Gentileza gera gentileza: atitudes que promovem a unidade

Estamos na Semana de Oração pela Unidade Cristã, que começou no domingo da Ascenção do Senhor (24 de maio) e vai até a Solenidade de Pentecostes (31 de maio). O tema deste ano é “Gentileza gera gentileza”, baseado na passagem dos Atos dos Apóstolos (28,2), em que o apóstolo Paulo sofre um naufrágio e, junto com todos os que estão no barco, são acolhidos gentilmente pelo povo da Ilha de Malta. Padre José Bizon, diretor da Casa de Reconciliação, referência para o ecumenismo e diálogo inter-religioso em São Paulo-SP, fala sobre as principais atitudes que ajudam a promover a paz, a tolerância religiosa e, consequentemente, a unidade entre os cristãos. Veja algumas propostas: 1 – Mudar a atitude em relação aos outros: não julgar e não usar palavras que ameaçam. 2 – Mostrar gestos de compreensão. Mesmo que não concordo com os pontos de vista de outras religiões, não preciso eliminá-las. 3 – Ser vigilante com as próprias atitudes para passar da intolerância à convivência. 4 – Pensar muitas vezes antes de dar um clique e enviar mensagens de desunião, de difamação ou que expressam preconceito. Não passar adiante desinformação e notícias falsas (fake news). 5 – Ser respeitoso com a religião das outras pessoas e também com aquelas que dizem não ter religião. 6 – Ser solidário com todas as pessoas, mesmo com aquelas que não têm a mesma fé. 7 – Dispor-se a servir a todos. A religião não salva ninguém, o que salva são os gestos, o testemunho e a ação pelo bem de todos. Por que rezar pela unidade? Em entrevista a nosso blog, Pe. Bizon ressaltou que a Semana de Oração pela Unidade Cristã é o momento de nos unir naquilo que nos fortalece, que é a oração. Para ele, esta semana é um convite a “nos alimentar da Palavra de Deus e da convivência”, mesmo em tempos de isolamento social, uma vez que as famílias estão voltando às fontes da Igreja primitiva e se tornando novamente “igrejas domésticas”. Rezar pela unidade dos cristãos, para Pe. Bizon, “é rezar pela necessidade dos outros, assim como pedimos durante esta pandemia pelos doentes, pelos médicos, enfermeiros, entregadores, coletores de lixo e tantos outros que estão na linha de frente para podermos ficar em casa”. Ele fala da importância de os cristãos “serem testemunhas, para o mundo, de que podemos conviver com nossas diferenças”. Ainda na linha do testemunho, Pe. Bizon destaca a ação solidária conjunta na assistência de famílias necessitadas. As comunidades cristãs estão se mobilizando não apenas para ajudar o próprio rebanho, mas aqueles que necessitam. Mais do que isso, estão atendendo a ações conjuntas com igrejas de diferentes denominações, para cuidar da vida. Ele observa que “as lideranças de comunidades cristãs têm se mostrado muito preocupadas com a situação da pandemia e suas consequências, como a fome, o desemprego, a miséria e a violência”. Entre as ações concretas que estão sendo realizadas, ele mencionou a ação solidária do Pe. Júlio Lancellotti com os moradores de rua e as cerca de 100 famílias que sua paróquia atende todos os sábados. “Não olhamos o credo religioso, mas a pessoa”, afirma. Como fazer para participar As informações e os subsídios para rezar durante a Semana de Oração pela Unidade Cristã estão no site do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic): https://www.conic.org.br/portal/semana-de-oracao Na impossibilidade de reunir as comunidades para celebrações ecumênicas e outros momentos de oração, Pe. Bizon sugere três maneiras de rezar: – Na oração pessoal, conscientes de que, como cristãos, somos uma família, pedir o dom da unidade. – Durante a pandemia, rezar em família e com as pessoas mais próximas, de acordo com as possibilidades do isolamento social. – Os líderes religiosos que estão rezando com pequenos grupos de suas comunidades ou pelas redes sociais podem pedir pela unidade cristã, que é um dom do Espírito Santo. Além disso, o Conic pretende realizar, de forma virtual, a celebração ecumênica “Gentileza gera gentileza: resposta às pandemias da vida”. Para a celebração de Pentecostes, sugere que as igrejas cristãs divulguem, pelas redes sociais, “o testemunho público de amor e solidariedade das igrejas em tempos de pandemia”, uma vez que “a unidade na diversidade nos fortalece para ações de gentileza e amor à pessoa próxima”. E aqui fica o convite do Conic para o “Gesto concreto: gerando gentileza” Que tal demonstrar gentileza “fora do comum” (Atos 28,2), tal como fizeram os habitantes da Ilha de Malta após o naufrágio do apóstolo Paulo? A proposta é organizar ações de solidariedade, como doações de alimentos, produtos de limpeza, máscaras, roupas para os grupos sociais em situação de vulnerabilidade. E, se possível, compartilhar estes gestos de gentileza nas redes sociais com as hashtags #GentilezaGeraGentileza e #SOUC2020. Assista a Celebração Ecumênica de Abertura da Semana de Oração, realizada em Blumenau:
Bomba! Diálogo inter-religioso e Ecumenismo não são a mesma coisa!

Vai uma salada aí? Este é um daqueles assuntos que confundem as pessoas e que acabam sendo passados adiante de forma errada. Não mais! Porque hoje vamos esclarecer sobre este tema que envolve várias religiões. Ontem foi o Dia de Liberdade de Cultos, uma data importantíssima em respeito à escolha de expressão da fé de cada um. E por falar em cultos, hoje vamos explicar a diferença entre o diálogo religioso e o ecumenismo. Diálogo inter-religioso x Ecumenismo Ecumenismo é a o diálogo entre os cristãos que professam a mesma fé, ou seja, acreditam no Pai, no Filho e no Espírito Santo – a Trindade, na ressurreição de Jesus e todos os acontecimentos do Novo Testamento. Ele promove a união entre todos os cristãos. Já o diálogo inter-religioso acontece entre as diferentes religiões, como Islamismo, Budismo, Judaísmo, Cristianismo, Xintoísmo, Espiritismo e outras. Este diálogo serve para aproximar as pessoas e trata-se de uma conversa sobre como a graça de Deus opera no coração e na vida dos homens e também como Deus nos aproxima da verdade, da justiça e da paz. Pra que diálogo? Somente um propósito divino mesmo, pra colocar pessoas de diversas religiões numa mesma sala, algumas até tradicionalmente consideradas ‘inimigas’ das outras. Mas veja bem, o intuito deste diálogo é fazer com quem todos os líderes religiosos possam entrar num consenso para a construção de uma sociedade ideal, onde todos se respeitem e contribuam para o crescimento pessoal e social do meio em que vivem. “O diálogo ecumênico e inter-religioso não é um luxo. Não é algo exterior ou opcional, mas é essencial, algo de que o nosso mundo, ferido por conflitos e divisões, tem cada vez mais necessidade.” – Papa Francisco