Catequese com adultos: experiência, testemunho e missão

Ser catequista é, a exemplo de Jesus, estar a serviço e caminhar ao lado dos que estão evoluindo na fé. Atuando na catequese, temos acompanhado o crescente testemunho da experiência de luz e vida de jovens adultos e de idosos buscando os sacramentos. No artigo deste mês, Maria Terezinha Corrêa conta um pouco de sua caminhada de fé com essas pessoas. Confira!
Batismo: filhos(as) no Filho

Batismo: filhos(as) no Filho. Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado nesta Festa do Batismo do Senhor, concluindo o ciclo litúrgico do Natal. A passagem está em Mateus 3,13-17.
As três grandes missões dos batizados e o papel da comunidade

Em 2023, a Festa do Batismo do Senhor, uma data móvel, é celebrada em 9 de janeiro. Normalmente, essa liturgia ocorre no domingo, mas, por variações do calendário litúrgico no Brasil, neste ano, cairá numa segunda-feira. Com ela, encerra-se o Ciclo do Natal. No dia seguinte, começa o Tempo Comum (eis uma dica para quem quer saber quando guardar a árvore de Natal e o presépio). Como ocorre com datas importantes da Igreja, sobretudo as que comemoram eventos da vida de Jesus, os ritos são belíssimos. Em muitas comunidades mundo afora, o povo costuma ser aspergido com água benta, e crianças são batizadas. Considero a celebração do batismo uma obra de arte. Se conduzida com o devido esmero, mergulhamos bem na beleza de muitas das bases de nossa fé, na graça de um Deus a nos tocar e a nos confiar algumas nobilíssimas incumbências, visto que somos configurados a quem veio para servir (cf. Marcos 10,45). Eu gostaria de destacar a unção com o crisma, feita logo após o banho na água sagrada. O gesto sinaliza três preciosas missões a emanarem de Jesus: “Que Ele (Deus Pai) as consagre com o óleo santo para que, inseridas em Cristo, sacerdote, profeta e rei, continuem no seu povo até a vida eterna”, diz um trecho da prece recitada nessa hora. Eu gostaria, portanto, de sublinhar, de modo resumido, cada um desses três pontos. 1. Sacerdotes em Cristo Todos os batizados, batizadas, porquanto “enxertados” no Mestre, ganham a dignidade do chamado sacerdócio comum dos fiéis, este que nos une a todos: leigos, ordenados ou consagrados. Pela vocação batismal, somos igualmente filhos e filhas de Deus, mesmo com diferentes responsabilidades. Em Jesus, podemos nos ofertar ao Pai, à Igreja, orar em favor do próximo, assumir o Templo-Cristo. No Senhor, não há mais o véu a nos separar (cf. Marcos 15,38), pelo qual passavam apenas alguns “privilegiados”. 2. Profetas em Cristo As palavras “profeta” e “profecia” andam muito mal-usadas, inclusive entre os cristãos católicos. O termo significa “porta-voz”. O profeta, a profetisa não age ou fala por si, mas como Deus deseja. Exercer a profecia, por atos e palavras, costuma dar trabalho. Muitas vezes, percorrer nos caminhos de Deus significa andar na contramão de várias coisas do mundo, sendo um “incômodo” para os injustos e perseguidores. O profeta anuncia o reinado do Senhor, por ser sábio, sabe falar e se calar na hora certa, também busca antes ouvir e falar com Deus, pede ao Mestre coragem para denunciar as trevas que apequenam o ser humano. 3. Reis em Cristo A terceira missão dos recém-admitidos ao Corpo de Cristo é a de reinar, mas não em trono dourado, e sim na cruz, tal como o Senhor. Os batizados e as batizadas precisam ser os reis, as rainhas do serviço. Esse é o motivo pelo qual os cristãos devem, sim, construir uma sociedade melhor, cuidar do ser humano, da natureza, devem colaborar para uma Igreja melhor, para ela ser, de fato, um sacramento de Deus para o mundo, como deseja o Concílio Vaticano II. O reinado e a profecia em Cristo jogam por terra a famigerada ideia, defendida por opressores do povo e da natureza, de