A escola e a cultura de paz

A cultura de paz na escola é um conceito que tem ganhado cada vez mais importância nos dias atuais. Trata-se de um conjunto de valores, práticas e atitudes que visam a fomentar a convivência pacífica entre os indivíduos e a promoção da igualdade, da justiça e do respeito mútuo. Na escola, a cultura de paz se manifesta de diversas maneiras, como na promoção de atividades de cooperação entre os alunos, no incentivo à resolução, de forma pacífica, de conflitos e na valorização do diálogo como forma de comunicação. Uma das principais formas de cultivar a cultura de paz na escola é a educação para os valores. Isso significa que, além do ensino das disciplinas convencionais, a escola deve se empenhar em desenvolver nos alunos habilidades e atitudes que contribuam para a formação de cidadãos pacíficos e responsáveis. Essa educação pode ser promovida por meio de palestras, debates, jogos educativos, entre outras atividades que estimulem a reflexão sobre a importância da convivência harmoniosa. Nesse sentido, as escolas e centros educativos da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo vivenciaram, em abril, muitos momentos de atividades pela paz. De pés descalços, os alunos das escolas montaram um quebra-cabeça gigante para expressar o compromisso com a solidariedade, a cidadania e a empatia. Direcionar o olhar e as ações para a paz e para o outro, a fim de construir uma sociedade mais humana, torna-se o grande desejo que brota da sola dos pés e chega a nossos corações. Além disso, a cultura de paz na escola também depende do engajamento de toda a comunidade escolar, incluindo professores, funcionários e pais de alunos. Todos devem estar alinhados em relação aos valores que a escola deseja transmitir e trabalhar em conjunto para criar um ambiente de respeito e harmonia. Dessa forma, é possível transformar a escola em um espaço de convivência pacífica e de aprendizado para a vida toda, contribuindo para a formação de indivíduos mais conscientes e comprometidos com a construção de um mundo mais justo e solidário. Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS

Tecendo Relações de Solidariedade

A vida é feita de pessoas que, diariamente, tecem os sinuosos fios, dando sentido à existência humana. A sensibilidade que se traduz em ajuda é um dos sentidos que tornam o dom de viver ainda maior. Gente que se encontra e que, na convivência, vão descobrindo que a generosidade, a solidariedade e a alegria contagiante de fazer o bem às pessoas, por meio de gestos concretos e das mãos que se abrem, fazem toda a diferença e podem mudar tudo. Nesse sentido são os depoimentos de quem entendeu que educação se faz também de atitudes nobres. Por eles, partilhamos um pouquinho do projeto “Tecendo Relações de Solidariedade”, da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo. “No início, nossa preocupação era com as necessidades emocionais, espirituais e sociais de toda a comunidade educativa e que nasce como resposta a uma preocupação sensível e cuidadosa com as pessoas que fazem parte da Rede, e por entender a importância do cuidado emocional, do acolhimento e da espiritualidade que constitui a alma e a razão de ser de nosso carisma. O Projeto foi se desenvolvendo e tecendo diferentes maneiras de ouvir, sentir e cuidar. Esse precioso cuidado, que chegou aos alunos, educadores, familiares por meio de encontros virtuais e ‘webinares’, criou uma grande corrente de solidariedade, amizade e fraternidade. Pensando naqueles que mais precisam, surgiu uma necessidade de ajudar, de fazer mais pelo nosso próximo. Doações variadas, de forma especial, de cestas básicas, contribuíram com muitas famílias e comunidades atendidas pelas obras sociais ligadas à instituição. Estamos conectados e envolvidos diante de um olhar cuidadoso e fraterno.” Luciana Marzullo Araujo, coordenadora missionária do Colégio Stella Matutina – Juiz de Fora-MG ________________________________________________________ “O projeto tem como objetivo despertar, em nossa comunidade educativa (famílias e colaboradores), o olhar do cuidado àqueles que estão em dificuldades ou nelas foram colocados. Assim, para comemorar nosso centenário de uma maneira em que o nosso carisma e missão estivessem visíveis ,realizamos o ‘Drive-Thru Solidário’, em que as famílias e os colaboradores foram convidados a trazer doações de alimentos não perecíveis para a confecção de cestas básicas que serão distribuídas para as famílias dos alunos do Centro Educacional Madre Josefa, obra de nossa Rede e que atende famílias que vivem no Complexo do Alemão. O objetivo foi alcançado! Conseguimos recolher cerca de meia tonelada de alimentos. Agradecemos a todos os familiares e colaboradores que se empenharam na concretização desse projeto. Que essa parceria família-escola continue dando muitos frutos!” Alexandre Britto, coordenador missionário, Colégio Imaculado Coração de Maria – Rio de Janeiro-RJ ________________________________________________________ “A situação que vivemos, no contexto da pandemia, tem nos ensinado a ressignificar nossas relações, sejam elas com nosso corpo, com nossas responsabilidades, com o mundo em que vivemos e também com nosso semelhante. Poder ajudar as famílias do Centro do Imigrante, por meio do projeto ‘Tecendo Relações de Solidariedade’, tem sido uma experiência incrível. Saber que, de alguma forma, um pequeno gesto solidário que está a meu alcance poderá significar um suspiro aliviado e provisão para os próximos dias de uma família é encontrar, dentro de toda a instabilidade do momento em que vivemos, sentido para a vida. É uma alegria caminhar com pessoas que assumem a responsabilidade de entender o papel da educação na intervenção social. O sentimento é de gratidão por conhecer tantas pessoas boas que têm se mobilizado, em um exercício de empatia, para cuidar e servir.” Beatriz Von Laspera Carelli, professora da educação infantil, Colégio Espírito Santo – São Paulo-SP ________________________________________________________ “Empatia, compaixão e solidariedade. Esses são alguns sentimentos que o projeto ‘Tecendo Relações de Solidariedade’ me trouxe neste momento. Mostrou-me o que é ser uma verdadeira cristã e uma cidadã consciente. A pandemia fez com que muitas pessoas parassem e olhassem o próximo. Mas esse olhar vai além do enxergar; estamos sentindo. Um projeto tão lindo, com o qual fui surpreendida por tanto amor e preocupação de tanta gente! E fazer parte disso tudo é colocar em prática valores que não ficam só na teoria. Agradeço a meus colegas Agostinho, Beatriz e Kelly, que compartilham dos mesmos sentimentos e ideias! Gratidão sempre!” Luciana Basile Mendonça Lima, professora do ensino fundamental 1, Colégio Espírito Santo, São Paulo-SP ________________________________________________________ “O que dizer sobre projetos sociais? A gente vê muito por aí sobre trabalhos lindos que envolvem a generosidade e o amor das pessoas em ajudar o próximo ou aquele que nem conhece. Sempre achei lindo, mas nunca tive uma atitude eficaz para me envolver a fundo com esse tipo de ‘trabalho’/‘ação’. Contudo hoje tudo mudou. Acredito que essa pandemia veio nos ensinar muita coisa e nos ajudar a sermos seres humanos melhores, com um olhar mais humanizado e generoso para o outro. A palavra do momento é ‘empatia’, portanto vamos usá-la com todo o significado que ela tem. Fazer parte de um projeto social tem um gostinho diferente. Estou imensamente feliz em participar ativamente. Tem sido mágico, impactante e extremamente importante colaborar com esse tipo de ação, em especial, colaborar com o projeto ‘Tecendo Relações’. Se antes eu já tinha a preocupação em me tornar um ser humano melhor, um ser humano responsável e ajudar o próximo, hoje isso está inserido em minha rotina, enfim em minha vida. Conectar-me com as pessoas para ajudar outras pessoas, ir em busca de descontos, faz-me sentir viva, forte. Sim, eu posso ajudar! Sim, eu quero ajudar! Agradeço imensamente por fazer parte deste projeto lindo. Poder ajudar as pessoas me faz um bem enorme, um bem à alma… Muito obrigada!” Kelly Silva Brandão, coordenadora de Segmento da Ed. Infantil e 1º ano ________________________________________________________ São palavras como as que acabamos de ler que nos ajudam a entender, cada vez mais, que a partilha é um caminho urgente, possível e transformador. Motivar e participar de projetos como o “Tecendo Relações”, tendo a possibilidade de fazer o bem neste momento da história, nos faz felizes e ajuda a pensar sobre nossa missão aqui. Afinal, ajudar as pessoas a encontrar suporte nos momentos de necessidade nos ajuda a entender que estamos

