SSpS do Brasil alertam para situação da Amazônia

Com base na Encíclica Laudato si’, publicada pelo Papa Francisco, e no Sínodo da Amazônia, as irmãs missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) no Brasil assumiram o compromisso de defender a Casa Comum. Assim, elas denunciam as violações ao meio ambiente e alertam para o caso específico da Floresta Amazônica. No manifesto Todos pela Amazônia, as irmãs alertam que a questão amazônica deve interessar ao mundo inteiro, não apenas às comunidades locais. Para as SSpS, o coração do planeta está ameaçado. “Não importa se você mora longe ou perto da floresta: a vida como é hoje só é possível por causa dela. E a Amazônia precisa de você. É hora de fazer escolhas”. As missionárias justificam que a Amazônia é o coração pulsante do planeta, que regula o sistema climático global e espalha chuva para outras regiões do Brasil, em nuvens que funcionam como veias, bombeando sangue para o restante do corpo. Elas recordam que o bioma tem uma incrível variedade de plantas, animais e é a casa de diversos de povos, entre eles indígenas e populações tradicionais, um legítimo tesouro humano. As comunidades se destacam pelas cores, saberes, cantos e mistérios. “Um lugar regido pela imensidão e força da natureza; um lugar único, diverso e plural.” Ataque à maior floresta tropical o planeta As irmãs servas do Espírito Santo denunciam o plano do governo Jair Bolsonaro de abrir a Amazônia para exploração, entregando o patrimônio ambiental de todos os brasileiros para empresas de mineração, de energia e para o agronegócio. Para elas, é um ataque final à maior floresta tropical do mundo. Só em 2020, a cada minuto, uma área maior do que dois campos de futebol foi desmatada ilegalmente. “Mais de mil árvores derrubadas a cada minuto! Isso mesmo: mil árvores por minuto!”, alertam. Para as missionárias, se a agenda de destruição for em frente, todo o delicado tecido de vida guardada pela floresta pode se desfazer para sempre. “A Amazônia não guarda apenas um tesouro; ela guarda nosso futuro comum. Sem ela, o planeta não é capaz de sustentar a vida”, afirmam. A ameaça, segundo as SSpS, não é apenas à Amazônia e ao povo brasileiro. “Este é um golpe fatal na esperança de um futuro possível para toda a humanidade, uma batalha que não podemos perder.” Assim, elas convocam para uma mobilização mundial em defesa da natureza e dos povos amazônicos. “Para cada voz de brasileiro ou brasileira que se erguer, milhares de outras se somarão até nos transformarmos em uma ampla rede de proteção ao redor da Amazônia e seus povos. Estamos aqui. E somos todos um.”Para incentivar a mobilização, as missionárias prepararam um vídeo. A produção apresenta depoimentos de pessoas que acompanham de perto a vida de um dos biomas mais importantes do mundo. Assista! #TodosPelaAmazônia Veja também Irmãs renovam compromisso de proteger a Casa Comumhttps://ssps.org.br/irmas-renovam-compromisso-de-proteger-a-casa-comum

Diversidade cultural e ambiental da Pan-Amazônia

A Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Pan-Amazônia será realizada em Roma, no mês de outubro deste ano, mas já vem sendo preparada por um amplo processo de diálogo e escuta dos povos que vivem na Região Amazônica. Com base no documento preparatório “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”, vamos trazer uma síntese dos principais aspectos da realidade amazônica que nos ajudará a entender a importância do Sínodo e a nos aproximar mais dos povos indígenas e demais comunidades da região. O território pan-amazônico A Pan-Amazônia é composta por nove países (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Guiana Francesa). São mais de 7 milhões e meio de quilômetros quadrados que constituem o bioma amazônico. Além de ser uma das maiores reservas de biodiversidade do mundo, com 30 a 50% da flora e da fauna do planeta, concentra 20% da água doce não congelada e mais de um terço das florestas primárias de todo o planeta. Também é significativa pela captação do carbono. Diversidade sociocultural Na Amazônia convive uma grande variedade de povos. Originariamente, a população indígena vivia às margens dos rios e lagos. Contudo, para se protegerem dos colonizadores que queriam escravizá-los, muitos povos se refugiaram no interior da selva e outros contingentes populacionais vieram habitar essas áreas. Os povos tradicionais vivem em profunda comunhão com a natureza. Caçam, pescam e coletam o que a selva lhes oferece, e cuidam de seus rios e matas. Mas esse equilíbrio vem sendo destruído pelos grandes interesses econômicos, que provocam desmatamento e contaminação dos rios pelo uso indiscriminado de agrotóxicos, derrame de petróleo, rejeitos de mineração e derivados da produção de drogas. As cidades cresceram muito rapidamente e receberam migrantes e deslocados de suas terras, especialmente indígenas, ribeirinhos e afrodescendentes. Essas comunidades formam as periferias, marcadas pela pobreza e desigualdade social. Atualmente, de 70 a 80% da população pan-amazônica vivem nas cidades. Muitos são indígenas sem documentos e sofrem pela discriminação e atitudes de xenofobia. De acordo com o documento preparatório, “O crescimento desmedido das atividades agropecuárias, extrativistas e madeireiras da Amazônia não só danificou a riqueza ecológica da região, de suas florestas e de suas águas, mas também empobreceu sua riqueza social e cultural, forçando um desenvolvimento urbano não ‘integral’ nem ‘inclusivo’ da bacia Amazônica” (n.º 16). Identidade dos povos indígenas A população indígena da Pan-Amazônia é de aproximadamente 3 milhões, oriundos de 390 povos e nacionalidades diferentes. Entre eles há de 110 a 130 “povos livres”, ou “povos indígenas em situação de isolamento voluntário”. Outra situação é a dos povos indígenas que vivem nas cidades e perdem suas características culturais. Para enfrentar as ameaças à sua sobrevivência e manutenção de suas culturas, os povos indígenas e as comunidades amazônicas se organizam e lutam por seus territórios e seus direitos. Essas organizações não apenas buscam o fortalecimento de seus povos e o resgate de seus costumes, tradições e saberes, mas lutam também pela conservação da floresta e do meio ambiente, que é fonte de vida e de sustento. Em muitos desses contextos, a Igreja Católica vem marcando presença ao longo dos séculos, por missionários e missionárias comprometidos com as causas dos povos indígenas e amazônicos. Também busca, baseada em sua presença encarnada e sua criatividade pastoral e social, responder aos desafios da realidade amazônica.

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