Ressuscitados, ressuscitadas, habitamos casas de portas e janelas abertas

Na conclusão da série Semana Santa Orante, veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado na Vigília Pascal, a maior solenidade cristã. A passagem é de Mateus 28,1-10. Feliz Páscoa!
Sábado Santo: um frio sepulcro nos interpela

O Sábado Santo é marcado pelo silêncio e pela expectativa da vitória de Jesus sobre a morte. Na série Semana Santa Orante, o jesuíta padre Adroaldo Palaoro propõe uma reflexão sobre um trecho do Evangelho de São João que nos ilumina nessa experiência.
A esperança faz brotar…

O Papa Francisco diz que 2025 traz consigo um convite para a celebração do Ano Santo, em que a esperança é a palavra-chave. A esperança é feita de escolhas, ações, palavras e silêncios acolhedores. Ela é teimosa, ousada, radical e amorosa. Veja a reflexão da Maria José Brant (Deka).
Advento: chamado a esperar esperançando

Diferente de “esperar”, que pode dar a ideia de uma pessoa parada, aguardando alguém ou alguma coisa, “esperançar” traz em si atitude. Mas, afinal, os cristãos “esperam ativamente” o quê? Apresentamos uma breve reflexão sobre a espiritualidade do tempo do Advento.
Coração-manjedoura: alegria e esperança

Tempo, tempo, tempo, tempo… O tempo humano, chronos, é entendido como finito, destrutivo… Nós, cristãos, vemos o tempo como kairós, o tempo de Deus, como tempo de salvação, favorável à graça de Deus, especialmente em dezembro. Tempo de olhar para trás e agradecer a Deus por mais um ano combatendo o bom combate e guardando a fé (cf. 2Tm 4,7) diante de uma pandemia que parou o mundo. Como diz a música:¹ “Te agradeço por tudo que tens feito,Por tudo que vais fazer,Por tuas promessas e tudo que és.Eu quero te agradecer com todo meu ser.” É tempo de olhar para frente, Tempo do Advento, tempo de piedosa e alegre expectativa pelo nascimento de Jesus, o Salvador. E para esse tempo de kairós ser bem vivido, com abertura à graça de Deus, precisa de preparação para esperar Jesus que veio, vem e virá. No Tempo do Advento, começamos a trilhar o caminho de um novo ano litúrgico na vida da Igreja, caminho espiritual para viver e celebrar o mistério da esperança, vigilância e preparação dos corações. Mas essa espera não é passiva, estática, inerte. É uma espera ativa, de conversão, reflexão e preparação do coração para receber o Menino Jesus que deve nascer e habitar em nós. Quando Jesus nasce e faz morada em nosso coração-manjedoura, Ele cuida, faz novas todas as coisas, cura, dá novo sentido… Como está nosso coração? Talvez não esteja preparado, talvez esteja confuso, ansioso, adoecido… Não importa como está o coração. Permita que Cristo nasça e faça morada, liberte, restaure… Aproveite bem este tempo de espera ativa até o Natal, procure preparar-se por meio do sacramento da reconciliação, mudança de vida, perdão, caridade, oração… Quem reza é sempre conduzido pelo céu e para o céu. Nossa Senhora, Mãe do Menino Deus, nos dá um conselho constante em Medjugorje: “Queridos filhos, rezem, rezem e rezem”. O Catecismo da Igreja Católica (cân. 524) nos diz que, “Ao celebrar em cada ano a liturgia do Advento, a Igreja atualiza esta espera do Messias: comungando com a longa preparação da primeira vinda do Salvador, os fiéis renovam o ardente desejo de sua Segunda Vinda. Pela celebração da natividade e do martírio do Precursor, a Igreja se une a seu desejo: ‘É preciso que ele cresça e que eu diminua’ (Jo 3,30)”. Como a diz a música:² “Ouço uma voz vindo da montanha,Ouço cada dia melhor.Ouço uma voz vindo da montanha,E eis uma voz a clamar.Preparai o caminho.Preparai o caminho do senhor.” De acordo com as Normas Universais do Ano Litúrgico e Calendário Romano Geral, “O Tempo do Advento possui dupla característica: sendo um tempo de preparação para as solenidades do Natal, em que se comemora a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens, é também um tempo