Compaixão e partilha: verdadeiro sentido do seguimento de Jesus

Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado na liturgia deste 18º Domingo do Tempo Comum. A passagem está em Mateus 14,13-21.
Comer e beber é fácil… assimilar uma Vida é desafiante

Na Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), com muita alegria, a Igreja celebra e reflete sobre o compromisso de “ser Eucaristia”. Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado na liturgia deste dia. A passagem está em João 6,51-58.
Catequese com adultos: experiência, testemunho e missão

Ser catequista é, a exemplo de Jesus, estar a serviço e caminhar ao lado dos que estão evoluindo na fé. Atuando na catequese, temos acompanhado o crescente testemunho da experiência de luz e vida de jovens adultos e de idosos buscando os sacramentos. No artigo deste mês, Maria Terezinha Corrêa conta um pouco de sua caminhada de fé com essas pessoas. Confira!
Amar servindo

Hoje celebramos o amor que se faz serviço. Na Quinta-Feira Santa, Jesus nos ensina que amar não é apenas sentir, mas é também agir, cuidar, colocar-se a serviço. Quem serve com amor responde ao chamado de Deus todos os dias. A reflexão de hoje é conduzida pela Ir. Ashrita Soreng, SSpS. Assista!
Casa: lugar do “lava-pés” — gesto ousado que quebra toda pretensão de poder

Com a liturgia da Ceia do Senhor, celebrada na tarde-noite desta Quinta-Feira Santa, abrimos o Tríduo Pascal, o ápice do ano litúrgico. Na série Semana Santa Orante, veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho de João (13,1-15), que traz a passagem do lava-pés, gesto de Jesus na instituição da Eucaristia.
“Em tua casa, vou celebrar a Páscoa…”

Na série Semana Santa Orante, veja a reflexão elaborada pelo padre Adroaldo Palaoro, jesuíta, comentando o Evangelho proclamado na liturgia desta Quarta-Feira Santa, narrado em Mateus 26,14-25.
Eucaristia: compromisso fraterno e solidariedade

A celebração eucarística prolonga-se no encontro com o mundo das pessoas famintas de pão, de carinho, de ternura, de dignidade, de justiça, de fraternidade, de comunidade. No TBT desta semana, revisitamos a reflexão do Pe. Mariano Venzo, missionário do Verbo Divino. Confira!
Eucaristia: enfeitar as ruas também com nosso testemunho

A Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, conhecida também como Corpus Christi, é celebrada com muito carinho pelos cristãos mundo afora. Data móvel, normalmente ocorre na primeira quinta-feira após a Solenidade da Santíssima Trindade, ou, dependendo do costume, no domingo seguinte. Essa liturgia foi instituída pelo Papa Urbano IV, em 8 de setembro de 1264. O objetivo era valorizar e celebrar a presença real de Jesus no pão e no vinho consagrados, uma verdade de fé cultivada com esmero desde o início da Igreja. Devido à importância do tema, o próprio Urbano IV encarregou o grande Santo Tomás de Aquino de elaborar os textos que até hoje são recitados ou cantados na festa. Nesse contexto celebrativo, é importante ampliar a reflexão sobre a Eucaristia, expandindo o tema para além da devoção às espécies consagradas (o que não é pouco). É uma oportunidade de redescobrirmos esse sacramento como ceia pascal, ou seja, sinal instituído por Jesus para marcar a passagem da morte para vida, das trevas para as luzes. É um valiosíssimo bendizer a Deus, ofertar-se ao Pai, partir o pão, acolher e curar. A famigerada pandemia, entre muitas coisas, escancarou uma falha enorme na catequese do povo e mesmo na formação do clero. Infelizmente, constatou-se certa redução da Eucaristia à presença real no pão e no vinho, esquecendo-se do aspecto pascal. Apenas para citar dois “exemplos”, o drive-thru de comunhão e a mal interpretada “comunhão espiritual” (compreendida, sem o devido questionamento, como a vista pela mídia) demonstraram um olhar restrito do que Jesus desejou em favor de seu povo. A ceia eucarística é o sentar-se à mesa, partilhando com o próximo e com, por e no Senhor as conquistas e os desafios da vida. É a hora de alimentar-se das palavras do Mestre (nas quais Ele também está presente de forma real), do pão que dá vida e do vinho que enche de alegria, agradecendo a Deus pelo triunfo da misericórdia, da graça e da justiça. A sagrada refeição é a fonte e o ápice do lava-pés, sinal de serviço. Nunca é demais recordar que tanto o trigo quanto a uva que deram origem às espécies sagradas, frutos da bênção de Deus e do trabalho humano, precisaram ser moídos, esmagados para se tornarem Eucaristia. No serviço, na doação, Deus quis estar entre nós. Corpus Christi nos questiona se o divino dom do qual comungamos nos transforma em Eucaristia em nossa casa, no trabalho, na Igreja, na escola, na política, no trânsito… Caso contrário, nós nos “alimentamos” sem nos “nutrir”. Novamente, temos uma preciosa chance de recuperar um lugar mais amplo desse alicerce que sustenta nossa fé, nossa caminhada de seguidores de Jesus, o Mestre da partilha do pão. Ao viver a Eucaristia, podemos adornar ruas com os tapetes coloridos (admirável gesto, diga-se) e com nosso testemunho, o ano inteiro. Que Jesus nos inspire e siga nos acolhendo no generoso banquete da Palavra, do Pão e do Vinho. Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo, membro da Equipe de Espiritualidade da Província Brasil Norte das SSpS.
Serviço: a outra face da Eucaristia

