Uma Páscoa missionária

Viver em chave pascal significa abraçar cada momento da vida, desde a alegria até a fragilidade e a morte. Páscoa é tempo de coragem. Sair de um simples lugar celebrativo para o encontro com as pessoas. Veja a reflexão do professor Lucas Fortunato, do Colégio Sagrado Coração de Jesus, de Belo Horizonte (MG).
Chuvas em Juiz de Fora: colégios das SSpS recebem doações para vítimas

As unidades da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS) recebem doações para as vítimas das chuvas em Juiz de Fora e municípios vizinhos. A região foi atingida por uma chuva histórica, matando dezenas de pessoas. Centenas de famílias estão desalojadas. A ajuda também pode ser feita por meio de pix. Saiba como participar!
Aulas de Matemática Financeira e Empreendedorismo incentivam aluna do Sagrado a abrir a própria empresa

Meu nome é Carolina Cruz. Minha história com o Colégio Sagrado Coração de Jesus se iniciou em 2013, no 4º ano do ensino fundamental. São oito anos de um casamento que eu gostaria que durasse para sempre, mas ciclos se abrem e se fecham, e este ano finalizo o ensino médio com uma bagagem inimaginável de vivências e aprendizados que a escola me proporcionou, e indo além do ensinado em sala de aula. Pouquíssimas escolas do Brasil têm Educação Financeira na grade curricular. Segundo o Ibope, só 21% dos brasileiros com acesso à internet tiveram introdução à educação financeira durante a infância. Isso é um grande problema, não só de caráter econômico, mas que também atinge a esfera social. Se a gente parar para pensar, qualquer pessoa, independentemente da área de atuação, terá que lidar com dinheiro em algum momento da vida. Sair da escola para o mercado de trabalho sabendo a diferença entre juros simples e compostos, cartão de crédito e débito, poupança e aplicação é um diferencial enorme, por isso essa matéria é tão importante nas escolas. Além dela, o Sagrado também insere na grade curricular o Empreendedorismo e Inovação. Você sabe a diferença entre uma MEI, Eireli, LTDA. e S.A.? E se você fosse abrir uma loja, preferiria ela on-line ou física? Seria uma startup? Qual problema você pretende solucionar? Todas essas são perguntas esclarecidas nas aulas de Empreendedorismo, e, graças a esse esclarecimento, hoje tenho minha própria empresa. Eu já sabia que queria cursar Publicidade e Propaganda por conta de dois outros projetos da escola, a SIS (Simulação Intercolegial do Sagrado) e ao POPS (Programa de Orientação Profissional do Sagrado). Além disso, gosto muito de fotografar e criar materiais gráficos, o que, inclusive, já fazia dentro do Colégio, quando algumas oportunidades surgiam. Eu tinha o conhecimento que os professores me passaram e tinha também a vontade de fazer algo. Nasceu então a Bath & Body Saboaria Artesanal, uma criação 100% minha, desde os produtos em si até os rótulos, embalagem, logomarca, atendimento, site… Uma loucura que está dando certo! Grande parte de meu sucesso atribuo à Educação Financeira e ao Empreendedorismo que me foram apresentados na escola. Essas matérias reduziram minha chance de erro e ampliaram minha visão acerca do mercado. Além de todo o conhecimento transmitido, em momento algum, eu me senti desamparada. Os professores, mesmo não fazendo mais parte de minha rotina acadêmica, continuam dando todo o apoio que preciso, e isso é, sem sombra de dúvidas, o aspecto mais importante de todo o processo de aprendizado, porque nós, como alunos, somos valorizados como pessoas. Afinal, para mim, educação é isso, é troca, é vivência, para que, a cada dia, possamos crescer ainda mais. Por isso, o Sagrado é uma #escolaviva que pulsa na gente! Carolina Lopes Diniz Cruz, 18 anosAluna do Colégio Sagrado Coração de Jesus desde 2013; caloura de Publicidade e Propaganda na PUC Minas; criadora e artesã da Bath & Body Saboaria; voluntária da Fazenda de Caná, na recuperação de dependentes químicos; voluntária e secretária de marketing da Simulação Intercolegial do Sagrado (SIS); admiradora de fotografia e artes visuais, buscando aprender e praticar um pouco sempre com a B&B; humana do Nick, da Morghana (os gatos) e de alguns pássaros e peixes; certificada por Cambridge, B2, em Língua Inglesa; viajante nas horas vagas.
