Jesus revela o verdadeiro sentido da Cruz

Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado na liturgia deste 22º Domingo do Tempo Comum. A passagem está em Mateus 16,21-27.
“Uma vida consumada faz fecunda a morte”

Nesta Sexta-Feira da Paixão, sequência da celebração do Tríduo Pascal, recordemos todas as pessoas que, a exemplo de Jesus, doam a vida a serviço do próximo. Na série Semana Santa Orante, o jesuíta padre Adroaldo Palaoro medita os capítulos 18 e 19 do Evangelho de João, proclamado na Ação Litúrgica deste dia especial, marcado pela contemplação do Cristo crucificado.
Contemplar a Cruz e socorrer os crucificados

A Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz em 14 de setembro. Até a reforma do calendário litúrgico determinada pelo Concílio Vaticano II (1962-1965), era celebrada em 3 de maio, com o nome de “Invenção” da Santa Cruz, recordando a “descoberta” da Vera (verdadeira) Cruz por Santa Helena, em 337. Alguns lugares de nosso País preservam a antiga data, sobretudo onde a dulcíssima fé popular se destaca. De qualquer forma, é uma oportunidade para meditarmos um pouco sobre o que representa a Cruz para nós, cristãos. Por motivações diferentes, vez ou outra, os crucifixos são deixados de lado, tanto em ambientes laicos quanto, espantosamente, nos sagrados. Esse esconder o crucificado pode ter um sentido bem mais grave, dramático até, do que apenas questões de gosto estético ou arroubos modistas. A Cruz começou a ser usada como símbolo cristão mais difuso a partir do século III. No tempo de Jesus, a pena de crucificação era a mais grave do Império Romano e causava enorme comoção. Costumava ser reservada a criminosos mais contumazes e presos políticos (como Jesus), demonstrando força e desprezo ao condenado, intimidando os mais atrevidos. Segundo antigos registros, os carrascos que executavam o sentenciado quase sempre eram os mais experientes, tal era o horror da cena. Os primeiros cristãos, portanto, tinham boas justificativas para terem pavor desse instrumento. Na 1ª Carta aos Coríntios (1,23), contudo, São Paulo afirma que ele e os outros evangelizadores pregavam Cristo crucificado, “escândalo para os judeus e loucura para os pagãos”. Ele se referia ao verdadeiro Messias, não ao “general” esperado pelo povo, mas, conforme o próprio Cristo, aquele que “devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei; devia ser morto e ressuscitar depois de três dias” (Marcos 8,31). Em tempos de pregações sobre busca de “prosperidade”, sucesso, “vitória”, as palavras de Paulo e do próprio Cristo devem ser bem incômodas para algumas “seitas” dentro e fora do catolicismo. Tirar o Crucificado diante dos olhos pode nos levar a uma religião alienada ou ingênua. Ouso aconselhar que todo batizado passe algum tempo contemplando a Cruz. É impressionante e até constrangedor ver que nosso Deus, nosso Mestre, nosso Pastor não aparece numa ilha tropical, num iate, num camarote ou desfilando sobre um elegante e badalado tapete vermelho. Em nosso batismo, fomos enxertados primeiramente nesse Cristo que passou pela experiência da humilhação, da dor, para, depois, ser ressuscitado pelo Pai. Mirar com atenção a Cruz é um gesto piíssimo, mas exigente. O corpo nu, sujo e ensanguentado do Senhor é o sacramento dos muitos crucificados, alguns bem perto de nós. Essa contemplação precisa abrir nossos olhos e nosso espírito aos pobres, aos enfermos, aos fracos, aos desempregados, às mulheres agredidas, às crianças, aos sem acesso à escola, segurança e saúde, aos “lascados” de nossa sociedade. Ignorar a Cruz, substituindo-a por uma imagem de Jesus que parece sair do banho, pode levar a Igreja a distrair-se da missão e jogar para debaixo do tapete os sofredores, os crucificados de nosso tempo. Celebra-se uma barulhenta ressurreição que não passa pelo Calvário. Uma comunidade que verdadeiramente se configura a Jesus pode apropriar-se das palavras de Paulo: “Com Cristo, eu fui pregado na cruz. Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2,19b-20a). Que bom seria se todos nós pudéssemos pelo menos tentar fazer o Cristo (que passou pela Cruz, reforço), viver em nós. Um fiel, uma família, uma Igreja que tem diante de si a Cruz pode louvar, com toda a dignidade, a Jesus, de cujo peito aberto jorrou a água que nos batiza e o sangue que nos embriaga de alegria e vida. Sem a Cruz, nosso olhar de fé é embaçado. Outra lição da Cruz é a do sacrifício. Quanta gente quer obter o sucesso sem passar pelo esforço, quer ir logo para o Domingo da Ressurreição, ignorando a Sexta-Feira Santa! Daí surgem a corrupção, os golpes, os roubos, o abuso contra o outro. A tão esperada e cantada “vitória que Deus guardou para mim” pede empenho. Horas de estudo e de trabalho, superação de obstáculos, tentativas mil, recuos e avanços, investimento, paciência e muita oração. Que o Senhor Crucificado seja de novo exposto em nossos lares, em nossos locais de trabalho e em nossas igrejas. Ao contemplar nosso silencioso Mestre, o Salvador ferido, de cabeça inclinada e de olhos fechados, talvez entenderemos a lição do Santo Madeiro. Poderemos, assim, exaltar a Verdadeira Cruz ao longo de todo o ano e obedecer às palavras de Jesus: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Marcos 8,34b). Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo.
Páscoa: Muito mais que uma data, um marco!

Você já pensou sobre o sentido da Páscoa? Muita gente associa Páscoa apenas a coelhinho e ovos de chocolate e não conhece o grande milagre que está por trás dessa data. O verdadeiro significado da Páscoa é a Ressurreição de Jesus, que foi crucificado por causa da maldade humana, mas Deus o chamou de volta a vida para que todos aqueles que creem nele pudessem também participar de sua vida. Então a Páscoa, hoje em dia, é a grande festa cristã que representa a passagem da morte para a vida. Mas ela tem uma origem muito bonita na tradição judaica, que é o povo ao qual Jesus pertencia. Vamos conhecer um pouco da história da Páscoa: A princípio, a festa dá Páscoa (que em hebraico significa “passagem”) era uma festa antiga comemorada por pastores nômades, que marcava a passagem do inverno para a primavera. Nesta festa eram oferecidos as primícias da cevada e os primeiros animais de todo os rebanhos. Depois de um tempo, a Páscoa recebeu um outro significado. Com a libertação do povo judeu do antigo Egito, a Páscoa começou a ser comemorada como fim da escravidão. Mais tarde, Jesus Cristo morreu e ressuscitou durante o período da celebração da Páscoa. A partir de então, para os cristãos, a Páscoa ganhou um novo significado, como a festa da Ressurreição de Jesus, ou seja, a “passagem” da morte para a vida. Leia toda a história nos evangelhos: Mt 28,1-8; Mc 16,1-8; Lc 24 e Jo 20. O que significou a ressurreição de Jesus? Quando Jesus ressuscitou, ele venceu a morte e mostrou que tem o poder sobre tudo o que fere e mata a vida. A partir da sua ressurreição temos o convite de Deus para participar da vida eterna, uma nova vida de amor com Deus. E essa vida nova também pode representar muitas outras coisas, como novas escolhas, novas atitudes e até um novo olhar para si próprio. Se você acredita que há algo em sua vida que se encontra morto, como seus sonhos, seus projetos ou até seus relacionamentos, nem tudo está perdido! Jesus pode ressuscitá-los e tornar tudo novo outra vez. Celebre esta data conosco, compartilhando com amigos, familiares e até estranhos, o sentimentos da renovação de nossas vidas e nossas escolhas. Feliz Páscoa!