“Bença, Vô! Bença, Vó!”

Jesus também teve avós: Sant’Ana e São Joaquim, os pais de Maria. A Igreja Católica celebra esses santos em 26 de julho. Na cultura judaica, as bênçãos de Deus são passadas dos mais velhos para os filhos, e assim sucessivamente. Esse gesto se tornou uma tradição também no cristianismo. Se você tem ou já é vovô ou vovó, procure cuidar e cuidar-se. Maria Terezinha Corrêa nos apresenta uma reflexão e faz alguns alertas. Confira!
Dia Nacional dos Avós: colheita, viagem, presente de Deus

Em 26 de julho, comemora-se o Dia dos Avós. Essa também é a data litúrgica na qual se celebra os avós de Jesus: São Joaquim e Sant’Ana. Ao se falar dos avós, é preciso considerar como cada cultura trata o idoso e tocar em um tema do qual muitos querem fugir. Veja o artigo de Aparecido Luiz de Souza, missionário do Verbo Divino e psicólogo.
O idoso é fonte de inspiração e sabedoria

O Dia dos Avós foi criado em Portugal, graças à campanha de Dona Aninhas, uma avó de quatro netas e dois netos. Na década de 1980, ela acreditava que ninguém dava o valor merecido aos avós e decidiu se tornar uma missionária da causa. Para isso, visitou vários países, entre eles o Brasil, e sempre defendeu que ocorresse a comemoração do Dia dos Avós. A data escolhida, 26 de julho, tinha um forte motivo. É quando a Igreja Católica celebra São Joaquim e Santa Ana, pais de Maria e avós de Jesus. As figuras de Santa Ana e São Joaquim dizem muito sobre o papel fundamental dos avós na estruturação de uma família, seja qual for o problema ou a felicidade que partilham. Além disso, a figura dos avós revela aos jovens seu próprio futuro, isto é, dá-lhes a imagem do que um dia serão. Isso pode fazê-los refletir sobre suas ações ao longo de suas vidas. O idoso é fonte de inspiração e de sabedoria, e deve ser reconhecido como tal. O dia dedicado aos avós é uma oportunidade para reflexão sobre o futuro que nos aguarda e sobre os caminhos traçados. Comemorar o Dia dos Avós significa celebrar a experiência de vida, de trabalho, de honestidade, de fé, de firmeza, de amor e de reconhecer o valor da sabedoria adquirida no convívio com as pessoas e com a própria natureza. Ser avó e avô é sentir felicidade. É resumir nos netos seu mundo. Assim são os avós do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ. Eles não se cansam de dar um amor doce e profundo, de estarem presentes no dia a dia de nossos alunos e voltando a experimentar a infância por meio deles, distribuindo esperança e revivendo todo o seu passado. Por isso o Colégio Imaculado Coração de Maria promove, com muito afeto, essa homenagem, e os alunos do integral, nas aulas de artesanato ou cozinha experimental, preparam a surpresa para essa figura tão amada no seio familiar. A cada ano, nós nos reinventamos para homenageá-los: um porta-chá, um pacote de biscoitos amanteigados feitos pelos netos, um livrinho compilado com várias receitas sugeridas pelas vovós… Enfim, adoçar e fazer com que nossos alunos percebam o valor de terem seus avós caminhando a seu lado. Desejamos a cada vovô e vovó o carinho de seus familiares e o amor espontâneo de seus netos, pois os avós são preciosidades. A eles nossos sinceros votos de felicidade. Avós e netos: a alegria de compartilhar Para ilustrar a relação de proximidade do Colégio Imaculado Coração de Maria, trazemos o vídeo da vovó Vilma Corrêa Zóchio, que partilha sua alegria de sentir-se parte da vida de seus netos e ser reconhecida pela escola. Cláudia Corrêa Zóchio, coordenadora do Integral do Colégio Imaculado Coração de Maria, Rio de Janeiro-RJ.
Avós: presente na vida dos netos

