O eu em comunhão

Mesmo em meio a muitos atropelos da vida, é preciso resgatar o “eu em comunhão”. É uma necessidade que cada um sente de relacionar-se, como pessoa, com os demais, sem ser número de crachá, sem hora marcada. Apenas gente! O “eu em comunhão” quer isso. Viver! Veja a reflexão do Pe. Deolino Pedro Baldissera!
Viver a fé sem a Eucaristia?

A presença constante de Jesus na Eucaristia é sustento na vida espiritual. A qualquer momento, podemos encontrar Jesus esperando por nós no sacrário, em quase todas as igrejas ou capelas católicas. Mas, neste tempo de pandemia, estamos privados da Eucaristia. As missas estão sendo celebradas a portas fechadas. Como então viver a fé sem poder comungar? Como celebrar a solenidade de Corpus Christi sem procissão e sem adoração ao Santíssimo Sacramento? Aqui no Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, nós nos consideramos muito privilegiadas, pois, apesar de não termos missa, acompanhamos pela televisão e, na hora da comunhão, podemos comungar, pois temos as hóstias consagradas conservadas em nossa capela. Isso para nós é motivo de alegria e gratidão. Mas a maioria do povo de Deus está vivenciando o jejum eucarístico. Claro que Jesus há de transbordar sua graça a todos os que o desejam sinceramente e não permitirá que, por falta do sacramento da Eucaristia, o seu povo fique abandonado. Em seu grande amor, Jesus sempre encontrará outras maneiras de saciar nosso coração e nossa alma. Mesmo sabendo que sempre e em qualquer circunstância podemos contar com Jesus, é importante sentir falta da missa presencial, da comunidade e de receber o corpo e o sangue de Cristo na comunhão. O perigo é nos acomodarmos com a situação e relaxar em nossa vivência de fé. Para que isso não aconteça, precisamos nos fortalecer interiormente com os recursos que temos a nosso dispor, mesmo que não podemos fazer o que antes era nossa prática diária ou dominical. O importante é manter sempre nossa conexão com Deus, pela oração, e com as pessoas, pelo amor, a gentileza e a solidariedade. Há também muitas famílias que, pela correria da vida moderna, perderam os referenciais religiosos cultivados no passado e se sentem perdidas e confusas. Já não sabem rezar e nem dão tempo para o cultivo da espiritualidade. A consequência é o vazio existencial e, muitas vezes, a falta de sentido e o desânimo diante dos desafios e sofrimentos da vida. Em tempos como os atuais, quase tudo pode se transformar em desespero. Como Deus é bondade e misericórdia, está sempre pronto a nos acolher e nos ensinar o caminho de volta à sua amizade. Basta abrir o coração e se deixar guiar por seu espírito. Mas, para ajudar neste caminho, trazemos aqui algumas práticas de fé muito simples, mas capazes de transformar a vida e preenchê-la de alegria e de plenitude. Sete práticas de fé para o dia a dia 1) Ao levantar, agradecer a Deus pelo novo dia e pedir a força para sempre fazer o bem. 2) Dedicar alguns minutos diários à Palavra de Deus. Jesus está presente, de forma real, também no Pão da Palavra, como nos ensina a Igreja. Sugerimos ler alguns versículos do Evangelho e refletir sobre eles, ou meditar as leituras diárias da missa (há vários aplicativos que podem ser baixados no celular). 3) Agradecer pelo alimento antes das refeições. 4) Em qualquer momento de dificuldade, pedir pela inspiração ou proteção de Deus. 5) O Pai-Nosso e a Ave-Maria podem ser rezados a qualquer hora do dia ou da noite. 6) Ajudar ao próximo em suas necessidades, sendo gentil com quem amo e também com quem não tenho afinidade. 7) Antes de dormir, repassar o dia para agradecer o que foi bom, aprender com o que não deu certo e pedir perdão se prejudiquei alguém. Há muitas outras práticas de oração que poderão ajudar a crescer na fé. O essencial é buscar Deus com simplicidade e conversar com Ele como o amigo que sempre está a nosso lado. A oração é um caminho de coerência entre o que falamos com Deus e o que fazemos em nossa vida pessoal e no relacionamento com as pessoas. Quanto mais perto de Deus, mais amor dedicamos às pessoas e mais nos sentimos comprometidos e solidários com os que mais sofrem. Isso é sinal de maturidade na fé. E, quando a pandemia passar, vamos celebrar novamente, e com muita alegria, os momentos litúrgicos e retomar com empenho nossa vivência eucarística. Vamos nos reencontrar em comunidade e manifestar nosso amor e gratidão a Jesus por permanecer sempre conosco.
