Férias em casa: o poder da imaginação

As férias escolares chegaram! Muitos não têm a possibilidade de viajar, por isso são necessárias criatividade e sabedoria para que este tempo de recesso seja inesquecível e proveitoso para as crianças. Daniella Cruz, coordenador do Integral e Cursos Extras do Colégio Espírito Santo, de São Paulo (SP), dá alguma dicas. Confira!
Construir relações de amizade na família

“Em toda ocasião, ama o amigo…” (Provérbios 17,17) O objetivo mais importante na construção das relações familiares é o cultivo da amizade. Trata-se de levar os filhos a compreenderem o que vem a ser a amizade e a distinguir os amigos autênticos, dos falsos, principalmente neste momento de avanço de novas tecnologias, da era das redes sociais, das amizades virtuais. O cultivo da amizade está em aprender a querer bem outras pessoas e, ao mesmo tempo, aprender a conviver com e na família. Essa capacidade de bons relacionamentos vai se desenvolvendo de modo natural na família conforme se aprende que esse é espaço de amor e escola das virtudes da convivência. A amizade no ambiente familiar costuma ser decisiva para o desenvolvimento humano-afetivo, primeiro do comportamento social e dos hábitos de amizade para com outras pessoas. As primeiras experiências sociais, na família, ajudam a desenvolver atitudes de abertura para com os outros e hábitos de convivência harmoniosa, facilitam a socialização e ajudam, fortemente, os filhos a serem ativos, extrovertidos, independentes e curiosos. Vemos, portanto, que uma família é formada não somente pela relação de sangue, mas sim pelos laços de amor, carinho e amizade que se pode estabelecer entre eles. Pois as relações que se constroem entre pais, filhos, irmãos, irmãs, no ambiente familiar, serão pautadas na confiança e, mais ainda, estabelecidas por meio do diálogo, do encontro, do toque, do abraço, das demonstrações de afeto, da troca de experiências, fortalecidas na oração em família. Essa aprendizagem ocorre de forma natural, mútua e espontânea. Percebemos, cada dia mais, a importância de se desenvolver relações saudáveis entre pais, filhos e irmãos, que, consequentemente, vão aparecendo como valor essencial no ambiente familiar. Por isso, é importante a preocupação dos pais em desenvolver relações de verdadeira amizade com seus filhos, de tornarem-se amigos e, com isso, despertar a admiração entre ambos. Precisamos de pais que despertem encantamento em seus filhos e, assim, consigam estabelecer relações de respeito e deixar uma marca profunda e para sempre em seus filhos. A presença em momentos importantes, o acompanhamento no cotidiano escolar, os passeios, as brincadeiras são todas atitudes que nutrem a amizade na família e que são parte das tarefas diárias dos pais, ídolos de seus filhos. É com e na família que aprendemos que a amizade é um vínculo compartilhado em que existe comunicação, ação, sentimentos e interesses. Os amigos de verdade perdoam e, também, ensinam a sermos amigos melhores. A família é o berço do amor, da compreensão, do afeto, é o lugar onde as pessoas devem encontrar apoio, lições e aprendizados, porém, acima de tudo, com a preocupação de construir relações saudáveis e de convivência harmônica no espaço familiar, onde todos se sintam bem com todos. Os nossos melhores amigos devem estar dentro de nossa casa. Nossos amigos mais achegados deveriam ser os membros da nossa própria família. Judith LibanioGraduada em Ciências Contábeis pela UEPG, graduada em Teologia pela PUC, enfermeira especializada em Saúde Pública, agente da Pastoral Familiar Paroquial e na Arquidiocese de Londrina, ministra extraordinária da sagrada comunhão eucarística.