que a Igreja deve se preocupar apenas com temas de sacristia. Apoio da comunidade Como esperar tarefas tão grandiosas de um neófito (palavra de origem grega cujo sentido é “brotinho”)? A própria liturgia batismal dá essa resposta. Ao longo da celebração, pais, padrinhos e outras pessoas são convocados a ajudar os pequenos a crescer na fé, pela observância dos mandamentos e pelo exemplo de vida na Igreja, a família dos seguidores de Jesus. As crianças aprenderão a ser sacerdotes, profetas e reis pelo testemunho dos outros batizados e batizadas. Reforço: estes, solenemente, prometem ser uma comunidade de fé e de amor para os recém-chegados, renunciam ao pecado, a tudo o que causa desunião, ao próprio demônio. Como todos nós perdemos quando essas promessas se tornam apenas palavras soltas, ditas no “piloto automático” ou sem a mínima consciência! O dia do mergulho em Cristo não é uma formatura, mas o início de uma caminhada sem fim. Essa liturgia é uma ótima oportunidade de conversão para os já iniciados. Humildes e frágeis, as crianças, a seu modo, nos questionam sobre como assumimos nosso estado indelével de verdadeiros filhos e filhas de Deus. Volto ao próprio ritual, desta vez a um doce, mas exigente trecho do rito da luz: “Queridas crianças, vocês foram iluminadas por Cristo para se tornarem luz do mundo. Com a ajuda de seus pais e padrinhos (e de todo o povo, eu acrescentaria), caminhem como filhos e filhas da luz”. Alessandro Faleiro Marques
Quaresma: convocados a sermos melhores

Entramos no chamado ciclo litúrgico da Páscoa, que começa com o Tempo da Quaresma. É um período muito importante para nossa caminhada cristã, pois essa espécie de retiro favorece, em última instância, uma profícua celebração da ressurreição de Jesus. A Quaresma começa na Quarta-Feira de Cinzas e vai até o entardecer da Quinta-Feira Santa. Refere-se aos “quarenta dias” de penitência, jejum, oração, silêncio e práticas cristãs para nosso crescimento e em favor dos mais necessitados. Quarenta, neste caso, significa mais um conceito do que propriamente um número. Pelo calendário, notamos que os dias deste período litúrgico vão além de quatro dezenas. Desde o início, a Igreja não conta os domingos, pois o “Dia do Senhor” não pode ser de jejum ou penitência. Na Bíblia, quarenta costuma indicar um longo período de purificação, de espera de algo que marca uma mudança de vida. E esse também é o sentido da Quaresma. Ao ter no horizonte a Páscoa do Senhor, somos convidados a reorganizar nossa existência, reconhecer nossa condição de pecadores e de pessoas necessitadas da misericórdia de Deus. Também devemos responder ao chamado à justiça, à partilha e ao cuidado com as pessoas e o planeta. Eu gostaria de sublinhar alguns aspectos da Quaresma e até ousar dar algumas dicas de como vivê-la bem. Que todos nós aproveitemos bem essa oportunidade de nos tornar pessoas melhores. A oração A oração é a prática cristã mais elementar. Independentemente do método que cada um escolhe, por ela, podemos conversar com o Senhor e, o mais importante, ouvi-lo. Pela oração, “matamos a saudade” daquele que nos criou e nos ama. Na Quaresma, devemos intensificá-la, pois é um momento importante para reorganizarmos nossa vida interior, a qual nos conduz à madura vida cristã. A Igreja nos propõe, entre outras possibilidades, meditar a Palavra de Deus (sugiro acompanhar as leituras da liturgia de cada dia), contemplar as estações da Via Sacra e participar assiduamente da sagrada liturgia. O jejum O sentido religioso do jejum é muito rico. Por essa prática, disciplinamos nossos instintos, mostrando que devemos agir com verdadeira liberdade e não por impulsos vagos, vontades nocivas a nós, aos outros, ao planeta. O jejum, no âmbito espiritual, é vazio se ele não se transfigura em amor ao