Tríduo à Santíssima Trindade

Tríduo – 3º dia: Deus, Espírito da Comunicação Comunicar é criar comunhão – tríduo em preparação à Solenidade da Santíssima Trindade, das missionárias servas do Espírito Santo. Chegamos ao terceiro dia do tríduo em preparação à Solenidade da Santíssima Trindade. Com muita gratidão, invoquemos a Santíssima Trindade, traçando sobre nós o sinal da cruz: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Oração inicial Ó Deus Uno e Trino,Pai, Filho e Espírito Santo,Vós que sois amor, compaixão e bondade,vinde em nosso socorroneste momento de intenso sofrimentopelo qual a humanidade inteira atravessa,por causa da pandemia do coronavírus. Ajudai-nos também a superar a situação de crisepolítica, econômica e social em nosso país,dando-nos a força da uniãoe transformando nosso coração para que,por nossos pensamentos, palavras e ações,sejamos presença de paz, solidariedade e alegriapara todos os que estão a nosso redor. Somente com vossa graça, ó Trindade Santa,podemos encontrar mais vida, amor e esperançae fazer este mundo melhor. Amém. Deus, Espírito da Comunicação (texto do Manual de Comunicação SSpS, pág. 21) “O Espírito Santo é o agente central de comunicação entre as Pessoas Divinas, entre os seres humanos e entre a Trindade e a humanidade, e vice-versa. O Espírito de amor é a fonte da vida que gera comunhão e faz frutificar toda a ação evangelizadora da Igreja. Como batizados, somos chamados a experimentar em profundidade o dom da comunicação como ‘realização’ da missão do Espírito no mundo e na própria Igreja. O Espírito Santo é aquele que nos dá sabedoria e conselho para discernir o que comunicar e de que maneira. Ele nos dá entendimento e conhecimento para revelar o significado das situações e acontecimentos, e sua relação com o plano de Deus. Ele dá piedade e temor do Senhor para nos abrir à vontade de Deus em uma atitude de profundo respeito por sua presença manifesta nas pessoas e em toda a criação. E, finalmente, Ele dá coragem e fortaleza para nos manter fiéis e coerentes com a mensagem que recebemos e professamos, com todas as suas consequências.” Reflexão O momento atual exige de nós resiliência e novas atitudes em nosso ser e agir missionários. Como experimentamos o amor do Espírito Santo em nossa vida pessoal e o comunicamos em nossa família na comunidade e na missão? De que forma Ele nos ajuda a ser resilientes? Preces espontâneas Pai-Nosso Oração final Ante a luz do Verbo e o Espírito da graça, afastem-se as trevas do pecado e a noite da incredulidade. E viva o Coração de Jesus em nossos corações e nos corações de todas as pessoas. Amém. Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações de todas as pessoas!
Tríduo à Santíssima Trindade

Tríduo – 2º dia: Deus Filho, Comunicador. Comunicar é criar comunhão – tríduo em preparação à Solenidade da Santíssima Trindade, das missionárias servas do Espírito Santo. Ao iniciar o segundo dia do tríduo em preparação à Solenidade da Santíssima Trindade, vamos abrir nossos corações à presença amorosa de Deus, fazendo o sinal da cruz: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Oração inicial Ó Deus Uno e Trino,Pai, Filho e Espírito Santo,Vós que sois amor, compaixão e bondade,vinde em nosso socorroneste momento de intenso sofrimentopelo qual a humanidade inteira atravessa,por causa da pandemia do coronavírus. Ajudai-nos também a superar a situação de crisepolítica, econômica e social em nosso país,dando-nos a força da uniãoe transformando o nosso coração para que,por nossos pensamentos, palavras e ações,sejamos presença de paz, solidariedade e alegriapara todos os que estão a nosso redor. Somente com vossa graça, ó Trindade Santa,podemos encontrar mais vida, amor e esperançae fazer este mundo melhor. Amém. Deus Filho, Comunicador (texto do Manual de Comunicação SSpS, pág. 20) “Pela encarnação do Filho em Jesus Cristo, Deus comunicou seu mais alto compromisso com a humanidade. Para se comunicar com o ser humano, falar a mesma língua e ser entendido, Deus se torna um de nós: ‘E o Verbo se fez carne e habitou entre nós’ (Jo 1, 14). Jesus, a Palavra Divina, pela encarnação, torna-se o Comunicador do Pai-Mãe. Em sua experiência humana, Jesus estabelece a ponte de aproximação com Deus e revela que Deus é o Pai de amor, bondade e compaixão. Sua paixão pelo Pai faz dele o irmão de