A vida em poemas

Nestes tempos de distanciamento social e de muitos desafios, a poesia pode ser um respiro e um suspiro. Foi pensando nisso que alunos e professores, orientados pela professora Cristiane Imperador, do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP, partilharam com os leitores e leitoras do blog SSpS suas composições. Procure um bom lugar e se delicie! Museu Tento não ser pessimista,Não viver como museuE sempre buscar o bem atual? Bem, digo buscar você,Mesmo sabendo o não recíproco,Me sinto bem ao seu lado.Meus problemas vão do raloE voltam ao ringue contra mim. A vida é muito curta,Eu sei disso,Mas sua rápida passagemNão me trouxe compreensão,Apenas indagação. Tento os orgulhar,Mostrar que a chama está acesa,Mas o extintor do julgamentoApaga apenas as labaredas,E o resto do corpo fica queimado. Água fria do mar,Acalme o meu viver,Me traga a compreensão que necessitoSeja Iemanjá de meu problemaE me leve para o fundo da água, onde posso esfriar. A vida se tornou complicada,Ainda mais com o desconhecimentoDo seu sentido subjetivo intrínseco.Será o tal sopro do Criador?Ou vislumbres de abandono e dor? Eu quero amar,Quero sonhar e estar bem,Não me permito. Permissão que eu mesmo tireiAo ver, em meus olhos,A doce e azeda decepçãoDe sentir que tudo foi em vão,Perdendo-se em oscilação. Um tipo de vazio,Que eu espero que passe.Como areia no SaaraQue, carregada pelo vento,Compõe a beleza natural. Será minha beleza naturalO ó de todo mal,Com a sinceridade de anjoE a teia animalesca sentimental,Que dita minha existência arenosa?As coisas passam,O passado não volta,Mas estava no futuroQuando lembrei ansiosoDe amar e viver o presente. O museu onde as coisas passam. Mateus Marum (aluno da 3ª série do ensino médio) Ciclo da vida Este é o ciclo da vidaNascemosCrescemosMorremosNão temos como fugir dissoTemos que aproveitar o tempo que temosTemos que fazer coisas que vão ficar nas nossas memóriasEsse é o ciclo da vidaE não tem como fugir. Ana Julia Fonseca Van Utterbeeck (aluna da 1ª série do ensino médio) Sob outro ângulo Fim!De repente, meu mundo virou.Mergulhei sob minha terraE andei sobre meu oceano.Tudo estava confuso!Tudo estava trocado! Porém, observando este universo,Refleti e compreendi!Cuidei de tudo aquilo que me faltavaValorizar até então.Vi o novo diferente no antigo. Descobri que o novoNem sempre é tão ruim,Que a realidade é cheia de incertezas…Mas tudo bem!Sempre há um lado positivo eNegativo nas mudanças…. Sim, era o fim… De minhas velhas certezas,Uma página virada num livro.Surge então, em minha vida, aOportunidade de criar um novo capítulo,Um novo começo! Anne Caroline Gonçalves Martins (aluna da 1ª série do ensino médio) Perdão Paixão, algo que confunde nossa mente Nos faz perder a noção que existimosTrazendo sensações diferentes sucessivamenteNós discutimosPorém, nosso amor supera qualquer barreiraEm meus braços, senti seu corpoEm meu nariz, seu cheiro doceNa minha boca, seus lábios leves como uma penaSeu calor traz calmaSeu amor traz alegriaNão queria ter erradoMeus pensamentos me dominaramMeus erros não permitiram que eu ficasse caladoMas imploro pelo seu perdãoVocê soltou minha mãoAssustada, correu de meu coraçãoPerdão é algo que não conseguiria ouvir de vocêMas eu me ajoelho sobre meus errosE peço lhe desculpasNão me deixe sumir de seus pensamentos Leandro Morales (aluno da 1ª série do ensino médio) A mulher Mulher,você é incrível!Você gera e traz uma vida ao mundo,mas não lhe damos o devido valor. Mulher é um ser sensível:emociona-se,apaixona-se,ama, sente, chora…Há acontecimentos que a machucam,não porque são frágeis, mas porque sentem.Você não é obrigada a nada! Mães, profissionais, esposas, adolescentes, meninas, amigas… Eu sou mulher.Sei que devemos lutar pela nossa felicidadee que, se nossa luta incomoda,estamos no caminho certo Mulher,você é extraordináriasó precisa conquistar o seu lugar e mostrar o seu valor.Nossa voz é mudança!Merecemos o nosso destaquee está na hora de descobrirem,que somos iguais. Kimberly Lopes Galvão César (aluna da 1ª série do ensino médio) Um sopro Um momento feliz passarápido, assim como a vida.Pessoas se vão como umsopro de ar que sai pelaboca de uma criança ao assopraras velinhas de seu bolo. Curto e rápido, não é possívelnem ver, assim como você, quede um dia para o outro partiu. Por uma causa tão inesperada,você se foi.Tão pequenina te perdi,ficamos todos desolados. Doeu muito, mas o que ficoué a saudade. Os momentos bons,as memórias… Mas logo vem o presente,que vai passar como um sopro, e tudo irácomeçar novamente, sempre iniciandoe acabando, como o ciclo da vida.Um sopro. Manuela Fernandes Carreño (aluna da 1ª série do ensino médio) Morte Antes de dormir,Sonhadores criam histórias impossíveisDe amores irreaisE com finais felizes. Hipócritas e falsos.Eu crio começosE meiosFelizes. No final, há uma deliciosa tragédia,A qual me atormenta,A qual não queria ter pensado,A qual ficou em meus mais profundos pensamentos. Ela se transformou em medoUm profundo medo.Que, agora, sei que deveria ter feito como os hipócritasE mentido para mim mesmaO fim da doce história é a morte. Louise Cavalcante (aluna da 1ª série do ensino médio) Pandemia + Cientistas: cuidado e proteção Neste momento de pandemia,não tivemos muita alegria.Mas os cientistas não podiam desanimar,pois tinham pouco tempo para a cura encontrar. A cura seria uma vacina capaz de imunizar,mas tiveram pouco tempo para fabricar.As vacinas aos poucos estão chegando,e a população mais velha está tomando. Devemos ter esperança,pois um mundo melhor há para vir.Agradecemos aos cientistas trabalhadores,que lutaram para o mundo todo voltar a sorrir. Vitória Pedriali Dias (aluna do 5º ano do ensino fundamental) Vacina sim! Para todos terem proteção,é preciso esforço e dedicação.E, para termos um raio de esperança,é preciso muita confiança. E, para uma vacina chegar,é preciso um cientista trabalhar.São mais de sete bilhões de pessoas neste mundão,e cada médico tem amor no coração. E toda vacina éfeita por um cientista.Então, não saia de casa.E, se for sair, use máscara! Pedro Vergatti Hulgado Silva (aluno do 5º ano do ensino fundamental) Fim E lá se vai o tempoEscorrendo por meus dedos geladosSe desfazendo em pensamentos amarguradosMisturando-se com todos meus lamentos O relógio já não está girandoOs ponteiros estão perdidosMinutos e horas não fazem mais sentidoÉ a sensação horrível da vida acabando Os batimentos se cessamO calor caiO brilho se vaiE as janelas se fecham Juras de
