Aprendendo com os povos indígenas

Mesmo tendo uma data especial para comemorar o Dia do Índio, 19 de abril, nossos povos indígenas ainda sofrem as consequências do preconceito e da discriminação. Suas terras são invadidas, sua cultura não é respeitada, e a natureza, da qual dependem, está sendo sistematicamente destruída. No entanto os povos indígenas têm muito a nos ensinar, especialmente sobre a cultura do bem viver e o cuidado com as pessoas e com a natureza. Quem dá testemunho disso é Laudovina Pereira, missionária do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) e uma de suas coordenadoras. Ela trabalha há 20 anos no Regional do Cimi Goiás/Tocantins e têm contato direto com diversas comunidades indígenas, de diferentes povos. No vídeo que apresentamos, Laudovina fala sobre a beleza da cultura indígena e o que podemos aprender com eles. Seu testemunho é um convite para mudarmos o nosso olhar e descobrir que não há culturas superiores ou inferiores, e sim diferentes visões de mundo. Se nos abríssemos para aprender com nossos irmãos e irmãs indígenas, nossa sociedade seria muito mais feliz, pois daria mais valor ao relacionamento entre as pessoas, à vivência comunitária e à harmonia com a natureza.

Direitos humanos: uma opção pela justiça e pelo bem comum

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe, anualmente, no tempo quaresmal, a Campanha da Fraternidade. O objetivo é colaborar para que a sociedade reflita acerca das dificuldades enfrentadas pela população e sobre a necessidade de conversão. Com isso, o tema escolhido para este ano é “Fraternidade e Políticas Públicas”, com o lema “Serás libertado pelo direito e pela justiça”. Segundo o coordenador da Dimensão Missionária, Agostinho Travençolo Júnior, o tema das políticas públicas está sendo refletido nas escolas da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo e na sociedade como um todo. “O desejo da CF é ajudar a população a pensar na importância das políticas de Estado como meio de assegurar condições para que as pessoas possam viver com dignidade”, explica. Mas o que são políticas públicas? Segundo Agostinho, “Educação, saúde, trabalho, lazer, assistência social, meio ambiente, cultura, moradia, transporte, entre outros, são alguns exemplos de direitos que deveriam ser garantidos aos cidadãos”. Para ele, “O principal objetivo da CF é estimular a participação de todos, à luz da Palavra de Deus, na busca do fortalecimento da cidadania e do bem comum, como sinais de fraternidade”. Agostinho conta que a Equipe Missionária da Rede de Educação e os educadores dos colégios Stella, Sagrado Coração de Maria, Sagrado Coração de Jesus e Espírito Santo se inspiraram na CF 2019 ao escolheram o tema transversal “Direitos humanos: uma opção pela justiça e pelo bem comum”, que permeará todo o trabalho pedagógico da Rede de Educação durante este ano. Pensando na pertinência do tema para o contexto social, Agostinho afirma: “Somos chamados a garantir e colocar em prática direitos que ajudem nosso povo a ser mais feliz”. Tema transversal no Sagrado Cada um dos colégios está colocando em prática o tema transversal e busca viver a CF 2019. Para Simone Fortunato Nunes, coordenadora da Pastoral Missionária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, “A importância de se ter um tema norteador para todas as atividades acadêmicas é a oportunidade de motivar os alunos a perceber que os direitos humanos são o caminho para que a sociedade chegue à justiça e ao bem comum”. “As políticas públicas se tornam necessárias como forma de redistribuição dos bens não ofertados plenamente e suficientemente pelo Estado, principalmente como forma de suprir as demandas existentes, a fim de se evitar que a sociedade corra algum tipo de risco”, explica. Assim, segundo Simone, “O Estado busca garantir a segurança, a ordem e o bem-estar social, almejando, a partir de funções associadas, distributivas e estabilizadoras, as demandas coletivas”. Para a coordenadora, a escola é um desdobramento da garantia de um bem público obrigatoriamente fornecido pelo Estado, que é a educação. E ela define essa área como “um espaço de educação e convívio social, com um papel fundamental na formação de cidadãos críticos, justos e solidários”. Por isso, ela considera imprescindível para as escolas católicas acolher a proposta de reflexão e conversão lançadas pela CNBB. Simone afirma que, “como escola católica, que tem sua filosofia baseada no exemplo do Cristo, torna-se impossível ignorar o desafio social” e explica que “a justiça social é uma das implicações do evangelho”. Por isso, “acreditar, promover e lutar por ela é um testemunho cristão”. “Num mundo afligido por tantas situações que atentam contra a vida, a dignidade e o bem-estar dos seres humanos, é mister que os cristãos reforcem seu compromisso pessoal e social, perguntando-se acerca de sua responsabilidade pelo bem comum, partindo da experiência individual e ampliando para a vivência comunitária, dando vida às palavras do Mestre: ‘Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!’ (Mateus 5,6)”, conclui. Veja as fotos da abertura da CF – 2019 no Colégio Sagrado Coração de Jesus