A família é indispensável no processo de formação integral do ser humano

Que a família é o pilar da sociedade nós já sabemos. Que ela é a base e a primeira escola na vida de qualquer ser humano, também. Mas por que a família é tão importante para a formação de crianças e adolescentes? A família é a cellula mater responsável pela educação das crianças. Assim, assume relevante função na formação integral do ser humano, pois é seu primeiro espaço de convivência. É a primeira escola que proporciona grandes aprendizados, sendo um referencial de extrema importância para as crianças, na qual são experimentadas as afetividades, juízos e esperança. No mundo em que vivemos, família e escola são os dois pilares na formação do ser humano. Desse modo, a família favorece a educação informal (não sistematizada), também conhecida como socialização primária, que forma a base do indivíduo, que se inicia no nascimento, no lar. A educação formal (secundária) é a ofertada pela escola, onde se aprendem outras culturas e conhecimentos. Ao compreendermos que a criança está apta a aprender a todo instante, nos distintos âmbitos que a vida lhe oportuniza, percebemos que a família desempenha função primordial de mostrar os caminhos da vida, dar suporte nos momentos de necessidade, orientando sobre vivência no mundo, que, a cada instante, muda, renova-se. As conexões familiares são razões significativas para o aprimoramento da criança. Porém a inclusão da criança no universo escolar, com a socialização com outras crianças, professores, demais pessoas que compõem a comunidade escolar e acesso aos conteúdos acadêmicos, focados no aprimoramento das variadas áreas de conhecimento, consiste numa causa para a formação global da criança. Desse modo, tanto a família quanto a escola desempenham papéis fundamentais nos aspectos cognitivos, afetivos e sociais dos indivíduos. Assim, são necessários e fundamentais, na educação integral, a cooperação, a divisão de responsabilidades e o compartilhamento de experiências nas ações educativas e formativas dos educandos. Conforme é explicitado na introdução da BNCC (Base Nacional Comum Curricular): Este documento normativo aplica-se exclusivamente à educação escolar, tal como a define o § 1º do Artigo 1º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996), e está orientado pelos princípios éticos, políticos e estéticos que visam à formação humana integral e à construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva, como fundamentado nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica. No momento em que essa parceria é fortalecida, alcança-se o significado de que, juntas, escola e família, formarão indivíduos mais responsáveis, sensatos, espiritualizados e conscientes de sua missão no mundo. O Papa Francisco, de uma forma bem clara, valida esse pensamento: Uma das formas fundamentais para melhorar a qualidade da educação a nível escolar é alcançar uma maior participação das famílias e das comunidades locais nos projetos educativos. Elas fazem parte desta educação integral, oportuna e universal (discurso do Papa Francisco aos participantes do seminário com o tema “Education: The Global Compact”, promovido pela Pontifícia Academia das Ciências Sociais, em 7 de fevereiro de 2020). Durante o lançamento do “Pacto Educativo”, o Papa Francisco fez a seguinte assertiva: “Nunca, como agora, houve necessidade de unir esforços numa ampla aliança educativa”. Diante dessa afirmação do Pontífice, é imperioso que se restaure o “Pacto Educativo” entre a família e a escola. Ao implementar essa ação, tendo a efetiva participação da família na rotina escolar, respeitadas todas as possibilidades de ensino ofertadas pela escola, fica claro o importante papel desempenhado pela família na formação integral do indivíduo. Compreende-se como essencial, portanto, o papel da família e da escola na estruturação educacional do ser humano. Para que isso ocorra de fato, é necessário que as duas instituições se complementem, priorizando sempre o aluno. Ambas têm seu dever no processo educativo, cada uma com suas atribuições, observado suas particularidades, contudo carecem uma da outra. Desse modo, a família desempenha um papel intransferível de formação, pois no seio da família é que crianças e adolescentes realizam suas primeiras conexões e continuam a fortalecê-las, o que definirá seu desenvolvimento no futuro. Adriane Gonçalves GuedesPedagoga, psicopedagoga e coordenadora pedagógica do ensino fundamental, anos finais, no Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG.
Dia do Abraço: “O que tiramos de grandes tragédias?”

Em 22 de maio, comemora-se o Dia do Abraço. Esse gesto, às vezes, tão mecânico ou formal, pode ganhar profundos significados conforme o sentimento envolvido. Giovanna Capato Corte Real perdeu, num intervalo de poucos dias, pessoas muito próximas, devido à covid-19. Ela dá um forte testemunho e um conselho que precisa ser ouvido com atenção. Veja a seguir: “Eu me chamo Giovanna, tenho 40 anos e venho falar sobre um assunto ainda muito delicado para mim. Nossa pauta de hoje é o ‘Dia do Abraço’, ou melhor, no meu caso, a falta de alguns desses abraços. Em 2020, no pico da pandemia, o pior ano da minha vida, perdi alguns desses abraços. A covid levou do meu convívio pessoas muito próximas, todos em um intervalo de 12 dias. Foram eles: meu pai, meu avô, minha avó, minha tia e uma prima que se encontrava grávida; perdemos o bebê também. O meu mundo acabou! Eu ainda me encontro em reconstrução, pois foi um baque muito grande e de difícil aceitação. A saudade é muito grande, já que eu tinha convívio diário com essas pessoas. No entanto, o abraço fora reprimido bem antes da partida deles, por conta do isolamento que já acontecia naquele momento. Um abraço que não será substituído! Não houve tempo de viver novos tempos! O que tiramos de grandes tragédias? Na grande maioria, renascemos, a fé fortifica, e o tempo faz com que, de alguma maneira, aceitemos os desígnios de Deus. Amadurecemos. Com isso, passamos a valorizar coisas que antes nos passavam despercebidas, reavaliamos a existência. E a ideia, já que estamos falando de abraço, não é substituir e sim suprir com outros tão importantes abraços. Portanto, hoje, no Dia do Abraço, aconselho: ABRACE!”
