Parceria com a Easy Rider beneficia obras sociais das SSpS

A Easy Rider, organização que reúne motociclistas e admiradores da cultura biker, iniciou uma parceria solidária com o Centro Missionário Cultural Santíssima Trindade, instituição administrada pelas irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) na capital paulista. Os alimentos arrecadados em eventos serão doados a obras sociais das SSpS e entidades parceiras. Saiba mais!

Dez anos do Centro de Integração do Migrante: compromisso e resistência

O CIM (Centro de Integração do Migrante), localizado no bairro do Brás, na capital paulista, está celebrando dez anos de atividades. Fundado pelas missionárias servas do Espírito Santo, a obra social busca dar dignidade a pessoas que chegam de diversas partes do mundo, em busca de dias melhores. Maria Cristina Morelli, assistente social e voluntária no CIM, conta um pouco da história e da realidade da instituição.

Rede de Educação SSpS realiza encontro de lideranças

Entre os dias 23 e 25 de março, o Convento Santíssima Trindade, em São Paulo-SP, acolheu mais um encontro das lideranças da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS). A abertura, na quinta-feira, foi marcada pela celebração e posse do novo diretor-geral da Rede de Educação, João Carlos Martins. A oração, conduzida pelas irmãs, foi linda e emocionante, um momento de acolher o novo, mas também de relembrar e agradecer por tudo o que foi conquistado até agora. No jantar, também recebemos o novo diretor do Colégio Stella Matutina (Juiz de Fora-MG), Edgard Humberto, e rezamos pela recuperação de nossa querida Clarice, diretora do Colégio Espírito Santo (São Paulo-SP), que esperamos estar conosco novamente, em breve. Na sexta-feira, 24 de março, iniciamos o dia na nova sala de reunião. Apresentamos os dados de sustentabilidade das escolas da Rede. A frase de abertura de João Carlos foi: “Sustentabilidade é uma forma de realizar os sonhos e se constrói com muitas mãos”. Essa foi a primeira vez que contamos com a presença das diretoras dos centros educacionais, e como isso engrandeceu nosso encontro! Nesse momento de discussões e partilhas, percebemos que, apesar das diferentes cidades e realidades, escolas, centros educacionais, nós temos em comum muito trabalho. No sábado, 25 de março, último dia de encontro, a meu ver, foi a “cereja do bolo”. Foi um dia que encheu meu coração ao conhecer o trabalho no Centro de Integração do Migrante (CIM), tendo à frente a irmã Malgarete. Foi uma emoção sem tamanho ver de perto o trabalho missionário incrível com os migrantes que chegam a São Paulo. Experiência oportuna que nos enche de gratidão, certeza e sentimento de um novo olhar para a vida, compartilhado por todos do grupo. Finalizamos nosso encontro em uma visita ao Colégio Espírito Santo, com um belo acolhimento de toda a equipe da escola, preparado por Priscila, gestora administrativa da unidade. Foi muito bonito ver o cuidado em cada canto, em cada detalhe da escola. Assim, o encontro teve seu fim com um olhar para o futuro, traçando metas claras e objetivas, e estudando temas pertinentes, atuais, que serão discutidos ao longo do ano, como a excelência pedagógica, a multiculturalidade e currículo missionário como base de nosso fazer educativo. Tudo isso para mostrar que nossas escolas permanecem mais vivas que nunca. Natalia Oliveira MendesGestora administrativa do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG.