Em tempo de máscaras: o olhar, o ouvir e a ação

“#Fiqueemcasa, mas, se sair, use máscara.” O compromisso com a vida, com o outro atualmente começa com um gesto simples, o uso de máscara cobrindo o nariz e a boca. Essa solidariedade, além de ser uma recomendação dos especialistas da área da saúde, é um ato de empatia. E você, tem usado sua máscara de modo correto? Quais modelos você utiliza? São tantas, profissionais e caseiras, não importa. O importante é não ficar sem o uso da máscara. O fato de se cuidar demonstra que está cuidando do outro, lembra a frase “Faça aos outros o que gostaria que fizessem a você”. Essa máxima nunca foi tão verdadeira quanto na atual conjuntura mundial. Somos todos conectados, afirma a Física Quântica. Nesse sentido, o uso da máscara passou a ser um acessório indispensável para todos, independentemente da classe social. Não basta apenas lavar as mãos, deixar os calçados num canto da casa ou evitar aglomerações, o ar que respiramos não é mais o mesmo… Analisando esse momento de pandemia gerado pelo covid-19, em que todo cidadão precisa usar máscara, podemos aprender algumas coisas. Em tempos de máscaras, chama a atenção o olhar de cada um. Há décadas, as pessoas não se olhavam mais por causa da televisão ou do computador e, recentemente, do celular. Agora, olhar para o outro é um desafio constante, pois os olhos revelam a alma que está dentro de você. E, dependendo do seu olhar, de sua empatia, entenderá o outro, devendo colocar-se no lugar dele. Quantos estão precisando de sua ajuda neste momento de crise, por causa de desemprego ou por causa de desafetos, ou mesmo porque estão doentes, sozinhos? Dar as mãos ou abraçar devemos evitar, mas ouvir é de graça! A máscara sinaliza não falar, mas olhar, ouvir e agir. Ter compromisso com a vida. Ficar em casa significa ouvir-se também. Quantos apelos dentro de si o têm transtornado? Ouvir os filhos, a esposa ou o esposo, os pais, os avós… Imagino o quanto de apelos os agentes de saúde (médicos, enfermeiros, técnicos da área de saúde) ouvem todos os dias e a todo instante quando chega mais um enfermo nos hospitais. Há muitos desesperados, desolados. E os cientistas então? Estão a ouvir o apelo mundial pela vacina ou por uma medicação eficaz. E quantos estão a orar pedindo a Deus que os ouça? Muitas famílias, neste tempo de pandemia, têm reencontrado com seus afetos antes dispersos. No entanto outras estão amarguradas pelos desafetos, buscando quem as ouça, quem as socorra. Infelizmente, há muitas máscaras invisíveis que não demonstram quem a pessoa é. Geralmente, os que não querem ouvir automaticamente puxam a máscara protetora para o pescoço ou então, por descaso, nem a usam. Mas quem tem o olhar de empatia e o ouvir solidário busca agir de modo fraterno e justo. A ação passa a ser coerente com a situação. A realidade social clama por pessoas que saibam ver o outro e ouvir os apelos dos mais fracos, dos mais vulneráveis, dos mais isolados, dos mais empobrecidos, porque são os menos ouvidos por aqueles que deveriam ouvir e agir mediante decisões sensatas. Além de ouvir os infectados pelo covid-19, não deixemos de ouvir e agir em prol da vida de negros e mulheres sufocados pela desigualdade, pelo preconceito e pela discriminação. No momento, ainda são os apelos mais expressivos que existem Em tempos de máscaras, olhar, ouvir e agir são características de todos aqueles que são vocacionados a dar sua vida pela vida do outro, que colocam em prática seus conhecimentos e também suas virtudes, como a bondade e a solidariedade, buscando uma ação justa. Neste mês de agosto, mês dedicado a ouvir o chamado, a ouvir o apelo do Espírito, ouça os que ainda não têm quem os ouça. Faça valer cada minuto que existe para dar sentido a uma vida sem “máscaras” sociais, que somente têm causado decepções e corrupção humana. Cuide-se sem esquecer de cuidar do outro. Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, Teologia pelo Mater Ecclesiae, professora de Filosofia, filiada à ABA, APEOESP e SBPC; membro da Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, na Arquidiocese de Florianópolis.

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