Namoro: tempo de carinho, alegria (e atenção aos sinais)

O Dia dos Namorados surgiu como uma data meramente comercial, mas podemos dar-lhe um olhar cristão, como ocorreu com outras celebrações ao longo da história. No artigo, apresentamos 12 pontos (além de um bônus) a serem observados no período do namoro. É uma das formas que encontramos para homenagear os casais que, apesar destes atuais tempos de ódio, divisões e bombas, insistem em testemunhar o amor. Confira!
Do que o amor é capaz…

Ninguém consegue amar sozinho, é necessário que o outro faça parte; caso contrário, o amor fica no ar, sem chão. O teste do amor se verifica na capacidade de ir ao encontro do outro, mesmo quando este não está disposto a aceitá-lo. Com grande sensibilidade, Pe. Deolino Pedro Baldissera reflete sobre o mais nobre sentimento humano.
Sobre enamorar e enamorar-se

Entre tantas datas celebrativas, religiosas, comemorativas e até de apelo comercial, o amor pede passagem no mês de junho, que, tradicionalmente, nos lembra a defesa do meio ambiente. Fica inaugurado um tempo de celebrar o amor em sua fase inicial de aprendizagem, de experimentações afetivas, de mudança de fase, de novos laços, de ampliação das escolhas e desejos. Tempo de renovar juras de amor e de escolher nunca desistir do amor e da partilha. Nestes tempos de celebrar o amor, será preciso não pensar no namoro em si, mas no enamorar, no enamorar-se… Cada um de nós experimenta esses ciclos continuados de encantamento que são a base para as escolhas que fazemos na vida, muito além do amor entre pares. Se eu me enamoro, antes de tudo, crio as defesas para não permitir que nem um ato sequer me faça sentir desrespeitado, desrespeitada nessa proximidade. Se eu me enamoro e enamoro o milagre da vida, minhas escolhas serão balizadas pela defesa intransigente da dignidade da pessoa humana. Na simplicidade, no “enamoramento” e no encantamento, escolhas vão se desenhando diante dos nossos olhos, mãos, corpo e mente. A vida vira um discernimento permanente. Vira namoro, vira vocação, vira devoção, vira meta, vira casamento, vira separação, vira transformação, vira sonhos… A vida, (in)finitamente, apresenta-se em forma de broto e, se cuidada e protegida, vai crescer, alongar-se, achar seu lugar ao sol. Enamorar-se, enamorar e namorar são faces da mesma mirada. É permanecer onde existe a mansidão, a paz interna, a paixão, a devoção, a partilha, a partida, o descanso no colo de alguém, a esperança traduzida em gestos e atitudes. Enamorar-se, enamorar e namorar é “querer permanecer, mesmo podendo voar”. Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.
Amor-doação: o testemunho de dois pais

A experiência da paternidade é dom e talento ao mesmo tempo. Nela se encontram as alegrias e os desafios de uma missão que é necessariamente vocação e doação. Ao nos aproximarmos do dia dedicado aos pais, trazemos aqui o depoimento de dois “super-homens” que abraçaram essa missão. É na fala de Eduardo Villalpando, pai de Antônio, e de Anderson Raiça Silva, pai de Miguel, Maria Clara e Mateus, que sentiremos a emoção dessa dádiva. Amor através dos tempos “Uma impressão digital cujos veios vão sendo desenhados pelo amor que nasce e cresce em dois corações, a cada instante em que interagimos ao longo da vida. Não há definição mais próxima que consigo imaginar agora que procuro traduzir em palavras o que é ser pai para mim. Uma emoção indescritível me invade a cada vez que olho para meu filho e reflito sobre o sentimento que nos une. É como se nele se realizasse o milagre de eu me propagar; além de mim mesmo, além do tempo em que ainda estarei por aqui. Ao mesmo tempo em que vejo muito de mim nele, sinto muito dele em mim… Observo seus gestos, suas preocupações, seu modo de falar, suas dúvidas, anseios, desejos, curiosidades, mudanças… Viajo no tempo lembrando coisas que vivi e sentindo preocupação sobre que escolhas ele fará, de que forma ele vai encarar os desafios, superar as dificuldades, relacionar-se com as pessoas… Ser pai é educar, aconselhar, oferecer oportunidades de crescimento, diversão, lazer, aprendizado, convivência com família e amigos, incentivar a lutar por seus sonhos, a ajudar e respeitar as outras pessoas, mas, acima de tudo, ser exemplo e referência; grande responsabilidade. Ser pai é também saber pedir desculpas quando errar, ensinar que ninguém é perfeito, mas que sempre podemos melhorar. Sei que, além de parecenças, temos diferenças, e elas possibilitam que eu também aprenda muito com ele. Vivendo essa emoção da troca e superando os conflitos, assim vamos construindo uma parceria de vida e aprendendo com as adversidades, pois são elas que nos inspiram a buscar e encontrar nosso ponto de equilíbrio. Que meu filho se lembre de mim como eu me lembro de meu pai, e que seus filhos possam se lembrar da mesma forma dele, sinal de que o amor prosseguirá através dos tempos, através da vida. E que o amor do Pai nos envolva em toda sua plenitude.” Eduardo Villalpando é pai do aluno Antônio Carlos Villalpando, estudante do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP. “Mostrar o caminho” “Ser pai é deixar a zona de conforto. Levantar à noite quando o filho chora, segurar a mão quando ele cai, mostrar o caminho quando estiver perdido, puxar conversa quando estiver calado, ouvir quando quiser falar. Ser pai é mostrar os valores e princípios em que acreditamos, orientar, educar, falhar e aprender com erros, mostrar que, na vida, somos eternos aprendizes. Ser pai é, acima de tudo, amar; muitas vezes, agir contra suas vontades, parecer irracional, superar suas barreiras em razão dos filhos, tendo como recompensa simplesmente um sorriso, um abraço, um papai, um ‘eu te amo’. Criar e educar três filhos é desafiador, ainda mais quando se tem a surpresa de ter gêmeos. Digo sempre que é intenso. São idas e vindas, altos e baixos, muitas responsabilidades e, no fim do dia, exausto e satisfeito, agradecer a Deus a dádiva e a alegria de ser pai. Como ser pai? Não há uma regra, não há uma graduação. Ser pai é uma missão, uma responsabilidade, uma realização pessoal em deixar um legado para as próximas gerações.” Anderson Raiça Silva é pai de Miguel e dos gêmeos Maria Clara e Mateus, estudantes do Colégio Espírito Santo, em São Paulo-SP. Feliz Dia dos Pais!
Apaixonados, nunca precisamos tanto de vocês!

Data criada mais para afagar o comércio, o Dia dos Namorados é celebrado, no Brasil, em 12 de junho, véspera da memória de Santo Antônio de Pádua, o famoso “casamenteiro”. Essa, entretanto, também pode ser uma ótima ocasião de avaliar como nós, cristãos e cristãs, estamos lidando com os casais apaixonados de todas as idades. Adianto: há muito a ser revisto por nós, na vida pastoral, social e familiar. Antes de escrever estas linhas, eu tinha o desejo de dar algumas dicas para os que se preparam para o matrimônio. Elas seriam baseadas em minhas experiências pessoais e de meu ministério de diácono na Arquidiocese de Belo Horizonte. Bem a tempo, dei-me conta de estar caindo na soberba. Melhor mesmo, para quase todos nós, seria suplicar a reconciliação com os próprios casais. Muitas de nossas comunidades de fé têm dívidas importantes com os namorados. Quantos já não tomaram uma bronca simplesmente por estarem de mãos dadas durante alguma liturgia ou circularem abraçados dentro de algumas de nossas instituições? A rispidez costuma vir de um moralismo sem fundamento, sem Evangelho, disfarçado de “zelo pela casa de Deus”. O amor dos namorados sacramentaliza, sim, o afeto de Deus pela humanidade. