é necessário se explicar, pois basta um olhar para se sentir acolhido, amado, compreendido? Quem não precisa de alguém com quem é possível se sentir sempre em casa? De alguém que não vai nos julgar ou condenar, nem mesmo quando erramos? Alguém que nos encoraja nas horas difíceis e nos ajuda a crescer quando “pisamos na bola”? Quem não precisa de alguém com quem sempre podemos contar? Que se alegra conosco quando estamos felizes e compartilha as lágrimas diante dos dramas da vida? Quem não precisa de alguém com quem podemos confiar sem medo e até mesmo dizer coisas que parecem sem sentido, mas que há momentos em que precisamos expressar, nem que for para colocar as ideias em ordem e entender o que se passa dentro de nós? Eu sei que você precisa e eu também preciso. Mas sei também que, por melhor que sejam nossos amigos e amigas, nenhum deles é perfeito. Um dia, não poderão atender a todas essas necessidades… Um dia, você ou eu também vamos falhar e decepcionar um amigo ou amiga… Ou, quem sabe, será você ou eu que se sentirá decepcionado ou magoado… O caminho da amizade, em certos momentos, tem desafios e é preciso encará-los. Às vezes, é preciso dar tempo ao tempo e permitir amadurecer dentro de nós o que impede viver a verdadeira amizade. Às vezes, é preciso esperar pelo tempo do outro, da outra. Não importa… A amizade também é feita de perdão. Mas seja quem for seu amigo ou sua amiga, por melhor que seja, jamais conseguirá satisfazer tudo o que está em seu coração. Porque somos humanos e limitados, mas nosso coração tem uma sede infinita…Então lembremos que temos um amigo com quem sempre podemos contar. Não importa o que aconteça em nossa vida, Ele estará sempre conosco, se o permitirmos. Ele não nos julga, não nos condena e sempre dá forças para recomeçarmos. Esse amigo é Jesus, e Ele nunca nos abandonará. Cultivemos nossas amizades, porque são verdadeiros tesouros! E reservemos tempo para nosso principal amigo, pois Ele vai nos ajudar a dar mais sabor à nossa vida e a encontrar o caminho da verdadeira amizade. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional, coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) e terapeuta floral.

Pentecostes: dom da comunhão na diversidade

A vinda do Espírito Santo aos discípulos de Jesus foi um marco na vida dos primeiros cristãos e pode ser considerada o nascimento da Igreja. Os Atos dos Apóstolos (At 2) narram que os discípulos estavam fechados em oração e, de repente, o Espírito se manifestou como vento forte e línguas de fogo. Imediatamente eles saíram e podiam se comunicar com pessoas de diversas nações, línguas e culturas, e entender cada uma em sua própria língua. Assim foi o primeiro Pentecostes. Assim é a ação do Espírito Santo, amor que gera comunhão, inclusão, aproximação das pessoas e convívio entre diferentes. Graças à sua presença, o cristianismo se expandiu para além do povo judeu e se espalhou pelo mundo. Consagradas ao Espírito Santo, nós, missionárias SSpS, participamos dessa ação dinâmica de ir além-fronteiras e criar laços de comunhão entre diferentes povos e culturas. Uma das principais características da Congregação é a internacionalidade e interculturalidade: somos quase 3.000 irmãs de 50 nacionalidades diferentes, em 47 países, nos cinco continentes. Em nossas comunidades, é comum conviver com irmãs de outras culturas. No Brasil, ao longo dos anos, recebemos irmãs de vários países da Europa, da Ásia, da África e das Américas. Só falta da Oceania. Muito nos perguntam como conseguimos nos entender… Para nós, o Espírito Santo nos faz superar as barreiras da língua e da cultura, e construir uma só família. Num mundo onde há tanta intolerância, contribuímos com o dom da comunhão na diversidade. Desafios e riquezas da interculturalidade A comunidade do Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, é bem intercultural. São 20 irmãs de várias idades e oito nacionalidades. Além das brasileiras, temos irmãs da Alemanha, Bélgica, Áustria, Iugoslávia, Índia, Timor Leste e Indonésia. Para sentir mais de perto a diversidade, entrevistamos as três últimas irmãs que chegaram ao Brasil. “Convivência e integração” Irmã Albérsia Hope Tapoona, 33 anos, é de Kalimantan, Indonésia, e chegou ao Brasil em maio do ano passado. Já