Na quinta-feira, 3 de junho, celebramos a Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, também conhecida como Corpus Christi. Mesmo nestes tempos difíceis de pandemia, fadigas e muitas restrições, a data é (a)guardada com afeto por comunidades católicas de todo o mundo. Este também é um momento oportuno para reforçar a importância da Eucaristia para a vida cristã. Sempre é bom recordar o aforismo do cardeal francês Henri-Marie de Lubac, inspirado na teologia dos padres da Igreja: “A Eucaristia faz a Igreja, a Igreja faz a Eucaristia”. Dos quatro evangelhos, os sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) enfocam Jesus, na chamada “Santa Ceia”, proclamando o pão e o vinho como sendo seus próprios corpo e sangue. Perdoe-me, caro leitor, cara leitora, se abordo apressadamente a narrativa desses três evangelhos, ainda mais no calor de Corpus Christi. Mas eu gostaria de destacar como o quarto Evangelho, o de João, aborda a instituição da Eucaristia. No capítulo 13 (versículos de 1 a 15), o autor sagrado chama a olhar para um gesto ocorrido na refeição ritual, horas antes de Jesus ser entregue ao sacrifício na Cruz. A passagem começa com a base das bases de qualquer teologia eucarística séria: o amor. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13,1b). Pouco mais adiante, o evangelista começa a narrar não muito a refeição, mas a atitude do Mestre, que se abaixa (em todos os sentidos) para lavar os pés de seus discípulos. Como todo o Evangelho de João, o trecho pede uma leitura atenta, sem pressa. A Eucaristia, para ele, é principalmente o serviço. Não me atrevo a arriscar uma exegese. Partilho aqui uma modesta meditação. Espero que, aos olhos da fé, possamos identificar algumas coisas na cena na qual Jesus, mais uma vez, demonstra ter vindo a nós para servir e não para ser servido (cf. Mateus 20,28; Marcos 10,45; Lucas 22,24-27). Gestos que deveriam ser mais trabalhados em nossas catequeses eucarísticas. Até o fim do procedimento de “purificar” os pés de seus amigos, o Senhor realiza sete atos. João, como diz o ditado, “não dá ponto sem nó”. Muitas vezes, sete, na Bíblia, é mais uma ideia do que um mero algarismo. Entre outros significados, pode indicar perfeição e, no olhar cristão, a própria encarnação de Deus (a soma de três da Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo; e quatro dos elementos cósmicos: terra, fogo, água e ar). Jesus é o próprio “Sete”: o verdadeiro Deus e o verdadeiro homem. O primeiro gesto é “levantar-se”. No início, a Igreja era chamada de “O Caminho”. Como empreender esse caminho sem sair do lugar? Para servir, é preciso disposição, ânimo, entusiasmo (palavra, aliás, muito significativa). O segundo é “tirar o manto”. Para nós, isso deveria significar despojar-nos de nossas couraças, nossos personagens, nossos privilégios, nossos títulos e servir com o que temos de mais profundo. Deus vê o escondido (Mateus 6,4b), sabe de nossas contradições e fraquezas, mas Ele nos ama e nos convoca em nossa essência. A ação seguinte é “pegar a toalha”. Dias atrás, o Pe. Júlio Lancellotti, famoso pelo apoio aos mais necessitados, contou que Dom Luciano Mendes de Almeida, outro gigante no serviço, havia-lhe explicado sobre o significado da estola presbiteral que ele receberia na ordenação. Não transcrevo literalmente as palavras, mas era algo mais ou menos assim: atadura para curar as feridas, lenço para secar as lágrimas, toalha para enxugar os pés do irmão. A estola transversal usada por nós, diáconos, também tem esse sentido (e não um meio-sacerdócio como alguns ainda hoje pensam). O quarto movimento nessa narrativa eucarística de João é o “cingir a cintura”. O cingir-se indicava a prontidão. A ceia pascal judaica, segundo o preceito de Moisés, devia ser tomada com os “rins cingidos, sandálias aos pés e cajado na mão” (Êxodo 12,11). A toalha em torno da cintura poderia ser parte da vestimenta típica do empregado aliada à presteza no servir, como desejou o Senhor. O quinto gesto é o “derramar a água numa bacia”. Água, sinal de pureza, de vida, que cura nossas sequidões, elemento de nosso batismo a nos convocar a ser sinais de Cristo. É a seiva de nossa Casa Comum e de nós próprios; somos água. Com ela, o Senhor preparou seus irmãos para o grande momento da Cruz. O sexto é o “lavar os pés dos discípulos”. O serviço em si, sem discursos vazios, sem clichês, mas a realidade de qualquer ministério que se preze. Nessa hora, Jesus resume toda a sua vida e missão entre nós, conforme diz a Carta de São Paulo aos Filipenses (2,7): “Esvaziou-se de sua glória e assumiu a condição de um escravo, fazendo-se aos homens semelhante”. Nessa hora (e em outras), Jesus, o Senhor, olha-nos de baixo para cima. O sétimo é o “enxugar os pés”. O Senhor leva sua obra até o fim. Continua a ter seus frágeis e limitados discípulos como seus superiores e os segue vendo da perspectiva do chão. Os pés estão purificados e prontos para seguir “O Caminho”. Mais adiante, o Senhor recorda: “Se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (João 13,14-15). Com base em João, podemos dizer: não há Eucaristia sem também o lava-pés. O cristão ou cristã alimentado pela Palavra, o corpo e sangue do Senhor precisa, sim, colocar-se a caminho, à disposição do próximo. Creio estarem dispensados dessa missão apenas aqueles que, por motivo grave, não o podem fazer. Servir em, com e por Cristo é um agir sacramental, não há lugar para ativismo, mas para o seguimento dos passos do Senhor. Assim é a Sagrada Ceia. E não nos esqueçamos desta ordem de Jesus: “Fazei isso em meu memorial” (Lucas 22,19b). Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo.
Viver a fé sem a Eucaristia?