Centro de Integração do Migrante socorre famílias atingidas pela pandemia

O mundo enfrenta atualmente uma crise de proporções sem precedentes. A pandemia de covid-19 e as ações tomadas para controlar sua disseminação tiveram profundos impactos socioeconômicos nas sociedades. Nenhum país foi poupado, e, sem surpresa, as populações mais pobres estão entre as mais afetadas. A pandemia veio num tempo em que a fome vem aumentando. Por quatro anos consecutivos, a situação se agrava principalmente devido a conflitos, mudanças climáticas e crises econômicas. Ao mesmo tempo, o deslocamento forçado atingiu o índice mais alto. As irmãs da Comunidade de Santo Arnaldo dirigem o Centro de Integração do Migrante (CIM). O espaço localiza-se no Brás, região comercial de São Paulo capital, onde vivem migrantes de vários países da América do Sul e Central, África e Ásia. A covid-19 é potencialmente catastrófica para milhões que já vivem por um fio. É um golpe para milhões de pessoas que só podem comer se ganharem um salário. Neste tempo de pandemia, é difícil pôr comida na mesa quando não se tem trabalho. Mesmo numa época em que o apoio humanitário está cada vez mais difícil, existem pessoas generosas que se apresentam para ajudar os necessitados. Alunos, professores e funcionários do Colégio Espírito Santo, em São Paulo, por exemplo, doam mensalmente 40 cestas básicas ao CIM. Em abril, a entidade também recebeu 700 cestas básicas da empresa Clearsale. “Ficamos muito felizes por receber essa ajuda, para que pudéssemos doar a muitos migrantes e também a pessoas que vivem nas comunidades”, disse a irmã Malgarete Scapinelli Conte, missionária serva do Espírito Santo. As irmãs Malgarete e Zilda Maria Cofitalan Hornai, e os voluntários organizaram uma lista de cada grupo de migrantes e também das comunidades. Conforme os dias anunciados, eles vão ao CIM e recebem os alimentos. “Muitas pessoas que vieram receber cestas básicas ficaram muito felizes, e algumas tinham lágrimas nos olhos e estavam muito agradecidas por poderem fornecer comida para suas famílias”, relata a Ir. Malgarete. Veja o vídeo com a entrega das cestas básicas. Como ajudar Para fazer doações de alimentos e saber como colaborar com o CIM, entre em contato pelo número (11) 97058-9130, via WhatsApp. A obra social fica na Rua Vinte e Um de Abril, 1000 – Brás, São Paulo-SP.

CIM celebra o Dia Internacional do Migrante e apresenta novidades

Em 18 de dezembro, o Centro de Integração do Migrante (CIM), localizado em São Paulo-SP, celebra o quinto aniversário e o Dia Internacional do Migrante. A data foi proclamada em 4 de dezembro de 2000, com a Resolução 55/93 da Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), diante do aumento do fluxo migratório no mundo. Há dez anos, em 18 de dezembro de 1990, a Assembleia adotou a Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migratórios e de suas Famílias. Celebrar significa, antes de tudo, uma oportunidade para reconhecermos a contribuição das(os) migrantes ao bem-estar, à economia, à cultura, à religiosidade trazidos de tantas nações. É promover o respeito a seus direitos humanos e à cidadania universal de que são detentores como cidadãos membros da família humana. O CIM tem como propósito acolher e integrar as(os) migrantes na capital paulista. O centro oferece um espaço físico no bairro do Brás como uma alternativa de devolver a dignidade e a autoestima, muitas vezes deixadas para trás forçadamente. Para o CIM, nestes cinco anos de existência, o mais significativo é lembrar a acolhida, com o testemunho das(os) migrantes de encontrar um lar, uma casa, uma família. A escuta, a orientação, a capacitação, os acompanhamentos marcaram a vida desde as crianças até os mais idosos, pessoas vindas de países vizinhos ou dos mais distantes, com culturas riquíssimas e religiões diversas. O CIM aprende todo dia com essas riquezas. Muitos são os momentos oferecidos pelo CIM para integrar nacionalidades: momentos de convivência, intercâmbio, delícias gastronômicas, música, dança. As crianças, sempre uma alegria à parte, foram as mais beneficiadas com muitas atividades socioculturais e lúdicas, integrando diferentes países como Congo, Chile, Brasil, Bolívia, Peru, Paraguai. Especialmente neste tempo tão difícil por que estamos passando, de distanciamento físico, a partilha e a solidariedade chegaram a mais de 1200 famílias. Nossa especial gratidão a cada pessoa, a cada migrante e a cada instituição que fez sua doação generosa e solidária. O ano de 2021 nos espera com desafios ainda maiores, mas temos certeza de que poderemos retornar nossas atividades com as crianças, adolescentes, jovens, homens, mulheres tão sedentas de amor, respeito e conhecimento. Não param a saudade e os pedidos para o retorno dos cursos de português, inglês, espanhol, manutenção de computadores, empreendedorismos, bolos e salgados. A orientação segura sobre como obter documentos, acessar serviços públicos, o apoio psicológico, as rodas de conversa com as mulheres, enfim, o atendimento diário, a escuta ativa, o papo informal de quem confia batem todo dia à nossa porta. Teremos novidades. Uma delas é a formação de um grupo de mulheres; o reaproveitamento de retalhos, produzindo peças de artesanato; um espaço para uma enfermeira e orientação sobre saúde; alternativas de saúde, por meio da ioga, conhecimento do corpo e exercícios de relaxamento. No CIM, as necessidades e desafios se transformam em disposição e criatividade. A motivação em servir a irmã, o irmão migrante está sempre, graças a Deus, nos rodeando. Avante! Assista o depoimento da Ir. Malgarete falando sobre a história do CIM Irmã Malgarete Scapinelli Conte, SSpS