Celebrar o Dia dos Avós é também refletir e reconhecer o papel que exercem na vida das famílias e da sociedade como um todo. Já se foi o tempo em que os avós eram retratados como velhinhos sentados numa cadeira de balanço. Hoje são muito mais ativos e independentes que no passado e, para muitas famílias, representam a única fonte regular de entrada de renda, devido ao desemprego e ao trabalho informal. Isso se dá devido ao aumento da expectativa de vida que, de 1980 até 2018, subiu de 65,7 para 79,4 anos para as mulheres e de 59,6 para 72,5 anos para os homens. Também a qualidade de vida dos idosos melhorou graças a exercícios físicos e ao avanço da medicina. Se, de um lado, as pessoas vivem mais, por outro, os jovens estão demorando mais para sair da casa dos pais. Isso aumenta o número de idosos que sustentam os filhos e ajudam os netos, não apenas dando presentes, mas se tornando cada vez mais presentes em suas vidas e, em muitos casos, até suprindo a ausência dos pais e garantindo-lhes o sustento. Para confirmar essa realidade, trazemos a história de duas avós que assumiram os netos por diferentes motivos, mas lhes deram a presença de mãe, cuidando, acompanhando e suprindo todas as suas necessidades. _ “Eles me chamam de vó, mas a imagem que eles têm é de mãe.” Neyde Mosca Grecco, 87 anos, mora no bairro do Brooklin, em São Paulo-SP, e é bisavó e mãe ao mesmo tempo. Teve uma única filha, que faleceu com 42 anos, deixando três filhos na idade de 15, 13 e 9 anos. Então assumiu os netos e cuidou deles em todos os sentidos. “Eles me chamam de vó, mas a imagem que eles têm é de mãe”, conta com satisfação. Os netos cresceram e também tiveram filhos e, sempre que necessitam, apelam à avó para ajudar a cuidar das crianças, o que ela faz com muita alegria. Com uma saúde invejável para sua idade, Neyde dirige, leva as crianças à escola, ensina a lição de casa, dá almoço e tudo o que for necessário. São cinco bisnetos, mas, para uma das crianças, Neyde precisou ser pai e mãe. Quando uma das netas se tornou dependente química e engravidou sem as mínimas condições de cuidar da filha, ela não teve dúvida e assumiu a menina até os 8 anos de idade, quando esta foi morar com a tia. “Cuidar dos netos e bisnetos não é um sacrifício, mas uma missão”, declara Neyde. Ela conta que cuidou de sua mãe, do pai e da sogra. Também tomou conta do marido, que ficou dependente três anos antes de falecer. Atualmente, “continuando a missão que Deus mandou para mim”, segundo suas palavras, está dando atenção à empregada doente, que trabalhou com ela durante 44 anos e a ajudou no cuidado de toda a família. __ “Eles não me largam e eu também não largo.” Outro exemplo de avó-mãe é Maria Virgem das Dores de Melo Farias, de 68 anos e que mora no bairro da Cohab Adventista, na periferia de São Paulo-SP. Maria tem três filhos e sete netos, dos quais cuida de quatro desde quando nasceram. “Não queria assim, mas o amor é mais do que tudo”, conta. A primeira neta que assumiu está agora com 11 anos. A menina a chama de mãe e o avô, de pai. Maria conta que seu filho e a mulher já tinham uma criança e estavam em condições muito difíceis, sem a mínima estrutura para cuidar da recém-nascida. Eles somente não ficaram na rua porque o pai pagava o aluguel deles. Depois os dois se separaram, e a menina continuou com os avós. Os outros três netos, de 10, 9 e 4 anos são de sua filha que é mãe solteira e vive com ela, mas não assume as crianças. Maria relata que sofreu muito com a filha sem juízo, que ia às baladas, engravidava e não sabia quem era o pai. A idosa e o marido tiveram de cuidar de tudo, desde levar à escola, dar roupa, comida e tudo mais. “Eu me sinto avó-mãe… É muita responsabilidade, porque aqui é tudo comigo e meu marido”, desabafa. Maria adora as crianças e está feliz com os netos. “Eles não me largam, e eu também não largo”, diz abraçando as crianças. Sobre o que acha da avó, a neta mais velha responde: “Ótima avó, ótima mãe; cuida e dá tudo de bom”, depois acrescentou: “O coração vai ter que aguentar!”. Com apenas 11 anos, ela entende a situação e sabe que ela e seus primos-irmãos necessitam da avó como mãe que eles realmente têm e, apesar da idade, a avó vai precisar aguentar firme. __ Direitos, carinho e respeito Embora o ideal seja que os pais cuidem de seus filhos e os avós possam gozar de uma vida mais tranquila e sem tantas responsabilidades, as situações da vida muitas vezes levam a uma inversão de papéis. Ainda mais em situações de crise como a atual, a colaboração das pessoas idosas na manutenção do orçamento familiar, especialmente entre as famílias de baixa renda, com frequência é o que salva a família da desestruturação. Seja em qualquer situação, os e as avós merecem todo o carinho e respeito pelo que são, por tudo o que se doaram e continuam se doando, por sua presença que ajuda a unir a família e a enfrentar os desafios, partilhando sua sabedoria e experiência de vida. Merecem nossa gratidão, mas também precisam de nossa atenção e cuidado. No Brasil, o número de idosos vem aumentando, o que demanda políticas públicas que levem em consideração suas necessidades e garantam seus direitos. Com a reforma da Previdência, por mais que seja considerada necessária, haverá uma redução do valor real das aposentadorias, o que influirá negativamente na qualidade de vida dos idosos e no empobrecimento das famílias, especialmente nas pequenas cidades, onde são os idosos que movimentam a economia local. Irmã Ana Elídia