Fortalecer a família em tempos de confinamento

Situações como as geradas pelo covid-19 nos obrigam a rever como estamos estruturando nossa relação com nossos cônjuges e como estamos lidando com nós mesmos. Estamos sobrecarregando alguém? Estamos nos deixando sobrecarregados em troca de admiração dos outros ou de baixo conflito dentro de casa? O quanto isso nos entristece, irrita ou nos torna uma pessoa tóxica? Talvez essa palavra seja forte demais, mas, em confinamento ou isolamento, podemos ser fortes contribuintes da toxicidade doméstica. Assim, depois dessas provocações, convidamos você a rever suas escolhas diante das novas múltiplas e complexas demandas de home office, homeschooling, homecare. Todos juntos e misturados. Não sabemos ao certo quanto tempo isso vai durar, mas é importante preocuparmos menos com as incertezas para olharmos mais para este momento como uma oportunidade de aprender novas formas de se organizar e viver em conjunto (formas mais justas, conscientes e respeitosas com o tempo e o espaço próprio e do outro). Mesmo antes do covid-19, sabíamos como o coletivo é bem mais poderoso para enfrentar situações complexas. Saindo da reflexão e indo para a ação: chame todos os que dividem um mesmo espaço e construam juntos, com abertura para as múltiplas visões, o que este momento significa e demanda de cada um e tracem novas expectativas, fruto das necessidades de todos. Essas necessidades serão ao máximo respeitadas desde que não impactem o bem-estar do todo. Nada disso é novidade, certo? Estamos diante de princípios da ética, mas uma das coisas que a pandemia do covid-19 nos mostra e impõe é a força da ética como forma de nos proteger e de superar este momento difícil. Você tem alguma dúvida disso? Os princípios éticos geram confiança, que é a base de toda equipe. Se tratarmos esse grupo de pessoas que moram juntas como uma equipe, vamos pelo lado do diálogo e aprendemos a cuidar um dos outros de forma que possamos sair da quarentena melhor do que entramos. Mas como dialogar? Primeiro escute, depois pergunte e peça esclarecimento se não entendeu ou se teve dúvidas, e depois traga suas posições e pensamentos conectando com possíveis pontos comuns do pensamento de seu interlocutor. Atitudes afetuosas para tentar entender e compreender mais do que de acertar ou ganhar (e ganhar o quê?) ajudam muito no processo de uma conversação ou diálogo. Se travar a conversa, persista com emoções positivas, dê passos para trás e se preocupe em entender a lógica e as necessidades escondidas e pouco claras da pessoa com a qual você se relaciona. Na sequência, construam objetivos e propósitos claros sobre como devemos estar como grupo ao fim de tudo isso. Busquem propósitos que desafiem hábitos antigos e poucos funcionais. Com base nesse propósito, criem e elaborem desafios intermediários e regras de como funcionar. Nessas regras, é importante que se respeite o espaço de som e de silêncio de que todo grupo/equipe precisa. Cuide do tom e da altura da voz, do som, da televisão ou do computador. Sinalize e comunique quando é o seu momento de estar com você e de poder ter seu canto: na varanda, no quintal ou no sofá de sala. Busquem construir em conjunto espaços de respeito. Disciplina para cumprir os combinados será a chave da confiança, que é a cola das equipes, permitindo que o todo vá adiante e evolua. Como tudo será muito novo, ajustes serão necessários e corriqueiros. Os feedbacks entre as pessoas em busca de se alcançar o propósito coletivo combinado e compartilhado pode ser um momento difícil, mas vital para se chegar aonde se quer. É inegável dizer que a pandemia gera aflições, incertezas e medo dentro de nós. Ficar isolados da sociedade e com uma rotina diária tão diferente da anterior pode ser desgastante se não fizermos novas escolhas. É importante usar este momento como uma oportunidade de fazer diferente de seu “normal”. É tempo de exercitar novas práticas, decisões e tomar atitudes para mudar o que desgasta ou limita você ou sua família. Ganhamos o tempo e o espaço (físico ou mental) de que precisávamos para transformar essa ameaça e essa freada obrigatória em uma oportunidade de se resgatar a si mesmo, os seus desejos e anseios não concretizados, agindo em prol de uma reconstrução de escolhas próprias e de quem está próximo de nós. Sairemos mais fortes e mais preparados para enfrentar coletivamente novas mudanças impostas ou graduais. Aline Souki Amaral de PaulaMestra em Organizações e Recursos Humanos, pós-graduada em Gestão Estratégica de Recursos Humanos e graduada em Psicologia, professora, coach profissional, master practitioner em PNL e consultora de gestão de pessoas com foco em desenvolvimento e gestão da mudança. ____ Gabriela Federman HofferGraduanda em Administração Pública na Escola de Governo Paulo Neves de Carvalho (Fundação João Pinheiro), com previsão de formatura para 2021, estagiária de Aline Souki em trabalhos de desenvolvimento de lideranças e de gestão estratégica de pessoas.
Família que celebra a fé conserva a união

Ter uma família grande e unida é graça, mas também fruto da busca constante e de cuidados mútuos. Não acontece por acaso, mas precisa ser cultivada, especialmente nos tempos atuais, nos quais, muitas vezes, o individualismo fala mais alto. Mas, para os membros da família da irmã Celiniana, Natália Pykosz, um dos fatores que os mantêm unidos é a fé e o gosto de celebrar juntos. De fato, é uma família muito religiosa e também missionária. Além da Ir. Celiniana, que é missionária serva do Espírito Santo e celebrou, em dezembro do ano passado, 70 anos de consagração religiosa, ela tem também um sobrinho, o irmão Moacyr Rudnick, que é missionário verbita em Moçambique. Em dezembro, a família da Ir. Celiniana se organizou, alugou um ônibus e foi em peso celebrar o jubileu da tia, no Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP. Vestiram a camiseta preparada especialmente para a ocasião e puseram mãos à obra! Ajudaram em tudo o que puderam. Dos mais pequenos e jovens aos mais idosos, foi uma alegria só! E mais recentemente, no domingo, 16 de fevereiro, a família se reuniu novamente para uma missa solene em ação de graças pela vida da Ir. Celiniana e de todos os membros da família na capela Nossa Senhora do Rosário, no Município de Agudos do Sul-PR. A missa foi presidida pelo Pe. Ademar Lino, SVD. A seguir, apresentamos o comentário da missa feito por sua sobrinha, Roseli Maria Chapieski: “Hoje, aqui estamos para agradecer o dom da vida de cada um de nós, mas sobretudo da tia Natália, irmã Celiniana. Aqui neste local, Tarumã, ela nasceu, aprendeu suas primeiras palavras, descobriu o amor familiar e de Deus com sua mãe, seu pai, irmãos mais velhos, tios e todos os que a rodeavam. Embora revestida de todo esse carinho, sentiu em seu coração um chamado e o seguiu, escutando aquela voz de seu coração a seguir o único TUDO de sua vida. Seguiu o Espírito Santo, seguiu a vontade de Deus! Mesmo que distante fisicamente, mas nunca longe de nossos corações, nossas orações, toda vez que voltava para nos encontrar, sempre foi uma grande festa! O encontro familiar, uns chegando com suas carroças (meio de transporte…), e todos, como podiam, vinham para o encontro da família, porque a presença de Jesus em meio à família é real. Somos gratíssimos a Deus por seu amor fiel e sua fidelidade que também nos manteve na mesma estrada, procurando gerar sempre a presença dele entre nós; esse amor incondicional que aprendemos de nossos avós (Babusz e Babucha) na fidelidade das orações diárias, que é o nosso sustento até hoje.” De acordo com sua outra sobrinha, Seliana Pontes, após a missa, todos foram em procissão até o cemitério onde os pais da Ir. Celiniana, Aleixo e Rosália Pykosz, estão sepultados. Seus irmãos ainda vivos (Afonso, Bárbara, Rosália, Vitória e Genoveva) e todos os presentes levaram a vela que irmã Celiniana recebeu no dia em que fez seus votos de vida religiosa. Esse era um desejo da Ir. Celiniana, em agradecimento. “Foi um momento de muitas graças para todos os presentes”, conta Roseli. E, para completar a celebração, foi feita a venda de almoço no salão da Igreja. A verba foi confiada ao irmão Moacir que a destinou para as missões na África.