Missão com migrantes durante a pandemia

O Centro de Integração do Migrante (CIM) é um espaço alternativo de formação e orientação para migrantes, localizado no bairro do Brás, na região central da cidade de São Paulo. A obra está a caminho de seu quinto aniversário, em dezembro próximo. O CIM é uma das frentes de missão das irmãs missionárias servas do Espírito Santo na cidade de São Paulo. Hoje somos três irmãs aqui: irmãs Lucilene Soares, Nadir Pereira e Malgarete Conte. O CIM realiza sua missão em parceria com outras instituições, como Missão Paz (padres escalabrinianos), Caritas, Veredas (USP), Mary Knoll, Colégio Espírito Santo, Congregação dos Missionários do Verbo Divino (SVD). O centro também conta com a contribuição de muitos outros voluntários e voluntárias que dedicam seu tempo e seus talentos para acolher, servir e ser solidário com nossos irmãos migrantes, diante do quadro de mobilidade em que vivemos na cidade. As ações realizadas no CIM são diversificadas, buscando atender às necessidades e demandas dos migrantes que aqui chegam. Para crianças, as atividades são diárias: brincadeiras, reforço escolar, inglês, artes, educação física, computação. Para adolescentes e adultos, há atendimentos e suporte com a documentação, plantão psicológico, jurídico, assim como aulas de português, informática, manutenção de computadores, bolos e salgados, empreendedorismo e espanhol. O CIM também oferece atendimento em geral ao público durante a semana, como o Bazar da Solidariedade. As roupas obtidas em doação são vendidas a preço simbólico para quem mais necessita. Também o CIM é o lugar do encontro, da acolhida, da partilha do conhecimento cultural. Aqui nos reunimos para celebrar as festas das culturas, dias de festa, e celebrações. Um espaço de vida e alegria. Com toda essa demanda, e com a participação de muitos migrantes, percebemos a necessidade de um espaço maior para poder atender melhor e com mais condições a cada pessoa que vem até o CIM. Com isso, neste ano, foi adquirido um novo espaço, no mesmo bairro. O local é maior e com mais possibilidades de trabalho e integração com os migrantes. Precisa passar por um processo de restruturação, para já podermos encaminhar os novos trabalhos. De coração aberto e portas fechadas Faz mais de dois meses que, por conta da pandemia, tivemos de fechar o atendimento, assim como todas as atividades que realizávamos em conjunto com outros amigos e parceiros do Centro de Integração do Migrante. Hoje socorre muitos migrantes e brasileiros que perderam sua renda por falta de trabalho, e vivem em uma realidade de fome e de necessidades básicas. Impelidas diante dessa nova situação, somos chamadas a realizar algo, mesmo com as portas fechadas. E assim, com a colaboração generosa de tantos amigos e pessoas de boa-fé, de organizações, Igrejas que realizaram doações com cestas básicas de alimentos, higiene pessoal e limpeza, podemos garantir ao menos o básico para tantos irmãos e irmãs nesta grande cidade de São Paulo. Temos a oportunidade hoje de ser “ponte” e realizar a “entrega” dessas doações. Com isso, podemos abrir as portas ao menos uma vez por semana e realizar a doação desse material que, com alegria, recebemos. Por este tempo de pandemia, é assim que realizamos a missão a qual Deus confia a nós, valorizando a solidariedade do povo que oferece com alegria generosa. “A pandemia mudou a minha vida” Para os migrantes que frequentam o CIM, a pandemia está somando dificuldades ainda maiores àquelas que normalmente enfrentam. A boliviana Dionísia explica: “Eu me sinto triste porque não sabemos quanto tempo mais vai durar, quando vai terminar. Parece que esta pandemia veio para ficar conosco. Gostaria de sair com minha família, mas não posso”. Para a menina Annalia Boliva, de 8 anos, e seu pai Abel Boliva, 39, a situação é crítica. Eles são da Venezuela e moram num pequeno quarto alugado no bairro do Belenzinho, em São Paulo-SP. A mensalidade consome dois terços do salário de Abel, que está no Brasil há cerca de 2 anos e meio. Annalia chegou há 11 meses e conta: “A pandemia mudou a minha vida. Agora estou estudando na minha casa, que é um quartinho pequeno. Eu estudo, assisto à tevê, leio a Bíblia e fico aguardando o meu pai, que vai trabalhar das 5 da madrugada até 5 horas da tarde”. Antes ela ia para a escola de manhã e, depois, para o Educandário São José, no bairro do Belém. Frequentava as aulas de informática do CIM. Annalia diz que sente saudades das irmãs, do vovô Angel (um dos voluntários que precisou ser hospitalizado por causa do covid-19 e que está se recuperando), dos coleguinhas e dos brinquedos. Abel relata que não estão fáceis estes três meses de confinamento. “Graças a Deus, continuo trabalhando, mas minha filha, minha companheirinha de 8 anos, não pode mais ir à escola nem ao Centro do Migrante. Está confinada em um quarto onde vivemos só ela e eu, passa 24 horas aqui… Mas estamos vivos, temos saúde e seguimos lutando”, diz. Antes da pandemia, Abel complementava o salário fazendo bicos à noite e nos fins de semana. Dessa forma, ele conseguia se manter e enviar alguma coisa para ajudar a família na Venezuela. Agora mal consegue pagar as despesas. Ele também sente falta do Centro de Integração do Migrante, que considera um grande apoio e do qual tem prazer em participar. Irmã Lucilene Ferreira Soares é missionária serva do Espírito Santo, está concluindo o Curso de Teologia e faz parte da equipe do CIM.