todas as pessoas, especialmente das mais desprezadas e privadas de sua dignidade. Para revelar o amor do Pai, cura os enfermos, dá vista aos cegos, acolhe as crianças e divide o pão. Fala em parábolas, numa linguagem que todos podem entender, usa imagens e símbolos e se entrega a si mesmo na Eucaristia. Jesus comunica quem Ele é e se entrega na totalidade de seu amor, dando sua própria vida. Assim, Jesus se torna o modelo de todo comunicador. Ele personifica, em si mesmo, a mensagem de Deus e a vive até suas últimas consequências.” Reflexão O momento atual nos chama a reinventar o modo pelo qual realizamos nossa missão. Como vivencio e anuncio o amor de Deus Filho, o Comunicador do Pai, por meio de minha vida pessoal, familiar e profissional? Preces espontâneas Pai-Nosso Oração final Deus, verdade eterna.Cremos em vós. Deus nossa força e salvação.Esperamos em vós. Deus bondade infinita.Nós vos amamos de todo o coração. Enviastes o Verbo como Salvador do mundo.Que nele sejamos todos um. Infundi-nos o Espírito do Filho.A fim de glorificarmos o vosso nome. Amém. Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações de todas as pessoas!
Santíssima Trindade: comunicar é criar comunhão

No domingo, 7 de junho, a Igreja celebra a Solenidade da Santíssima Trindade. Infelizmente, a beleza e a profundidade dessa celebração, em geral, ficam escondidas, e não damos a ela o devido valor. Agora ainda mais, uma vez que não podemos ir à igreja e rezar junto com nossa comunidade paroquial, por causa da pandemia causada pelo coronavírus. Para nos ajudar a viver mais profundamente nossa relação com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, compartilhamos o tríduo que vamos rezar em nossas comunidades. É uma oração simples, que pode ser celebrada individualmente ou em família, começando na quinta-feira e concluindo no sábado. Neste tríduo, partilhamos um pouco do que temos de mais profundo e precioso da nossa espiritualidade trinitária e de nosso carisma missionário. Os textos foram tirados do Manual de Comunicação e Tecnologia das Missionárias Servas do Espírito Santo (páginas 20 e 21). As orações fazem parte de nossa tradição e foram compostas por Santo Arnaldo Janssen, com exceção da oração inicial, que é um apelo à Santíssima Trindade para nos ajudar a superar o sofrimento gerado pela pandemia e a crise política, econômica e social que o Brasil está enfrentando. Qual o significado da Santíssima Trindade para você? A Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), conforme o Catecismo da Igreja Católica, “É o mistério central da fé e da vida cristã”. Mas o que isso significa concretamente na nossa vida, no dia a dia? De que maneira me relaciono com o Deus Uno e Trino, ou seja, o Deus único em três pessoas diferentes? Uma vez, conversando com uma professora católica, muito envolvida em um movimento de vida cristã, fiquei surpresa com a bela imagem que ela utilizou para explicar o mistério da Santíssima Trindade. Ela partiu de sua própria experiência de esposa e mãe, e dizia que a única vez que nós, seres humanos, podemos fazer a experiência concreta de “três pessoas em uma só” é no momento da concepção de uma criança. O casal, unido pelos laços do amor, entrega-se totalmente um ao outro, formando “um só corpo e uma só carne”. Nesse momento, uma nova vida é gerada. A Trindade é a fonte geradora de toda a vida. Para mim, o universo, em sua beleza e imensidão, é o transbordamento do amor infinito de Deus Pai pelo Filho, no Espírito Santo. Um amor que não poderia ficar guardado só entre eles, mas se expandiu na criação de tudo o que existe e dos seres humanos como herdeiros da vida divina. Por isso trazemos dentro de nós essa centelha eterna e somos chamados a participar da própria vida de Deus Uno e Trino. Assim entendo o ser filha, filho de Deus. Toda a nossa vida cristã está imersa no amor da Trindade. Somos batizados em nome do Pai, do Filho e do Espírito e, durante toda a nossa existência na terra, somos sustentados pela graça divina, até o momento em que voltamos para a Casa do Pai, onde Jesus nos prometeu que prepararia para nós uma morada (cf. Jo 14,3). Nós, missionárias servas do Espírito Santo (SSpS), temos uma relação muito especial com a Trindade. Ao nos consagrar como servidoras do Espírito Santo, entramos na dinâmica da comunhão com o Pai e também