Comunidade de Nhunguara celebra jubileu de irmã Nadir

Irmã Nadir Vieira Pereira é de Nhunguara, uma comunidade remanescente de quilombo, no Município de Eldorado-SP, perto da Caverna do Diabo. Uma região muito bonita do Vale do Ribeira, onde a natureza ainda está bastante preservada. Lá mora sua família há muitas gerações. Neste ano, Ir. Nadir completa 25 anos de consagração religiosa como missionária serva do Espírito Santo, dos quais nove esteve em missão em Moçambique, África, e por vários meses colaborando na formação das jovens no Paraguai. Agora a religiosa está de volta ao Brasil, dedicando-se ao Centro de Integração do Migrante (CIM), no bairro do Brás, em São Paulo-SP. Com a perda da mãe, três anos atrás, Ir. Nadir ficou em dúvida se celebraria o jubileu em sua comunidade de origem. Mas suas seis irmãs e o irmão caçula, quando souberam, não tiveram dúvida: queriam fazer a festa dos 25 anos com a família reunida e toda a comunidade. Então começaram os preparativos. Tríduo missionário Uns dias antes do dia do jubileu de prata, uma equipe de seis irmãs missionárias servas do Espírito Santo e dez missionários verbitas foram a Nhunguara e, juntamente com Ir. Nadir e sua família, visitaram as famílias e doentes, cobrindo todas as comunidades da região. A equipe missionária chegou na terça-feira, dia 23. Irmã Ashrita Soreng, missionária da Índia há sete anos no Brasil, ficou muito tocada com os dias de missão: “Lembrei-me muito da terra onde nasci, a natureza, o rio correndo próximo à casa… A família nos acolheu com muita união, abertura e felicidade, como se fosse nossa família!”. Também para as irmãs Joyti Canare, Juliana Andrade, Yustina Giri, Teresita Luján e Marli Moreira, a missão foi um tempo de convivência como Família Arnaldina. Elas contam que visitaram as famílias e partilharam sobre a missão de Ir. Nadir em Moçambique. Também as celebrações do tríduo foram muito significativas. Irmã Yustina diz que aprendeu muito com a família e a comunidade, “Especialmente a fé, a simplicidade e a cultura que sabe acolher as pessoas”, completa. Entre os seminaristas do Verbo Divino, o estudante de Teologia Ilidio Ipalana, de Angola, conta: “Foi um prazer conhecer esta região, em especial, a família da Ir. Nadir e este povo, que é muito alegre e acolhedor”. Ele relata que participaram das celebrações, visitaram e rezaram com os doentes e as famílias, inclusive as mais afastadas. A celebração jubilar no sábado, 27 de julho, foi presidida pelo bispo diocesano de Registro, Dom Manoel Santos, e mais três padres. A coordenadora provincial, Ir. Maria Percila Vieira, apresentou as irmãs e falou sobre o carisma da Congregação. Na homilia, o bispo falou sobre a beleza da vocação à vida consagrada e sua importância para a Igreja. Uma família muito unida A família de Ir. Nadir se empenhou para que tudo corresse bem e preparou almoço para todos os convidados. Uma de suas irmãs, Nair Aparecida Vieira Torres, 49 anos e mãe de cinco filhos, conta que a família é muito unida e vive o que os pais ensinaram. “Além de irmãs, somos amigas e companheiras, sempre juntas, rindo, conversando, uma dando força à outra”, explica. Para Nazaré Vieira Pereira, a caçula das irmãs, de 39 anos, “A semana de missão foi maravilhosa. Saímos e depois voltamos contando aonde foi, como foi… Conversava, cantava, dançava… A comunidade ganhou vida nova, renovação!”. Os irmãos contam que eram oito filhos, mas Antônio, o mais velho, faleceu. Hoje são sete: Natália, Nadir, Nair, Neuza, Neide, Nazaré e João Júnior. O jubileu foi o primeiro evento que eles realizaram depois da morte do irmão e da mãe, o que se tornou ainda mais significativo para eles. A comunidade de Nhunguara, contam, sempre foi da família Vieira, incluindo seus tios e primos. Anos atrás, por causa de um projeto de construção de barragem que inundaria suas terras, tiveram de se unir para defender o direito de permanecer na região e conseguiram. A luta os fortaleceu e, hoje, são cerca de 200 famílias espalhadas na área, sendo que a comunidade católica à qual pertence a família da Ir. Nadir é formada por 12 famílias. Uma vocação especial “Ter uma irmã religiosa missionária significa muito para a família”, explica Nair, lembrando a escolha vocacional de Ir. Nadir e como ela ajudou a formar a comunidade de Nhunguara, “fazendo a homilia e ajudando a cantar”. Ir para a missão “foi a escolha dela e todos nós apoiamos, desde o pai, a mãe e nós irmãos”, narra a irmã de Nadir. “Com o empenho dela, conseguimos educar nossos filhos, pois a gente sempre diz que temos uma ‘irmã’ na família e precisamos seguir o exemplo dela”. E completa: “Para nós, é muito gratificante!”. ___ Principais momentos da celebração Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacionale coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)