As missionárias são como as buganvílias do mundo

As buganvílias são flores lindas, delicadas e, apesar de estarem no mundo todo, identificaram-se com a luz latina, o sol e o calor de nossa região. Fazem presença em muitos lares brasileiros, em nosso jardim. E por mais discretas que sejam, não passam despercebidas: são fortes, destemidas e trazem uma potência em cor. A metáfora é perfeita: uma flor missionária, irmãs missionárias. Em 2002, o Santo Padre João Paulo II escreveu às missionárias servas do Espírito Santo por ocasião de seu Capítulo-Geral: “O mundo tem necessidade de testemunhas”. Essa frase sintetiza a necessidade e a importância de que essa obra ganhasse o mundo, tomasse o globo, levando a Palavra de Deus em forma de missão: fortes, destemidas e com uma grande presença. Como as buganvílias, metaforizando a experiência da missão, a experiência marcante entre a discrição e a presença. Presença essa em todo o País, cujo tempo, ao longo dos anos, marcou datas emblemáticas que precisam ser comemoradas como uma graça ao duplo encontro: encontro das missionárias com a própria missão. Esse é o caso de uma das mais importantes obras no Brasil: o Colégio Sagrado Coração de Jesus de Belo Horizonte, Minas Gerais. Um augusto baluarte das terras mineiras, testemunha, como disse o Santo Padre, da história de uma cidade que nasceu planejada, elegeu presidentes e transborda buganvílias durante todo o ano. Dia 8 de dezembro de 2021. Nós, mineiros, belo-horizontinos e missionários, comemoramos juntos os 110 anos deste importante Colégio. Com preparativos que se estenderam durante todo um ano, os festejos desse marco histórico, dessa importante data, mais uma vez, lumiaram, em boas lembranças e afeto, uma manhã de quarta-feira. Banda da Polícia Militar, missa na capela, bênçãos e pedidos fervorosos para mais que o dobro de anos. Ex-alunos, ex-professores, ex-funcionários em congraçamento com o tempo de quem foi e o tempo de quem está. Irmãs de mãos dadas com crianças, cantando a música de Milton Nascimento: “E me fala de coisas bonitas que eu acredito que não deixarão de existir: amizade, palavra, respeito, caráter, bondade, alegria e amor”. Uma manhã especial, uma data especial! Havia, porém, uma sala dentro do colégio. Um lugar chamado, como escrito na plaquinha da porta, “túnel do tempo”. E como um filme, foi possível revisitar as fichas de alunos, as fotos, as agendas, as imagens, as turmas, os professores, as irmãs, os lugares, as salas de aula das décadas de 1950, 1960, 1970, 1980… Um compêndio de histórias de vida que se regulavam em um único local: as escadarias e sala do centenário colégio. Esses registros nos permitiram considerar que a História não tem seu efeito de sentido acerca da memória, ela bate suas estacas na precisão de documentos. O documento inspira, apesar dos seus limites, o fazer historiográfico, contudo, carrega uma pretensão em si, pois a História vai muito além dele. Por perseguir uma universalidade, o documento subjuga a memória. Isso quer dizer que o estatuto próprio da historiografia passa por procedimentos e análises próprias. Posso compreender que, em cada rosto de cada um dos alunos que encerrou este ano letivo de 2021, aqui, conosco, há um reconhecimento de cada um daqueles que por aqui passaram, em um legado subjetivo e grandioso, cujo tempo, documento e história se fizeram presentes e se (re)encontram em sorrisos muito parecidos no túnel do tempo dos 110 anos. Entre esses documentos, há alguns que me chamaram a atenção… Um deles foi um certificado de conclusão ginasial de 1965. Um certificado em que a alegria estampada na foto registra um elemento incomum para retratos 3×4 da época: fotos com sorriso. Isso pode nos dizer muito mais da passagem de Elizabeth pela história do Colégio Sagrado do que o conhecimento que temos hoje da história dessa personagem que aqui representa toda uma geração. Um lugar, um colégio, um tempo em que o sorriso foi capaz de atravessar 56 anos de história e nos atopetar com o êxtase de que a missão, desde então, vem sendo cumprida: significar na vida das pessoas! Cinquenta e seis anos depois, estamos aqui, juntos e comemorando uma passagem de tempo que nos atravessou em orgulho e satisfação por uma conquista verdadeira, um trabalho honesto e um furor pela continuidade. São 110 anos de exemplo e transformação em uma comunidade que não se vê mais sem a presença das irmãs missionárias servas do Espírito Santo, como não se vê mais sem buganvílias no jardim. Tony Charles LabancaProfessor no Colégio Sagrado Coração de Jesus desde 2014.