Semana do Migrante convida a acolher e integrar

De 16 a 23 de junho, em todo o Brasil, está sendo realizada a 34ª Semana do Migrante. Estão previstas atividades relacionadas ao tema “Migração e políticas públicas”, retomando a Campanha da Fraternidade deste ano. O lema escolhido é um convite ao compromisso com a causa dos migrantes: “Acolher, proteger, promover, integrar e celebrar. A luta é todo dia”. O Dia Mundial do Migrante é 29 de setembro, mas, no Brasil, comemora-se o Dia do Migrante em 19 de junho. Assim, este é um mês bastante movimentado para todos os que estão envolvidos na Pastoral dos Migrantes ou no apoio às suas lutas. Também as missionárias servas do Espírito Santo estão engajadas nessa missão e, em São Paulo-SP, acompanham e animam as atividades do Centro de Integração do Migrante (CIM), no Bairro do Brás. Atualmente são três irmãs que procuram, no cotidiano, oferecer acolhimento, amizade e um espaço onde os migrantes podem se encontrar, conviver, celebrar a vida e buscar caminhos para enfrentar suas dificuldades. Fundado em 2015, o CIM busca capacitar as pessoas que o procuram, para que tenham melhores condições de se integrar ao mercado de trabalho. Por isso, boa parte das atividades são cursos livres de línguas, especialmente o português, mas também inglês e espanhol, e também formação para o uso dos programas de computador mais utilizados, como Word, Excel e Power Point. Há ainda o de manutenção de computadores e de bolos e salgados, na área da culinária. No dia 6 de julho, haverá a entrega de certificados para os 43 alunos que estão concluindo cursos neste semestre. Já no dia 8 de julho, começarão as inscrições para os novos cursos, incluindo o de “Inovação e Empreendedorismo”, que será conduzido por dois migrantes cubanos. Para a Ir. Malgarete Scapinelli Conte, uma das responsáveis pelo CIM, o trabalho que realizam contribui especialmente para que os migrantes consigam se integrar, com suas culturas, no país que escolheram para viver. “Mas também é questão de amizade e ter um espaço de convivência e partilha”, afirma a missionária. O CIM, até o fim do ano passado, já entregou certificado de conclusão de curso a 178 pessoas. Mas há muitas outras atividades além da capacitação técnica, como atividades para crianças e adolescentes, orientação na regularização de documentos, festas e momentos de convivência que reúnem as famílias, entre outras. Para enfrentar os desafios e superar os sofrimentos da distância da família e do próprio país, um grupo de mulheres se reúne todos os sábados. Também um de homens está sendo formado. Essa é uma maneira de se organizarem e se ajudarem mutuamente. Há ainda um grupo de vivência para adolescentes, com o acompanhamento de uma psicóloga. Para todos esses trabalhos, o CIM conta com o apoio de profissionais voluntários e dos professores e alunos do Colégio Espírito Santo, do Bairro do Tatuapé. Além do atendimento diário no Centro, as irmãs Malgarete, Lucilene Ferreira Soares e Nadir Vieira Pereira estão presentes na Paróquia São João Batista do Brás, onde, às quartas-feiras, celebra-se a Eucaristia em castelhano e, no terceiro domingo de cada