A desinformação (fake news) no contexto das novas tecnologias de informação

Antes uma data jocosa, o chamado “dia da mentira” (1º de abril) tem despertado a atenção de estudiosos, cada vez mais preocupados com os efeitos da desinformação. Na reportagem de Rosa M. Martins, cientistas explicam o que, afinal, são as “fake news” e o estrago que elas podem causar nos mais diversos campos da sociedade. Veja!

Perdão em tempos de fragmentação

O que fazer diante do contexto de fragmentação em que vivemos? Sentir-nos afetados por essa situação pode ser um chamado a estar atentos. Isaías nos convida a alargar a tenda de nossa vida, afundando as estacas, para que possam segurar bem a tenda (Is 54,2) Há uma epidemia que silenciosamente se espalha e nos coloca uns contra os outros, criando inimigos e culpados para as crises que vivemos hoje, como humanidade. Essas crises podem chegar a nós como uma ameaça e despertar forças ocultas de violência, movidas pelo medo e instinto de defesa. Por outro lado, temos hoje movimentos que vivem e anunciam o perdão e que também se percebem como uma irradiação que leva cura e transformação ao mundo. O perdão é um deles. Antes de tratar do perdão, olhamos para a vitimização como raiva, ressentimento sedimentado principalmente em nosso inconsciente. No estado de vitimização, a pessoa fica desconectada dos sentimentos da dor e das perdas que sofreu; fica no medo, na baixa autoestima e na repetição de comportamentos compulsivos. Esse ressentimento pode ser projetado para fora de si como vingança em pensamentos, palavras, ações e omissões, achando que isso resolve. Mas a dor reprimida continua pulsando para dentro e para fora de si. A dor não curada atua como um véu através do qual avaliamos, de maneira distorcida, a realidade que nos rodeia e, assim, ficamos projetando condicionamentos de nossa mente, acreditando ter razão e agindo em consequência. É sobre essa energia violenta, alojada em nosso consciente e principalmente em nosso inconsciente, ativada pela manipulação das fake news, dos medos e insegurança de nosso tempo, que pode vir uma das causas das divisões e polarizações que vivemos atualmente. O ressentimento dificulta também aceitar os diferentes modos de ser e viver; dificulta lidar com a pluralidade o que explica a intolerância presente em nossos dias. Estamos ante um chamado a tomar consciência e discernir nossas escolhas. Perdão é uma escolha que pode resgatar nossa profunda dignidade e conduzir-nos ao que realmente somos em nossa essência. Perdão, para Robin Casarjian,1 é uma decisão, um processo e um modo de vida. A palavra “per-dão” significa doar, doar a dor que pede passagem para ser liberada; desapego do que nos prende ao ressentimento. Nas Escolas de Perdão e Reconciliação,2 é oferecida a possibilidade de fazer um exercício sobre esse processo que permite olhar-se como vítima, num espaço seguro onde a dor é reconhecida, acolhida e compreendida. Temos dificuldade de entrar em relação com a dor causada pelas ofensas e expressá-la pela necessidade de aparecer bem, não parecer fraco; por medo, vergonha, pelo viver no automático e na inconsciência. O processo do perdão passa pela expressão da dor e pede a habilidade de olhar para dentro de nós, conhecer-nos, perdoar-nos e amar-nos; um processo que nos leva à autocompaixão conosco e, ao mesmo tempo, com as outras pessoas; um caminho que nos conduz a descobrir quem somos. Essa é uma possibilidade de alargar nossa tenda e fincar mais profundamente as estacas na imagem que nos apresenta o profeta Isaías. É um chamado fundamental diante da ameaça de nos considerarmos bons e projetar no outro, no diferente, o que escondemos de nós mesmos e atribuir aos outros a causa dos males do mundo, e, assim, justificar a violência até em nome de Deus, como estamos vendo em nosso tempo. Perdoar nos permite avançar como humanidade, viver com mais saúde, liberdade e felicidade; permite ser criadores da história no momento presente, único em que podemos escolher a vida e o amor. Recentemente celebramos a Páscoa, passagem da morte para a vida, festa do perdão; grande convite a olhar-nos como Deus nos olha. Notas1 Casarjian, Robin. O livro do perdão. Rio de Janeiro: Rocco, 1994.2 Escolas de Perdão e Reconciliação (Espere). Há vinte anos, nasceram na Colômbia e logo se espalharam por vários países da América Latina, chegando também ao Brasil. Irmã Martina Maria González Garcia, SSpS