A presença constante de Jesus na Eucaristia é sustento na vida espiritual. A qualquer momento, podemos encontrar Jesus esperando por nós no sacrário, em quase todas as igrejas ou capelas católicas. Mas, neste tempo de pandemia, estamos privados da Eucaristia. As missas estão sendo celebradas a portas fechadas. Como então viver a fé sem poder comungar? Como celebrar a solenidade de Corpus Christi sem procissão e sem adoração ao Santíssimo Sacramento? Aqui no Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, nós nos consideramos muito privilegiadas, pois, apesar de não termos missa, acompanhamos pela televisão e, na hora da comunhão, podemos comungar, pois temos as hóstias consagradas conservadas em nossa capela. Isso para nós é motivo de alegria e gratidão. Mas a maioria do povo de Deus está vivenciando o jejum eucarístico. Claro que Jesus há de transbordar sua graça a todos os que o desejam sinceramente e não permitirá que, por falta do sacramento da Eucaristia, o seu povo fique abandonado. Em seu grande amor, Jesus sempre encontrará outras maneiras de saciar nosso coração e nossa alma. Mesmo sabendo que sempre e em qualquer circunstância podemos contar com Jesus, é importante sentir falta da missa presencial, da comunidade e de receber o corpo e o sangue de Cristo na comunhão. O perigo é nos acomodarmos com a situação e relaxar em nossa vivência de fé. Para que isso não aconteça, precisamos nos fortalecer interiormente com os recursos que temos a nosso dispor, mesmo que não podemos fazer o que antes era nossa prática diária ou dominical. O importante é manter sempre nossa conexão com Deus, pela oração, e com as pessoas, pelo amor, a gentileza e a solidariedade. Há também muitas famílias que, pela correria da vida moderna, perderam os referenciais religiosos cultivados no passado e se sentem perdidas e confusas. Já não sabem rezar e nem dão tempo para o cultivo da espiritualidade. A consequência é o vazio existencial e, muitas vezes, a falta de sentido e o desânimo diante dos desafios e sofrimentos da vida. Em tempos como os atuais, quase tudo pode se transformar em desespero. Como Deus é bondade e misericórdia, está sempre pronto a nos acolher e nos ensinar o caminho de volta à sua amizade. Basta abrir o coração e se deixar guiar por seu espírito. Mas, para ajudar neste caminho, trazemos aqui algumas práticas de fé muito simples, mas capazes de transformar a vida e preenchê-la de alegria e de plenitude. Sete práticas de fé para o dia a dia 1) Ao levantar, agradecer a Deus pelo novo dia e pedir a força para sempre fazer o bem. 2) Dedicar alguns minutos diários à Palavra de Deus. Jesus está presente, de forma real, também no Pão da Palavra, como nos ensina a Igreja. Sugerimos ler alguns versículos do Evangelho e refletir sobre eles, ou meditar as leituras diárias da missa (há vários aplicativos que podem ser baixados no celular). 3) Agradecer pelo alimento antes das refeições. 4) Em qualquer momento de dificuldade, pedir pela inspiração ou proteção de Deus. 5) O Pai-Nosso e a Ave-Maria podem ser rezados a qualquer hora do dia ou da noite. 6) Ajudar ao próximo em suas necessidades, sendo gentil com quem amo e também com quem não tenho afinidade. 7) Antes de dormir, repassar o dia para agradecer o que foi bom, aprender com o que não deu certo e pedir perdão se prejudiquei alguém. Há muitas outras práticas de oração que poderão ajudar a crescer na fé. O essencial é buscar Deus com simplicidade e conversar com Ele como o amigo que sempre está a nosso lado. A oração é um caminho de coerência entre o que falamos com Deus e o que fazemos em nossa vida pessoal e no relacionamento com as pessoas. Quanto mais perto de Deus, mais amor dedicamos às pessoas e mais nos sentimos comprometidos e solidários com os que mais sofrem. Isso é sinal de maturidade na fé. E, quando a pandemia passar, vamos celebrar novamente, e com muita alegria, os momentos litúrgicos e retomar com empenho nossa vivência eucarística. Vamos nos reencontrar em comunidade e manifestar nosso amor e gratidão a Jesus por permanecer sempre conosco.