Avós: presente na vida dos netos

Celebrar o Dia dos Avós é também refletir e reconhecer o papel que exercem na vida das famílias e da sociedade como um todo. Já se foi o tempo em que os avós eram retratados como velhinhos sentados numa cadeira de balanço. Hoje são muito mais ativos e independentes que no passado e, para muitas famílias, representam a única fonte regular de entrada de renda, devido ao desemprego e ao trabalho informal. Isso se dá devido ao aumento da expectativa de vida que, de 1980 até 2018, subiu de 65,7 para 79,4 anos para as mulheres e de 59,6 para 72,5 anos para os homens. Também a qualidade de vida dos idosos melhorou graças a exercícios físicos e ao avanço da medicina. Se, de um lado, as pessoas vivem mais, por outro, os jovens estão demorando mais para sair da casa dos pais. Isso aumenta o número de idosos que sustentam os filhos e ajudam os netos, não apenas dando presentes, mas se tornando cada vez mais presentes em suas vidas e, em muitos casos, até suprindo a ausência dos pais e garantindo-lhes o sustento. Para confirmar essa realidade, trazemos a história de duas avós que assumiram os netos por diferentes motivos, mas lhes deram a presença de mãe, cuidando, acompanhando e suprindo todas as suas necessidades. _ “Eles me chamam de vó, mas a imagem que eles têm é de mãe.” Neyde Mosca Grecco, 87 anos, mora no bairro do Brooklin, em São Paulo-SP, e é bisavó e mãe ao mesmo tempo. Teve uma única filha, que faleceu com 42 anos, deixando três filhos na idade de 15, 13 e 9 anos. Então assumiu os netos e cuidou deles em todos os sentidos. “Eles me chamam de vó, mas a imagem que eles têm é de mãe”, conta com satisfação. Os netos cresceram e também tiveram filhos e, sempre que necessitam, apelam à avó para ajudar a cuidar das crianças, o que ela faz com muita alegria. Com uma saúde invejável para sua idade, Neyde dirige, leva as crianças à escola, ensina a lição de casa, dá almoço e tudo o que for necessário. São cinco bisnetos, mas, para uma das crianças, Neyde precisou ser pai e mãe. Quando uma das netas se tornou dependente química e engravidou sem as mínimas condições de cuidar da filha, ela não teve dúvida e assumiu a menina até os 8 anos de idade, quando esta foi morar com a tia. “Cuidar dos netos e bisnetos não é um sacrifício, mas uma missão”, declara Neyde. Ela conta que cuidou de sua mãe, do pai e da sogra. Também tomou conta do marido, que ficou dependente três anos antes de falecer. Atualmente, “continuando a missão que Deus mandou para mim”, segundo suas palavras, está dando atenção à empregada doente, que trabalhou com ela durante 44 anos e a ajudou no cuidado de toda a família. __ “Eles não me largam e eu também não largo.” Outro exemplo de avó-mãe é Maria Virgem das Dores de Melo Farias, de 68 anos e que mora no bairro da Cohab Adventista, na periferia de São Paulo-SP. Maria tem três filhos e sete netos, dos quais cuida de quatro desde quando nasceram. “Não queria assim, mas o amor é mais do que tudo”, conta. A primeira neta que assumiu está agora com 11 anos. A menina a chama de mãe e o avô, de pai. Maria conta que seu filho e a mulher já tinham uma criança e estavam em condições muito difíceis, sem a mínima estrutura para cuidar da recém-nascida. Eles somente não ficaram na rua porque o pai pagava o aluguel deles. Depois os dois se separaram, e a menina continuou com os avós. Os outros três netos, de 10, 9 e 4 anos são de sua filha que é mãe solteira e vive com ela, mas não assume as crianças. Maria relata que sofreu muito com a filha sem juízo, que ia às baladas, engravidava e não sabia quem era o pai. A idosa e o marido tiveram de cuidar de tudo, desde levar à escola, dar roupa, comida e tudo mais. “Eu me sinto avó-mãe… É muita responsabilidade, porque aqui é tudo comigo e meu marido”, desabafa. Maria adora as crianças e está feliz com os netos. “Eles não me largam, e eu também não largo”, diz abraçando as crianças. Sobre o que acha da avó, a neta mais velha responde: “Ótima avó, ótima mãe; cuida e dá tudo de bom”, depois acrescentou: “O coração vai ter que aguentar!”