em que, por meio desta lembrança, voltam-se os corações para a expectativa da segunda vinda do Cristo no fim dos tempos. Por este duplo motivo, o Tempo do Advento se apresenta como um tempo de piedosa e alegre expectativa” (cân. 39). Que todos encontrem o Menino Deus em nosso coração-manjedoura, que possamos irradiar sua luz com pensamentos, palavras e ações: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue nunca andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). Nesse caminho de esperança e vida nova, com a Mãe Santíssima, possamos juntos cantar:³ “Cristãos, vinde todos com alegres cantos.Oh! Vinde. Oh! Vinde até Belém.Vede, nascido, vosso rei eternoOh! Vinde, adoremos!Oh! Vinde, adoremos!Oh! Vinde, adoremos o salvador!” Maria Cristina MaiaMissionária leiga de Deus Uno e Trino, membro da Equipe de Espiritualidade SSpS BRN e da Equipe Nacional de Espiritualidade SSpS e SVD. Referências¹ Música “Te agradeço”. Autora Ana Paula Valadão. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=oX21nw-Vv6M. Acesso em: 4 nov. 2021. ² Música “Preparai o caminho”. Autor Monsenhor Jonas Abib. Disponível em: https://www.letras.mus.br/padre-jonas/291066/. Acesso em: 4 nov. 2021. ³ “Cristãos, vinde todos” (Adeste fideles). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jc4_w2yIUqc. Acesso em: 4 nov. 2021.
Carta para um ano que chega

“Vamos receber esse desconhecido ser que chega. Ele vem sem nada, traz apenas a esperança.” Esse trecho foi tirado de um cartão que eu e Mônica enviamos aos amigos e familiares quando dos nascimentos de nossos filhos. Feito pelas irmãs do Mosteiro de Nossa Senhora das Graças, em Belo Horizonte-MG, ainda hoje, 30 anos depois, está presente em nossas vidas, porque fala de algo essencial para todos nós, os humanos: a esperança. Entre tantos sentimentos, a esperança é o que tem o poder de, mesmo em meio às tempestades, acalmar o coração e nos lembrar de que, sim, é possível superar, é possível avançar, é possível evoluir. Sempre! Enquanto escrevo aqui estas palavras, nesta manhã de Natal, penso: quem de nós, um ano atrás, poderia imaginar o tamanho dos desafios que a humanidade iria enfrentar logo depois? Reflito que, para além de todos os sofrimentos, reais e profundos que tantos vivemos, houve, junto, uma transformação silenciosa e profunda: uma grande metamorfose. Como lagartas, encerradas em nossos casulos-casas, tudo aconteceu incognitamente, longe dos olhos do mundo. Em nosso trabalho interno, fomos desafiados por uma avalanche de situações inéditas: famílias convivendo 24 horas por dia, 7 dias por semana, dividindo espaços, equipamentos, dificuldades e também apoios. Como lagartas em seus casulos, tivemos mesmo de reaprender, readaptar, reconsiderar tantas coisas, para que a convivência se tornasse possível e os atritos (inevitáveis) se transformassem em apoios, sorrisos, afetos. Desse modo, o ano que chega não encontrará em nós as mesmas pessoas de um ano atrás: definitivamente, somos outras, transformadas em nova dimensão, com novas habilidades, competências, hábitos e valores! Sim, valores, pois, em nosso recolhimento, pudemos reconhecer o que tem realmente valor e o que tem apenas um preço. Ao olhar para o ano que nos chega, nem posso imaginar o que ele nos trará, mas sei que, como uma folha de papel em branco, ele será um campo para todas as possibilidades… Eis aí a esperança! Então, caro amigo que lê estas linhas, vamos nos preparar para “receber esse desconhecido ser que chega. Ele vem sem nada, traz apenas a esperança”. Confiança, coragem e fé serão nossas melhores companheiras nesta linda viagem que é a vida e o viver. Feliz ano que chega! Carlos Ronan de Alvim Braga é um aprendiz da vida. Compartilha com seus alunos do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte, o empreendedorismo, sabendo e fazendo saber que o maior empreendimento que podemos ter é nossa própria vida. Vamos juntos!