Maestro João Carlos Martins participa do Tecendo Relações nesta quinta

Nesta quinta-feira, 13 de agosto, às 19h, o maestro João Carlos Martins participa ao vivo de um bate-papo sobre a arte de agir com amor e emoção para superar os desafios. O artista é o convidado do webinar Tecendo Relações. A conversa será mediada pela professora Edja Camila, do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ. A transmissão será pelo canal da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, no Youtube. O professor Marcus Vinícius Leles de Barcelos, que leciona Literatura e História da Arte no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, conta um pouco mais sobre o maestro João Carlos: “Aos 5 anos, João precisou submeter-se a uma cirurgia para a remoção de um tumor benigno incrustrado em seu pescoço. Todavia o procedimento contou com alguns revezes. Sensibilizado, o pai do menino decidiu presenteá-lo com um instrumento, o piano. O pai de João lhe sentenciou ao apresentar o instrumento pelo qual o garoto desenvolveria verdadeira fascinação: ‘Nós vamos perseguir o sonho de você se curar, e você ficará curado’. Iniciou-se, assim, a relação entre o menino e a música. João, sanado em nova cirurgia aos 8 anos, debruçou-se cada vez mais sobre as teclas. Aos 13 anos, João Carlos Martins estabelecera-se como concertista com sólida carreira pelo Brasil. Aos 18, passou a constelar entre os nomes de lustre do cenário internacional. Pouco depois, consagrou-se em apresentações no Carnage Hall, em Nova Iorque, sempre com lotação esgotada. Em tais ocasiões, peças de Bach eram as melhores vitrines para o virtuosismo do brasileiro. João não apenas os versava com facilidade como adestrou seu corpo a um novo patamar de exigência. Tornou-se capaz de executar vinte e uma notas por segundo. Em 1965, o músico residia em Nova Iorque, quando o time da Portuguesa de Desportos visitou a cidade por ocasião de um jogo-treino, para o qual convidou João Carlos Martins a integrar a equipe oficial. Contudo, em um desfecho inusitado, a participação do pianista na partida foi interrompida por um acidente que provocou a perfuração de seu braço à altura do cotovelo e comprometeu o pleno funcionamento do nervo ulnar, relacionado à elaboração motora das falanges. Como consequência, João Carlos Martins precisou afastar-se temporariamente do piano, devido à atrofia de três dedos. A situação se agravou alguns anos depois, quando o músico, que em nenhum momento desistiu da vocação e manteve-se engajado em exaustivos tratamentos, desenvolveu um quadro de lesão por esforço repetitivo. Entretanto, em um exemplo incrível de superação, o pianista conseguiu voltar aos palcos após longas e atribuladas sessões de fisioterapia. Não se desapegou, aliás, da paixão por Bach. Entre 1979 e 1985, realizou várias e significativas gravações das composições do mestre barroco. Em 1995, uma nova pirueta do destino. Ao sair de um teatro na cidade de Sófia, na Bulgária, João Carlos Martins foi golpeado na cabeça com uma barra de ferro, em um assalto. A concussão causou uma sequela neurológica que impôs restrições ainda mais severas à mobilidade do braço direito. Passou a executar peças que demandassem apenas a utilização de sua mão sã, como o álbum Só para a mão esquerda, composto por Maurice Ravel para Paul Wittgenstein, pianista austríaco que perdeu o braço direito durante a Primeira Guerra Mundial. No entanto, acabou por ter a mão esquerda inviabilizada pelo acometimento de uma nova moléstia, a contratura de Dupuytren. Desse ponto em diante, iniciou um longo périplo pela regência antes que pudesse voltar ao piano. A transição à posição de maestro acarretou novas necessidades de adaptação. Impossibilitado de manusear as partituras em tempo hábil para reger a orquestra, João Carlos Martins passou a memorizar, nota por nota, as peças que se propunha apresentar. Ressignificou também sua