No tempo das mentiras, o Espírito Santo nos ensina a verdade

Em um mundo globalizado, marcado pelas inovações tecnológicas, pela propagação de fake news e pela busca incessante, nas redes sociais, de notoriedade e fama a qualquer preço, a Festa de Pentecostes se torna uma oportunidade para a humanidade refletir profundamente não apenas sobre os frutos ou sete dons do Espírito Santo, mas, sobretudo, sobre o amor infinito de Deus diante dos movimentos e cenas que, ultimamente, têm disseminado discursos de ódio, xenofobia, intolerância religiosa em nome da liberdade de expressão, violência e desrespeito aos direitos humanos. Tais acontecimentos, em vários cantos do mundo, devem ser vistos como “sinais dos tempos” em que se faz necessária e imprescindível a presença permanente do Espírito Santo para recriar e renovar a “face da terra”, marcada e maculada pelo feminicídio e derramamento de sangue de inocentes, vítimas de guerras, conflitos armados e pela destruição do meio ambiente ecologicamente equilibrado. A Solenidade de Pentecostes é uma imperatividade do fogo ardente nos corações dos fiéis comprometidos, comprometidas para mudar o mundo e revelar o rosto amoroso do Pai Celeste que, com o Filho, são um: “Eu e meu Pai somos um” (Jo 10,30). O amor da Santíssima Trindade revelado pelo Espírito Santo faz com que os seres humanos (de modo especial, os cristãos) busquem a comunhão sincera e a fraternidade na obediência aos mandamentos. “O que glorifica meu Pai é que deis fruto em abundância; e assim sereis verdadeiramente meus discípulos. Assim como o Pai me amou, Eu, da mesma forma, vos amei. Permanecei no meu amor. Se obedecerdes aos meus mandamentos, permanecereis no meu amor, exatamente como Eu tenho obedecido às ordens do meu Pai e permaneço em seu amor” (Jo 15,8-10). Nesse sentido, vale salientar o pensamento de São José Freinademetz (1852-1908), primeiro missionário verbita na China que, ao lembrar-se dos desafios missionários e da pertinência de se abrir à cultura chinesa, disse que a linguagem do amor é a única língua que todos os povos compreendem. Afinal, quem é o autor de tal abertura às culturas dos outros? Obviamente é o Espírito Santo que nos abre ao conhecimento da divindade do Cristo, mas também congrega todos os povos, todas as raças, línguas e culturas em uma só família, em um só povo, o povo de Deus. Observa-se, nesse caso, a importância da presença do Espírito Santo na vida da Igreja como agente pastoral, como guia dos corações apaixonados por Jesus Cristo, o Mestre, o Bom Pastor, o Rosto amoroso do Pai, de quem procede também o Espírito, o Paráclito (que anima, consola nas dores, nos sofrimentos), o Advogado (que defende, perante as adversidades da vida, nos falsos julgamentos) e o Animador que dá vida e sentido às pastorais e demais atividades eclesiais e sociais. O Espírito da verdade e da vida Vale a pena contextualizar a mensagem do próprio Jesus Cristo quando, na qualidade do enviado do Pai e revelando-se melhor aos