2021: “esperança” é a palavra

O ano que chega reforça o significado de “esperança”. Nunca fomos tão necessitados dessa que, juntamente com a fé e a caridade, é uma das virtudes cristãs. Irmãs e irmãos dos mais variados contextos de nossa missão partilham os votos de um feliz 2021. Que a luz tenha vez sempre! Veja! ________________________________________ Bênçãos de Deus Trindade Vivemos em 2020 um ano desafiador. Que 2021 venha dissipar as trevas de nosso coração, enchendo-o de esperança e de paz! Desejamos um ano repleto das bênçãos de Deus Trindade! Carla Bonfin de CarvalhoMissionária leiga de Deus Uno e TrinoRio de Janeiro-RJ ________________________________________ Defesa da vida Que 2021 seja um ano abençoado, que nos permita aumentar a nossa consciência de que tudo o que se move é sagrado e pede de nós compaixão e colaboração no cuidado e na defesa da vida. Irmã Helena Suzana Christo, SSpS ________________________________________ Pensar no novo ano é fazer uma reflexão sobre o que termina. Fizemos escolhas que, em certa normalidade de tempos atrás, nem pensaríamos fazer. Vivemos de uma forma diferente, mas temos a certeza de que não faltou intensidade diante do desafio do novo. Cabeça erguida, que o caminho é subida e o destino é o céu, e cada sonho vale muito. Que também possamos deixar pedacinhos de nós pelos caminhos e que, também em 2021, eles possam ser partes de histórias da comunidade de uma escola viva que vê, sente e cuida. E assim, de retalho em retalho, possamos nos tornar, um dia, um imenso bordado de “nós”. Marcos Eduardo Melo dos SantosProfessor de Ensino Religioso do Colégio Espírito SantoSão Paulo-SP ________________________________________ Deixar o mundo melhor do que o encontramos O que desejo para 2021 é que tenhamos coragem para nos enfrentarmos, encontrarmos Deus dentro de nós mesmos e, servindo aos outros, servir a ele. Que cada um de nós possa contribuir para deixar o mundo melhor do que o encontramos, cuidando dos relacionamentos e amando o próximo como a nós mesmos. Paulo Flávio Queiroz GomesProfessor de Biologia no Colégio Sagrado Coração de JesusBelo Horizonte-MG ________________________________________ 2021 será melhor O ano de 2021 será melhor, porque 2020 foi de desafios, de aprendizados, de um reinventar-se. O ano novo será melhor porque, em 2020, exercitamos mais a solidariedade, a escuta, o amor e a doação. Irmã Eva Bueno, SSpSProvíncia Brasil-Sul ________________________________________ Partilhar o amor Que, em 2021, a luz de Cristo nos ilumine para receber, com fé e confiança, o Deus Menino. Ele se encarna para nos ensinar a viver a solidariedade, a partilhar o amor de Jesus que transcende nossa humanidade, para encontrar com o Cristo que há em cada ser humano, a perdoar e viver a alegria de renascer em Cristo, com paz. Que o amor de Cristo encha nosso coração com a luz do novo tempo que se aproxima! Que 2021 seja repleto de esperança, saúde, alegria, amor e paz! Feliz 2021! Valdirene Pereira SilvaNoviça SSpS ________________________________________ Que seja um ano transformador Fechamos 2020, e uma coisa é certa: tivemos de desacelerar, em todos os sentidos. Aprendemos muitas coisas, mas talvez a principal delas foi descobrir que sozinhos não somos nada nem ninguém. Ao desacelerar, tivemos tempo para prestar mais atenção ao outro e a nós mesmos. Aprendemos a identificar e a lidar com nossas próprias emoções e a ter um olhar mais generoso em relação a si próprio e ao próximo. E para 2021? O que podemos esperar? É tempo de transformação, tempo de construir novos caminhos e de fortalecer ainda mais nossa fé. Sem dúvidas, é tempo de acreditar que dias, meses, anos melhores virão por aí. É tempo de traçar novas metas e renovar as esperanças. Que 2021 seja um ano transformador! Luciana Marzullo AraujoCoordenadora missionária do Colégio Stella MatutinaJuiz de Fora-MG ________________________________________ 2021: nova oportunidade O ano de 2020 nos trouxe uma inesperada tempestade. Ninguém estava preparado para enfrentar semelhante pandemia (covid-19). O medo diante da proximidade da doença e da morte gerou muitas reações. Mas certamente também foi como um frear a velocidade com a qual todos estávamos indo. Estamos alvorecendo o ano de 2021. Convido a alegrar-nos! A crise é global, mas também pessoal e comunitária, entretanto não deixa de ser uma oportunidade para a real solidariedade, a fraternidade sincera, o amor concreto, o respeito a todos, independentemente de raça, credo, gênero ou opção sexual; o cuidado com os mais vulneráveis, entre eles a Terra. Cada um de nós pode tornar 2021 um ano verdadeiramente novo. E, por que não, um ano cheio de paz, bondade e harmonia. São estes os meus votos para que 2021 seja bem melhor! Irmã Juana Ortega Torres, SSpSMissionária em Moçambique ________________________________________ Um milagre em cada recomeço Minha expectativa é de que 2021 seja ano de paz saúde, harmonia e muita fé… Que tenhamos sabedoria para lidar com todos os momentos que hão de vir! Existe um milagre em cada recomeço. Rose SantosColaboradora da missão no Convento Santíssima TrindadeSão Paulo-SP ________________________________________ Tempo de serenidade O que falar do ano de 2020, agora que chegou ao fim? Foi um ano para agradecer! O mais diferente em muitas e muitas décadas. Por mais crítico que tenha sido, ele nos apresentou oportunidades únicas nesta nossa passagem pela vida. O ano que, sem compaixão, tirou-nos do automático. Paciência… Resiliência. Fez com que olhássemos para os mais velhos, nos fez conjugar ainda mais o verbo cuidar. Vem aí 2021! Já está invadindo nossas casas, e temos de ter em mente que não podemos nos deixar levar pela angústia, pela ansiedade, pelo medo e pelas incertezas. A palavra de ordem, agora, é serenidade. Que 2021 venha com esperança de um novo tempo! Roberta Pimentel AouilaProfessora de Língua Portuguesa do Colégio Stella MatutinaJuiz de Fora-MG ________________________________________ Aprendizado para toda a vida Virão! Um novo ano, novas formas de ser e agir, novo jeito de ser gente no mundo! Caminhamos, tropeçamos, levantamos e seguimos adiante, cada pessoa a seu modo. Vivemos um processo de cuidado mútuo, um aprendizado para toda a vida. Perdas, despedidas, ganhos, novas oportunidades, alegrias, esperanças e
Reflexões de uma professora/mãe na pandemia: os desafios e as aprendizagens no período de isolamento

Iniciamos o ano de 2020 repletos de sonhos, planos e metas a cumprir. Não sabíamos muito bem como ele seria. Até então, o que nos aguardava permanecia um doce mistério. Demos um salto de fé e começamos este ano maravilhoso, acreditando, realizando e também sonhando. No mês de março, entretanto, fomos surpreendidos por um vírus desconhecido, por uma pandemia que mudou completamente os rumos de nossas vidas. O novo coronavírus trouxe impacto em nível global, chamando a atenção pelo alcance que teve e pela velocidade com a qual se disseminou. A sociedade está diante de uma emergência de saúde pública. Vivemos um contexto de incertezas, medo, ansiedade. Tememos uma recessão global. Como podemos iniciar nossas reflexões? Se pudéssemos eleger alguns sentimentos, neste ano, seriam medo, falta e saudade. Mas medo de quê? Falta de quê? Saudade de quê? A pandemia de covid-19 isolou os indivíduos em suas casas, fechou nosso comércio. Nos parques de diversão, as luzes se apagaram, cidadãos ficaram desempregados, nossas casas se transformaram em estações de trabalho, enquanto plataformas digitais foram disponibilizadas aos professores e aos alunos, praticamente da noite para o dia. Isolamento social, crianças longe da escola, dos avós e familiares… Acostumados que estávamos a nosso antigo cotidiano, pais e mães passaram então a ser a principal companhia para os filhos, algo inesperado para ambas as partes. Deparamo-nos com uma rotina com a qual nunca havíamos vivido, com as emoções de nossos filhos e com nossas emoções. Todos nós nos vimos presos em casa e reclusos em nós mesmos, só que não demorou para percebermos que a aparente clausura em que a sociedade estava sendo colocada podia ser, na verdade, também libertadora. Logo explico. O que é a vida? Perguntamo-nos… Penso que a vida é isso: um eterno adaptar-se e readaptar-se. Darwin já dizia que os sobreviventes não eram os mais fortes, mas os que melhor se adaptavam às mudanças… E que mudanças! Haja criatividade, mas, vamos lá, nós vamos conseguir! Nossa palavra de ordem é esperança!Para quem não sabe, sou professora há quase 12 anos. Sou mãe de uma criança de 6 anos e de uma de 3 anos. Sou esposa há dez anos, filha há 36 anos e