com o Filho. Portanto tudo o que somos e fazemos busca “Proclamar e testemunhar o amor salvífico de Deus Uno e Trino entre todos os povos” (Constituições SSpS, 501). Tríduo – 1º dia: Deus Pai-Mãe, Criador Comunicar é criar comunhão – tríduo em preparação à Solenidade da Santíssima Trindade, das missionárias servas do Espírito Santo. Iniciemos o primeiro dia do tríduo em preparação à Solenidade da Santíssima Trindade, tomando consciência do que significa fazer o sinal da cruz: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Oração inicial Ó Deus Uno e Trino,Pai, Filho e Espírito Santo,Vós que sois amor, compaixão e bondade,venha em nosso socorroneste momento de intenso sofrimentopelo qual a humanidade inteira atravessapor causa da pandemia do coronavírus. Ajudai-nos também a superar a situação de crisepolítica, econômica e social em nosso país,dando-nos a força da uniãoe transformando o nosso coração para que,por nossos pensamentos, palavras e ações,sejamos presença de paz, solidariedade e alegriapara todos os que estão ao nosso redor. Somente com a vossa graça, ó Trindade Santa,podemos encontrar mais vida, amor e esperançae fazer este mundo melhor. Amém. Deus Pai-Mãe, Criador (cf. Manual de Comunicação SSpS, pág. 20) “Amados pelo Pai-Mãe e criados à imagem e semelhança de Deus, somos chamados a viver em comunhão com o Deus Uno e Trino, com outras pessoas, entre nós como família, como comunidade e com toda a criação. O dom da comunicação nos ajuda a crescer nos relacionamentos e a participar do processo contínuo da criação como cuidadores da Casa Comum, o universo do qual fazemos parte. Em nossa interioridade, pela oração, podemos entrar em diálogo com Deus. Conversando com as pessoas, escrevendo, criando obras de arte, usando os meios de comunicação de massa e a mídia digital, expandimos nosso ser, compartilhando nossos pensamentos e recebendo experiências e conhecimentos de outras pessoas para o aperfeiçoamento de nossa cultura.” Reflexão O momento atual nos desafia a encontrar novas maneiras de ser missionários. Como testemunhamos o amor de Deus Pai-Mãe em nossa vida pessoal, familiar e com as outras pessoas com quem nos relacionamos? Preces espontâneas Pai-Nosso Oração final: Conhecido, amado e glorificado,Seja por todos os povos,O Deus Uno e Trino.A onipotência do Pai,A sabedoria do FilhoE o amor, o amor do Espírito Santo. Amém. Viva Deus Uno e Trino em nossos corações e nos corações de todas as pessoas!
Pentecostes: dom da comunhão na diversidade

A vinda do Espírito Santo aos discípulos de Jesus foi um marco na vida dos primeiros cristãos e pode ser considerada o nascimento da Igreja. Os Atos dos Apóstolos (At 2) narram que os discípulos estavam fechados em oração e, de repente, o Espírito se manifestou como vento forte e línguas de fogo. Imediatamente eles saíram e podiam se comunicar com pessoas de diversas nações, línguas e culturas, e entender cada uma em sua própria língua. Assim foi o primeiro Pentecostes. Assim é a ação do Espírito Santo, amor que gera comunhão, inclusão, aproximação das pessoas e convívio entre diferentes. Graças à sua presença, o cristianismo se expandiu para além do povo judeu e se espalhou pelo mundo. Consagradas ao Espírito Santo, nós, missionárias SSpS, participamos dessa ação dinâmica de ir além-fronteiras e criar laços de comunhão entre diferentes povos e culturas. Uma das principais características da Congregação é a internacionalidade e interculturalidade: somos quase 3.000 irmãs de 50 nacionalidades diferentes, em 47 países, nos cinco continentes. Em nossas comunidades, é comum conviver com irmãs de outras culturas. No Brasil, ao longo dos anos, recebemos irmãs de vários países da Europa, da Ásia, da África e das Américas. Só falta da Oceania. Muito nos perguntam como conseguimos nos entender… Para nós, o Espírito Santo nos faz superar as barreiras da língua e da cultura, e construir uma só família. Num mundo onde há tanta intolerância, contribuímos com o dom da comunhão na diversidade. Desafios e riquezas da interculturalidade A comunidade do Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, é bem intercultural. São 20 irmãs de várias idades e oito nacionalidades. Além das brasileiras, temos irmãs da Alemanha, Bélgica, Áustria, Iugoslávia, Índia, Timor Leste e Indonésia. Para sentir mais de perto a diversidade, entrevistamos