. Com apenas 11 anos, ela entende a situação e sabe que ela e seus primos-irmãos necessitam da avó como mãe que eles realmente têm e, apesar da idade, a avó vai precisar aguentar firme. __ Direitos, carinho e respeito Embora o ideal seja que os pais cuidem de seus filhos e os avós possam gozar de uma vida mais tranquila e sem tantas responsabilidades, as situações da vida muitas vezes levam a uma inversão de papéis. Ainda mais em situações de crise como a atual, a colaboração das pessoas idosas na manutenção do orçamento familiar, especialmente entre as famílias de baixa renda, com frequência é o que salva a família da desestruturação. Seja em qualquer situação, os e as avós merecem todo o carinho e respeito pelo que são, por tudo o que se doaram e continuam se doando, por sua presença que ajuda a unir a família e a enfrentar os desafios, partilhando sua sabedoria e experiência de vida. Merecem nossa gratidão, mas também precisam de nossa atenção e cuidado. No Brasil, o número de idosos vem aumentando, o que demanda políticas públicas que levem em consideração suas necessidades e garantam seus direitos. Com a reforma da Previdência, por mais que seja considerada necessária, haverá uma redução do valor real das aposentadorias, o que influirá negativamente na qualidade de vida dos idosos e no empobrecimento das famílias, especialmente nas pequenas cidades, onde são os idosos que movimentam a economia local. Irmã Ana Elídia
Diaconato permanente: família, missão e trabalho

Em 6 de março deste ano, Quarta-Feira de Cinzas, a Santa Sé divulgou o Anuário Estatístico Eclesial com dados de 2017. Como vinha ocorrendo nos últimos anos, um dos resultados que mais chamaram a atenção dos analistas foi o sempre crescente número de diáconos permanentes no mundo, chegando a quase 50 mil. Por vários motivos, a Arquidiocese de Belo Horizonte, onde sirvo, iniciou tardiamente a formação de seu corpo diaconal. Mesmo que esse ministério tenha sido reestabelecido no Ocidente após o Concílio Vaticano II (1962-1965), apenas em 2011, foram ordenados os sete ministros pioneiros, a exemplo da passagem bíblica da instituição dos primeiros diáconos cristãos (At 6,1-7). Por enquanto, há 75 por aqui, mas esse número deve crescer muito em breve. Apesar de começar depois, a Arquidiocese de Belo Horizonte, por meio de seu arcebispo, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, hoje também presidente da CNBB, tratou logo de buscar a vanguarda. Por exemplo: as mulheres têm ampla participação no ministério por aqui, algo preciosíssimo. As esposas são vivamente convidadas a acompanhar os maridos em todas as etapas de formação, inclusive a teológica. Neste ano, elas próprias passaram a organizar os encontros vocacionais, que ocorrem uma vez por mês. Tudo isso sem contar a presença feminina na equipe de psicólogas e professoras. Em tempo, não nos esqueçamos da figura da Virgem Maria, a diaconisa-mor, mulher de fé e serviço, modelo para todos nós. Família, missão e trabalho O equilíbrio entre as vidas familiar, ministerial e profissional é sempre um desafio. Os candidatos casados somente recebem o sacramento da ordem depois da aprovação das esposas. Isso é muito significativo, pois abrem mão de um tempo integral de convivência com os maridos, à qual elas têm direito, para que os diáconos possam se dedicar ao povo. É um desafio e tanto para ambos e para os filhos. Com base nisso, em minha não muito longa experiência como diácono (fui ordenado em 25 de novembro de 2017) e abusando de uma analogia um pouco frágil, digo que o debate sobre se homens casados poderiam ou não ser padres deveria passar antes pela opinião das mulheres. Até agora, praticamente não ouvi ninguém perguntar a elas se gostariam de conviver com homens vivendo um ministério ininterrupto, com as urgências e emergências que a missão exige. Creio que elas poderiam enriquecer bem mais esse discernimento da Igreja. Quanto à vida ministerial, ao ver mais de perto muitos desafios da evangelização, posso dizer que realmente a messe é bem maior do que eu imaginava e os operários são muito menos do que eu pensava. Muitas vezes, eu me vejo como um grão de areia diante da necessidade de anunciar Jesus aos irmãos e irmãs, sobretudo os das fronteiras existenciais. Graças à Providência, contudo, fui um formando verbita, candidato a ser missionário irmão. Aprendi com ótimos religiosos ser sempre o Espírito Santo a ir à frente, abrindo os caminhos; somos apenas servos. Isso é consolador e também chocante. Mesmo tentando fazer o possível para evangelizar, não posso esquecer-me de que continuo com o dever de ter uma fonte de renda, uma das exigências do ministério. No diaconato, tudo é feito voluntariamente. Por isso não é raro, depois de um dia inteiro de missão, eu ter de avançar noite adentro para dar conta do serviço acumulado. Vejo tudo isso, contudo, como uma graça e não como um peso em si. No geral, com a ajuda de Deus, tenho conseguido sair-me até bem. Caridade, Palavra e liturgia Os diáconos, sejam eles permanentes ou transitórios (os que serão padres), são homens ordenados para atribuições bem específicas