Mulheres e ciência: uma parceria de longa data

Que a ciência é de suma importância para o desenvolvimento de qualquer sociedade, disso todos sabemos. E que a maioria de nós conhece pelo menos um nome de alguém importante nesse avanço, isso também é muito provável. Agora propomos um exercício: tente lembrar o nome de uma mulher que tenha uma posição de destaque na ciência. Se você não lembrou, fique tranquilo! Como a maior parte dos trabalhos que acabam tendo reconhecimento são aqueles liderados por homens, é comum que pensemos que as mulheres não são participantes ativas dessa área. Mas não se iluda! Exemplos não nos faltam. Temos Rosalind Franklin (1920-1958), que tem o título póstumo de “Mãe do DNA”, por ter descoberto o formato helicoidal da molécula; Marie Curie (1867-1934), pioneira nos estudos da radioatividade, foi a primeira mulher a ganhar um Prêmio Nobel e a primeira pessoa a conquistar por duas vezes essa premiação. Mais recentemente, Jaqueline de Jesus e Ester Sabino, que lideraram e sequenciaram o genoma do novo coronavírus. E esses são apenas alguns dos muitos exemplos de importantes mulheres que fizeram com que a ciência chegasse ao que conhecemos hoje. Por tudo isso, trouxemos a doutora Débora Ferreira Barreto Vieira, pesquisadora em Saúde Pública na Fundação Oswaldo Cruz, especialista em Virologia e doutora em Biologia Celular e Molecular, para responder às perguntas de alguns dos alunos da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo. Ela fala sobre sua carreira na ciência e a respeito de nosso cenário atual de saúde. Ao longo de sua caminhada até se tornar uma cientista, percebeu a presença do machismo em algum momento?Não! No decorrer de minha formação, as relações com os colegas foram sempre muito respeitosas. Dentro do cenário que estamos vivendo, você acha que o Brasil é capaz de dar conta de uma campanha de vacinação? Como você vê nosso futuro em relação à produção de vacinas?Sim! Temos um grande trunfo chamado SUS (Sistema Único de Saúde), que é modelo para todo o mundo e, dentro deste contexto, o PNI (Plano Nacional de Imunização), que mostra competência em nosso dia a dia, a exemplo das campanhas de vacinação para a poliomielite, sarampo e para tantos outros agravos. Estou bastante otimista! Temos no Brasil duas grandes referências em produção não só de vacinas como de fármacos, que é o Instituto Butantã (São Paulo) e a Fundação Oswaldo Cruz (Biomanguinhos/Rio de Janeiro). Obviamente que, no cenário atual, em que todo o mundo conflui para um só ponto, não estamos no “time” que gostaríamos. Com a transferência de tecnologia da vacina de Oxford para a Fiocruz e o IFA (ingrediente farmacêutico ativo) chegando dentro do cronograma preestabelecido, acredito que teremos um cenário mais positivo no segundo semestre deste ano. Em seu local de trabalho, você observa uma quantidade significativa de mulheres atuando?Sim! Temos muitas meninas e mulheres atuando no Campus da Fiocruz. Dos 71 laboratórios do Instituto Oswaldo Cruz, 45 são liderados por mulheres. Alguns desses laboratórios são de referência, a citar o Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo, que foi nomeado, em 2020, laboratório de referência da Organização Mundial da Saúde para a covid-19 nas Américas, que é chefiado, com maestria, pela doutora Marilda Siqueira. Em sua opinião, o que fez o movimento antivacina crescer nos últimos tempos?A desinformação, as fake news, as falas descabidas e a postura negacionista de chefes de Estado. Precisamos que grandes referências estejam à frente dos veículos de comunicação, informando à população. Precisamos de um diálogo consonante entre a ciência e a sociedade. Sendo cientista, acredita que a política interferiu diretamente na situação do Brasil?Sim! Não foram raras as cenas e falas negacionistas que presenciamos, vindas de importantes formadores de opinião. Corroboro a fala da cientista política Sara Wallace Goodman, da Universidade da Califórnia, quando diz “Em circunstâncias de alta desinformação e falta de informação, as pessoas observam os exemplos. Só podemos ser racionais se nossos líderes forem racionais”. Nós nos vimos numa disputa política pela primazia na aquisição dos imunizantes. Lamentável! Sua credibilidade já foi posta em dúvida por ser mulher?Não! Em algum momento, você se encontrou em um dilema entre ser mãe ou investir na carreira?Não! Tento equilibrar, da melhor maneira possível, essas duas delicadas esferas (maternidade e carreira). Quando as minhas filhas nasceram (sou mãe de trigêmeas), eu já tinha finalizado o doutorado e já era do quadro de servidores da Fundação Oswaldo Cruz. Qual foi a reação das pessoas quando você disse que queria ser cientista?Costumo dizer que eu sou reflexo da garra de minha mãe, Dona Maria José. Venho de uma realidade bastante humilde. Minha mãe só teve acesso a uma “cadeira escolar” depois dos 45 anos de idade. A frase que sempre reverberava nos quatro cantos da casa era: estudem para que a realidade de vocês (há mais uma cientista na família) seja diferente da minha. Imaginem a reação dessa mãe, pai, amigos! Mesmo sem entender direito todo o caminho que eu teria de trilhar, sempre tive muito apoio dos meus pais, que hoje são um orgulho só. Como você descobriu qual área da ciência queria estudar?Na verdade, não descobri a Virologia; fui, sim, tragada por ela. Em conversa com um professor do curso de Ciências Biológicas, relatei a minha frustração pelo fato de serem poucas as aulas práticas. Àquela altura, eu não me sentia preparada para o mercado de trabalho. E foi daí que tudo começou. Esse professor, que hoje é meu colega de profissão, apresentou-me ao Laboratório de Ultraestrutura Viral do Instituto Oswaldo Cruz, Fundação Oswaldo Cruz. Nesse laboratório, construí toda a minha trajetória científica, tive a oportunidade de ser orientada por grandes referências da área de Virologia e Ultraestrutura Viral, como a doutora Ortrud Monika Barth e o doutor Hermann Schatzmayr. Hoje tenho muito orgulho de liderar a equipe deste laboratório que me acolheu e que me deu a oportunidade de realizar todos os meus sonhos profissionais. Ao longo de toda a sua carreira profissional, vivenciar esse caos causado pela covid-19 foi seu maior desafio como cientista?Sem dúvida, este é o momento