as três últimas irmãs que chegaram ao Brasil. “Convivência e integração” Irmã Albérsia Hope Tapoona, 33 anos, é de Kalimantan, Indonésia, e chegou ao Brasil em maio do ano passado. Já tinha experiência de conviver com culturas e línguas diferentes em sua própria terra natal. Para ela, “a interculturalidade é a interação entre diferentes culturas em vista da convivência e integração”, e exige adaptação e a observação de como os brasileiros se expressam. Para quem vem de fora, sempre há coisas que podem chocar. Irmã Albérsia passou por essa experiência. Logo que chegou e a chamaram com gestos, parecia-lhe o jeito de chamar os animais domésticos em seu país… Também não sabia como cumprimentar abraçando um homem, pois, na Indonésia, é impensável. Por outro lado, gostou muito da alegria, abertura, facilidade de se aproximar e familiaridade do povo brasileiro. A irmã já se comunica bem em português, mas quer adquirir mais fluência para servir à missão onde for necessário. O Espírito Santo é a sua força, e ela sempre o invoca, especialmente nos momentos difíceis. “Tudo novo e diferente” Irmã Elizabeth Rani Mani, 34 anos, é da Índia Nordeste. Chegou ao Brasil em julho passado para experiência intercultural e estudos em Teologia e Comunicação. Conta que, ao chegar, tudo era novo e diferente: as irmãs, o povo, a língua, a cultura, a comida… Chamou-lhe a atenção que aqui a maioria da população é cristã, enquanto que, na Índia, é apenas 2,3%, predominando o hinduísmo e o islamismo. Estranhou os casamentos de segunda e terceira união, e os jovens poderem escolher com quem se casar. Na Índia, especialmente no interior, são as famílias que indicam os noivos. Apreciou a liberdade e a abertura que encontrou no Brasil. Em relação à língua, aqui só há o português, enquanto que, em seu país de origem, há mais de mil idiomas diferentes. A irmã espera passar a pandemia para integrar a comunidade SSpS que será aberta na Zona Leste de São Paulo, próxima à Creche Madre Theresia, onde ela trabalha. Lá, um fato que a assustou muito foi a violência doméstica: um pai assassinou a mulher na frente da criança. “Como é fácil acabar com a vida!”, lamentou. “Sentir-se em casa” Irmã Severina do Carmo Amaral, 46 anos, está apenas há três meses no Brasil. Veio do Timor Leste fazer uma experiência missionária e aprender o português. Apesar de ser o idioma oficial de seu país, não é conhecido, pois o povo fala o tétum. Ela conta que se sentiu bem acolhida e que os brasileiros são muito amigos. Sua grande alegria foi conhecer o Santuário Nacional, em Aparecida-SP. Irmã Severina confessa que se encantou com a beleza da basílica e a quantidade de gente. No Timor Leste, os locais de peregrinação são, em geral, pequenas capelas em meio à natureza. O início do aprendizado é difícil, pois faltam as palavras para expressar o que deseja. Por causa da pandemia, as aulas são por Skype. A irmã já viveu na Indonésia e Filipinas, e conhece os desafios da internacionalidade. Mesmo assim, sente falta do arroz no café da manhã. Na comunidade, está à vontade. “A cultura é diferente em cada país, mas, como irmãs servas do Espírito Santo, temos uma cultura congregacional, um estilo de vida, de oração, de vida comunitária que nos faz sentir em casa aonde quer que vamos”, afirma. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN)
Participação e solidariedade marcam assembleia

Todos os anos, as missionárias servas do Espírito Santo se reúnem em assembleia para aprofundar o ser missionário, partilhar e avaliar como estão vivendo a missão e crescer no benquerer e na comunhão. Neste ano, de 14 a 17 de novembro, elas se reuniram no Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, com essa finalidade. Encontraram-se as irmãs das comunidades do Tocantins, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, num total de 59 participantes presenciais. As que não podiam viajar se uniram às outras pela oração. A Parábola do Bom Samaritano (Lc 10,25-37) perpassou todas as atividades e serviu de inspiração para as principais decisões da assembleia. O primeiro dia foi dedicado à formação, convivência e aprofundamento do texto bíblico. Marcou a jornada a celebração eucarística presidida pelo padre Lucas Herkt, missionário do Verbo Divino. Para enriquecer a reflexão do Evangelho, as irmãs Maria de Fátima Marques e Heloise