irmã também. Estou trabalhando em casa, numa mistura louca de mãe e professora. Não consigo dissociá-las; elas se complementam. Estamos colocando em prática estratégias de aprendizagem e relações por meio do afeto, do vínculo e do respeito ao ritmo e ao tempo de cada criança. É um desafio organizar a rotina da casa, o trabalho remoto e a maternidade, entretanto não temos uma receita, temos vontade e força para lutar. Desistir jamais! A situação emergencial nos fez abraçar a tecnologia como uma ferramenta pedagógica, com a qual nos aproximamos das crianças e de seus familiares para uma troca fundamental. Toda adaptação exige tempo, porém não tínhamos esse tempo, tampouco fórmula mágica. Mas tínhamos de ter bom senso e generosidade… Minha casa se transformou num espaço de aprendizagens. Resolvi desacelerar. Envolvi meus filhos nessa rotina desafiadora. Recebemos kits pedagógicos do colégio e embarcamos numa viagem de grandes descobertas. Recebemos fita-crepe, lupa, quebra-cabeça magnético, tinta, pincel, cola colorida, jogo da batalha de palavras, boneco ecológico. A fita-crepe foi fixada na sala e transformou-se em uma trilha mágica de carrinhos; a lupa nos transformou em pesquisadores de animais de jardins; os rolos dos projetos do papai viraram telas dos meus pequenos artistas… Quanta riqueza nessa infinidade de materiais! Quem já fez massinha caseira quando era criança? Minhas crianças amam brincar com massinha! Nossa cozinha virou um laboratório de pesquisa. A turma do infantil III do Colégio Sagrado Coração fez uma experiência com a batata-doce antes da pandemia. A batata tem até nome: é a Filomena. A professora Renata Paiva precisava de um lar para acolher a querida Filomena. Então recebemos a Filomena em nossa casa. Não é que ela ficou satisfeita? Precisamos dar tempo e liberdade às crianças, para que elas explorem, conheçam e se relacionem com o mundo. Segundo a psiquiatra e educadora Maria Montessori, “As crianças precisam ter licença para fazer ciência. E fazer ciência quando se é uma criança começa pela exploração sensorial de tudo”. Isso significa que elas precisam tirar a casca da banana, devem colocar as mãos e os pés na terra, podem tirar as pétalas da rosa para ver como é no centro e até prenderem um inseto dentro de um vidro por algumas horas, para poderem ver seu corpo e o soltar depois dessa observação. Esses momentos ricos em aprendizado podem e devem ser documentados por meio de desenhos e fotos. Experiências, contato com a natureza, mesmo com o isolamento social… Mãos na terra, aprendizado para a vida! A partir de agora, o projeto continua em nossa casa. As hipóteses estão surgindo, e nós vamos adorar investigar. Como podemos cuidar da Filomena? Ela gosta de sol? Podemos colocar água todos os dias? Muita ou pouca? De uma forma diferente, estamos ensinando nossos filhos, levando em consideração o modo como eles pensam e aprendem, possibilitando-lhes diversos tipos de interações e experiências significativas. Essa é uma história de pais, tios e avós super-heróis, que encontraram formas de suprir a ausência da rotina escolar na vida da criança. O amor é o fio condutor de nossa história. Meu filho João relata que está aprendendo muito, mesmo que seja pelo computador. Diz que sente falta da escola, dos amigos e dos professores. Quer voltar à escola para brincar e pesquisar. Finalizou seu depoimento, dizendo que é muito feliz na escola, pois tem muitos amigos. Ele não apresentou dificuldades para adaptar-se às aulas on-line. Demonstra independência e autonomia para realizar suas atividades diárias. Consulta o Google sala de aula para verificar os materiais que serão utilizados pelos professores. Fica frustrado quando não há conexão de internet. Minha filha Maria Beatriz quer ir para a escola, mas sabe que o colégio está fechado. Relata que sente saudades dos amigos e do parquinho. Ela tem apenas 3 anos, mas sente muita falta desse espaço mágico que é
A justiça restaurativa com crianças e adolescentes