mês, é realizada a missa dos migrantes. ___________________________________________________________________________________________ Mensagem do papa Francisco para o dia Mundial do Migrante e do Refugiado 29 de setembro de 2019 Tema: “Não se trata apenas de migrantes” Queridos irmãos e irmãs! A fé assegura-nos que o Reino de Deus já está, misteriosamente, presente sobre a terra (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, 39); contudo, mesmo em nossos dias, com pesar temos de constatar que se lhe deparam obstáculos e forças contrárias. Conflitos violentos, verdadeiras e próprias guerras não cessam de dilacerar a humanidade; sucedem-se injustiças e discriminações; tribula-se para superar os desequilíbrios econômicos e sociais, de ordem local ou global. E quem sofre as consequências de tudo isto são sobretudo os mais pobres e desfavorecidos. As sociedades economicamente mais avançadas tendem, no seu seio, para um acentuado individualismo que, associado à mentalidade utilitarista e multiplicado pela rede mediática, gera a “globalização da indiferença”. Neste cenário, os migrantes, os refugiados, os desalojados e as vítimas do tráfico de seres humanos aparecem como os sujeitos emblemáticos da exclusão, porque, além dos incômodos inerentes à sua condição, acabam muitas vezes alvo de juízos negativos que os consideram como causa dos males sociais. A atitude para com eles constitui a campainha de alarme que avisa do declínio moral em que se incorre, se se continua a dar espaço à cultura do descarte. Com efeito, por este caminho, cada indivíduo que não enquadre com os cânones do bem-estar físico, psíquico e social fica em risco de marginalização e exclusão. Por isso, a presença dos migrantes e refugiados – como a das pessoas vulneráveis em geral – constitui, hoje, um convite a recuperar algumas dimensões essenciais da nossa existência cristã e da nossa humanidade, que correm o risco de entorpecimento num teor de vida rico de comodidades. Aqui está a razão por que «não se trata apenas de migrantes», ou seja, quando nos interessamos por eles, interessamo-nos também por nós, por todos; cuidando deles, todos crescemos; escutando-os, damos voz também àquela parte de nós mesmos que talvez mantenhamos escondida por não ser bem vista hoje. “Tranquilizai-vos! Sou Eu! Não temais!” (Mt 14, 27). Não se trata apenas de migrantes: trata-se também dos nossos medos. As maldades e torpezas do nosso tempo fazem aumentar “o nosso receio em relação aos “outros”, aos desconhecidos, aos marginalizados, aos forasteiros (…). E isto nota-se particularmente hoje, perante a chegada de migrantes e refugiados que batem à nossa porta em busca de proteção, segurança e um futuro melhor. É verdade que o receio é legítimo, inclusive porque falta a preparação para este encontro” (Homilia, Sacrofano, 15 de fevereiro de 2019). O problema não está no fato de ter dúvidas e receios. O problema surge quando estes condicionam de tal forma o nosso modo de pensar e agir, que nos tornam intolerantes, fechados, talvez até – sem disso nos apercebermos – racistas. E assim o medo priva-nos do desejo e da capacidade de encontrar o outro, a

