Você é tolerante?

Para conscientizar sobre o respeito e à diversidade religiosa entre todos, foi instituída a data de 21 de janeiro como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Para que todos os indivíduos possam ter um convívio pacífico, é preciso ser tolerante com a crença (ou não crença) do próximo. Maria Terezinha Corrêa partilha um artigo sobre o valor da coexistência em um país plural como o Brasil. Veja!

Educar para o direito à liberdade religiosa

No Brasil, o direito à liberdade de religião ou crença é previsto pela Constituição Federal. A legislação garante o livre exercício de cultos religiosos e a proteção aos locais de culto e suas liturgias. Em nosso país, também celebramos anualmente, em 21 de janeiro, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, com o objetivo de promover o diálogo inter-religioso, a tolerância e o respeito, além de alertar as pessoas sobre esse problema gerado pelo desrespeito às diversas crenças existentes no mundo. Apesar das incessantes lutas pelo direito à liberdade religiosa e a garantia de direitos constitucionais, a desinformação e a falta de educação acerca da diversidade religiosa da sociedade brasileira é o principal fator gerador da intolerância religiosa. O preconceito nada mais é do que um juízo preconcebido de algo que se desconhece, e é dessa forma que a intolerância religiosa cresce na sociedade. Por meio do conhecimento, é possível romper essas barreiras. A educação é a mais eficaz forma de combate às diversas formas de intolerância e preconceito. O indivíduo que for educado e conscientizado acerca da importância do respeito ao próximo e à diversidade religiosa do País seguramente contribuirá para a construção de uma sociedade mais inclusiva e justa. Pela educação religiosa, é possível promover o diálogo entre as mais diversas crenças e religiões na percepção de que, independentemente das formas diferentes de expressarem a fé, existe um elo que as une, seus princípios de bondade, liberdade e amor. O outro é diferente, tem certamente outras referências e experiências culturais, porém, pelo encontro e o diálogo, é possível eliminar as distâncias e condicionamentos que levam ao isolamento, indiferença ou irresponsabilidade, para harmonizar as diferenças e interagir. Evidenciada a urgente necessidade de uma cultura do encontro, o Papa Francisco exorta a educação católica a promovê-la, de modo que possa ser uma proposta de esperança e confiança para nosso tempo. Em um de seus discursos, enfatiza que “as mentes e os corações devem estar em harmonia na busca do bem comum universal e na busca do desenvolvimento integral de cada pessoa, sem exceções ou injustas discriminações”. Essa reflexão do Santo Padre diz muito sobre a importância de uma formação integral dos educandos, para que estejam comprometidos com a realidade social, os valores, a moral e a ética. Nesse sentido, o Ensino Religioso se destaca na promoção de uma educação aberta à transformação sociocultural que forma cidadãos que compreendem os processos sociais, desenvolvendo atitudes de escuta, respeito e serviço na perspectiva de uma formação que contemple a cultura do diálogo e do encontro. Esse diálogo deve ser amplo e aberto com todas as pessoas: o diálogo ecumênico, inter-religioso, com os não crentes, com as ciências, com a economia, a política, a arte, etc. O Ensino Religioso tem esse importante papel de encontrar-se com aqueles que têm outras opiniões e diferentes opções, sem abdicar os próprios princípios, valores e convicções. Proporciona um encontro autêntico que não coloca em risco a própria identidade, mas a enriquece com aquilo que o outro oferece. Pela dinâmica do diálogo (que requer falar e ouvir, receber e dar), dá-se o reconhecimento do outro como alguém valioso, que tem algo a oferecer. Diante dos desafios e incertezas enfrentados pela humanidade, o Ensino Religioso busca novos e criativos caminhos que conduzam ao diálogo e ao encontro, olhando para o próximo como irmão. É fundamental educar crianças e jovens sobre todas as doutrinas religiosas e, principalmente, sobre a relevância do respeito a todas. O saber é fundamental para a liberdade dos indivíduos. É a educação que, de forma eficaz, combaterá esta grave “doença” social, a intolerância religiosa, que fere e desrespeita tantos direitos fundamentais, e construirá o respeito à diversidade religiosa existente no País. Mariana Botelho CoimbraProfessora de Ensino Religioso do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ.