discípulos, destacou abertamente sua identidade dizendo “Eu e o Pai somos um”, e a Filipe: “Quem me vê, vê o Pai”. É o Espírito Santo que nos revela esse mistério do amor, da união e comunhão entre o Pai e o Filho. É interessante ressaltar a nobreza da missão do Espírito Santo na sociedade. Em um mundo de mentiras, o Espírito vem nos ensinar pedagogicamente a verdade, pois o Filho de Deus é a Verdade por excelência. Diante da cultura da morte, Ele nos revela o sentido da valoração e valorização da vida. E quando a sociedade oferece vários caminhos que levam à perdição e à morte, o Espírito nos aponta o Caminho que leva ao Pai Celeste e às boas pastagens verdejantes. Em sua homilia de 5 de maio de 2022, o Papa Francisco recordava que o Espírito é o “motor” de nossa vida espiritual, que nos faz ver tudo de maneira nova, segundo o olhar de Jesus. Sabemos, de fato, que o olhar de Jesus é do amor verdadeiro, é compassivo, misericordioso e cheio de ternura para com todos, principalmente para com as pessoas em situação de vulnerabilidade, de exploração e exclusão social. É um olhar transformador. Daí a importância do Espírito Santo que procede do Pai e do Filho como abertura ao amor pleno porque, sem ele, fruto do amor, a vida humana não tem e nunca terá sentido. Vê-se, portanto, a importância do Espírito Santo tanto na vida eclesial como na social, no dia a dia. Nobre lição “O Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, Esse é que vos ensinará tudo e há de recordar-vos tudo o que Eu vos disse” (Jo 14,26). Ensinar o quê? A quem? Como e quando? Revela-se, sobremaneira, que o Espírito transmite o conhecimento do amor que há no Pai e no Filho a toda a humanidade, cumprindo-se, então, a promessa de Jesus. Olhando para a própria etimologia do verbo “ensinar”, percebe-se que o Espírito, tanto na Igreja como na sociedade, age como educador, pois Ele faz com que as pessoas aprendam a amar o Pai e o Filho que o enviaram e revelar o mistério do amor que habita neles. Infelizmente, hoje em dia, há muitos “educadores”, sobretudo no mundo digital, onde muitos são chamados de “influenciadores, influenciadoras”, tornando-se vozes a serem ouvidas no deserto de uma sociedade carecedora de referências e caminhos para muitas pessoas sem bússola, apenas adormecidas por ideologias geradoras de violência, ignorância, intolerância, negatividade e ceticismo com a ciência. É mergulho, aparentemente, sem volta no mundo de incertezas e de relações líquidas. É, justamente, no meio desses desafios da nossa Era que o Espírito ensina e orienta a Igreja a não ter medo, pelo contrário, a seguir o caminho apontado por Jesus, o qual leva ao Pai. Considerando a complexidade da condição humana e sua multidimensionalidade, como diria Edgar Morin, pode-se, no caso da Igreja, com a diversidade de ministérios, dizer que a força do Espírito Santo abre a humanidade a novos horizontes de pensar, ensinar, educar e congregar todos os conhecimentos em um ponto de convergência que é o Cristo. Na Era