Gostaria de iniciar lembrando e agradecendo a meus pais amorosos, Virgínia e Cícero, pelo melhor que me oferecem até hoje. Às irmãs Adriana, Karla e Lígia, pela longa parceria. Aos filhos João, Ana Júlia e Bruno, e ao marido Alexandre pela partilha cotidiana no incessante, turbulento e encantador movimento de cuidar e aprender. Também de destacar como inspiração, meio e fim, o que diz a irmã Martina Gonzalez, SSpS, em seu texto “A ética do cuidado”: “Sem o cuidado, não há ambiente favorável para o aflorar daquilo que nos humaniza: o sentimento profundo, a vontade de partilha e a busca do amor”. Divido um pouco de minha experiência no Degase, que é o Departamento-Geral de Ações Socioeducativas, órgão no Rio de Janeiro responsável pela internação e acompanhamento de crianças e adolescentes em situação de conflito com a lei. Trajetória que começa com o voluntariado nas Escolas de Perdão e Reconciliação (Espere) da Fundación para la Reconciliación da Colômbia, uma organização que se dedica a disseminar a cultura de paz e a justiça restaurativa em vários países. Por meio das Espere, conheci as irmãs Nelly Boonen e Martina Gonzalez, e tive o primeiro contato com o processo circular de construção de paz. Essa é uma prática restaurativa que busca o desenvolvimento de relações saudáveis, baseado em sete crenças centrais (veja abaixo) que intensificaram um movimento profundo de transformação em minha vida pessoal e meu envolvimento social. Seguindo na busca pelo conhecimento da justiça restaurativa, acompanhei outras formações teóricas e vivenciais no CDHEP (Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo). Junto ao aprendizado, veio a possibilidade de colaborar. Em 2019, com outras três facilitadoras, iniciamos a oficina Fundamentos de Justiça Restaurativa/Espere com jovens em cumprimento de medida socioeducativa em regime de internação. As atividades ocorreram no Centro de Socioeducação Dom Bosco, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro-RJ, comunidade onde vivo. Os desafios foram imensos nesse ambiente de inúmeras ausências e violências, estruturado no entendimento de justiça pela lógica punitiva. Como desenvolver uma proposta e atividades continuadas à luz da não violência, em busca de construção de relações justas baseadas no reconhecimento das diferentes identidades, no diálogo e na corresponsabilização? A incerteza da realização do encontro a cada semana pelas necessidades da instituição, a limitação do espaço e do horário e a impermanência dos jovens foram algumas das dificuldades que determinaram o esvaziamento da oficina ao longo dos meses. Mas, apesar da imprevisibilidade e esvaziamento, aumentou gradativamente a sensação de confiança e aproximação entre o grupo. A partir da participação voluntária nas atividades propostas e reflexões sobre valores humanos, novas perguntas puderam ser feitas. Foi um processo: passar do estranhamento e desconhecimento iniciais ao reconhecimento de si e do outro, na descoberta de novas respostas e caminhos possíveis. Um despertar de consciência para a responsabilidade pessoal e coletiva, mesmo que ainda sob a perspectiva limitadora e violenta da privação de liberdade, do sentimento de indignação, da sensação de abandono e falta de rede de apoio suficiente para atender tantas carências. Por fim, esses encontros me fizeram experimentar, mais uma vez, a conexão humana que se estabelece e engrandece a partir do cuidado e validação de nossa identidade, da aceitação de nossas limitações e potências, do compromisso pelo bem individual e coletivo. Independentemente dos lugares que ocupamos, somos seres de afeto em busca de reconhecimento, espaço e integração. Estamos interligados e, por novos e melhores dias, mantenho a esperança. Pressupostos centrais dos processos circulares de construção de paz: 1) dentro de cada um de nós está o verdadeiro eu: bom, sábio e poderoso; 2) o mundo está profundamente interconectado; 3) todos os seres humanos têm um profundo desejo de estarem em bons relacionamentos; 4) todos os seres humanos têm dons, cada um é necessário pelo dom que traz; 5) tudo de que precisamos para fazer mudanças positivas já está aqui; 6) seres humanos são holísticos; 7) nós precisamos de práticas para criar hábitos de viver a partir do eu verdadeiro. (Carolyn Boyes-Watson e Kay Pranis. No coração da esperança: guia de prática processos circulares: o uso de círculos de construção de paz para desenvolver inteligência emocional e construir relacionamentos saudáveis.) Vanessa Bispo Gadelha Valente, voluntária do Centro de Valorização da Vida e das Escolas de Perdão e Reconciliação, Rio de Janeiro-RJ.