Religião não se discute?

“Você acredita em Deus?” Essa é uma pergunta comum em escola ou mesmo em rodas e redes sociais. “Não aponte o dedo para a estrela”, acreditam alguns. Tem gente que se benze quando passa diante de um cemitério ou de uma igreja, e até um despacho na curva de uma esquina, às vezes, é motivo de medo ou desprezo. Enfim, qual é sua religião? Ou você é agnóstico? As pessoas que creem deveriam ser mais tolerantes e testemunhas da justiça e da paz, mas, infelizmente, não é sempre assim. Há muitos estudiosos que afirmam que a maioria das guerras que ocorreram no mundo (e ainda acontecem) têm motivos religiosos. Até hoje, existe quem profana algo sagrado de uma religião, o que é um desrespeito e crime. Isso tem causado julgamentos e terrorismo entre nações. Há um ditado que diz que “futebol, política e religião não se discutem”, o que não é verdade. Já faz tempo que religião tem sido uma discussão mundial para educarmos nosso bom senso, a ponto de termos 21 de janeiro como Dia Mundial da Religião. Essa data foi criada em dezembro de 1949, em uma Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá’ís, com o objetivo de promover o respeito, a tolerância e o diálogo entre as diversas religiões existentes no mundo. Após as Guerras Mundiais, a Organização das Nações Unidas (ONU) proclamou, em 10 de dezembro de 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Entre os 30 artigos, o de número 18 estabelece: Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto em público ou em particular. O Brasil, por ser um Estado republicano e democrático, também é um Estado laico, isto é, um país onde toda crença deve ser respeitada, inclusive quem professa ser ateu. Conforme a Constituição Federal de 1988, art. 5º, “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias”. Assim, todos podem manifestar sua religiosidade dentro dos limites do respeito e da fraternidade, pois o importante é que todos promovam a paz. Por que ainda há casos de preconceito religioso em nossa sociedade? Por que há disputa por adeptos entre as igrejas? Jesus disse que “Na casa de meu Pai, há muitas moradas” (Jo 14,2). E por que há pessoas que menosprezam aqueles grupos religiosos menores, de influência africana ou indígena? Jesus, um dia, afirmou à Samaritana que “Os verdadeiros adoradores hão de adorar o Pai em espírito e verdade” (Jo 4,5-42). Sabemos que a experiência mística é algo subjetivo. Somente na intimidade do ser, pode-se expressar a vivência transcendental. Muitas figuras bíblicas, como Moisés, José do Egito, profetas, José da Galileia, testemunharam a presença divina em suas vidas. O mesmo ocorreu e ocorre com homens e mulheres em tempos contemporâneos. Assim, não nos cabe julgar a revelação intrínseca daquele que crê. No entanto, a melhor maneira de combater a intolerância religiosa é com a prática do bem, observada pelo filósofo Immanuel Kant (1724-1804), ao escrever sua obra Crítica da razão prática. A data 21 de janeiro é também o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Foi instituído pela Lei n.º 11.635/2007, para que possamos viver fraternalmente em sociedade, promovendo, assim, a empatia, estudos sobre a diversidade religiosa e a paz entre todos aqueles que creem. Atos ecumênicos são uma boa forma de expressar o respeito pelo outro, de unir adeptos de diferentes credos e doutrinas, palestras, orações em comum. Independentemente da crença, somos todos seres humanos que necessitam melhorar nossas relações interpessoais.Pense nisso! Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP e SBPC, atualmente professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, membro da Comissão de Prevenção e combate à tortura pela ALESC, voluntária na Pastoral da Pessoa Idosa, pertencente à Arquidiocese de Florianópolis-SC.

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