Todos querem a paz de volta

Depois de tantas polêmicas e confusões nas disputas eleitorais que se deram no País, gerando um nível de estresse nunca visto, todos estão ávidos por dias de paz. Houve ganhadores e perdedores. A maioria venceu e agora é esperar que os eleitos façam bom governo, cumpram o que prometeram. Queremos paz! Este nosso mundo conturbado não somente pelas eleições como também pela guerra que se trava entre Rússia e Ucrânia, e outras mais, gerou um clima de “quase desespero” entre as pessoas de bem. Quantas perguntas foram feitas em busca de respostas para situações tão conflitantes? O nível de saturação emocional chegou ao limite, e muitas pessoas não o suportaram e ficaram doentes. O ideal proclamado em revoluções por liberdade e paz ficou à mercê de muitas confusões e ideologias. Há no ar um pedido de socorro mudo que se reflete nos rostos angustiados. Quanta gente desnorteada, enganada por fake news e mídias tendenciosas que geram confusão mental e levam a situações extremas. Há uma busca por “salvadores da pátria”, pouco disponíveis nos grupos políticos, que estão sem credibilidade, ou nas múltiplas igrejas que propagam um deus segundo seus interesses, que, na verdade, desvirtuam o Deus revelado na Sagrada Escritura. Deus se tornou um fantoche que se presta para justificar posições antagônicas e anacrônicas. Nunca se falou tanto de Deus, infelizmente desfigurado, exigindo desse falso deus milagres que resolvam problemas muitas vezes mesquinhos e satisfaça interesses poucos altruístas. No meio de tantos conflitos, o coração humano geme por um pouco de paz. Queremos paz, chega de problemas, de disque-disque. Queremos respirar um tempo novo de paz e harmonia. A paz desejada não é aquela que se obtém por “tratados” entre guerreadores, mas aquela que acalma o espírito e lhe dá sossego. Queremos o shalom de Deus, aquela paz que traz os bens celestes que reacendem no peito o eco do verdadeiro amor. Queremos rezar com o salmista quando diz “Tu és o meu refúgio e a minha fortaleza, o meu Deus, em quem confio” (Salmo 91), ou ainda com o Salmo 121: “O senhor me guardará de todo o mal, Ele guardará a minha vida”. Na verdade, essa situação toda escondeu o amor de Deus por nós. Ele sempre esteve a nosso alcance, mas nossas perturbações nos desviaram dele e ficamos acéfalos, perdidos em nossas doideiras, distantes do verdadeiro discernimento. Queremos paz. Paz, paz de espírito, paz que revigore nossa mente e coração e nos faça voltar à harmonia e ao convívio social, sem brigas, sem ódios, sem rancores. Precisamos de paz e é nisso que vamos agora nos concentrar. Você que é pessoa de bem, una-se às demais pessoas de bem e, juntos, reconstruamos os vínculos desfeitos e reacendamos nossa esperança. Lutemos por um mundo melhor. Deixemos nossas preferências políticas e busquemos o bem maior que nos une a todos, formando a corrente do bem. Penitenciemo-nos dos males que provocamos e acreditemos no bem que somos capazes de realizar, convivendo pacificamente com os que pensam diferente, mas têm os mesmos desejos de paz e harmonia. Sejamos construtores da paz, divulgadores do shalom de Deus. Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.S