tinha experiência de conviver com culturas e línguas diferentes em sua própria terra natal. Para ela, “a interculturalidade é a interação entre diferentes culturas em vista da convivência e integração”, e exige adaptação e a observação de como os brasileiros se expressam. Para quem vem de fora, sempre há coisas que podem chocar. Irmã Albérsia passou por essa experiência. Logo que chegou e a chamaram com gestos, parecia-lhe o jeito de chamar os animais domésticos em seu país… Também não sabia como cumprimentar abraçando um homem, pois, na Indonésia, é impensável. Por outro lado, gostou muito da alegria, abertura, facilidade de se aproximar e familiaridade do povo brasileiro. A irmã já se comunica bem em português, mas quer adquirir mais fluência para servir à missão onde for necessário. O Espírito Santo é a sua força, e ela sempre o invoca, especialmente nos momentos difíceis. “Tudo novo e diferente” Irmã Elizabeth Rani Mani, 34 anos, é da Índia Nordeste. Chegou ao Brasil em julho passado para experiência intercultural e estudos em Teologia e Comunicação. Conta que, ao chegar, tudo era novo e diferente: as irmãs, o povo, a língua, a cultura, a comida… Chamou-lhe a atenção que aqui a maioria da população é cristã, enquanto que, na Índia, é apenas 2,3%, predominando o hinduísmo e o islamismo. Estranhou os casamentos de segunda e terceira união, e os jovens poderem escolher com quem se casar. Na Índia, especialmente no interior, são as famílias que indicam os noivos. Apreciou a liberdade e a abertura que encontrou no Brasil. Em relação à língua, aqui só há o português, enquanto que, em seu país de origem, há mais de mil idiomas diferentes. A irmã espera passar a pandemia para integrar a comunidade SSpS que será aberta na Zona Leste de São Paulo, próxima à Creche Madre Theresia, onde ela trabalha. Lá, um fato que a assustou muito foi a violência doméstica: um pai assassinou a mulher na frente da criança. “Como é fácil acabar com a vida!”, lamentou. “Sentir-se em casa” Irmã Severina do Carmo Amaral, 46 anos, está apenas há três meses no Brasil. Veio do Timor Leste fazer uma experiência missionária e aprender o português. Apesar de ser o idioma oficial de seu país, não é conhecido, pois o povo fala o tétum. Ela conta que se sentiu bem acolhida e que os brasileiros são muito amigos. Sua grande alegria foi conhecer o Santuário Nacional, em Aparecida-SP. Irmã Severina confessa que se encantou com a beleza da basílica e a quantidade de gente. No Timor Leste, os locais de peregrinação são, em geral, pequenas capelas em meio à natureza. O início do aprendizado é difícil, pois faltam as palavras para expressar o que deseja. Por causa da pandemia, as aulas são por Skype. A irmã já viveu na Indonésia e Filipinas, e conhece os desafios da internacionalidade. Mesmo assim, sente falta do arroz no café da manhã. Na comunidade, está à vontade. “A cultura é diferente em cada país, mas, como irmãs servas do Espírito Santo, temos uma cultura congregacional, um estilo de vida, de oração, de vida comunitária que nos faz sentir em casa aonde quer que vamos”, afirma. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Rezar unidos cura a humanidade

Nesta quinta-feira, 14 de maio, um grande milagre está acontecendo, independentemente dos efeitos sobre a pandemia… Pessoas de diferentes religiões estão se unindo em prece, pedindo a cura da doença causada pelo covid-19 e o fim da pandemia. Imagine milhões de pessoas rezando unidas pela mesma causa! Isso é capaz de transformar o mundo! O próprio Jesus disse: “Pois, onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18,20). Se a oração de dois ou três tem a força de tocar o coração de Deus, imagine a oportunidade de superarmos nossas diferenças e nos unir num único pedido! E isso todos nós podemos fazer! Muitas vezes, pedimos a Deus para atender a nossas necessidades e esperamos respostas mágicas. A cura de Deus não é assim. Ela passa por nossa participação. Jesus sempre repetia: “A tua fé te curou”. Talvez o primeiro passo que realizamos na oração é nos abrir para que Deus possa agir em nossa vida, uma vez que ele respeita nosso livre-arbítrio. Ele conhece tudo o que sentimos e o que sofremos. Ele quer nos curar, mas somente agirá se nós o permitirmos. Não adianta pedir e não abrir o coração para as mudanças que a cura de Deus realiza em nós… Por isso é muito importante pedirmos juntos a mesma graça, pois nos fortalecemos mutuamente para receber a transformação que Deus promove em nós. Ao pedirmos juntos, superamos nossos preconceitos, nossos pensamentos estreitos e mesquinhos e nos abrimos para aquilo que realmente somos: uma única família humana, filhos de um mesmo Deus que é adorado com diferentes nomes. Se nos descobrimos como irmãos de fé e culturas diferentes, graves doenças da humanidade já começam a ser curadas: a desunião, a desconfiança, a intolerância, a xenofobia e tantas outras que nos distanciam de nossa irmandade existencial. E isso abre as portas para um futuro melhor, em que a paz se torna uma possibilidade real. Há ainda outras doenças que precisam também de tratamento, como a ganância, o acúmulo, o egocentrismo, a exploração desenfreada da natureza e tantas outras. Mas tudo tem a mesma raiz… Então, com muita fé, com muito amor, com muita confiança que Deus quer nos curar e nos libertar desta pandemia, vamos nos unir espiritualmente a toda a humanidade, convidar nossos familiares, nossos amigos, nossos vizinhos, nossas listas de contatos para rezarmos, todos, nesta única intenção: pelo fim da pandemia. Como é importante conhecer como surgiu essa iniciativa, trazemos aqui alguns links com informações importantes para rezarmos conscientemente e reforçarmos a busca por mais fraternidade. Vídeo do Papa Francisco e informações sobre o dia de jejum e oração. 14 de maio, a oração que faz de nós uma só família. Entrevista com o cardeal Ayuso. O que é o Alto Comitê para a Fraternidade Humana e quem participa. Artigo da Revista IHU Unisinos sobre o dia 14 de maio. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Cuidar da vida e se defender do coronavírus

Um ser extremamente minúsculo, o coronavírus, ganhou destaque nos noticiários internacionais, mudando a vida das pessoas em diferentes países. Além de causar mortes e muito medo, está desencadeando uma crise econômica sem precedentes. Embora tão pequeno, esse vírus está sendo capaz de parar diversos países do chamado “Primeiro Mundo” e já chegou também ao Brasil. Diante desse quadro, é natural que todos nós estejamos preocupados e buscando informações do que devemos ou não fazer. E nós, missionárias servas do Espírito Santo, que temos como vocação o cuidado com a vida, estamos muito atentas e buscando a melhor maneira de colaborar para conter essa pandemia o mais rápido possível. Ter informações corretas e tomar as medidas necessárias é indispensável em situações como esta, em que pequenas atitudes pessoais podem fazer a diferença e salvar a vida de pessoas que sequer conhecemos. O momento exige consciência e responsabilidade. É necessário cuidar de si mesmo e dos outros, pois, conforme nos lembra o Papa Francisco, na Encíclica Laudato Si’, estamos todos interligados. Nesta entrevista, convidamos a médica geriatra Dr.ª Sílvia Bitar que, desde 2013, cuida de nossas irmãs idosas da Comunidade do Santana, em São Paulo-SP. Ela vai nos orientar quanto aos cuidados necessários para evitar o contágio e proteger a vida, especialmente das pessoas mais vulneráveis. Doutora Sílvia é especialista pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e pós-graduada em cuidados paliativos e, acima de tudo, uma profissional capaz de se colocar no lugar de quem sofre e de buscar todos os meios para garantir uma melhor qualidade de vida para seus pacientes. Vale a pena seguir suas recomendações. Irmã Ana Elídia C. Neves: Doutora Sílvia, o coronavírus está se alastrando rapidamente também no Brasil. O que os meios de comunicação estão falando, em sua opinião, é real ou há uma dose de exagero? Doutora Sílvia Bitar: O coronavírus já é considerado uma pandemia. Existe uma preocupação que considero real, pois é um vírus cuja disseminação é muito alta e que tem uma maior mortalidade em idosos. Temos de tomar cuidado com o excesso de informação, que está gerando um pânico na população e pode acabar fazendo com que as pessoas tomem atitudes irracionais. Os meios de comunicação têm um papel importante de educar e de orientar as pessoas em relação às medidas que devem ser tomadas. Ir. Ana Elídia: Como o covid-19 oferece mais riscos para pessoas idosas, que medidas preventivas instituições como a nossa e outras que cuidam de pessoas idosas devem tomar? Dr.