próximo. Conforme um ensinamento antigo da Igreja, se deixamos de comer ou beber algo, o que abdicamos deve ser convertido em auxílio a quem passa por necessidade. Note: o jejum cristão está bem longe de tradições estéreis. Não posso deixar de destacar outros jejuns tão importantes quanto o de alimentos. Um que nos pode fazer muito bem, sobretudo nestes tempos de avalanche de informações, de copia-cola-copia, é o de palavras. Que tal dominar o impulso de curtir, compartilhar, “cancelar” e comentar tudo nas redes sociais? Não precisamos ver e interagir com tudo o que está disponível para nós. Não necessitamos falar tudo. A busca do essencial é o tom da espiritualidade da Quaresma e precisa se prolongar pelo ano. A caridade A “esmola”, juntamente com a oração e o jejum, é um dos pilares da prática quaresmal. Essa palavra anda um pouco desgastada em nossos dias. Muitos preferem chamá-la de “caridade”, cujo significado parece ser mais amplo. Como a Quaresma nos chama à conversão (ou seja, voltar para o caminho seguro), o cuidado esmerado com os outros, com a sociedade e a natureza não pode ser deixado de lado. A caridade pode ser exercida de várias formas, como na luta pela justiça e pela paz, na atenção aos sofredores, na partilha de um dom ou de um tempo para engrandecer a comunidade, no atendimento às urgências dos irmãos e irmãs. Nesse espírito, no início da década de 1960, a Igreja do Brasil criou a Campanha da Fraternidade (CF). Oficialmente, ela começa com a Quaresma, porém se prolonga por todo o ano. Vez ou outra, é organizada com outras igrejas cristãs, em sinal de comunhão em torno de Cristo, o centro de nossa fé. Das propostas da CF nasceram diversas pastorais e movimentos que fazem um bem incalculável. Assim, é de se causar enorme estranheza quando indivíduos e grupos autodenominados católicos têm aversão à CF. Batismo Como itinerário à alegria da ressurreição de Jesus, a Quaresma tem uma espiritualidade fortemente batismal. Desde o início da Igreja, nestas semanas, os catecúmenos se preparam de modo mais profundo para, na maravilhosa Vigília Pascal, serem “mergulhados em Cristo”. Também é momento para os já batizados renovarem a consciência de sua condição de “configurados ao Cristo”, “sal da terra e luz do mundo”, membros do corpo místico de Jesus. Na liturgia, quando a comunidade está “grávida” de novos filhos que nascerão da fonte batismal, algumas leituras dominicais da Quaresma são as do ano A, bem vinculadas à catequese de iniciação cristã. Silêncio O silêncio, quando bem usado, é altamente libertador e até subversivo. Uma comunidade cristã que não tolera o silêncio acaba se alienando, pois deixa de ouvir o Senhor que se manifesta na brisa suave (cf. 1 Reis 19,11-13). Quem sabe silenciar-se pode ouvir também a própria consciência e meditar nas coisas da vida. Para o opressor, isso é um “perigo”. Essa prática também é uma forma de comunhão com quem é silenciado, anulado por diversas injustiças. Aplica-se aqui também o “silêncio digital”. Por que temos de ver, (des)curtir e comentar sobre tudo? Penitência Longe de ser algo fora de moda, pela penitência, nós nos colocamos em nossa real condição: somos criaturas; Deus é o Criador. É uma forma de reconhecer que, devido a nossas fraquezas, somos necessitados da misericórdia de Deus. Pela penitência, nós nos associamos a Cristo que, mesmo tendo natureza divina, esvaziou-se de sua glória, assumiu a condição de um escravo, humilhando-se, obedecendo até à morte humilhante numa cruz (cf. Filipenses 2,6-11). É um dom poder chorar nossos pecados e, principalmente, tornar essas lágrimas motivo de busca por uma vida mais reta, mais próxima da proposta de Jesus. Sinalizada pelas cinzas, o roxo e a sobriedade da liturgia, a penitência sincera nos conduz ao arrependimento e ao alegre