Comunicar como ato de liberdade

Em 3 de maio, lembramos o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa. A data foi instituída em 1993 pela Assembleia-Geral das Nações Unidas, tendo como referência a Declaração de Windhoek. Esse documento foi redigido ao fim de um seminário da UNESCO, realizado na Namíbia, em 1991, sobre a promoção da independência e do pluralismo da imprensa africana. O conteúdo dessa declaração ganhou importância para o mundo todo ao eleger a liberdade, a independência e o pluralismo da imprensa como princípios essenciais para a democracia e os direitos humanos. A data também serve como alerta contra a censura e a violência cometidas a jornalistas por sua atuação profissional. Para refletir sobre a aspectos relacionados a essa comemoração, entrevistamos o jornalista Amilton Belmonte, 53 anos. Natural de São Borja-RS, ele começou sua trajetória aos 16 anos, como locutor e apresentador de rádio. Formado pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), passou por veículos como Correio do Povo, Rádio Guaíba e Jornal NH. Atuou ainda como coordenador de comunicação da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP-RS) e foi diretor do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Prefeitura de Novo Hamburgo. Desde 2007, é correspondente para a Região Sul do Brasil da Agência de Notícias da Suíça (Swissinfo). Radicado em Santa Catarina, dirige a Belmonte Comunicação e colabora com sites e revistas do País, em temas como segurança, educação e política. Na entrevista ao Blog das Missionárias Servas do Espírito Santo do Brasil (SSpS), ele fala um pouco do atual contexto quanto à liberdade de expressão e da importância de saber lidar com os novos desafios da comunicação. Blog SSpS: Qual sua visão quanto ao momento atual da imprensa no Brasil e no mundo: há liberdade de comunicação? Amilton Belmonte: Acredito que a imprensa brasileira e mundial vive um momento singular, um momento para afirmação. Após esses dois anos de pandemia, ficou claro que comunicar com responsabilidade, transparência e ética é obrigação para os jornalistas, ainda mais em tempo de fake news e ataques à liberdade de informação e aos jornalistas, até por parte de alguns governos, que buscam descredibilizar e desacreditar a profissão. A afirmação das mídias sociais trouxe um avanço espetacular na democratização de informação, mas, ao mesmo tempo, deixou claro que o universo digital das redes é também um território livre, de desinformação, o que pede cuidado e filtros permanentes. Dessa forma, informar com credibilidade, com checagem de fonte e na premissa básica do ponto e contraponto é mais do que obrigação de qualquer profissional sério e com um mínimo de entendimento de sua dimensão social como jornalista e cidadão. Comunicar com seriedade é agora, muito mais do que antes, um ato de afirmação da cidadania, de respeito ao coletivo. Blog SSpS: Como avalia a transformação do processo de difusão da informação? Amilton Belmonte: Vivemos um permanente processo de transformação, em muito impulsionado pelas novas tecnologias, cada vez mais inferindo no nosso cotidiano. E esse é um movimento sem volta, que pede adaptação e atenção constante. Mudou a forma como nos relacionamos no pessoal e no profissional, mudou a maneira como a sociedade busca o outro, seja esse outro um serviço de saúde ou uma tele-entrega de comida. Essas diferentes plataformas de comunicação trouxeram facilidades, mas também podem ser entendidas como um desafio não apenas aos profissionais de imprensa ou de outros setores, que precisam, a todo momento, “ler” o que deseja o leitor, ouvinte, telespectador, internauta. Curtir e compartilhar nunca foi tão impactante na nossa vida, para o bem e para o mal. Mas se trata de um desafio diário a todos nós: não há mais zonas de conforto para quase ninguém. Ou você se adapta ou pode ficar fora da onda. E o impacto dessa tecnologia na timeline da vida talvez não consiga nunca ser mensurado, ou melhor, é mensurado quando um WhatsApp, Facebook ou Instagram falha, “bugando” a vida. Na prática, estamos ansiosos, menos orgânicos. Estamos sendo obrigados a lidar com a pressa e a pressão. Blog SSpS: Qual a posição que o jornalista deve ocupar frente à disseminação de fake news e as pressões por parte de forças políticas polarizadas e de interesses econômicos? Amilton Belmonte: Essa é a hora da verdade para o bom jornalista, o profissional comprometido e sabedor do seu papel social. É o momento de a imprensa ter a dimensão clara desse papel e agir com ética, transparência e coragem, afirmando e reafirmando seu juramento. Nunca foi tão importante como neste momento a informação com credibilidade, fonte fidedigna, checagem dos fatos. A informação desplugada de ideologias, desconectada de qualquer canga econômica ou pública. Este é o momento da unidade de classe, algo historicamente complexo dentro da nossa profissão. E essa unidade que me refiro também é uma unidade com um foco específico, que é a defesa da democracia e das instituições. Não há outra via que não a democrática. Blog SSpS: Você acredita que comunicar é um ato de liberdade? Amilton Belmonte: Sim, a liberdade de informar, de trazer luz a fatos, acontecimentos, pessoas, lugares é essencial a toda e qualquer sociedade. Não vivemos isolados, apenas dialogando com nosso umbigo ou em uma selfie infinita com nosso ego. Somos seres sociais, somos seres que vivemos em coletividade e é na coletividade que acontecem as coisas, é na coletividade que a vida ganha razão. Que comunicar e se comunicar seja essência de diálogo, respeito ao outro, transparência social. Só há comunicação integrativa e afirmativa com liberdade de expressão e só há expressão com liberdade de pensamentos e opiniões. Saiba mais sobre a Declaração de Windhoek: https://www.unesco.org/en/articles/30th-anniversary-windhoek-declaration https://www.europarl.europa.eu/document/activities/cont/201104/20110429ATT18422/20110429ATT18422EN.pdf