ª Sílvia: Estamos tomando algumas medidas para proteger nossas idosas, como treinar e educar os funcionários: orientar de não trabalhar em caso se febre e, ou, sintomas respiratórios, reforçar a aderência a medidas de prevenção e controle de infecções, como a lavagem das mãos com água e sabão, álcool gel e uso correto de materiais de proteção individual, como luvas e máscaras… Também recomendamos reduzir as atividades em grupo e evitar concentrar grande número de pessoas em áreas de convivência, inclusive evitar saídas para consultas e exames de rotina. Orientamos também isolar no quarto a pessoa idosa com quadro respiratório e o profissional a utilizar os equipamentos necessários de proteção. Ir. Ana Elídia: E as famílias que têm pessoas idosas em casa, o que devem fazer para diminuir os riscos de contágio e não expor seus idosos ao coronavírus? Dr.ª Sílvia: O ideal é que o idoso evite sair de casa neste momento e as pessoas que moram na casa tomem todos os cuidados de proteção. Principalmente evitar contato físico. Também tomar as medidas de prevenção de infecção. Em caso de algum familiar ficar doente com sintomas respiratórios, será necessário isolá-lo em algum cômodo. Quando possível, pode ser interessante utilizar mascara em área coletiva. Ir. Ana Elídia: Nós também temos escolas e nos preocupamos com as crianças e jovens, suas famílias, professores e colaboradores… A senhora tem alguma recomendação especial para o cuidado de crianças e jovens? Dr.ª Sílvia: As crianças parecem estar mais protegidas do covid-19. Geralmente, os sintomas são leves, e muitas não apresentam sintomas. A vacinação deve ser estimulada nessa faixa etária. Tendo em vista a necessidade de evitar aglomerações e reduzir o volume do transporte público para prevenir a disseminação do coronavírus e assim evitar sobrecarga dos sistemas de saúde, todas as escolas do Estado de São Paulo terão as atividades gradualmente suspensas a partir do dia 16 de março, até a suspensão completa no dia 23 de março. Devemos ter uma atenção especial com as crianças com problemas respiratórios crônicos e imunodeprimidas. Também acho importante conscientizar e educar os jovens. “Atitudes individuais podem ajudar o coletivo.” Ir. Ana Elídia: Que atitudes ou comportamentos podem ajudar a conter o coronavírus? Dr.ª Sílvia: Orientar os pacientes a evitar aglomeração, etiqueta do espirro e manter as medidas básicas de higiene das mãos. Sintomas gripais leves podem ser tratados em domicílio. Pacientes com sinais de alarme, como febre persistente, falta de ar e queda do estado geral, devem ser encaminhados ao pronto atendimento. Uso de máscara para os indivíduos com sintomas respiratórios. Evitar contato físico, como aperto de mãos, abraços e beijos. Ir. Ana Elídia: Que lições, em sua opinião, podemos aprender com o coronavírus e suas consequências para o mundo? Dr.ª Sílvia: Acho que as pessoas estão mais conscientes em relação à necessidade de medidas de higiene e prevenção de infecção. Atitudes individuais podem ajudar o coletivo. Ao mesmo tempo, nosso papel como profissional de saúde é orientar a população a tomar medidas conscientes. Na Espanha, estão homenageando os profissionais de saúde que estão cuidando dos pacientes infectados, pois, enquanto a população está isolada em suas casas para evitar que o vírus se espalhe, os profissionais estão expostos para cuidar dos doentes. Cada indivíduo tem seu papel na sociedade para ajudar a combater essa pandemia. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) _____

Espiritualidade da convivência intercultural