12 de março: o bibliotecário em tempos de educação remota

O Dia do Bibliotecário é celebrado em 12 de março, em homenagem ao nascimento do primeiro bibliotecário concursado do Brasil, Manuel Bastos Tigre (1882-1957). Mas essa profissão pouco conhecida surgiu há séculos, nos tempos remotos da civilização. E o que é que faz um bibliotecário? Bem, esses profissionais organizam, guardam, identificam os assuntos dos livros e dos documentos, traduzem para o sistema da biblioteca e, mais ainda, permitem que eles estejam acessíveis para todos os que possam se interessar. Legal, né?! Não é só na biblioteca que um bibliotecário trabalha, mas provavelmente esse é seu lugar preferido. Já faz um tempo que o mundo digital não é novidade, mas muitos ainda acreditam que as bibliotecas não acompanharam esse ritmo. Será? Bem, posso garantir que isso não é verdade. É só “dar um Google” para descobrir o tanto de bibliotecas digitais e virtuais que existem mundo afora. Sem falar nos inúmeros recursos digitais e on-line que as bibliotecas presenciais oferecem. No Brasil, por exemplo, temos o Domínio Público, http://www.dominiopublico.gov.br/ uma biblioteca virtual criada pelo Ministério da Educação que conta com mais de 180 mil títulos em diversas mídias, disponíveis para baixar gratuitamente. Já a ONU tem um projeto chamado Biblioteca Digital Mundial, https://www.wdl.org/pt/ que reúne documentos oficiais sobre a cultura de diversos países. Acesse e confira! Em tempos de pandemia Só que veio o novo coronavírus, e o digital e o on-line deixaram de ser exceção. Em muitos casos, viraram regra. Há um ano, espreitávamos o que nunca imaginamos viver: a maior pandemia dos nossos tempos. Deixamos nossas salas de aula e passamos a ocupar os cantos da casa. Nossos celulares e computadores ficaram cheios de atalhos e arquivos ocupando suas memórias. Os professores e colegas passaram a ser vizinhos de tela no Classroom, cada um ocupando, literalmente, seu próprio quadrado. Mas onde fica a biblioteca nessa história toda? É engano nosso pensar que a biblioteca está fechada atrás dos portões dos colégios. Tal qual nossa escola é viva, assim também são nossas bibliotecas. Atravessando muros de concreto e a distância, a biblioteca, em tempos de pandemia, tem nos aproximado no amor e na esperança de um breve e caloroso reencontro. Seja nas “aulas de biblioteca” on-line ou nos eventos remotos abrilhantados por um conto ou poema, o papel dos bibliotecários é presente e, às vezes, quase invisível, mas precioso na biblioteca escolar. O paraíso Desde os anos iniciais, os momentos de “contação” de histórias são repletos de encanto e auxiliam no processo de formação de nossos pequenos estudantes, promovendo a resiliência, ampliando o repertório sociocultural e desenvolvendo a comunicação, para a autonomia das crianças. Em cada ação, esses guardiões dos livros carregam a missão de incentivar o pensamento crítico, a imaginação e a curiosidade, ampliando o gosto pela leitura. Dentro desse ambiente aberto e imaginativo, promovido pelos contos, tudo é possível. Os livros, sejam eles digitais ou físicos, permitem-nos encontros preciosos, arrancam-nos suspiros de medo e curiosidade, transbordam-nos alegria e nos encantam profundamente. Aprendemos muito, nesse último ano, sobre o valor da vida. Percebemos que o que realmente importa, muitas vezes, esteve sempre conosco e não precisamos de muito mais para sermos felizes. O escritor argentino Jorge Luis Borges disse: “Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de biblioteca”. Parece que ele está certo, não é mesmo? Nem precisamos estar dentro delas para perceber o quanto as bibliotecas são nosso lugar de repouso e alento. Nunca foi um lugar só para aprender e estudar. Em nossas escolas, isso não é novidade. É só observarmos os olhares dos alunos para percebermos que a leitura é a receita que diminui qualquer distância. Teily Ane Teles de AssisBibliotecária escolar no Colégio Stella Matutina, Juiz de Fora-M
A diversidade nos enriquece, e o respeito nos une

Aos poucos, nossas escolas estão retomando e ganhando vida novamente. Porque escola só tem vida e alegria quando tem gente. Gente com G maiúsculo, aberta às possibilidades e que goste de gente. Por esse motivo, após viver oportunamente, em 2020, o tema “Escola viva, vê, sente e cuida”, em meio a um confinamento involuntário e necessário, nós nos tornamos mais resilientes e resistentes. Agora, abrindo este novo ano, ainda com muitos cuidados e protocolos, apresentamos o novo tema: “A diversidade nos enriquece, e o respeito nos une”. Antes de continuar, pare e pense um instante: o que esse tema provoca em você? A cada ano, inspirados pela Campanha da Fraternidade, os educadores da Rede de Educação, juntamente com as irmãs, participam do processo de elaboração e de escolha do tema transversal. O tema escolhido e lançado no início do ano letivo é responsável por permear e inspirar todas as ações pedagógicas e as vivências em nossas comunidades educativas. Falar em diversidade, respeito e unidade é sempre genial e desafiador. Genial porque diz respeito ao que buscamos como humanidade e pelas conquistas já realizadas. Desafiador por compreender que temos ainda um grande caminho a ser trilhado, em que a educação tem um papel fundamental. É fundamentalmente na escola que, além de pensar este e outros temas, temos a possibilidade de conviver com pessoas tão diferentes da gente, construindo relações harmoniosas e de respeito. Por isso ainda precisamos aprender muito sobre a diversidade. Precisamos entender que muitas são as visões de mundo, não uma única, e que somente com essa compreensão poderemos entender o outro em sua individualidade. Cada cosmovisão tem seu valor. Para isso, precisamos nos colocar em atitude de bons ouvintes e observadores, deixando de lado nossas formas impositivas. Pelo diálogo, conseguimos entender que todos cabem neste mundo, cada qual do seu jeitinho. Não por acaso, quando comecei a pensar e escrever sobre este tema, caiu em minhas mãos o livro Ideias para adiar o fim do mundo, o qual recomendo a você. Segundo Ailton Krenak, vivemos uma lógica atual que “suprime a diversidade, nega a pluralidade das formas de vida, de existências e de hábitos. Oferece o mesmo cardápio, o mesmo figurino e, se possível, a mesma língua para todo mundo”. Talvez porque estejamos ainda condicionados a uma única ideia de ser humano e a um único tipo de existência possível. Por isso somos convidados a desconstruir essa concepção e fazer novas escolhas. Afinal, “definitivamente não somos iguais, e é maravilhoso saber que cada um de nós é diferente do outro, como constelação. O fato de podermos compartilhar esse espaço, de estarmos juntos viajando não significa que somos iguais, significa exatamente que somos capazes de atrair uns aos outros pelas diferenças, que deveriam guiar nosso roteiro de vida”. Com essa última ideia do líder indígena Krenak, deixo aberta nossa reflexão para o ano de 2021, convidando você e sua escola para ampliar nosso círculo de reflexão, a fim de contribuir na construção da sociedade que buscamos. Agostinho Travençolo JúniorEducador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS
A consciência, a caridade e a missão

Se se opuser à paz a guerra, aquela se tem, portanto, distanciado de qualquer cidadão brasileiro por conta desta. Algo distante, considerando o fato de que sua precedência já se perdeu em qualquer memória de cidadão vivo, pois não há guerra por aqui há anos. Se se opuser à paz a violência, aquela se tem apenas pelo espectro da televisão higienizada no conforto dos lares da classe média. Infelizmente distante e, algumas vezes, politicamente incorreta. Se se opuser à paz a “a-pro-atividade” em favor de uma sociedade mais humanizada, talvez se possa discorrer sobre os casos de pessoas comuns e conformadas com o mundo que as cerca. Muitas pessoas aceitaram bem o distanciamento proporcionado pela televisão, ainda que uma lágrima preguiçosa escorra de quem anda sentado no sofá de sua sala climatizada, regozijando seu biscoito recheado. A televisão e suas campanhas encapsulam, cercam e não permitem que a sociedade, nos altos condomínios urbanos, se infecte e se afete das mazelas sociais que, lá de cima, são miradas em distância e com pouco comprometimento. Isso porque há quem crê que a pseudoconsciência de seus compromissos humanitários se encerra com um “obrigada!” da telefonista plantonista dos call-centers de doações. Será que a paz se revela apenas na facilidade de um telefonema para doação aos carentes, motivado por essa mesma televisão que vende o conforto das consciências coletivas? Será que o vidro da janela da sala do apartamento marca o limite entre a minha afetação e a dor do outro, a necessidade do outro, a linguagem do outro, o outro? Por que a caridade deve ser asséptica? Para aqueles que não entendem os vários efeitos de sentido de missão, resta o costumeiro conformismo. Não há como abandonar a caridade, tampouco não se envolver. Não há de se permitir que a televisão reconcilie as ambições que se tenham de justiça na sociedade contemporânea, virtualizando qualquer ação assertiva a favor dos mais necessitados. Veja um caso. Dobri Dobrev tem mais de noventa anos. É búlgaro. Perdeu a audição durante a guerra. Vive em uma modestíssima casa nos arredores de Sófia. Modesta, mas sem a depauperação que os intelectuais sociólogos de favela brasileira chamam de miserável. Ostenta uma grande barba e um certo carisma não ameaçador. Vive da mendicância pelas ruas da capital e uma bolsa-família de oitenta euros. Com seu pulôver grande e religiosidade extrema, arrecadou da “generosidade” búlgara mais de quarenta mil euros em esmolas. Essa pequena fortuna, Dobri doou em sua totalidade, sem pestanejar, à caridade. Quarenta mil euros ao orfanato cuidado pela Igreja que frequenta, num gesto de humildade e desprendimento. Em um gesto de paz. Se se opuser à paz o peso social da consciência, aquela palavra deve ser substituída por Dobri Dobrev e por tudo o que ele representa. Desprendimento, crença e ação em prol do outro. Como na Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: “Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade”. Não é por nada que as irmãs desta Congregação têm a missão no nome. Não é semântica. É linguagem, é ação, é a palavra que se faz verbo e é um verbo que se faz ação: missionárias. A palavra é nossa primeira missão. Nas escolas da Rede, talvez este seja o maior problema enfrentado pela comunidade escolar: não poder ir até os locais dos enfermos, dos idosos, das crianças. A reclusão necessária à saúde também criou um vazio enorme, uma falta. A falta do outro na caridade da afetação. A pandemia amordaçou as mãos de todos nós. Amordaçou, porque era na linguagem do toque que conhecíamos a nós mesmos; vivificamos nossa identidade. Todos fazem parte de tudo. Esteja onde estiver. Todos fazem parte de um todo. Não há paz onde não há consciência. Não há consciência onde só há letargia. Tony Labanca Professor do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-
Inteligência emocional: espiritualidade no comportamento

Diante das constantes e vastas mudanças sofridas pela sociedade pós-moderna, abordar o tema da inteligência emocional é de grande urgência e necessidade social. Entre as várias mutações dos hábitos sociais, percebe-se inúmeras pessoas sendo desafiadas a “evoluir” para um lugar de intensa liberalidade em seu ato de ser. Isto é, livres de qualquer amarra ou comprometimento comportamental com o outro, são obedientes à não obediência. Tornaram-se reféns de suas emoções. O que sentem tendem a dar vazão ou recalcar. Mas é sobre o equilíbrio entre essas duas margens do mesmo rio que devemos nos importar. A disciplina das ações pode ser entendida como uma grave ofensa aos deuses da Modernidade que tecem o dogma do “tudo pode”, promovendo uma grande revolução socioemocional das novas gerações em conflito com as regras das gerações que nos precederam. Tradicionalmente, a inteligência emocional foi entendida como controle das emoções individuais: raiva, medo, desespero, pânico ou qualquer outro exemplo que tipifique uma euforia. No entanto, a inteligência emocional se detém no trato do comportamento pessoal quando essas tais emoções surgem. Não dá para fugir das emoções. Quando elas vêm, é possível controlar o comportamento diante delas, o que se denomina tecnicamente de autocontrole. Sentir medo na presença de um animal feroz foi o que possibilitou aos seres humanos, no período da caça, por exemplo, desenvolverem sua inteligência espacial e analítica para sobreviverem nos territórios tão hostis, passando de seres caçados para caçadores. Paralisar-se diante do perigo seria, sem dúvida, o comprometimento mais autodestrutivo da espécie humana. Em