Fake news e seus perigos para a democracia

Este texto propõe uma reflexão crítica sobre as fake news e os prejuízos que elas provocam para as democracias contemporâneas. Nossa hipótese segue a premissa de que a mentira não é protegida pela liberdade de expressão e deve ser sempre combatida pelo Estado e repelida pela sociedade. Contextualizando o tema Brasil, século XXI, ano 21. Vivemos em um país ainda distante de cumprir as promessas da Modernidade: liberdade, igualdade e fraternidade. Parecem jingles de sonhadores, pessoas fora da realidade. Com a queda do Muro de Berlim e a dissolução da União Soviética, descortina-se o que se convencionou chamar Pós-Modernidade: um tempo no qual tudo é líquido e só tem valor por 24 horas. Como dizia Freud, o desejo é a falta, e sempre haverá o que cobiçar, isto é, nenhuma conquista basta por si, o ideal é sempre o que não tenho e o que me satisfaz. Nesse ambiente, as informações circulam em quantidade e velocidade jamais experimentadas, o que não significa qualidade, obviamente. A amplificação de opiniões proporcionada pelo mundo virtual trouxe consigo o problema das denominadas fake news e, com elas, as seguintes indagações: propagar mentiras é a mesma coisa que usar o direito de expressar livremente opiniões e ideias? Qual a diferença entre liberdade de expressão e fake news? Significado e alcance da liberdade de expressão Calorosos debates acerca da liberdade de expressão estão na agenda das democracias ao redor do mundo, sobretudo nos Estados Unidos e no Brasil. Há quem afirme que a liberdade de expressão não deve tão somente proteger a difusão de argumentos simpáticos e comuns a todos, mas também aqueles com os quais nós não concordamos. Nesse sentido, o remédio contra as más ideias deve ser a divulgação de boas ideias e a promoção do debate, não da censura. Do outro lado, há os que pensam de forma diversa e sustentam que as manifestações de intolerância não devem ser admitidas, porque violam princípios fundamentais de convivência social, como os da igualdade e da dignidade humana. O pensador norte-americano Ronald Dworkin1 formula duas justificações para a liberdade de expressão: uma instrumental e outra constitutiva. A primeira sustenta que a mais ampla liberdade de expressão permite a melhor escolha política, protegendo o povo contra a tirania e inibindo a corrupção. Já a constitutiva, por seu turno, apoia-se na ideia de que o Estado deve tratar seus cidadãos como agentes morais individuais e responsáveis, que devem poder ter acesso a qualquer tipo de informação ou de opinião, para, assim, tomar suas decisões. Nesse sentido, diz o autor que “o Estado insulta seus cidadãos e nega a eles a sua responsabilidade moral quando decreta que não se pode confiar neles para ouvir opiniões que possam persuadi-los a adotar convicções perigosas ou ofensivas”. Mentira não é liberdade de expressão, tá ok? O que são as chamadas fake news? Como e em que medida elas são prejudiciais à democracia? Qual é a relação entre fake news e liberdade de expressão? Como enfrentar o problema? Em síntese, o termo fake news será aqui proposto como uma notícia ou ideia parcial ou totalmente inverídica, intencionalmente circulada para enganar uma pessoa ou grupo, influenciando seu comportamento, com o propósito de obter alguma vantagem específica e indevida. Um exemplo atual e amplamente conhecido foi a campanha contra as urnas eletrônicas. Após espalhar que provaria as fraudes nas eleições de 2018, com a intenção de acumular capital político e aprovar uma emenda constitucional, o atual presidente brasileiro teve de assumir publicamente que era uma mentira, um blefe. No ponto, a informação falsa (urnas adulteradas) e a intenção de obter vantagem indevida (colocar em dúvida eventual derrota) foram nítidas. A proliferação incontrolável de fake news tem provocado impactos negativos nas relações sociais e políticas brasileiras. Informações falsas são jogadas no mundo virtual (principalmente nas redes sociais) para abalar instituições, agentes públicos e polarizar ideologias fortes, como as religiosas, por exemplo. Diferentemente do que ocorre no exercício da liberdade de expressão, as notícias falsas não agregam pessoas e ideias. Pelo contrário, separam concidadãos que dividem o mesmo projeto de país e mundo. Tal estratégia resulta ou pode resultar em seríssimas e irreversíveis implicações, basta lembrar o movimento antivacina e a propagação da informação mentirosa dos kits covid aptos a salvarem vidas. A livre circulação de mentiras não se equipara a livre circulação de ideias, já que inexiste nela o principal elemento: a boa-fé que se pressupõe no embate de opiniões fundamentadas. Verdade e democracia Se o leitor chegou até aqui e ainda tem alguma dúvida sobre o que é fake news (ou desinformação, se preferir), a percepção é natural. Trata-se de conceito em construção, como apontado no curso do texto. Por outro lado, não me parece restarem dúvidas do que elas não são, isto é, promover desinformação dolosamente para abalar instituições e biografias não é liberdade de expressão, um direito tão caro para as democracias contemporâneas. Referência[1] DWORKIN, Ronald. Freedom’s law: the moral reading of the American Constitution. Cambridge: Havard University Press, 1996. Bruno Stigert de SousaDiretor-geral da Escola Superior de Advocacia da 4° Subseção de Minas Gerais, professor adjunto da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), coordenador da Clínica de Direitos Fundamentais e Transparência – UFJF, presidente da Comissão de Estágios da Faculdade de Direito – UFJF, mestre em Direito Público pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e doutor em Ciências Sociais e Jurídicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Onésima MarquesProfessora de Química no Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG, educadora digital, líder do Grupo de Educadores Google de Juiz de Fora (GEG JF), licenciada em Química pela UFJF.

