Centro Educacional Madre Josefa: o carisma das SSpS no Complexo do Alemão

O Centro Educacional Madre Josefa (CEMJ) é uma creche sem fins lucrativos, localizada no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro-RJ. A obra social administrada pelas irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) foi fundada em 20 de maio de 2003, idealizada pela irmã Irmilde (Ana Katharina Smith). A patrona do CEMJ, a bem-aventurada Madre Josefa, cujo nome de batismo era Hendrina Stenmanns (1852-1903), é, ao lado de Santo Arnaldo Janssen, fundadora da Congregação das SSpS. A história de vida da religiosa é marcada pelos cuidados em favor dos mais necessitados. O CEMJ funciona em regime de externato misto, em turno integral. Hoje atende 80 crianças de 2 a 6 anos incompletos e em vulnerabilidade social. Destina-se à educação infantil e creche, e integra a Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo. Como nas outras instituições administradas pelas irmãs, a filosofia de trabalho é inspirada na Santíssima Trindade, modelo de amor e comunhão. O IDH mais baixo A obra está localizada no bairro de Inhaúma, Zona Norte da capital fluminense. O lugar compõe o conjunto de favelas do chamado Complexo do Alemão. Segundo o censo de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice de desenvolvimento humano (IDH) era de 0,711, o 126º e último colocado da cidade do Rio de Janeiro. A pesquisa ainda revelou que a população do bairro era de cerca de 60 mil habitantes, divididos em 21.048 domicílios, numa área de 21.982 km². O Morro emprestou seu nome ao Complexo, embora o personagem que inspirou a alcunha fosse, na verdade, um polonês. Leonard Kacsmarkiewiez, refugiado da Primeira Guerra Mundial e de nome difícil, logo foi apelidado pelos cariocas de “alemão”. Dessa forma, a área que era de sua propriedade passou a ser conhecida como Morro do Alemão. Um dos problemas mais graves na comunidade é a violência. Há uma constante tensão imposta pela disputa armada dos territórios dominados e silenciados pela violência física e psicológica. Mesmo assim, a obra social faz o possível para manter sua presença ao lado do povo, realizado projetos educacionais que visam à perspectiva de uma vida melhor. Desenvolvimento integral O Centro é o braço social do Colégio Imaculado Coração de Maria, também pertencente à Rede de Educação SSpS. Gilmara Solidade, coordenadora, explica que entre os muitos objetivos da ação educativa do CEMJ está o de contribuir para o desenvolvimento das relações interpessoais e da cidadania, por meio de atividades lúdicas. Além disso, a obra social busca enriquecer a autoestima dos educandos e familiares, e favorecer o conhecimento do mundo externo à comunidade, compreendendo e atuando em seu entorno social. Os trabalhos educativos, pastorais e sociais são baseados no patrimônio espiritual das SSpS. Os educandos recebem diariamente quatro refeições, reforçando o desenvolvimento nutricional. O Centro promove atividades pedagógicas e recreativas. Com foco na segurança emocional e no desenvolvimento pleno, as crianças são acompanhadas pelas professoras com formação em Pedagogia e por recreadoras. O grande desafio da obra social é manter toda a estrutura física e modernizar o espaço, para deixá-lo atualizado tecnologicamente e, assim, oferecer qualidade do ensino e aprendizagem. “Encontrei no CEMJ o acolhimento que tanto precisava e aqui descobri a especificidade do meu filho. Portador de TEA (transtorno do espectro autista) e TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), ele sempre foi incompreendido em outros espaços. O CEMJ me ajudou a aceitar a condição dele e a buscar tratamento. Só tenho a agradecer”, conta Mariman Moraes, mãe do pequeno Davi. Ana Katharina Smith (irmã Irmilde), SSpS, é a idealizadora do CEMJ. Teve atuação marcante no Complexo do Alemão durante mais de 20 anos. Conhecendo os desafios da comunidade, fundou a instituição para dar apoio às famílias que mais precisavam, gerando também emprego aos moradores. Todas as colaboradoras do CEMJ são moradoras do lugar. Em sua maioria, são o aporte financeiro de seu grupo familiar. Elas são incentivadas a estudar e a conquistar seu espaço, respeito e dignidade, assegurando o desenvolvimento de seu potencial.
Centro Educacional Madre Josefa

O Centro Educacional Madre Josefa (CEMJ), obra social sem fins lucrativos, mantida pela Sociedade de Ensino e Beneficência, foi fundada em 20 de maio de 2003. Atualmente atende 80 crianças de 2 a 5 anos de idade, em regime integral, e se propõe a educá-las de maneira plural, assumindo um compromisso com os valores cristãos: fé, justiça, solidariedade e construção da cidadania. Nestes quase 17 anos de funcionamento, o CEMJ realiza suas atividades acreditando na educação como força que transforma o indivíduo e o faz compreender-se como gerador de seu próprio conhecimento. Localizado numa região de grande vulnerabilidade social, o Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro-RJ, o Centro Educacional Madre Josefa foi pensado em sua totalidade, atendendo não somente crianças, mas também suas famílias. Também busca gerar emprego aos moradores de seu entorno, muitos deles oriundos de outros Estados do País. Minha jornada profissional se atrelou à fundação da creche. Encantada pela missão de educar e com a tímida vontade de quebrar a ordem social imposta, a empatia com a filosofia da instituição me fez compreender os sentimentos e emoções próprios, de forma objetiva e ao mesmo tempo racional, assim como sentem os demais indivíduos da comunidade. Já no primeiro ano de matrícula, consegui ouvir relatos das famílias sobre a falta de espaço recreativo, educacional e de cuidados básicos para as crianças da comunidade. Como experiência pessoal, pois minha infância foi toda nesta comunidade, sei que tais fatores dificultam as perspectivas e a visão de mundo dessas famílias. Recordo-me das grandes caminhadas até a escola e a falta dos recursos. O que me animava era encontrar naquele espaço professores e pessoas que me acolheriam, iriam me alimentar e, naquele momento, era tudo o que me bastava. Crescendo em meio a tantas outras dificuldades, a escola era o local seguro para estar. A tarefa desafiadora do atendimento no CEMJ foi justamente esta: oferecer à Comunidade do Alemão oportunidade digna para o desenvolvimento infantil. Ano após ano, o CEMJ vem sendo reconhecido na comunidade como um espaço educacional de qualidade. Com efeito, esse modelo de atendimento parece ter dado impulso a uma consciência mais crítica acerca da qualidade de ensino oferecido às crianças, e a esperança passou a ser depositada no modelo de trabalho da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS) como ideal desejado. Esse fato merece ser salientado, pois, a cada família atendida, a procura por uma vaga aumenta. O reconhecimento explícito da diferença na educação oferecida possibilita que esses moldes ultrapassem os muros da instituição, oferecendo às famílias oportunidade de reconstrução em suas próprias relações sociais e no convívio familiar. “Acreditar no sonho é o primeiro passo para transformá-lo em realidade.” (Ana Stoppa) Deixo aqui de lado mudanças espetaculares, como muitos esperam ver. A semente que é plantada e fertilizada não morre. As mudanças que o Centro Educacional provoca vêm pela reflexão, a construção da crítica, o contato com novas culturas, o desejo de crescimento pessoal e intelectual. A creche, como obra social, cumpre, com maestria, sua função, e hoje, para seus indivíduos, o mundo lá fora nunca será o bastante. Acreditamos no sonho de educação para a população em situação de vulnerabilidade, apostamos nos valores humanos e, acima de tudo, respeitamos as pessoas. Gilmara Solidade, coordenadora pedagógica – CEMJ Rio de Janeiro-RJ