brevíssimo tempo, seria extinta pelos outros animais, pelo clima e a fome. As emoções são reações rápidas ao meio observado, apura as estratégias diante do fato sentido. Ficar chateado por alguma ofensa recebida no trânsito, por exemplo, é natural. No entanto, o que se faz com ela se reserva ao amadurecimento ou não da inteligência emocional. Ora, se o comportamento do indivíduo diante de suas emoções é a linha divisória entre as brigas, ofensas, intolerâncias e tudo o que desune e a possibilidade de evitá-las, notar-se-á, portanto, que cada ser humano estará na bifurcação de uma escolha fugaz: fazer ou não fazer, falar ou não falar, agir ou não agir. Aperfeiçor o comportamento é fruto de uma luta interior, intensa e constante. Uma espiritualidade que coloque o indivíduo diante das consequências de suas ações é o poder que a educação tem. Fazer o honroso esforço de perceber-se diante da vida e de todos os seus desafios necessita de uma rigidez psicoemocional constante. Ou seja, unir os afetos à razão e a razão aos afetos torna-se o antídoto à vida excessivamente voltada à aprovação dos outros bem como à preservação da vida indiferente à necessidade dos que precisam. A espiritualidade conduz o indivíduo para dentro de si, podendo encontrar, na intimidade de sua existência, os outros, Deus e toda natureza que o cercam, garantindo a vida. Espiritualidade e autopercepção são sinônimas. Por outro lado, muitos homens e mulheres tendem a emitir um juízo sobre os seus feitos após os executar. É nesse sentido que toda espiritualidade, baseada no silêncio, na percepção das emoções e no autoconfronto com as consequências que as atitudes individuais trazem bem como em sua interferência coletiva, poderá curar as feridas de uma sociedade cada vez mais doente, quando não pensa nas consequências de suas ações antes de agir. Conversar, instruir, ensinar, educar seriam ferramentas poderosas para instruir o indivíduo na posse de si e refletir sobre seu comportamento. Em síntese, essa espiritualidade do quotidiano pede a homens e mulheres uma atenção generosa aos efeitos de suas ações. Controlando o comportamento, as emoções darão lugar à tão cara paz interior. Sentir todos sentem, porém como sentimos é o que nos diferencia dos outros animais. Perceber o outro é perceber-se; perceber-se é perceber o outro. Assista ao bate-papo sobre inteligência emocional, publicado no canal da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, no Youtube. William John Martins é professor de Ensino Religioso no Colégio Imaculado Coração de Maria, Rio de Janeiro-RJ. “Escola Viva: vê, sente e cuida.”
Somos parte de uma grande missão: 100 anos de compromisso com a educação cristã

Pulsar de uma REDE.Pulsar de seus educadores…Rede nos lembra relações, conexões, uniões, e tudo nos remete a pessoas e não aos prédios que compõem as escolas. Sim, somos uma rede de pessoas, de educadores comprometidos com uma razão de SER, com uma missão… A SEB (Sociedade de Ensino e Beneficência) faz 100 anos em 15 de outubro, dia em que historicamente lembramos também os mestres/professores. Que feliz coincidência! Somos parte de um centenário marcado pelo trabalho de muitas irmãs, muitos leigos, muitos professores e muitas gerações que passaram pelos colégios e centros educativos da Rede. Em tempos tão imediatos e líquidos, que bom ter histórias para contar, ter motivos para celebrar e para olhar o passado, com os impulsos do futuro. Saber que muito se fez, mas muito temos para fazer ainda; sabendo que, pela educação, pelos valores evangélicos, pela presença em muitas realidades, podemos fazer a diferença e marcar a formação de crianças e jovens. Nesse dinamismo, nossa prática ganha sentido além das teorias!Para pulsar, existe a necessidade do movimento, do ritmo, da entrega e até da indignação. “É necessário se espantar, se indignar e se contagiar, só assim é possível mudar a realidade” (Nise da Silveira). E assim se fez… Desde o início desta pandemia, acompanhamos nossos educadores incomodados, transformando suas práticas do dia para noite e com um ressignificar em um momento imposto que desafiou todos nós. O ato de ensinar passou definitivamente pelo ato de aprender: aprender metodologias mais adequadas, lidar mais e melhor com as tecnologias, entrar no Zoom, no Meet, olhar para a tela do computador e pensar nas interações que poderiam acontecer remotamente. O educador, que é a fonte das mediações, vê-se mediando o desconhecido, o remoto, a distância, e o ato de ensinar fica transformado pelo impacto do distanciamento social. Como acolher todos? Como dar atenção? Como avaliar? Como… como… como? Quantas perguntas sem respostas prontas e acabadas… A nova sala de aula se desenrolou, e o professor se reinventou. Divaguei um pouco para lembrar fatos e ações que somente quem assume desafios consegue enfrentar. E foi assim que acompanhamos nossos TIMES do Coração de Maria, do Espírito Santo, do Sagrado, do Stella Matutina, do Madre Josefa, Madre Theresia e Maria Helena. Quantas batalhas, mas também quantos reconhecimentos pelo trabalho, pelo esforço, pelos resultados. E assim, queremos agradecer por terem acolhido nossos alunos e suas famílias; sim, deram aulas para muitas famílias. Por buscarem os caminhos para planejamentos criativos, inovadores. Por serem corresponsáveis uns com os outros; e quantas trocas aconteceram e, talvez, até mais que no presencial. Muito obrigado por acreditarem em uma REDE de escolas VIVA, que acredita nos valores humanos das relações, da fé, da humanização do saber e da capacidade transformadora da educação. Por existirem e fazerem parte das nossas vidas. Por marcarem este 2020, dentro de 100 anos da SEB, como um ano especial de muitas aprendizagens e superações. Educadores, a nossa palavra hoje é gratidão, e que possamos sempre celebrar o Dia do Educador com a certeza de nosso compromisso com a missão de educar, como ação transformadora em uma sociedade que parece se encontrar, cada dia mais, no limiar da loucura, da desesperança, da fome física e moral. “Na verdade, é no jogo das tramas de que a vida faz parte que ela, a vida, ganha sentido” (Paulo Freire). Recebam nosso respeito, carinho, gratidão e MUITO OBRIGADO por entenderem as palavras do grande Mestre: “IDE e ENSINAI”! Que Deus abençoe cada um de vocês! João Carlos Martins é assessor pedagógico da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo.
Lives ajudam a superar o estresse da pandemia

A Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo vem realizando uma série de atividades on-line dentro do Projeto Tecendo Relações. Entre elas estão as lives que apresentam os talentos dos colégios da Rede de Educação. A última foi com a banda Xad Caramelo, na sexta-feira, 11 de setembro, no Colégio Stella Matutina, em Juiz de Fora-MG. A escola está comemorando 118 anos de existência. Antes disso, o Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, apresentou a banda Soul Much Blues, no fim de julho. A irmã Maria de Fátima Marques, diretora-presidente da Rede de Educação, explica que as lives surgiram como um desdobramento do projeto Tecendo Relações, quando perceberam que a pandemia estava gerando muito cansaço e um certo nível de estresse na comunidade educativa. “Então resolvemos trazer as lives com uma leveza artística, com a música, com o ‘sextou’, com o descanso, para estar num ambiente familiar, curtindo uma boa música”. Além disso, segundo ela, é também uma oportunidade para promover os talentos dos alunos e professores, que se intercalam durante a apresentação. Na última live, o aluno Alexander Behrend e sua mãe, Ana Paula Behrend, professora de Música, representaram o Colégio Imaculado Coração de Maria, que celebrou recentemente os cem anos de presença no Méier, bairro do Rio de Janeiro-RJ. O aluno Eduardo Martins, do Colégio Espírito Santo, fez uma apresentação de guitarra, e o professor Célio Andrade, do Colégio Sagrado Coração de Jesus, soltou a voz, em homenagem ao cantor Vander Lee, nascido em Belo Horizonte-MG. “O Tecendo Relações, dentro dos jardins do Colégio Stella Matutina, comemorando os seus 118 anos, fez pulsar dentro de mim os sentimentos mais profundos de saudade, de emoção, de solidariedade e de amizade”, afirmou a gestora administrativa Raquel Fiuza. Para ela, o projeto significa “o reencontro com a comunidade escolar, neste momento de angústia, de tristeza, por que o mundo está passando”. O mais importante para ela é que isso “está fazendo os nossos corações pulsarem”, não só nos alunos e profissionais, mas também no ex-alunos e até nas escolas vizinhas. Feliz com os bons resultados, afirma: “A comunidade precisa desse carinho”. Também Lilian Sedlmayer, diretora educacional do Colégio Stella Matutina, falou de sua emoção ao perceber o engajamento da comunidade escolar: “Foi muito bom participar da organização do evento, ver a mobilização das pessoas e a emoção da equipe, dos professores, alunos e familiares”. Irmã Maria de Fátima vem participando diretamente das lives e demais atividades on-line, e comenta que as transmissões já ultrapassaram 1.800 visualizações. “É número muito significativo no universo educacional de nossas escolas”, acrescenta. Das atividades on-line, o recorde de visualizações foi a apresentação do centenário do Colégio Imaculado Coração de Maria, em agosto, com mais de 4.600 visualizações. Segundo ela, está crescendo a adesão no canal do Youtube, o que mostra que “a comunidade educativa vem respondendo a esse projeto on-line da Rede de Educação”. A diretora-presidente lembrou ainda que, neste momento, o objetivo da Rede de Educação é cuidar da comunidade educativa, incluindo os educadores, os alunos e as famílias, e que “esses momentos de leveza são uma expressão desse cuidado”, explicou. “Queremos desestressar, viver momentos alegres, mesmo que o distanciamento social, nesta realidade da pandemia, traga desafios tão profundos.” Para finalizar, Ir. Maria de Fátima recitou o slogan da Rede: “Uma escola viva pulsa na gente”. ____ Na live do dia 11 de setembro, foi escolhida a banda Xad Caramelo porque seu vocalista, Alex Xad, é pai do aluno Aleph Mograbi, de 2 anos de idade, e sua esposa Thais Moreira Silva, é professora do colégio. A apresentação, com um repertório dedicado ao rock dos anos 70, foi uma homenagem aos 118 anos do Stella Matutina. Aqui trazemos a letra da música composta por Thomé Paulo Soares e Xad Caramelo, a qual ganhou uma adaptação para homenagear a presença missionária do colégio na cidade de Juiz de Fora. Flores do Céu Em tudo e em todosAlgo existe fascinante de se ver O céu é lindo visto da terraA terra é linda vista do céuFlores da terra, flores do céu Na bravia tempestadeNos ventos indomáveisNa calmaria em um lagoNo cintilar das gotasAté no tocar dos sinosDe um templo mais alémNa revoada dos pássarosAlegres em debandada O céu é lindo visto da terraA terra é linda vista do céuFlores da terra, flores do céu No alvorecer do diaNa noite caindo aos poucosNo surgir de uma estrelaNas estrelas matutinas (O Stella Matutina – adaptação) O céu é lindo visto da terraA terra é linda vista do céuFlores da terra, flores do… Se o mundo assim tão beloMe revelou sua belezaSerá assim pra sempreE será a partir de agora! O céu é lindo visto da terraA terra é linda vista do céuFlores da terra, flores do céu
Tecendo Relações de Solidariedade

A vida é feita de pessoas que, diariamente, tecem os sinuosos fios, dando sentido à existência humana. A sensibilidade que se traduz em ajuda é um dos sentidos que tornam o dom de viver ainda maior. Gente que se encontra e que, na convivência, vão descobrindo que a generosidade, a solidariedade e a alegria contagiante de fazer o bem às pessoas, por meio de gestos concretos e das mãos que se abrem, fazem toda a diferença e podem mudar tudo. Nesse sentido são os depoimentos de quem entendeu que educação se faz também de atitudes nobres. Por eles, partilhamos um pouquinho do projeto “Tecendo Relações de Solidariedade”, da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo. “No início, nossa preocupação era com as necessidades emocionais, espirituais e sociais de toda a comunidade educativa e que nasce como resposta a uma preocupação sensível e cuidadosa com as pessoas que fazem parte da Rede, e por entender a importância