Sou devoto… Sou de voto

Dia 15 de novembro, serão realizadas as eleições municipais em todo o Brasil. Hora de nossa devoção virar voto. Momento de elevar nossas preces para que sejam ouvidas nas urnas. Sou devoto, acredito que podemos melhorar. Sou de voto, penso que, para melhorar, tem-se de escolher, com muito zelo, a candidatura. Sou devoto, acredito na vida em missão. Sou de voto, creio que não pode haver omissão. Sou devoto, acredito que há gente comprometida com o bem comum atuando na política. Sou de voto, consigo enxergar esperança em algumas candidaturas. Sou devoto, acredito na força do coletivo. Sou de voto, desejo uma vida comunitária digna, com garantia de políticas públicas. Sou devoto, acredito no Executivo e no Legislativo. Sou de voto, almejo candidaturas às prefeituras e câmaras municipais que pensem uma cidade inclusiva e de oportunidades. Sou devoto, acredito que religião e política não se misturam. Sou de voto, penso que ser religioso é um atributo que não basta para merecer um mandato. Sou devoto, acredito que uma cidade, para ser boa de se viver, tem de ser boa para todos. Sou de voto, vislumbro parques, escolas, postos de saúde, espetáculos de rua, mobilidade urbana e zelo. Sou devoto, acredito nas coisas miúdas feitas para alcançar o infinito. Sou de voto, porque o infinito, no dia das eleições, vai estar habitando a ponta dos nossos dedos! Seja de voto… Seja devoto! Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
Eleições 2020: o voto como instrumento de transformação

Estamos muito próximos das eleições municipais no Brasil. No dia 15 de novembro, 147,9 milhões de eleitores estão aptos a ir às urnas e tomar parte na importante decisão de escolher os representantes do executivo e do legislativo dos 5.569 municípios do País. O voto é obrigatório para as pessoas entre 18 e 70 anos; opcional para jovens entre 16 e 18 anos, idosos com mais de 70 anos e analfabetos. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, neste ano, houve um aumento tanto no número de eleitores quanto de candidatos a prefeito e vereador. Em tempos em que a democracia vem sofrendo ameaças, esses dados são vistos com bons olhos. No entanto, ter um título de eleitor e estar apto ao voto não é suficiente para a vitalidade democrática. De acordo com os dados das últimas eleições municipais, no primeiro turno, 17,8% dos brasileiros não compareceram às urnas. No Município de São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil, a soma dos votos brancos, nulos e das abstenções foi maior que o número de votos que o candidato a prefeito vencedor conquistou. Uma pesquisa do cientista político José Álvares Moisés aponta que, embora a maioria dos brasileiros demonstre satisfação com o sistema de governo democrático, há um estranhamento entre eleitores e políticos, e uma grande desconfiança em relação às instituições políticas. Nesse sentido, é comum ouvirmos expressões do tipo “eu não gosto de política” ou “esses políticos são todos ladrões”, entre outras afirmações que revelam desprezo pela política. Precisamos, contudo, tomar consciência de que, quanto mais nos afastamos, agimos com indiferença ou imaturidade em relação à política, mais a crise se aprofunda. Honestamente, é necessário avaliar nossas próprias atitudes em relação ao que é público. Não é raro ouvirmos críticas afiadas das pessoas sobre a corrupção das elites governamentais, porém, no período eleitoral, muitos põem seu voto à venda ou fazem de moeda de troca, reforçando a corrupção. Desde sua origem, a política supõe participação ativa na busca do bem comum. Sem dúvida, o voto é um dos principais instrumentos da vontade popular capaz de influenciar na vida e no destino das cidades. Ao abster-se ou anular o voto, a pessoa abre mão desse direito e corre o perigo de ser governada por aqueles que participaram do processo eleitoral. Assim, mais do que votar, é necessário “votar conscientemente”, ou seja, é fundamental que o eleitor conheça os partidos políticos, com seus conteúdos programáticos, os candidatos e suas propostas de governo, bem como sua realidade local, com os problemas de política pública que afetam sua vida e da comunidade. Vale a pena ressaltar que a ação política do cidadão e o sucesso democrático não se encerram com o voto confirmado nas urnas eletrônicas. A eleição dos representantes do povo não significa um “lavar as mãos” do que é público. A democracia depende da participação constante das pessoas na vida republicana, por meio de suas ações e palavras na busca do bem comum. Que o 15 de novembro de 2020 seja, portanto, o primeiro compromisso assumido com o governo de nossas cidades e que, ao longo dos próximos quatro anos, sejamos corresponsáveis no exercício da política em nossas cidades. Ir. Stela Martins, SSpSCoordenadora da RedesRede de Solidariedade