Jupic na prática: quando justiça, paz e cuidado com a criação entram na sala de aula

A Jupic (sigla de Justiça, Paz e Integridade da Criação) representa um importante aspecto da missão das irmãs servas do Espírito Santo (SSpS). Na Rede de Educação SSpS, esse princípio se traduz na formação de “cidadãos globais” que compreendam a profunda interconexão entre as crises sociais e ambientais. No artigo, Rodrigo Mendonça Pereira, diretor-geral do Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora (MG), apresenta alguns projetos desenvolvidos com os alunos. Veja!
Formação permanente: servas do Espírito Santo discutem as práticas de justiça e paz

“Desenvolvimento e prática da justiça e paz e integridade da Criação” foi o tema da formação permanente das missionárias servas do Espírito Santo, realizada, no formato on-line, no dia 18 de março. O tema é uma proposição do Governo-Geral para que as práticas de justiça e paz, legado dos fundadores, permaneçam como premissa para a missão. Como rezam as normas constitucionais da Congregação,a promoção da justiça, paz, integridade da Criação (Jupic) e defesa da vida humana é parte integrante do chamado religioso-missionário. O evento reuniu cerca de 150 irmãs representantes das missões nos Estados Unidos, Colômbia, Equador, México, Cuba, Paraguai, Chile, Bolívia, Argentina e Brasil. A assessoria foi das irmãs Petronella Maria Boonen e Maria Inês Aragão. Com base nos capítulos-gerais, Ir. Maria Inês aprofundou as práticas de justiça e paz na instituição. A expressão “justiça e paz” apareceu, pela primeira vez, em 1990, no 8º Capítulo-Geral, como desafio de servir à libertação integral da pessoa humana. “A missão justiça e paz, e integridade da Criação é vivida desde a fundação, pois os fundadores sempre tiveram um olhar para as populações mais pobres, o que vale dizer, faz parte do nosso carisma”, acrescenta. Ainda segundo Ir. Maria Inês, nos documentos capitulares, a justiça não se refere a uma justiça corretiva, vingativa, mas a uma justiça evangélica. “Ou seja, construção de comunidades e sociedade de justiça evangélica, reconciliação e cura, onde não haja lugar para qualquer violência pessoal e social, e exista a promoção da integridade da Criação, favorecendo a passagem do consumismo ao uso consciente de recursos, da exploração à ecorresponsabilidade, de uma consciência passiva a um envolvimento ativo nas mudanças sistêmicas.” As práticas de justiça e paz no dia a dia das servas do Espírito Santo Durante o encontro, algumas irmãs puderam testemunhar como se dão, no concreto, as práticas de justiça e paz e integridade da Criação. Irmã Mariel Clapassón, educadora da Escola de Diamante, na Argentina, falou sobre o Projeto Cuidado da Casa Comum, por meio do qual alunos e professores semearam árvores autóctones da zona costeira e limparam espaços públicos, como praças, ruas e a orla do rio Paraná. Quando prontas para o transplante, os alunos do ensino secundário plantaram as árvores nesses espaços, em acordo com a Câmara Municipal da Cidade de Diamante e com a ajuda e orientação dos Parques Nacionais. “A fitoterapia nos permite usufruir respeitosamente as plantas, tirando delas as essências que beneficiam o ser humano, sem danificar a própria natureza. Isso resulta em bem-estar para mim mesma, pois a natureza é minha sobrevivência”, explicou Ir. Maria Aparecida Ricardo Ribeira, de Três Passos, Rio Grande do Sul, que atua nessa área, no Brasil. Irmã Carolina Gonzalez, que trabalha junto às comunidades indígenas no México, afirma que, dentro da pastoral indígena, promove a Jupic, acompanhando os processos de defesa e fortalecimento da identidade cultural dos povos originários Zapotecas, Mixtecas e Chatinos. “Fazemos isso por meio da revitalização de sua língua materna, que se opõe à cultura homogênea, bem como tornando visível sua luta por sua terra e território, a partir da Remam” (Rede Ecológica Eclesial da Mesoamérica). “Trabalhamos com reflorestamento, enriquecimento de bosques com árvores frutíferas, cuidando da cobertura vegetal, cultivo associado de três plantas, em três tempos, no mesmo terreno. Essas