Antigamente era normal passar a vida num mesmo local, com pessoas da mesma origem e conviver apenas com as que praticavam a mesma religião e compartilhavam os mesmos princípios. Hoje vivemos numa sociedade multicultural. Com o aumento das migrações e da globalização, aliado à rapidez das comunicações e à facilidade de transporte, não precisamos mais nos deslocar para outros países para encontrar pessoas com línguas e costumes diferentes dos nossos. Elas estão em nossas cidades e até mesmo em nossas famílias. Conviver com outras culturas é um desafio, pois, apesar de sermos todos humanos, temos maneiras diferentes que vão desde o jeito de preparar a comida e educar os filhos até o modo expressar sentimentos, celebrar a alegria e enfrentar os sofrimentos. Como nascemos e crescemos imersos em nossa própria cultura, tudo o que fazemos nos parece natural, enquanto que o comportamento de outros povos nos parece estranho quando é apenas diferente. Na sociedade atual, a convivência multicultural é fonte de conflitos e de mal-entendidos, mas também é oportunidade de enriquecimento e abertura para novos horizontes. Acolher, conviver e aprender com as diferenças faz parte de uma nova maneira de estar no mundo e exige a superação de nosso etnocentrismo, dos preconceitos e da tendência à exclusão. Do multicultural ao intercultural Para as missionárias servas do Espírito Santo, com comunidades formadas por irmãs de diversos países e de distintas regiões, o desafio é ainda maior, pois somos chamadas a superar o multicultural para vivenciar o intercultural. Qual a diferença? Num grupo multicultural, cada pessoa mantém a própria cultura, mas não há um verdadeiro intercâmbio, e as pessoas ficam isoladas umas das outras; moram juntas, mas, no fundo, estão sozinhas. Por outro lado, se cada pessoa renunciasse à própria cultura para se adaptar aos costumes do país onde está, haveria um empobrecimento cultural e um sentimento de mal-estar reprimido, pois não podemos negar a raiz de onde viemos ou deixar de ser quem somos. Então, o que fazer? É possível construir comunidades com gente tão diferente? Sim, é possível, mas não é fácil. O caminho da interculturalidade é um processo de conversão constante que nos ajuda a perceber que há outras maneiras de viver e de agir tão boas como as nossas, e outras que, tanto como as nossas, precisam de aperfeiçoamento e de transformação. Com base na espiritualidade trinitária, é possível alcançar a interculturalidade. Como Deus é um só, mas, ao mesmo tempo, Pai, Filho e Espírito Santo, cada pessoa divina, em sua diversidade, está de tal forma unida pelo amor às demais que formam uma única realidade. Assim é a Trindade. Também nós somos chamadas a viver em comunhão com Deus, com as pessoas e com toda a criação. Isso significa construir uma convivência que vai além de nossas diferenças, reconhecendo no outro a beleza e a grandeza de nosso Criador, que se expressa de múltiplas formas. Numa comunidade intercultural, as pessoas não estão justapostas em sua maneira de ser e de pensar, mas vivenciam relações dinâmicas nas quais cada uma pode se expressar a partir do que é e da cultura de onde vem, e são aceitas, acolhidas e respeitadas em sua diversidade. Ninguém é melhor que a outra: todas têm dons a oferecer e muito a aprender. Quando isso ocorre, a comunidade se transforma e cria uma nova cultura que é diferente da cultura original de cada uma, mas incorpora elementos de todas elas de acordo com o que promove a vida e o desenvolvimento humano. Chamamos isso de comunidade intercultural, e o resultado é o amor mútuo e a celebração de nossas diferenças como dádivas para o enriquecimento de todos. Seminário de Espiritualidade e Interculturalidade Para aprofundar a vivência da interculturalidade, com base na ótica da espiritualidade trinitária, um grupo de cerca de 35 missionárias servas do Espírito Santo, missionários verbitas e leigos participaram de um seminário internacional em Steyl, na Holanda, de 26 de janeiro a 14 de fevereiro. Éramos de 20 nacionalidades, atuando em diferentes países da África, Ásia, Oceania, Europa e Américas. Assim tivemos a oportunidade de vivenciar intensamente a interculturalidade não somente nos conteúdos e dinâmicas, mas principalmente na convivência entre nós. A primeira parte foi dedicada ao aprofundamento dos conceitos teóricos; a segunda para integrar a espiritualidade pela oração e o silêncio; e a terceira para colocar em prática o que aprendemos e vivenciamos, por meio da produção de materiais para retiros, reflexões e atividades comunitárias. Participar desse seminário em Steyl, local da fundação da família religiosa de Santo Arnaldo Janssen, foi uma experiência inesquecível. Tivemos o privilégio de beber da fonte espiritual que alimentou nossa geração fundadora e que, até hoje, inspira-nos a deixar tudo para anunciar o Evangelho em qualquer país aonde somos enviadas. Viver a interculturalidade, para nós. SSpS, SVD e missionários leigos e leigas, é viver a cultura do Evangelho, abrindo o coração para acolher as diferenças e superar todas as formas de discriminação e exclusão. Em outras palavras, vivenciar a cultura do amor universal e do encontro que abre as portas para a cultura da paz. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