Nações Unidas declaram 2019 como o Ano Internacional das Línguas Indígenas

A diversidade cultural é uma das maiores riquezas que temos no mundo, e é inegável a contribuição das comunidades indígenas para a preservação da história cultural da humanidade. Falantes da maioria das línguas mundiais, esses povos herdaram e continuam transmitindo às sucessivas gerações a história, os costumes, as formas artísticas, as tradições, a memória, o pensamento e significados dessas culturas. De acordo com dados da UNESCO, existem hoje 370 milhões de indígenas no mundo, presentes em 90 países. Ao todo, são 5 mil culturas indígenas distintas. É pela linguagem que esses povos mantêm viva a memória do passado e constroem seu futuro. Apesar dessa relevância, as línguas indígenas vêm desaparecendo em um ritmo alarmante. Assim, diante dessa perda progressiva do que é considerado patrimônio mundial, a UNESCO declarou 2019 como o Ano Internacional das Línguas Indígenas e pretende focar nas seguintes áreas: • aumento da compreensão, da reconciliação e da cooperação internacional; • criação de condições favoráveis para o intercâmbio de conhecimentos e difusão das boas práticas em relação às línguas indígenas; • integração das línguas indígenas no estabelecimento de normas; • empoderamento por meio da capacitação; • crescimento e desenvolvimento por meio da elaboração de novos saberes. Para melhor difundir pesquisas, eventos, vídeos, formas de participação e outras informações, foi criado o site (em espanhol) https://es.iyil2019.org/. Conhecer a cultura desses povos certamente é a melhor maneira para ajudar em sua preservação. A perda de elementos culturais, como as línguas indígenas, é um prejuízo enorme para toda a humanidade e não apenas para um grupo. Por isso empenhemo-nos, todos, na conservação das línguas indígenas! Por: Irmã Stela Maris MartinsPresidente da Redes (Rede de Solidariedade) e graduanda em Ciências Sociais pela PUC Rio.

Missionárias realizam Formação em Interculturalidade

Em maio de 2018 as Missionárias Servas do Espírito Santo – Brasil Norte realizaram um Encontro de Formação sobre Interculturalidade, visando aprimorar seus conhecimentos para trabalhar as relações interpessoais nas diferentes realidades nas comunidades em que se encontram. O encontro aconteceu em São Paulo e Belo Horizonte e foi assessorado pela Irmã Missionária SSpS Adriana Carla Milmanda. No encontro, a Província SSpS do Brasil Norte organizou uma série de oficinas que agruparam as irmãs por idades. De acordo com a realidade de cada grupo, o workshop proporcionou uma introdução aos temas interculturais, como o atual conceito de multiculturalismo e  de cultura, compreensão das diferenças fundamentais entre culturas, estilos culturais de resolução de conflitos e espiritualidade da interculturalidade como estilo de vida e caminho de conversão permanente. Ir. Adriana nos apresenta um resumo do que ela compartilhou com as irmãs: “Em um mundo cada vez mais globalizado e interligado, mas também cada vez mais polarizado e dividido, é essencial refletir e discernir nossa atitude para com o “outro” que é diferente (cor da pele, religião ou posição teológica, idade, sócio econômico, etc). Humanamente, tememos as diferenças, os conflitos e os desafios que eles geram. No entanto, é urgente abordar essas diferenças e conflitos como oportunidades de crescimento e um chamado à conversão. Em um mundo que sobe cada vez mais paredes e leva a um abismo profundo entre os que “têm” e os que são sistematicamente excluídos e marginalizados, o multiculturalismo nos desafia para fora de nossas zonas de conforto, a atravessar intencionalmente essas barreiras tentando me colocar no lugar do outro para que eu possa me comunicar de uma maneira mais empática. Apenas o encontro profundo com o “outro” pode tocar nossos corações e nos abrir a uma transformação interior, de modo que encontramos juntos novas respostas e novas formas de inclusão, compaixão e solidariedade radical, como é proposto no Projeto do Reino que Jesus inaugurou. Multiculturalismo, não é apenas viver ou trabalhar com pessoas de diferentes culturas, mas é estabelecer relações igualitárias que promovem o enriquecimento de cada uma das partes. Interculturalismo é essencialmente encontrar formas e meios para estabelecer verdadeiras relações de reciprocidade e diálogo; para descobrir estilos de vida alternativos em um mundo cada vez mais violento, intolerante, indiferente e dividido. A chave para viver este desafio é conhecer as diferenças e aceitá-las e até mesmo desejá-las, para que elas se tornem um caminho de transformação pessoal e comunitária. O maior perigo é ignorar, minimizar ou se acostumar a simplesmente a tolerar as diferenças culturais. Como Congregação, as Missionárias Servas do Espírito Santo receberam o chamado à vida e missão intercultural como carisma e estilo de vida. Com nossas luzes e sombras, temos vivido e desenvolvido por mais de 100 anos este carisma, que hoje é uma dádiva e responsabilidade perante a Igreja e o mundo.” Sobre a palestrante Adriana Carla Milmanda é Missionária Serva do Espírito Santo na Argentina, é bacharel em Teologia e mestranda em Estudos Interculturais e Bíblia. Atualmente mora na periferia da cidade de San Carlos de Bariloche, onde leciona Teologia e coordenana o Projeto “Ser Mulher” que acompanha mulheres em situação de vulnerabilidade.

Semana Sem Fronteiras impacta alunos com valorização cultural

A Rede de Educação Missionária das Irmãs Missionárias Servas do Espírito Santo lançou na última semana de outubro de 2017, mês dedicado às missões,  a Semana Sem Fronteiras, um projeto que acontecerá a cada dois anos em nossas escolas. Tendo como ponto de partida a aceitação e o respeito ao outro, a Semana Sem Fronteiras aconteceu buscando valorizar a diversidade cultural, religiosa e étnica como bem universal. O objetivo da Semana foi despertar em nossos alunos o conhecimento das diferenças, buscando quebrar as barreiras que distanciam as pessoas, bem como ensinou Jesus. Na programação, e de acordo com cada realidade das escolas foi possível perceber  uma programação repleta de atrações diversas que valorizaram  as culturas de cada continente, possibilitando aos nossos alunos um aprendizado global de forma diferente e aprofundada. De fato foi visto o trabalho, a dedicação, o envolvimento e a criatividade na realização desse grande evento que unificou nossas escolas superando nossos objetivos. Confira as fotos:

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