plantas crescem e convivem juntas, uma dando força à outra (mandioca, milho e amendoim ou abóbora). Reforçamos, valorizamos e resgatamos o estilo de vida, de trabalhar e plantar dos povos que, muitas vezes, é depreciado”, contou a Ir. Angela Balbuena, que trabalha no projeto de produção agroecológica com as comunidades indígenas Ava Guarani, Mwya Guarani e Paî Tavy Terá (Kaiowá), no Paraguai. Vivat: presença religiosa nas Nações Unidas pela justiça e pela paz Ao ser questionada sobre a origem da Vivat, uma organização que traz em seu bojo a luta pela justiça e pela paz, Ir. Petronella Maria Boonen explicou que é uma fundação das congregações das Missionárias Servas do Espírito Santo e Missionários do Verbo Divino. “A proposta da Vivat é ser presença, diante das Nações Unidas, da vida religiosa, para levar as vozes dos povos e comunidades vulneráveis, seus problemas e preocupações com o cuidado da Casa Comum, a superação da desigualdade e a violação dos direitos humanos. Isso demanda um profetismo inspirado no Evangelho, que escuta e responde aos gritos dos pobres e da terra.” Ainda conforme Ir. Petronella, é preciso fomentar nos membros da Vivat a ação local em rede, conjugada com uma incidência global. “Articular a defesa de direitos humanos com instituições internacionais e pressionar governos locais significa trabalhar em um campo de missão que demanda investir na formação inicial e continuada.” Rosa M. MartinsMestra em Jornalismo, Imagem e Entretenimento pela Fundação Cásper Líbero, licenciada em Filosofia pela Universidade Salesiana de Lorena (Unisal), bacharela em Teologia pela Pontifícia Universidade São Boaventura de Roma. É missionária scalabriniana e vive em Santo André-SP. Indicada ao Prêmio Tarso Genro de Jornalismo em 2020, foi vencedora do Prêmio Papa Francisco, categoria mestrado, do Prêmio CNBB de Comunicação com a dissertação “Menores estrangeiros não acompanhados: uma análise da representação no fotojornalismo italiano”, em 2021.
VIVAT – Brasil assume novos desafios

Durante o workshop que se realizou de 27 a 30 de maio, no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, o grupo Vivat – Brasil se consolidou e decidiu tornar-se uma filial da Vivat Internacional. Com isso, a instituição brasileira assumirá, com mais eficácia, o compromisso de trabalhar para a erradicação da pobreza, para o desenvolvimento sustentável, a promoção das mulheres e a cultura da paz. Neste vídeo, você assistirá a uma reportagem completa sobre o Workshop Vivat – Brasil, produzida pela Verbo Filmes, e conhecerá o que é a Vivat Internacional e as prioridades assumidas pela Vivat – Brasil. Mensagem final do Workshop Vivat – Brasil Nós, representantes das congregações religiosas membros da Vivat Internacional: Sociedade do Verbo Divino, Missionárias Servas do Espírito Santo, Congregação do Espírito Santo, Irmãs Missionárias do Espírito Santo, Missionários Combonianos, Missionárias Combonianas, Irmãzinhas da Assunção, Irmãs da Santa Cruz e Missionárias Scalabrinianas, estivemos reunidos no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em Santo Amaro, São Paulo, nos dias 27 a 30 de maio. O workshop contou com a presença da equipe executiva da Vivat Internacional / Nova Iorque: padre Robert Mirsel, SVD, e irmã Helen Saldanha, SSpS, e teve como objetivo a rearticulação da Vivat no Brasil e a retomada dos trabalhos em conjunto. A ONG Vivat permite a nossas congregações religiosas consolidar o compromisso evangélico por Justiça, Paz e Integridade da Criação, organizando-nos para uma maior incidência no âmbito das Nações Unidas, na defesa e promoção dos direitos das comunidades que acompanhamos. Nesse sentido, refletimos temas relacionados às prioridades da Vivat: Erradicação da Pobreza, Igualdade de Gênero, Desenvolvimento Sustentável e Cultura da Paz. Fizemos memória da caminhada da Vivat no Brasil e das atividades das congregações presentes, análise da conjuntura nacional, partilha da atuação da equipe da Vivat Internacional junto à ONU e aspectos práticos da organização em nível de Brasil. Essas reflexões, realizadas num clima de muita