na Igreja, as quais não podem ser confundidas com as dos presbíteros. Ocupam-se da caridade, da Palavra e da liturgia. A caridade cristã, exercida também pelos diáconos, sinais de Cristo Servo, vai desde oferecer uma sopa, um medicamento ou um agasalho a alguém fragilizado até a perguntar por que há tantos irmãos e irmãs precisando de ajuda e não são atendidos pelo Estado, responsável último por proteger, de modo especial, os mais fracos. Lutar pela justiça é outro modo de exercer a caridade. Ainda nesse campo, acrescento que o “socorro” aos padres foi uma forma de serviço que mais me chamou a atenção. Até agora, deparei-me com muitos presbíteros sobrecarregados, sufocados pelo peso da missão. Se eu já os admirava, ainda mais agora. Por bem mais de uma vez, ao servir nas comunidades, possibilitei que alguns sacerdotes pudessem ter o mínimo de descanso ou até fazer coisas simples, como ir ao médico ou visitar um ente querido. O diácono é o ministro da Palavra por excelência. Todos os dias, temos o doce dever de recitar a Liturgia das Horas. Eu ainda tenho contato com as leituras de cada dia, além de exercer outras práticas espirituais. A Sagrada Escritura é o venerável pão do qual nos alimentamos e ajudamos a distribuir ao povo. É uma responsabilidade, mas também um privilégio. Amar e dedicar-se à Palavra de Deus, para mim, é a fonte do entusiasmo de um diácono. Sem ela, caímos pelo caminho. A liturgia é o campo de atuação mais visível. O diácono, porém, trabalha mais “no varejo”, muitas vezes passando até despercebido. Como é o homem da bênção, ao visitar e celebrar com os enfermos, os encarcerados, os idosos, com as famílias em festa ou enlutadas, com trabalhadores, ele ajuda a consolar e, com isso, é também consolado. Em variadas liturgias, têm atribuições específicas e bem marcadas. Sagrado “caos” Nosso povo ainda tem muitas dúvidas quanto a este primeiro grau do sacramento da ordem. Muitos, até alguns mais experientes na missão, não conhecem bem o ministério diaconal. Até hoje, noto o estranhamento de alguns quando estou com minha esposa, por exemplo. Houve até quem já fosse correndo denunciar a um padre que um irmão diácono estava de mãos dadas com “uma mulher” no shopping. Com paciência e amor, puderam esclarecer ao zeloso e envergonhado irmão. Desta vez, o evento terminou em boas risadas, felizmente. Tudo é o sagrado “caos” do qual se cria a vida
Família: a instituição por excelência

Quem nunca pediu algum tipo de ajuda a um parente? Todo brasileiro sabe que, nas horas mais difíceis, a família sempre dá aquele famoso jeitinho. Não nos referimos aqui apenas às famílias nucleares, obviamente, mas também às que não seguem o modelo tradicional. De acordo com as pesquisadoras Clarice Peixoto e Gleice M. Luz (professora e doutoranda da UERJ, respectivamente), a família desempenha um papel muito importante no Brasil, uma vez que as políticas sociais de apoio não são universais e as existentes são bastante precárias. Situações como o desemprego, salários baixos, divórcio, viuvez, aposentadoria reduzida e renda baixa são comuns em nosso país e são fatores que afetam todo o grupo familiar. Por essa razão, tem aumentado a prática de coabitação, na qual, normalmente, pais passam a morar com filhos ou filhos retornam à casa paterna. A coabitação é um sinal claro da solidariedade familiar, tão típica no caso brasileiro. Nas famílias em que diferentes gerações passam a dividir o mesmo teto, são feitos rearranjos para possibilitar a convivência: há partilha do espaço físico, compartilhamento da renda, cuidado das crianças, ajuda mútua nos trabalhos domésticos, transporte comum, entre tantos outros ajustes. No entanto a coabitação também afeta os papéis familiares, cria tensões e gera certa sobrecarga para alguns membros da família. Como menciona Peixoto e Luz, é comum que as mulheres, especialmente as idosas, encarreguem-se de cuidar dos membros dependentes: crianças, velhos e doentes. Outra realidade que vem se tornando mais recorrente é a de aposentados continuarem trabalhando para ajudar os filhos que passam por dificuldades financeiras. Apesar disso, devido à ausência do Estado, como apontamos no início deste pequeno artigo, a família tem sido a grande instituição que possibilita a vida cotidiana de milhares de brasileiros. E, sem essa atitude de reciprocidade e solidariedade entre os parentes, a subsistência seria, em muitos casos, impossível. Isso revela uma riqueza própria do nosso povo, mas também mostra a omissão do Estado, que deveria garantir o bem-estar da sociedade. Irmã Stela Martins, SSpS – Graduanda em Ciências Sociais (PUC Rio) e Diretora Presidente da Redes – Rede de Solidariedade