Espiritualidade ecológica: um chamado para jovens e adultos

O cuidado com o planeta Terra não se limita às florestas e rios distantes; ele começa nas ruas, praças e comunidades onde vivemos. Cada gesto de cuidado pode ser acompanhado de oração e gratidão. A irmã Hermelinda Maria Ruschel, missionária serva do Espírito Santo, propõe algumas ações para que o zelo pela Casa Comum se transforme também em gestos de espiritualidade.
Ecologia integral: a Criação, a espiritualidade, a Lua, a Páscoa…

Chegou a Páscoa! O tema da Campanha da Fraternidade é “Fraternidade e Ecologia Integral”, com o lema “Deus viu que tudo era muito bom”. Trata-se de uma ótima oportunidade para aprofundar um pouco mais o significado da Criação e de nossa responsabilidade para a sua preservação. Confira o artigo de Marli Teresinha Everling!
SSpS do Brasil alertam para situação da Amazônia

Com base na Encíclica Laudato si’, publicada pelo Papa Francisco, e no Sínodo da Amazônia, as irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) no Brasil assumiram o compromisso de defender a Casa Comum. Assim, elas denunciam as violações ao meio ambiente e alertam para o caso específico da Floresta Amazônica. No manifesto Todos pela Amazônia, as irmãs alertam que a questão amazônica deve interessar ao mundo inteiro, não apenas às comunidades locais. Para as SSpS, o coração do planeta está ameaçado. “Não importa se você mora longe ou perto da floresta: a vida como é hoje só é possível por causa dela. E a Amazônia precisa de você. É hora de fazer escolhas”. As missionárias justificam que a Amazônia é o coração pulsante do planeta, que regula o sistema climático global e espalha chuva para outras regiões do Brasil, em nuvens que funcionam como veias, bombeando sangue para o restante do corpo. Elas recordam que o bioma tem uma incrível variedade de plantas, animais e é a casa de diversos de povos, entre eles indígenas e populações tradicionais, um legítimo tesouro humano. As comunidades se destacam pelas cores, saberes, cantos e mistérios. “Um lugar regido pela imensidão e força da natureza; um lugar único, diverso e plural.” Ataque à maior floresta tropical o planeta As irmãs servas do Espírito Santo denunciam o plano do governo Jair Bolsonaro de abrir a Amazônia para exploração, entregando o patrimônio ambiental de todos os brasileiros para empresas de mineração, de energia e para o agronegócio. Para elas, é um ataque final à maior floresta tropical do mundo. Só em 2020, a cada minuto, uma área maior do que dois campos de futebol foi desmatada ilegalmente. “Mais de mil árvores derrubadas a cada minuto! Isso mesmo: mil árvores por minuto!”, alertam. Para as missionárias, se a agenda de destruição for em frente, todo o delicado tecido de vida guardada pela floresta pode se desfazer para sempre. “A Amazônia não guarda apenas um tesouro; ela guarda nosso futuro comum. Sem ela, o planeta não é capaz de sustentar a vida”, afirmam. A ameaça, segundo as SSpS, não é apenas à Amazônia e ao povo brasileiro. “Este é um golpe fatal na esperança de um futuro possível para toda a humanidade, uma batalha que não podemos perder.” Assim, elas convocam para uma mobilização mundial em defesa da natureza e dos povos amazônicos. “Para cada voz de brasileiro ou brasileira que se erguer, milhares de outras se somarão até nos transformarmos em uma ampla rede de proteção ao redor da Amazônia e seus povos. Estamos aqui. E somos todos um.”Para incentivar a mobilização, as missionárias prepararam um vídeo. A produção apresenta depoimentos de pessoas que acompanham de perto a vida de um dos biomas mais importantes do mundo. Assista! #TodosPelaAmazônia Veja também Irmãs renovam compromisso de proteger a Casa Comumhttps://blog.ssps.org.br/irmas-renovam-compromisso-de-proteger-a-casa-comum
Laudato si’: cuidando de nossa Casa Comum