fascinação por Bach por meio da criação da Bachiana Filarmônica e da Bachiana Jovem, instituições responsáveis pelo recrutamento e pela revelação de grandes talentos musicais. Surpreendentemente, em 2020, deu-se o reencontro do músico com o piano, por meio de um par de luvas biônicas projetadas pelo designer industrial Ubiratã Bizarro Costa, as quais restituíram a mobilidade às mãos de João. A trajetória de João Carlos Martins é uma peça executada a vários andamentos. Nunca em silêncio. E para aqueles que, a qualquer momento, pensaram-no fora de cena, não se iludam. Como todo bom prestidigitador de Bach, João Carlos Martins é mestre da invenção e do improviso. Tem a arte sutil do ardil e da saída. Tocata e Fuga. Conhecê-lo é um privilégio que será experimentado pelos colaboradores da Rede de educação das Missionárias Servas do Espírito Santo no webinar Tecendo Relações.” Marcus Vinícius Leles de Barcelos é graduado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestre em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela mesma instituição. É professor de Literatura e de História da Arte do Colégio Sagrado Coração de Jesus.
Sobre sonhos e histórias…

Quando criança, meus pais não tinham o hábito de contar histórias de “Chapeuzinho Vermelho” ou “A Bela Adormecida” para eu dormir. Tampouco me compravam livros ou me levavam a bibliotecas… Entretanto assistimos a muitas peças teatrais, o que sempre me fascinava. Quando fui para a escola, onde existia uma biblioteca, por curiosidade, perguntei à moça responsável se havia um livro sobre a primeira peça que vi, “A Bonequinha Preta”, de Alaíde Lisboa. O livro estava disponível para empréstimo, e foi assim que essa peça teatral despertou em mim o gosto pela leitura. A biblioteca passou a ser meu lugar preferido na escola e, posteriormente, meu lugar predileto no mundo. Quando me formei no ensino médio, tive a certeza de que queria ser psicóloga, porém, durante o cursinho para o vestibular, os professores de Língua Portuguesa, Literatura e História me apresentaram um curso que eu pouco conhecia, o de Biblioteconomia. A partir daí, já não tive mais aquela certeza. Então… troquei minha primeira opção de curso para Biblioteconomia. Passei no vestibular e, em 2011, iniciei a graduação. A graduação me trouxe novas perspectivas e percepções, mas a maior delas foi a descoberta de uma nova paixão: a área de Educação e, oportunamente, a “contação” de histórias. Durante toda a graduação, eu visei à especialização em bibliotecas escolares. Assim que me formei, fui trabalhar como bibliotecária num hospital, em Belo Horizonte-MG. O sonho de trabalhar em uma escola foi adiado. Ficou aguardando por mais três anos, adormecido… Mas foi despertado em 2018, quando iniciei minha carreira no Colégio Sagrado Coração de Jesus. A oportunidade de trabalhar no Colégio Sagrado Coração de Jesus abriu-me várias portas, inclusive a possibilidade de, finalmente, fazer meu curso de “contação” de história. No Colégio, a “contação” de histórias é algo muito forte e valorizado. Isso ocorre porque acreditamos que contar histórias é o maior incentivo à leitura que podemos dar às crianças, do infantil ao último ano das séries iniciais do fundamental I. Quando me vi diante desse cenário, percebi que precisava urgentemente de um curso, para eu aprender técnicas que transmitissem essas histórias de uma forma encantadora, que pudessem realmente tocar as crianças. As histórias são algo que nos transforma. Ouvir histórias é bom demais; contá-las é melhor ainda. A primeira história que narrei foi “A bofetada”, um conto africano. Lembro-me da expectativa e da emoção quando terminei. Posso relembrar vários momentos que me marcaram: o livro “A sopa de pedra”, pelo qual eu contei a história de um personagem conhecido do mundo adulto, mas, dessa vez, ele era uma criança, Pedro Malazartes. Outro momento muito interessante foi quando