Matos, com o coordenador da Dimensão Missionária, Agostinho Travençolo, utilizaram dinâmicas de bibliodrama. Uma das irmãs representou o homem da parábola, agredido por bandidos. Todas foram convidadas a fazer a experiência de estar no lugar do sacerdote que viu o sofredor e não fez nada, do levita, que também passou adiante, e do samaritano que cuidou do homem ferido. Depois, em grupos, refletiram sobre a atitude do personagem escolhido, confrontando com a própria vida. Depois, no ato penitencial, cada grupo apresentou seu pedido de perdão. À tarde, foi a liturgia eucarística. Em grupos, as irmãs prepararam as ofertas, refletindo sobre o amor que leva à solidariedade. Cada grupo esculpiu ou desenhou na areia o que queria ofertar e depois partilhou com a assembleia. Padre Lucas deu prosseguimento com o rito eucarístico. Tudo está interligado No momento da ação de graças, a assembleia expressou sua busca por alargar o círculo da comunhão com Deus, com a criação, com os marginalizados e excluídos, com os outros povos e culturas, e também entre as próprias irmãs. Para isso cantaram a música “Tudo está interligado”, composta pelo Pe. Cireneu Kuhn, inspirada na encíclica Laudato Si’. Com fitas coloridas, vivenciaram a união entre todas. Nos três dias seguintes, a assembleia seguiu a metodologia do “ver, julgar e agir”. Para o “ver”, foram apresentados os relatórios das entidades religiosa, educacional e social: Instituto Trinitas, SEB e Redes. Também as equipes de Espiritualidade, Missionários Leigos de Deus Uno e Trino, Animação Vocacional, Comunicação e Centro Missionário partilharam o que estão fazendo. Migrantes e indígenas Um destaque foi a participação de alguns leigos e leigas que fazem parte da missão. O Centro de Integração dos Migrantes relatou a abrangência do trabalho realizado e a necessidade de um espaço maior e mais adequado para o acolhimento das crianças. As irmãs que trabalham com o povo xerente, no Tocantins, expuseram os desafios que enfrentam. Também cada uma das comunidades partilhou como está vivendo a comunhão, suas atividades missionárias e perspectivas de futuro. Para o julgar, as irmãs se reuniram em grupos. Com base no estudo que fizeram nas comunidades, sobre justiça socioambiental e Psicologia na vida religiosa, destacaram a importância do cuidado com o meio ambiente, a solidariedade com os pobres e a busca de políticas públicas que respeitem a dignidade humana. Refletiram ainda sobre as atitudes que ajudam a crescer na comunhão, como o perdão, a justiça, a liberdade, o amor, o relacionamento, o desapego e a gratidão. Outro tema foi o discernimento comunitário em preparação à eleição da delegada que participará, junto com a coordenadora provincial, Ir. Maria Percila Vieira, do 15º Capítulo-Geral da Congregação, marcado para o próximo ano, na Holanda. Irmã Maria de Fátima Marques foi eleita a delegada. Irmã Maria Percila Vieira avalia: “Crescemos na comunhão entre nós, no benquerer, no respeito e, como somos de diferentes países, também na interculturalidade. Experimentamos que é possível conviver e respeitar o diferente”. Destacou que procuram fazer a diferença nos locais onde estão e viver seu ser missionário hoje, na realidade de Brasil. “Crescemos na solidariedade e estamos mais abertas aos excluídos e descartados pela sociedade. Junto com outras congregações, apoiando os grupos que precisam mais”, afirma Ir. Maria Percila. Segundo a coordenadora, ficou bem clara na assembleia a solidariedade com projetos concretos, especialmente com os migrantes e com os indígenas. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) ________
Comunhão com os outros: Outras culturas

Durante a colonização do Brasil, muitos povos diferentes chegaram ao nosso país e acrescentaram seus costumes a cultura daqui. Depois disto a imigração nunca parou e hoje somos considerados o país com a maior diversidade cultural do planeta. E ainda tem mais: com a crise econômica e as guerras, temos recebidos milhares de refugiados de diferentes países, que aumentaram mais a miscigenação da população. Em 2015 a Polícia Federal registrou a entrada de mais de 65.000 pessoas de 10 países diferentes, sendo que a maioria se concentrou em São Paulo devido as oportunidades de trabalho. E este cenário diversificado se encaixa perfeitamente num dos temas proposto para 2018 pela Congregação para o Ano da Comunhão Com os Outros: “Estar em comunhão com as outras culturas”. É hora de abraçar os estrangeiros com toda sua riqueza cultural e tratá-los como irmãs e irmãos que somos em Cristo Jesus. Aproveite também para conhecer nosso Centro de Integração do Migrante na Rua Coimbra, 459 – Brás, onde você pode conversar e conviver com vários migrantes prontos para contar suas histórias. Mas enquanto eles não contam, conheça agora algumas culturas que existem aqui no Brasil:
Jesus POP ou Forever Alone? Descubra se Jesus teve amigos

Jesus Cristo foi uma pessoa que sempre chamou atenção, por onde passava teve milhares de fiéis o seguindo, curiosos e até inimigos. E por sempre estar rodeado de muitas pessoas, imaginamos que ele tinha muitos amigos, como essas celebridades ou youtubers famososo que vemos por aí, ganhando homenagens e presentes todos dias. Mas não foi bem por aí. Jesus tinha muitos seguidores, mas eles o viam como mestre e senhor e não como amigo. Não que eles não quisessem isso, mas não era possível ter esse tipo de relacionamento devido a vida agitada de Jesus. “Amigos eu conto nos dedos” Acho que todo mundo já ouviu esta expressão, principalmente de pessoas mais velhas. Porque é na vida adulta que percebemos que aqueles que podemos contar pra todo tipo de situação, realmente são poucos. Apesar de poucos, Jesus teve amigos sim, afinal, ele foi um ser humano como você e eu, e precisou de gente pra compartilhar dos momento ruins e também dos bons. Vamos ver quem foram eles? Pedro, Tiago e João: Esses eram 3 dos 12 apóstolos que foram mais próximo de Jesus. Em algumas ocasiões Jesus levou apenas eles. Ele tinha uma intimidade especial com os 3 e confiava na descrição de cada um deles. Além disso, depois de sua morte, Pedro deu continuidade a Igreja de Cristo, João cuidou de sua mãe e Tiago foi o primeiro discípulo a morrer por Jesus. João Batista: Além de primo, foi quem batizou Jesus. Jesus elogiava João Batista e tirou um tempo para ficar só quando ele morreu. Lázaro, Marta e Maria: Esses 3 eram amigos especiais de Jesus, no qual ele demonstrou grande afeição. Jesus costumava se hospedar na casa deles quando viajava à lugares próximo a cidade que eles moravam. Inclusive quando Lázaro morreu, Jesus chorou por ele, ele foi o único homem descrito no Novo Testamento, por quem Jesus chorou. Jesus também quer sua amizade Jesus também quer seu nosso amigo hoje, Ele mesmo disse em João 15,15 “ Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido”. Embora não esteja fisicamente na Terra, através de seu poder, Jesus tem a capacidade de se relacionar conosco. Ele está vivo e presente em nossas vidas, sabendo de tudo que passamos, vivemos e sentimos. É um bom ouvinte, não julga e ainda te abençoa com coisas que você pede. Um amigo desse é pra pegar e nunca mais largar!
Comunhão com os outros: Católicos e outras religiões – Pode?

Estamos vivendo um momento nunca antes visto pela humanidade, estamos numa era onde todos estão se comunicando mais do que nunca. Mas, infelizmente, também tem crescido o ódio e a intolerância contra as pessoas que pensam diferente, têm uma fé diferente ou simplesmente porque nasceram em um país cjua língua e cultura são diferentes. Diante disso, no seu esforço de alargar o “círculo da comunhão” e superar o que cria divisão e violência, a Congregação definiu o ano de 2018 como o Ano da Comunhão com os outros. Para nós, a Comunhão com os outros é um conceito amplo que abrange a diversidade cultural e religiosa do povo de Deus através do diálogo e do testemunho de vida. Hoje, mais do que nunca, nossa missão assume cada vez mais a forma de diálogo, encontro e colaboração. Nosso 14º Capítulo Geral indica isso: “Somos chamados a unir as mãos a todos aqueles que são inspirados pelo mesmo Espírito, como os nossos parceiros leigos na missão e aqueles que pertencem a outras organizações, culturas e religiões. Nós reverentemente entramos em um diálogo de vida e ação com pessoas de outras crenças. Utilizamos de forma criativa e responsável as mídias sociais e a tecnologia moderna para compartilhar a Boa Nova do amor de Deus. O tema deste ano é: Construindo Pontes da Amizade”. E dentro do tema da Comunhão com os outros podemos falar de vários assuntos e, o que escolhemos hoje é a Comunhão entre as religiões. Te convido a conhecer as principais religiões do mundo: 1 – Cristianismo: A religião cristã surgiu na região da atual Palestina no século I. De acordo com a fé cristã, Deus mandou ao mundo seu filho para ser o salvador dos homens. Jesus foi o próprio Deus encarnado, que morreu na cruz para redimir nossos pecados. A base do cristianismo, ensinado por Jesus, tem como fundamentos principais: amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo. Existem cerca de 2,2 bilhões de cristãos no mundo. 