partilha e comunhão, ajudaram-nos a elaborar um plano de ação e a designar uma equipe de articulação para a Vivat Brasil. Para garantir uma presença mais profética e eficaz, decidimos dar os passos necessários para nos tornarmos uma entidade legalmente reconhecida no Brasil como filial da Vivat Internacional. Também vamos divulgar os compromissos assumidos e envolver nossos irmãos e irmãs, em nossas congregações, bem como os leigos e leigas que atuam conosco. Nossa presença num mundo profundamente injusto e desigual desperta em nós a indignação e a solidariedade que, enraizadas na fonte da espiritualidade, suscita em nós o empenho e um compromisso maior com o trabalho em rede da Vivat, em busca da superação das forças que destroem a vida. Nestes dias de encontro, marcou-nos, em particular, a memória das numerosas vítimas em Manaus, mortas em consequência de um sistema carcerário desumano, e das vidas ceifadas pelos crimes socioambientais da mineração, especialmente em Brumadinho e Mariana. Comprometidos com a realidade do povo brasileiro, assumimos como prioridades o desenvolvimento sustentável (com foco no agronegócio e mineração) e a cultura da paz (com ênfase na migração e na proteção das comunidades e lideranças ameaçadas, em particular povos indígenas e populações tradicionais). Também optamos por uma ação imediata da Vivat Brasil na defesa do Estatuto do Desarmamento e no acompanhamento e apoio aos compromissos que nascerão do Sínodo para a Amazônia, reafirmando o protagonismo dos povos amazônicos em busca de novos caminhos para a Igreja e a Ecologia Integral. Concluímos o workshop fortalecidos na esperança e profundamente comprometidos em contribuir para uma vida melhor para o nosso povo, confiantes que as prioridades assumidas possam ser respostas às necessidades dos grupos mais sofridos. Vivat Brasil São Paulo, 30 de maio de 2019.
JUPIC no combate à exploração de crianças e jovens

O abuso sexual e a exploração de crianças e adolescentes é uma triste realidade que ainda acontece nos dias de hoje. Em 80% dos casos essa violência ocorre nos próprios lares das vítimas ou são feitas por pessoas de confiança. Aqui no Brasil, a violência sexual é a quarta violação que mais acontece contra crianças e adolescentes. Segundo o Disque Direitos Humanos (Disque 100), em 2015 as denúncias contra esse crime chegaram a 52 mil. Como a Igreja procura enfrentar e tomar decisões em relação a esse problema? Alinhadas as ideologias de JUPIC. Você já ouvir falar da JUPIC? JUPIC é a sigla para Justiça, Paz e Integridade da Criação e tem como objetivo a transformação das estruturas, das políticas e das práticas que dominam e destroem a integridade da criação, e busca uma verdadeira qualidade de vida para todos e todas, especialmente para os/as marginalizados/as”. Listamos abaixo algumas medidas que podem se tomadas na preveção e no combate destes crimes: Na prevenção 1) Tomar consciência do abuso sexual e da existência de vítimas e agressores, de crenças e sistemas sociais que facilitem situações de abuso sexual. 2) Promover debates, palestras, cursos, seminários e rodas de conversas sobre a sexualidade de forma didática e à luz da Bíblia. 3)de segurança e confiança que promova relações saudáveis baseadas no amor e no respeito mútuo. 4) Rezar pedindo que Deus proteja as comunidades e famílias destes males . No combate: 1) Denunciar os sistemas sociais e culturais que favorecem a existência deste crime aos Conselhos Tutelares, de Direitos, Assistência Social e da Saúde, as ONGs, a Polícia Militar e Civil e aos profissionais de educação. 2) Acolher e acompanhar vítimas e agressores, encaminhando-os ao atendimento de psicólogos, assistentes sociais, médicos, etc. 3) Desenvolver políticas próprias de proteção infantil na igreja e em seus programas (escolas bíblicas, retiros, acampamentos, passeios, etc.) 4) Manter a esperança e o compromisso, apesar dos fracassos, confiando em tudo o que Deus pode fazer, apesar de nossas limitações. Você pode conhecer mais sobre JUPIC pelo site da Redes – Rede de Solidariedade e das Irmãs Missionárias Servas do Espirito Santo