precisava contar na “Semana sem Fronteira”. Alguns dias antes, tive uma laringite e fiquei afônica. No dia, como um milagre, a voz voltou forte e, somente durante a “contação” de história, para depois sumir novamente. Essa apresentação foi realizada para os alunos do 2º ano do ensino fundamental. Eles contaram algumas partes comigo e fizeram a sonorização. O momento foi emocionante. Em minhas “contações” no colégio, sempre canto uma música antes de começar as histórias e uso um avental. A esse conjunto de preparação chamamos preâmbulo, para as crianças entrarem no clima. Depois conto a história e então deixo que elas também contem suas histórias. É lindo observar as crianças cantarem a música e, posteriormente, contarem a história da maneira deles. Guiomar Dantas (2019, p. 66) afirma que mediar leitura “é, sobretudo, contagiar filhos, sobrinhos, afilhados, alunos, amigos ou o público para o qual faz mediação com o vírus da leitura que, por sua vez, propaga no corpo e na mente um vício incurável: o amor pelos livros e pelas histórias”. E é exatamente com essa perspectiva que me preparo para os momentos de “contação”. Gosto de provocar emoções que tocam o coração e incentivam cada vez mais a busca por leitura e literatura. E assim, a cada história, vamos criando e recriando o famoso “felizes para sempre”. DANTAS, Guiomar. A arte de criar leitores: reflexões e dicas para uma mediação eficaz. São Paulo: Senac, 2019. 279 p. Raissa Cirilo, bibliotecária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, contadora de histórias e autora do capítulo “A hora do canto como recurso de mediação de leitura na biblioteca escolar e disseminação da cultura afro-brasileira”, disponível no livro “Mulheres negras na Biblioteconomia”.
2020: tempo de multiplicar talentos

Um homem muito rico se viu, de repente, preocupado com o aumento do desmatamento e do aquecimento global, o que o levou a refletir: “Como posso contribuir para que a natureza seja preservada e as gerações vindouras possam viver em um mundo melhor?”. E movido por esse questionamento, decidiu comprar terras e reflorestar. Sua missão não era fácil e exigia dedicação, cuidado e paciência, porém, sabendo das grandes dificuldades enfrentadas em todo o planeta, resolveu partir em busca de mais terras, na intenção de reflorestar um maior número de espaços possível. Assim, o homem resolveu convidar algumas pessoas de sua comunidade para ajudar na missão de plantar e cuidar das sementes que ele havia preparado. Esse convite foi feito de forma bem criteriosa, considerando as habilidades de cada um deles. Para o primeiro vizinho ele entregou sementes de flores coloridas, que dariam cor, perfume e alegria para o mundo. Para o segundo ele entregou sementes de árvores frutíferas, que seriam fonte de alimento para os que por ali passassem. Para o terceiro ele entregou sementes de árvores frondosas, que serviriam de abrigo em dias de sol e muito calor. Assim que entregou as sementes, o homem pediu a cada um que cuidasse muito bem delas e que se esforçasse para que elas não morressem. O primeiro vizinho tratou logo de convidar a família para ajudar na tarefa de plantar, adubar e cuidar das sementes. O segundo vizinho chamou a família e alguns amigos para, juntos, plantarem as sementes e cuidarem delas. Como eram muitos, foi possível dividir tarefas e cuidar das sementes com mais dedicação. O terceiro vizinho pensou: “E se as sementes morrerem? E se não chover? E se o sol estiver muito quente e acabar por queimar as sementes?”. E foi pensando assim que ele decidiu guardar as sementes para plantá-las depois. O tempo passou, e o dono das terras voltou. Ao chegar, cheio de expectativas, pois confiava em seus vizinhos, ele foi ver como estavam as terras. As sementes de flores coloridas haviam germinado, perfumando e colorindo todo o terreno. As árvores frutíferas, apesar de ainda não darem frutos, já mostravam os brotos nascendo. Porém ele sentiu falta das árvores que dariam sombra. Por isso procurou pelo terceiro vizinho e perguntou: “Onde estão as árvores que darão sombra às pessoas?”