“A verdade nos tornará livres” – Papa Francisco fala sobre as Fake News

Você está navegando na internet e de repente lê que seu ator principal morreu, logo já bate um sentimento de tristeza “Poxa, gostava tanto do trabalho dele”. Aí você abre o whatsapp, conta pra alguns amigos, compartilha o post no seu facebook e faz um declaração de fã bem comovente. Passando algumas horas você vê que a notícia era falsa e você se sente o maior iludido do mundo. Já aconteceu isso com você? As “Fake News” são notícias falsas que aparentam ser verdadeiras e que tem feito milhares de vítimas e difamado pessoas e organizações. Com o aumento da frequência dessas Fake News,  Papa Francisco se pronunciou com uma mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais comemorado todo dia 5 de maio. Veja a seguir: “Queridos irmãos e irmãs! No projeto de Deus, a comunicação humana é uma modalidade essencial para viver a comunhão. Imagem e semelhança do Criador, o ser humano é capaz de expressar e compartilhar o verdadeiro, o bom e o belo. É capaz de narrar a sua própria experiência e o mundo, construindo assim a memória e a compreensão dos acontecimentos. Mas, se orgulhosamente seguir o seu egoísmo, o homem pode usar de modo distorcido a própria faculdade de comunicar, como o atestam, já nos primórdios, os episódios bíblicos dos irmãos Caim e Abel e da Torre de Babel (cf. Gn 4, 1-16; 11, 1-9). Sintoma típico de tal distorção é a alteração da verdade, tanto no plano individual como no coletivo. Se, pelo contrário, se mantiver fiel ao projeto de Deus, a comunicação torna-se lugar para exprimir a própria responsabilidade na busca da verdade e na construção do bem. Hoje, no contexto duma comunicação cada vez mais rápida e dentro dum sistema digital, assistimos ao fenômeno das «notícias falsas», as chamadas fake news: isto convida-nos a refletir, sugerindo-me dedicar esta Mensagem ao tema da verdade, como aliás já mais vezes o fizeram os meus predecessores a começar por Paulo VI (cf. Mensagem de 1972: «Os instrumentos de comunicação social ao serviço da Verdade»). Gostaria, assim, de contribuir para o esforço comum de prevenir a difusão das notícias falsas e para redescobrir o valor da profissão jornalística e a responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade”. «A verdade vos tornará livres» (Jo 8, 32) “[…]O antídoto mais radical ao vírus da falsidade é deixar-se purificar pela verdade. Na visão cristã, a verdade não é uma realidade apenas conceptual, que diz respeito ao juízo sobre as coisas, definindo-as verdadeiras ou falsas. […] O homem descobre sempre mais a verdade, quando a experimenta em si mesmo como fidelidade e fiabilidade de quem o ama. Só isto liberta o homem: «A verdade vos tornará livres»(Jo 8, 32). Libertação da falsidade e busca do relacionamento: eis aqui os dois ingredientes que não podem faltar, para que as nossas palavras e os nossos gestos sejam verdadeiros, autênticos e fiáveis. Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor. Por isso, a verdade não se alcança autenticamente quando é imposta como algo de extrínseco e impessoal; mas brota de relações livres entre as pessoas, na escuta recíproca […]”. E no final encerrou com a seguinte oração franciscana: “Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz. Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não cria comunhão. Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos. Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs. Vós sois fiel e digno de confiança; fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo: onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta; onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia; onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza; onde houver exclusão, fazei que levemos partilha; onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade; onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos verdadeiros; onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança; onde houver agressividade, fazei que levemos respeito; onde houver falsidade, fazei que levemos verdade. Amen”. Veja todo o discurso do Papa Francisco sobre as Fake News aqui. E caso você tenha dúvidas em saber se a notícia é confiável, veja esse infográfico e aprenda a indentificar:

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