Um santo que enxergava longe

Arnaldo Janssen nasceu em 15 de janeiro de 1837, em Goch, Alemanha, numa família profundamente religiosa. Foi ordenado padre em 15 de agosto de 1861 e dedicou-se ao ensino de Ciências e Matemática. Por sua piedade e devoção ao Sagrado Coração de Jesus, foi nomeado diretor diocesano do Apostolado da Oração. Apesar da perseguição religiosa, Arnaldo inaugurou, em 8 de setembro de 1875, em Steyl, Holanda, a primeira casa missionária da Congregação do Verbo Divino. Sentindo a necessidade da presença da mulher na missão, especialmente junto às famílias, deu início à Congregação Missionária das Servas do Espírito Santo (SSpS) no dia 8 de dezembro de 1889. Em 1896, completou sua obra missionária, com a fundação do ramo contemplativo, a Congregação das Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua (SSpSAP). Pela adoração permanente do Santíssimo, intercede pela Igreja e pelas outras duas congregações missionárias. Santo Arnaldo faleceu em 15 de janeiro de 1909. Sua total entrega à vontade de Deus foi abençoada pelo crescimento contínuo das comunidades por ele fundadas. No dia 5 de outubro de 2003, o Papa São João Paulo II o canonizou. O Sagrado Coração de Jesus Para Santo Arnaldo, o coração era o centro da espiritualidade. No coração de Jesus, o amor incondicional de Deus Pai foi revelado e, na força do Espírito Santo, Jesus anunciou esse amor às pessoas, convidando-as a participar do Reino de Deus. O pensamento da morada da Trindade no Coração de Jesus moldou toda a vida de Arnaldo Janssen, sua orientação para a missão, seu desejo de glorificar a Deus Uno e Trino, de seguir Jesus e colaborar com o anúncio do Evangelho para “Que todos os povos cheguem a conhecer o Pai amoroso e sua infinita misericórdia e possam, desde já, partilhar na comunidade da Trindade”, como costumava dizer. Como jovem padre, Arnaldo percorria toda sua diocese para propagar o Apostolado da Oração. Para ele, conformar a própria vida de acordo com o projeto de Cristo, “Eu vim para que todos tenham vida” (Jo 10,10), era a melhor devoção ao Coração de Jesus. Com Santo Arnaldo, aprendemos que tão importante quanto a veneração do Divino Coração de Jesus é tornar nosso coração semelhante ao do Senhor, seguindo Cristo no pensar, no agir, na oração, no amor ao Pai e no amor à humanidade. Por isso, Arnaldo sempre rezava: “Viva o Coração de Jesus nos corações de todas as pessoas!”. À frente de seu tempo Além de fundar as três congregações, Arnaldo Janssen foi um homem de visão muito à frente de sua época. Ele deixou inúmeras contribuições por meio de seu intenso apostolado, uso da imprensa e serviço à Igreja como um todo. Entre as principais contribuições de Santo Arnaldo, podemos destacar a formação da consciência missionária entre os católicos alemães de seu tempo, a divulgação da importância do ecumenismo, a promoção do apostolado leigo, do apostolado da imprensa católica, o pioneirismo no movimento de retiros espirituais, o incentivo ao estudo da Antropologia, a aceitação de vocações dos países de missão, a abertura à internacionalidade, dando um caráter plurinacional às comunidades missionárias. Padre Arnaldo, muitas vezes, foi criticado por seu gênio. Alguns o consideravam um louco, pois, numa época em que as casas religiosas estavam sendo fechadas em consequência da perseguição religiosa promovida pelo Kulturkampf (revolução cultural), na época de Bismarck, ele propunha a fundação de uma obra missionária. Arnaldo Janssen é exemplo de alguém que, ao longo dos anos, por uma vida intensa de oração e dedicação missionária, deixou-se transformar, somando sua força de vontade, perseverança e profundo senso de responsabilidade a serviço da vontade de Deus. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)

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