. O vizinho respondeu: “Senhor, eu tive medo. Medo de que não chovesse, medo de que o sol queimasse as sementes, enfim, medo de as sementes não brotarem. Por isso escolhi guardá-las para um momento oportuno”. O Senhor, perplexo, disse: “O nosso terreno está florido, perfumado e, em pouco tempo, dará frutos. Porém, por você ter se deixado vencer pelo medo e pela insegurança, faltará para muitos a sombra. Devolva-me as sementes, que as entregarei aos outros vizinhos, para que possam plantá-las o quanto antes. Quanto a você, busque encarar e vencer seus medos. Eles existem em todos nós, porém servem como um alerta. Não podem nos paralisar. Seus colegas corriam os mesmos riscos e, mesmo assim, acreditaram, plantaram, cuidaram, e hoje temos flores e frutos. Na vida, somos como os vizinhos do senhor que queria reflorestar o planeta. Somos convidados a contribuir com nossos dons, transformando-os em talentos, para fazer do planeta um lugar colorido, perfumado e bom de se viver. Por isso, neste início do ano de 2020, convido você a refletir acerca de seus talentos, de maneira a se comprometer em desenvolvê-los e colocá-los a serviço de sua própria realização e do bem comum. As perguntas a seguir são, na verdade, o primeiro passo para que você possa refletir acerca de seu propósito para o ano que se inicia. Por isso responda com sinceridade e, com base no que você disser, estabeleça metas e estratégias para sua vida: ● Com qual dos personagens dessa história você se identifica? ● Quais talentos você reconhece em si mesmo? ● De que maneira você pode aprimorar seus talentos para se sentir mais realizado e feliz? ● Nossos talentos são dádivas divinas. Nós os recebemos por graça e é gratificante quando podemos compartilhá-los com as pessoas. De que maneira seus talentos podem contribuir para a felicidade e o bem comum? ● Ao fim do ano de 2020, você se sentirá feliz e realizado se seu talento… Para refletir: “O talento ou acaso não escolhem, para manifestar-se, nem dias nem lugares.” José Saramago. Simone Fortunato Nunes Professora, assistente social, coordenadora da Pastoral Missionária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, Belo Horizonte-MG.
Gentileza: crianças enviam cartas para idosos

Consideradas um dos meios de comunicação mais antigos do mundo, as cartas perduraram como principal veículo de informações a distância por muitos séculos. Entretanto, a chegada do telefone, em 1870, provocou mudanças na cultura da escrita de cartas, mesmo que continuassem a contribuir para que as pessoas se comunicassem e expressassem seus sentimentos, desejos, projetos e desabafos. No entanto, no século XXI, com a internet e a divulgação das redes sociais, o que era escrito em folhas de papel passou a ser digitalizado em telas dos smartphones, tablets e computadores, e as pessoas que viveram grande parte de suas vidas fora da Era Digital e hoje moram em lares de idosos viram-se, muitas vezes, impedidas de escrever e receber cartas, aumentando, por exemplo, a solidão e sensação de abandono. Assim, a Prefeitura de Belo Horizonte-MG, em parceria com o Movimento Gentileza, lançou, no dia 22 de outubro, o projeto “Cartas para você”. O objetivo é promover um intercâmbio geracional entre crianças, jovens e idosos, além de permitir o desenvolvimento de um elo afetivo por meio de cartas manuscritas. O Colégio Sagrado Coração foi convidado a participar da iniciativa, representando as escolas privadas de Belo Horizonte. Assim, 413 crianças e adolescentes dedicaram um tempo para escrever uma carta para uma idosa ou idoso, compartilhando histórias, sentimentos e sonhos. As mensagens, por sua vez, foram entregues pelos correios, reacendendo nos idosos residentes em 28 lares