A paz depende também de nós

Ao ver tantas situações de sofrimento em nosso País e no mundo, tantas tragédias causadas pela natureza ou pela violência humana, conflitos e guerras em diferentes países, preconceito, fome, miséria, destruição da natureza, abusos de crianças, corrupção e todo tipo de crimes, sinto que estamos chegando ao limite. Muitas vezes, eu me pergunto: o que está acontecendo com nosso mundo? O que está acontecendo no coração do ser humano? Parece-me que estamos colhendo os frutos do ódio, da exploração, da ganância, da perda dos referenciais de fé e da falta de ética e cuidado com os seres humanos e com nosso planeta. Mas será que há alguma coisa que podemos fazer para reverter essa realidade? Com certeza, há, mas depende de cada ser humano, de cada pessoa fazer a sua parte. Num Universo onde tudo está interligado (cf. Laudato Si’), tudo o que acontece ao nosso redor influiu dentro de nós. Mas também o que acontece dentro de nós influiu no mundo a nosso redor. Por isso há uma grande variedade de pequenas ações que estão a nosso alcance e podem fazer uma grande diferença. Por exemplo, se queremos paz no mundo, podemos buscar a paz e a reconciliação dentro de nós e com as pessoas com quem nos desentendemos. Perdoar e pedir perdão pode ser o começo de uma grande transformação. Cultivar a serenidade de espírito, a harmonia, o acolhimento, a tolerância diante das outras pessoas pode transformar o ambiente de trabalho, diminuir o estresse e tornar a vida mais gratificante para mim e para os outros… A meditação e a oração têm o poder de criar o ambiente interior onde as mudanças do pensamento e das atitudes se tornam reais. Cultivar a raiva, o ódio, a crítica destrutiva, a reclamação vai gerar atitudes destrutivas, negativas que prejudicam a mim mesma e aos outros. Mas podemos mudar nossos pensamentos. Bons pensamentos geram bons sentimentos, os quais, por sua vez, levam a atitudes positivas que geram ações que constroem o bem comum. Acreditando nisso, convido você a rezar comigo esta oração, pedindo a Deus a graça da transformação deste mundo violento num mundo de paz, começando com a mudança do meu e do seu mundo interior, de tudo aquilo que ainda precisa ser pacificado e transformado em amor. Oração pela Paz Senhor, diante de ti, trazemos a dor da humanidade que luta e sofre em busca de paz. Trazemos a angústia das vítimas da violência, injustiças e opressão. Trazemos o desespero dos que perderam os entes queridos em situações de conflito. Trazemos também o nosso coração ferido, sedento de tua paz e de teu amor. Queremos, ó Deus, consagrar o dia de hoje à causa da paz, para que chegue o tempo em que todos os dias serão dias de paz. Dá-nos, Senhor, tua luz para construirmos a paz em nossos relacionamentos. Dá-nos, Senhor, tua paz, para aprendermos a acolher sem preconceitos e respeitar a dignidade de cada ser humano. Dá-nos, Senhor, tua paz, para reconhecermos, em cada pessoa, o nosso semelhante e, em toda a criação, o dom generoso de teu amor. Transforma a violência e a injustiça que habitam dentro de nós em dom do amor e compaixão que geram paz. Amém. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)