2 – Espiritismo: Criado por Allan Kardec, o Espiritismo surgiu na França no século XIX e consiste numa doutrina religiosa, filosófica e científica, cuja principal crença gira em torno da constante evolução espiritual do ser humano, através das reencarnações. A caridade, a reencarnação e o carma são os princípios básicos do espiritismo. Acredita-se que exista cerca de 13 milhões de adeptos do mundo inteiro. 3 – Judaísmo: O judaísmo é a religião monoteísta mais antiga do mundo. Originou-se por volta do século XVIII a.C., quando Deus mandou Abraão procurar a terra prometida. Os judeus acreditam que Jeová, seja o criador do universo, um ser onipresente, onipotente e onisciente, que influencia todo o universo e tem uma relação especial com seu povo. Estima-se cerca de 15 milhões de adeptos. 4 – Budismo: Originário da Índia, o Budismo, além de ser uma religião, também é um sistema ético e filosófico. Foi criado por Buda em torno de 563 a.C. No budismo, os sofrimentos da vida são resultados das ações da vida passada. Sendo assim, a pessoa tende a reencarnar diversas vezes após a morte até atingir o estado de pureza espiritual completo, chamado de nirvana. Os princípio dessa religião consiste em respeitar a vida, viver honestamente e evoluir sempre. Atualmente existem cerca de 376 milhões de adeptos em todo o mundo. 5 – Islamismo: O Islamismo é uma religião monoteísta, revelada pelo profeta Maomé, em 570 d.C. A expressão ‘islã’ representa ‘submissão’ e traduz a obediência às regras e aos desejos de Alá. Os que seguem esta doutrina são conhecidos como muçulmanos. Seus principais ensinamentos são a onipotência de Deus e a necessidade de bondade, generosidade e justiça nas relações entre os seres humanos. São estimados aproximadamente 1,6 bilhões de adeptos em todo o mundo. 6 – Sikhismo: Fundada pelo Guru Baba Nanak no século XVI, o Sikhismo é um religião monoteísta, baseada nos ensinamentos de Nanak. Ele acreditava em um ser supremo e que todas as religiões utilizam nomes diferentes para a mesma divindade. Seu princípios são: Tratar todos igualmente, ser generosos com os pobres, trabalhar duro, viver honestamente e manter Deus na cabeça e no coração o tempo todo. São aproximadamente 20 milhões de adeptos em todo o mundo. 7 – Hinduísmo: Baseado nos textos Vedas, o hinduísmo abrange tradições, crenças, seitas e variações de várias culturas, que não tem uma doutrina única ou escritura. Surgiu há cerca de 3 mil anos e é uma religião politeísta, com cerca de 330 mil divindades. Eles acreditam que o nascimento de uma pessoa dentro de uma casta (status na sociedade) é resultado de ações produzidas nas vidas passadas. São aproximadamente 900 milhões de adeptos em todo o mundo. 8 – Religião Tradicional Chinesa: Os adeptos da religião tradicional chinesa misturam credos e práticas de diferentes doutrinas, como o Confucionismo, o Taoísmo, o Budismo e outras religiões menores. Com mais de 400 milhões de adeptos, eles representam cerca de 6% da população mundial. Por que conhecer as outras religiões? Tem muita gente que acha que é perigoso perder a própria fé quando se estuda outras religiões. Mas isso não é verdade. Só perde a fé quem realmente não está firme ou não conhece sua própria religião. De qualquer forma, conhecer outras religiões não significa mudar de religião, mas entender como é a fé de outras pessoas para poder respeitá-las mais e até mesmo aprender seus valores e novas maneiras de lidar com a realidade humana. Além disso, quanto mais informação você tem sobre um assunto, melhor a chance de falar dele sem dizer bobagem, não é mesmo? Sem falar que quando você mantém a mente aberta, você fica livre de preconceitos, respeita mais a opinião do outro e ainda pode aprender muito com ele. O conhecimento traz paz para as relações. Conte pra nós nos comentários qual é a sua religião e o que você pensa sobre isso.