da capital mineira as memórias dos tempos em que as cartas eram esperadas ansiosamente, pois traziam notícias de pessoas amadas e que viviam longe. Cerimônia de lançamento Os alunos Maria Luiza Vanucci Ferreira, Rafaela Andrade Alves, Nicole Cunha Ribeiro e João Freire Villela participaram da cerimônia de lançamento do projeto, no salão nobre da Prefeitura. “Abro meu coração quando escrevo uma carta”, revelou a aluna Maria Luiza, em depoimento ao Jornal Estado de Minas. Em paralelo a esse depoimento, recordarmos um dos pensamentos de Madre Josefa, uma das fundadoras da Congregação da Missionárias Servas do Espírito Santo que norteia a filosofia dos colégios: “Nossa missão é abrir os corações ao amor”. Com isso, esperamos que as cartas levem ânimo, alegria e carinho aos corações dos idosos e idosas dos 28 lares, como os residentes do Lar Nossa Senhora da Saúde. Assim nos escreveu a assistente social Juliana Moreira: “Recebemos as cartas aqui no lar, e os idosos adoraram. Ficaram muito felizes e interessados ao abrir a carta e poder ter contato com essas crianças maravilhosas do Colégio Coração de Jesus, do 6º ano”. Escrever uma carta é um gesto significativo de gentileza, mas existem muitos outros. Nossos alunos fizeram a parte deles. Agora é sua vez de também espalhar gentileza, cumprindo o que Madre Josefa nos deixou como legado: “Abrir os corações ao amor”! Simone Fortunato NunesCoordenadora da Pastoral Missionáriado Colégio Sagrado Coração de Jesus ________ Assista ao vídeo publicado pelo Jornal Minas:
Estudantes debatem conflitos no Morro do Alemão

O conflito do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro-RJ, mobilizou alunos do Colégio Sagrado Coração de Jesus e de diversas escolas de Ensino Médio e universidades de Belo Horizonte e do interior de Minas Gerais, num total de 200 estudantes que participaram da SIS – Simulação Intercolegial do Sagrado, no dia 31 de agosto. A SIS faz parte do projeto pedagógico do colégio e, segundo a aluna Ana Luiza Araújo, “é um projeto criado e organizado pelos estudantes do Ensino Médio, no qual eles têm a oportunidade de mergulhar no excitante mundo diplomático”. Ela explica que os estudantes se organizam em comitês, criando um ambiente de simulação de organismos internacionais ou instituições nacionais, e se transformam em delegados para discutir temas relevantes da agenda nacional e internacional. Nesse processo, os alunos debatem, pactuam, articulam, deliberam, criam consensos e propostas de resolução para os temas em questão. Por isso a Simulação Intercolegial do Sagrado é uma oportunidade para aprimorar conhecimentos e a capacidade de relacionamento, diálogo e gerência do imprevisto. Neste ano, a 2ª edição da SIS organizou seis comitês, cada um com um tema: questões indígenas; antirrevolucionários durante a Revolução Francesa; crime organizado; segurança marítima; crise e intervenção na imprensa e o conflito no Morro do Alemão. Emoção no relato de moradoras O workshop sobre o conflito no Morro do Alemão teve destaque na SIS com o depoimento da Ir. Maria de Fátima Marques, presidente da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, Gilmara Soledade dos Santos, coordenadora educacional do Centro de Educação Infantil Madre Josefa e Paula da Silva Alves, moradora do Morro do Alemão. Elas narraram a chegada das irmãs missionárias servas do Espírito Santo na Serra da Misericórdia logo após um desastre ambiental que destruiu as casas. De forma imediata e comunitária, elas procuraram ajudar os moradores a reconstruírem suas vidas. Entre as muitas dificuldades que eles enfrentavam, as irmãs assumiram a necessidade de creches para atender às mães que trabalhavam fora e deram início à creche Madre Josefa. Os depoimentos de Irmã Fátima, Gilmara e Paula sobre o antes e o depois do conflito, “carregados de sentimento, já cativaram o coração dos diretores do comitê” conta Fernanda