do cuidado emocional, do acolhimento e da espiritualidade que constitui a alma e a razão de ser de nosso carisma. O Projeto foi se desenvolvendo e tecendo diferentes maneiras de ouvir, sentir e cuidar. Esse precioso cuidado, que chegou aos alunos, educadores, familiares por meio de encontros virtuais e ‘webinares’, criou uma grande corrente de solidariedade, amizade e fraternidade. Pensando naqueles que mais precisam, surgiu uma necessidade de ajudar, de fazer mais pelo nosso próximo. Doações variadas, de forma especial, de cestas básicas, contribuíram com muitas famílias e comunidades atendidas pelas obras sociais ligadas à instituição. Estamos conectados e envolvidos diante de um olhar cuidadoso e fraterno.” Luciana Marzullo Araujo, coordenadora missionária do Colégio Stella Matutina – Juiz de Fora-MG ________________________________________________________ “O projeto tem como objetivo despertar, em nossa comunidade educativa (famílias e colaboradores), o olhar do cuidado àqueles que estão em dificuldades ou nelas foram colocados. Assim, para comemorar nosso centenário de uma maneira em que o nosso carisma e missão estivessem visíveis ,realizamos o ‘Drive-Thru Solidário’, em que as famílias e os colaboradores foram convidados a trazer doações de alimentos não perecíveis para a confecção de cestas básicas que serão distribuídas para as famílias dos alunos do Centro Educacional Madre Josefa, obra de nossa Rede e que atende famílias que vivem no Complexo do Alemão. O objetivo foi alcançado! Conseguimos recolher cerca de meia tonelada de alimentos. Agradecemos a todos os familiares e colaboradores que se empenharam na concretização desse projeto. Que essa parceria família-escola continue dando muitos frutos!” Alexandre Britto, coordenador missionário, Colégio Imaculado Coração de Maria – Rio de Janeiro-RJ ________________________________________________________ “A situação que vivemos, no contexto da pandemia, tem nos ensinado a ressignificar nossas relações, sejam elas com nosso corpo, com nossas responsabilidades, com o mundo em que vivemos e também com nosso semelhante. Poder ajudar as famílias do Centro do Imigrante, por meio do projeto ‘Tecendo Relações de Solidariedade’, tem sido uma experiência incrível. Saber que, de alguma forma, um pequeno gesto solidário que está a meu alcance poderá significar um suspiro aliviado e provisão para os próximos dias de uma família é encontrar, dentro de toda a instabilidade do momento em que vivemos, sentido para a vida. É uma alegria caminhar com pessoas que assumem a responsabilidade de entender o papel da educação na intervenção social. O sentimento é de gratidão por conhecer tantas pessoas boas que têm se mobilizado, em um exercício de empatia, para cuidar e servir.” Beatriz Von Laspera Carelli, professora da educação infantil, Colégio Espírito Santo – São Paulo-SP ________________________________________________________ “Empatia, compaixão e solidariedade. Esses são alguns sentimentos que o projeto ‘Tecendo Relações de Solidariedade’ me trouxe neste momento. Mostrou-me o que é ser uma verdadeira cristã e uma cidadã consciente. A pandemia fez com que muitas pessoas parassem e olhassem o próximo. Mas esse olhar vai além do enxergar; estamos sentindo. Um projeto tão lindo, com o qual fui surpreendida por tanto amor e preocupação de tanta gente! E fazer parte disso tudo é colocar em prática valores que não ficam só na teoria. Agradeço a meus colegas Agostinho, Beatriz e Kelly, que compartilham dos mesmos sentimentos e ideias! Gratidão sempre!” Luciana Basile Mendonça Lima, professora do ensino fundamental 1, Colégio Espírito Santo, São Paulo-SP ________________________________________________________ “O que dizer sobre projetos sociais? A gente vê muito por aí sobre trabalhos lindos que envolvem a generosidade e o amor das pessoas em ajudar o próximo ou aquele que nem conhece. Sempre achei lindo, mas nunca tive uma atitude eficaz para me envolver a fundo com esse tipo de ‘trabalho’/‘ação’. Contudo hoje tudo mudou. Acredito que essa pandemia veio nos ensinar muita coisa e nos ajudar a sermos seres humanos melhores, com um olhar mais humanizado e generoso para o outro. A palavra do momento é ‘empatia’, portanto vamos usá-la com todo o significado que ela tem. Fazer parte de um projeto social tem um gostinho diferente. Estou imensamente feliz em participar ativamente. Tem sido mágico, impactante e extremamente importante colaborar com esse tipo de ação, em especial, colaborar com o projeto ‘Tecendo Relações’. Se antes eu já tinha a preocupação em me tornar um ser humano melhor, um ser humano responsável e ajudar o próximo, hoje isso está inserido em minha rotina, enfim em minha vida. Conectar-me com as pessoas para ajudar outras pessoas, ir em busca de descontos, faz-me sentir viva, forte. Sim, eu posso ajudar! Sim, eu quero ajudar! Agradeço imensamente por fazer parte deste projeto lindo. Poder ajudar as pessoas me faz um bem enorme, um bem à alma… Muito obrigada!” Kelly Silva Brandão, coordenadora de Segmento da Ed. Infantil e 1º ano ________________________________________________________ São palavras como as que acabamos de ler que nos ajudam a entender, cada vez mais, que a partilha é um caminho urgente, possível e transformador. Motivar e participar de projetos como o “Tecendo Relações”, tendo a possibilidade de fazer o bem neste momento da história, nos faz felizes e ajuda a pensar sobre nossa missão aqui. Afinal, ajudar as pessoas a encontrar suporte nos momentos de necessidade nos ajuda a entender que estamos
Colégio Imaculado Coração de Maria celebra o centenário

O Colégio Imaculado Coração de Maria, situado no Bairro do Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro-RJ, está celebrando seu centenário de fundação. Embora tenha planejado a festa há bastante tempo, por causa da pandemia, precisou mudar os planos. Devido ao distanciamento social, a festa terá um estilo completamente diferente, impensável há poucos meses. Irmã Maria de Fátima Marques, diretora-presidente da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, explica que a festa será virtual, utilizando os recursos de transmissão ao vivo pela internet. Para ela, celebrar os cem anos da instituição, mesmo em meio à pandemia do coronavírus, significa renovar a esperança e manter a escola de portas abertas, ainda que virtualmente. “Significa manter o movimento e o dinamismo de uma escola viva”, afirma, baseando-se no lema da Rede de Educação: “Escola viva: vê, sente e cuida”. O colégio foi inaugurado oficialmente no dia 19 de março de 1920, mas, por causa de Nossa Senhora, a patrona da comunidade escolar, surgiu a tradição de celebrar sua festa em 22 de agosto. “Há 100 anos, o colégio faz história, formando crianças e jovens à luz dos valores evangélicos, comprometido com a transformação social”, conta Ir. Fátima. Ela recorda também os muitos desafios que o colégio teve de enfrentar. Com as reformas e ampliação dos ambientes, o Colégio Imaculado Coração de Maria conta atualmente com espaços modernos que atendem seus 900 alunos. Para marcar a celebração do centenário, no período da manhã de sábado, haverá um drive-thru, em que as famílias poderão passar pelo colégio e, sem sair do carro, os alunos poderão ver seus professores, matarem a saudade e receber um kit comemorativo pelo centenário. Além disso, poderão doar alimentos não perecíveis, que serão destinados às famílias atendidas pelo Centro Educacional Madre Josefa, no Complexo do Alemão. Às 19h30min, haverá uma apresentação-surpresa transmitida ao vivo pelo canal da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, no Youtube. Neste vídeo você vai ver o depoimento de algumas pessoas que ajudam a construir a história do Coração de Maria: Como fazer para dar aulas no Coração de Maria? A seguir apresentamos o depoimento emocionado de Susete Parreira, atual diretora educacional do colégio. Um século de história! Nossa, é muito tempo! Embora eu não tenha muitos anos no Colégio Imaculado Coração de Maria, ele sempre esteve por perto, ou melhor, presente em meu caminho. Primeiramente, pela exuberância de seu prédio, que salta aos olhos de quem passa pela Rua Aristides Caire, e também por alimentar meu sonho de um dia vir a fazer parte do grupo de seus colaboradores, como professora. Trabalhei em outros colégios do entorno e, sempre que passava por sua porta, pensava em como fazer para dar aulas no famoso Coração de Maria do Méier. A vida dá muitas voltas, e hoje nossas histórias se cruzam. Não dou mais aulas de Geografia. Sou diretora, e digo isso com o coração transbordando de orgulho e felicidade! Minha eterna gratidão às irmãs missionárias servas do Espírito Santo, por acreditarem e confiarem a mim a administração da parte educacional de seu colégio. Farei minhas as palavras de toda uma comunidade que reconhece a importância desta instituição em suas vidas. São palavras de carinho, de afeto, de orgulho e de um imenso reconhecimento por tudo o que este colégio proporcionou a cada um deles. Hoje já são pais, avós e continuam trazendo os filhos, os netos, os sobrinhos. Várias gerações de uma mesma família cresceram e se formaram adultos nas salas de aula, nos bancos, nos corredores deste colégio que era a segunda casa deles, como até hoje o dizem. Estudar e trabalhar no Imaculado Coração de Maria é se dar a oportunidade de crescer como ser humano, de desenvolver-se como pessoa na generosidade e solidariedade pelo outro. Aqui se aprende o valor e a importância dos ensinamentos de Jesus Cristo: amar e respeitar o próximo, também a propagar a Palavra de Deus “em nossos corações e nos corações de todas as pessoas”.Ao longo destes cem anos, muitas mudanças aconteceram. O mundo se transformou, mas a essência missionária deste espaço de ensino e formação não foi alterada. As irmãs exercem um papel importante em nosso dia a dia. Elas iluminam, com sua espiritualidade e afeto, nossa rotina escolar. Ajudam-nos na condução da educação e construção de pessoas melhores, mais humanas. E quando falamos nas irmãs, imediatamente nos lembramos da querida e inesquecível irmã Mansuetis Santanna, carinhosamente chamada por nós de irmã Mansu, com seus 92 anos de idade e ainda estudando alemão. Mas sabemos que há outras irmãs que também deixaram suas lembranças nas memórias de vários ex-alunos ao longo deste século de existência. Um tempo pleno de fé, vitórias, lágrimas, tristezas, de idas e vindas, gratidão e esperança de poder escrever mais cem anos de história no Bairro do Méier, destacando-se na Zona Norte da maravilhosa cidade do Rio de Janeiro. Parabéns pelos seus cem anos, Colégio Imaculado Coração de Maria! Centenário do Coração de Maria “Como é cheio de vida e de encanto,Um Colégio como este onde o amor…” E assim, partindo de um sonho de amor, em 1920, nasce o Colégio Imaculado Coração de Maria, que se torna o cenário de muitas histórias, com a nobre missão de educar crianças e jovens. A missão das queridas irmãs missionárias servas do Espírito Santo irradia, através dos tempos, os valores cristãos e éticos, a vivência da fé e a construção de uma sociedade justa e sustentável. Por sua tradição permeada de afeto, integridade e compromisso com a formação integral do ser humano, firma uma excelência acadêmica. Uma construção coletiva, desenhada por gerações, transformando o Coração de Maria em uma referência de passado, presente e futuro. O projeto educacional estruturado em sua trajetória vem, a cada dia, inovando-se diante das demandas que se apresentam no mundo, sem perder sua essência, sua identidade, seus fundamentos e princípios que fazem dela uma “Escola que vê, sente e cuida”, “Onde a educação está em todo lugar”. A idade mágica de cem anos de existência é