A acolhida que muda a vida dos migrantes

O fenômeno da migração cresceu tanto no Brasil como no mundo que se tornou um forte apelo missionário para a Congregação, especialmente diante dos inúmeros sofrimentos e dificuldades que os migrantes enfrentam até se integrarem em sua nova terra. Em São Paulo-SP, as missionárias servas do Espírito Santo, ao escutarem as necessidades dos migrantes da região do Brás, deram início ao Centro de Integração do Migrante (CIM). Atualmente, o espaço oferece atividades educativas e culturais para crianças, adolescentes, jovens e adultos. A seguir, publicamos o depoimento de Lucélia Arrioja, imigrante venezuelana que trabalha no CIM como coordenadora de projetos sociais. O CIM ajuda a acalmar as angústias e a diminuir as dores O Centro de Integração do Migrante (CIM), localizado no bairro do Brás, na cidade de São Paulo-SP, funciona desde 12 de dezembro de 2015. Apareceu como uma luz no caminho dos migrantes que chegamos ao país, procurando uma mão amiga, entre tanto cansaço, angústia e momentos difíceis que passamos desde que decidimos começar a viagem até aqui. Nesse sentido, as pessoas que pensaram, criaram e materializaram o projeto trabalharam, dia após dia, com persistência, dedicação, humildade e, sobretudo, uma grande sensibilidade pelo próximo que não necessitava de palavras, porque, pelo olhar, o ouvir e o manter os braços abertos diante de qualquer circunstância, conseguiram ajudar a acalmar as angústias e diminuir as dores. E esse jeito de tratar as pessoas como seres humanos que são fez uma grande diferença que tocou no coração de muitas outras que eram cegas e surdas diante dessa realidade. No percorrer dos anos, multiplicou-se com o envolvimento e apoio de voluntários e pessoas da comunidade, convertendo-se em um espaço alternativo onde todas as pessoas são bem recebidas sem importar raça, cor, religião ou cultura. No entanto, não foi uma tarefa fácil, porque, como migrantes, sejamos de outros países ou dentro do Brasil mesmo, sofremos preconceitos. Muitas pessoas nos olham como ameaças e outras tantas se aproveitam de nossas necessidades e nos exploram com trabalhos forçados ou de muitas horas de duração. Porém o CIM tenta quebrar esses flagelos que nos afetam, usando a educação combinada com diferentes atividades que envolvem crianças, adultos e idosos. Nosso CIM, como muitas pessoas gostam de chamá-lo, veio para transformar a vida de todo aquele que passa ou faz parte dele, porque, em sua essência, tem como premissa proteger, integrar, promover e, sobretudo, acolher a todos e todas. Mas se esforçam para nos empoderar, por meio de cursos livres de capacitação, que nos ajudam a ter outras ferramentas tanto acadêmicas quanto espirituais para nos manter fortalecidos e sentindo que não estamos sozinhos em nossa caminhada nesta metrópole. No meu caso particular, eu considero o Centro como minha segunda casa e as irmãs e companheiros como parte dessa família que formamos baseada num vínculo que nos une, traduzido pelo amor que temos uns aos outros e que nos permitiu avançar nesta caminhada que empreendemos há pouco mais de dois anos, desde que saímos da Venezuela. E aconteceu porque, quando chegamos aqui, neste espaço, fomos acolhidos com tanto carinho e com uma “sorofraternidade” que jamais esqueceremos e que, para sempre, agradeceremos. Cada uma das irmãs e professoras(es) que já passaram ou que ainda se encontram trabalhando no CIM terão um lugar muito especial em nossos corações, como tenho a certeza de que estarão nos corações de outros tantos migrantes que estão no Brasil ou que já continuaram sua viagem. A mística de trabalho que aqui se tem faz com que cada vez somemos mais pessoas a participarem ativamente na criação de novos projetos ou na permanência e melhoria dos que já estão sendo executados. Para nós, isso é motivo de alegria e satisfação, porque é um resultado positivo que nos indica que estamos no caminho certo e que, para além dos tropeços, temos a convicção de estar colaborando, a partir de nosso CIM, para a construção de um Brasil melhor para todos os que aqui já vivemos e também para os que vêm chegando. Para finalizar, é importante mencionar que, nos últimos dois anos em que trabalhei nesta instituição, sinto muito orgulho, junto com os meus colegas, pelo fato de ter atendido muitas pessoas que enriqueceram o espaço com sua sabedoria e diversidade cultural. Lucelia del Valle Briceño ArriojaCoordenadora de projetos sociais do CIM

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