Neste mês, a Encíclica Laudato si’ (Louvado sejas, meu Senhor) completou quatro anos de existência. Desde que foi lançada, veio ao mundo como uma grande primavera. Trouxe um florescimento, o aflorar do diálogo com todas as sociedades e religiões. O Papa Francisco lança ao mundo um grande apelo: cuidemos da Casa Comum, cuidemos do planeta. A Laudato si’ expôs, de forma clara, como devemos nos preocupar com a Terra. A novidade está em sua formulação: a Casa Comum. Não foi apenas uma preocupação unilateral em torno do meio ambiente, do meio onde se vive. Mas avançou para algo maior e nos fez pensar que o planeta é nossa casa. E sendo a nossa casa, deve ser cuidada, com afeto, esmero e responsabilidade. Uma obrigação de todos e todas que vivem dentro dela. Para tanto, apontou que, para organizarmos a casa, o planeta, precisamos ter em conta alguns pontos: a pobreza e a fragilidade do planeta, a interligação de tudo no mundo, as formas de poder que derivam das novas tecnologias, uma economia e um progresso não predatórios, o sentido humano da ecologia, a busca por diálogos sinceros entre os povos, a responsabilidade e local da política internacional, a cultura do descarte e um novo estilo de vida. Essa organização da casa comum não é fácil. Depende de cada um de nós, desde os pequenos gestos aos grandes feitos, tanto das Igrejas quanto das sociedades. Desses pontos destacam-se três. Primeiro, sobre a economia e progresso. O Papa Francisco, ao longo dos anos, nos adverte o quanto a ganância por riquezas vem gerando, cada vez mais, a pobreza, a miséria e a morte. Se existe a pobreza é porque não ocorre a distribuição justa dos bens e produtos de cada país. A economia está centrada nas mãos de poucos. Outro ponto é a questão política internacional e local que vem demonstrando o quanto desumaniza os povos. Vemos, na América Central, famílias inteiras em grande deslocamento, em busca de uma nova vida. Há alguns dias, presenciamos o quanto a vida vale pouco: um pai e sua filha, ambos da Guatemala, morreram afogados na travessia para os Estados Unidos. Assistimos a tudo isso e a outros casos mundo afora e nos perguntamos para onde vai o sentido da política humanitária do mundo. Para onde caminha o humano nestes tempos? O terceiro ponto nos mostra como tudo nos interliga dentro da Casa Comum. Na Laudato si’, o Papa Francisco nos mobiliza a pensar em outro mundo possível, de amor, solidariedade e partilha, com uma economia que beneficie a todos e todas, e um progresso que nos leve a um futuro de paz e comunhão. Hoje, no Brasil e em muitos países latino-americanos, presenciamos muitos gestos que nos fazem mais humanos e percebemos o quanto estamos interligados. O maior deles, para nós, cristãos e cristãs, é o Sínodo da Amazônia, que ocorrerá de 6 a 27 de outubro, em Roma. O Sínodo da chamada Pan-Amazônia, que compõe a Bacia Amazônica, toda uma área da selva onde estão muitas nações indígenas, quilombolas, reserva nativo-biológica de plantas e sementes que devem ser preservadas, atualmente palco de disputas internacionais por suas riquezas. Além disso, para nós, cristãos e cristãs católicas, de modo especial, traz a triste questão da falta do encontro de muitos cristãos e cristãs com a Eucaristia. Há povos que não recebem o Corpo de Cristo por falta de sacerdotes. Um assunto que nos provoca a refletir sobre o futuro das vocações religiosas no Brasil. Além desse assunto, outros temas serão discutidos no Sínodo. Oremos por nossos bispos, para que sejam iluminados pela luz do Espírito Santo. Que possamos, juntos, cuidar de nossa Casa Comum. O que apresentamos aqui, no plano de anúncio do papado de Francisco, é anúncio de vida e salvação, motivações nascida a partir da Doutrina Social da Igreja. Por isso a Igreja propõe ao mundo um ideal de uma civilização do amor. O amor social que é a chave para um desenvolvimento autêntico entre os povos. Porque tudo está interligado nesta Casa Comum. Nilda Assis Cândido, mestra em Ciências da Religião (UMESP), coordenadora de curso (CESEEP – Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular), professora de Filosofia da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.