Ferreti, diretora assistente do comitê e estudante de veterinária da UFMG. Segundo ela “foi impossível conter o choro” durante o diálogo com os delegados. Fernanda conta que as convidadas relataram que o sentimento de esperança, que veio junto com a intervenção de 2010, deu lugar ao abandono ao fim das comemorações da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, ambas sediadas na capital fluminense. Dessa forma, a entrada da segurança pública no Morro do Alemão, por não ter sido acompanhada de políticas públicas de inclusão social, foi descrita como midiática. Segundo as moradoras Gilmara e Paula, as forças de polícia deram lugar novamente ao tráfico, coexistindo em uma paz armada em todo o Complexo, deixando os moradores a mercê de acordos não divulgados e ainda mais insegurança. Para Paula, significou sobretudo, um afastamento de sua família e amigos, que já não podem visitar a sua casa no morro, além de determinar seu plano de vida: ter filhos somente após a concretização do sonho da casa própria, em outro bairro, fora do Morro do Alemão, onde nasceu e cresceu. Gilmara partilhou ainda a dificuldade de educar crianças em meio a uma guerra: “como dar a esses jovens cidadãos esperança e, principalmente, mantê-los longe do tráfico de drogas?” Experiência e aprendizado Participar do SIS foi uma experiência enriquecedora tanto para as convidadas como para os estudantes. Paula, feliz por contribuir para a formação de caráter dos jovens comenta: foi “muito marcante, porque sempre senti vergonha em falar onde moro, mas quando vi o interesse dos alunos sem olhares preconceituosos ou de pena, a vergonha se transformou em orgulho”. Amanda Antunes, do Colégio Santo Agostinho – Unidade Contagem, que nunca havia simulado em gabinete antes e estava com uma “expectativa altíssima”, relatou que “a atenção do secretariado, o apoio dos diretores e o ambiente tão leve fez da SIS uma simulação maravilhosa!” Entusiasmada com o resultado, Fernanda diz que o workshop “foi um grandioso aprendizado” num ambiente de acolhimento e que abriu novas perspectivas para o futuro. Também animada com a experiência, a estudante Ana Luiza concluiu: “o workshop foi simplesmente incrível; os relatos aproximaram os delegados ao cenário do Complexo, explorando a empatia e sensibilidade de cada um, levando a uma simulação ainda mais especial”.
Papo Vocacional – Propósito de vida

Estamos chegando ao fim do Mês Vocacional, mas vocação faz parte de nossa vida e cultura, e é um tema que nunca se esgota. No vídeo de hoje, a estudante Jade Santos Tamiett fala sobre seu processo de escolha vocacional, que somente foi possível a partir da descoberta de seu propósito de vida. E você, já descobriu o seu? Já sabe qual é a sua missão no mundo? O propósito de vida é a missão para a qual nos sentimos chamados. É o motivo pelo qual existimos e a contribuição que devemos dar para a sociedade e o mundo. Isso é algo muito pessoal, e cada ser humano tem o seu próprio propósito que precisa ser descoberto. Quando descobrimos qual é o nosso lugar no mundo e o que viemos para fazer, nossa vida ganha foco e direção. Sabemos quem somos e qual o caminho a seguir. Assim podemos aplicar todos os nossos esforços em direção à nossa meta. Jade é ainda muito jovem, mas já descobriu seu propósito de vida: ajudar a salvar o planeta. Assim ela pode se decidir pelas Ciências Biológicas, que vão dar as ferramentas e o conhecimento necessário para ela realizar seu intento. Todo ser humano tem uma missão a cumprir, a qual é diferente para cada pessoa. Realizar o chamado profundo de nosso coração, seja ele qual for, é a melhor maneira de encontrar a felicidade. Quando colocamos nossos dons e talentos a serviço dos outros, buscando o bem de todos e o crescimento pessoal, vamos concretizando nossa razão de existir. E você, já descobriu seu lugar no mundo? E que passos está dando para viver sua vocação?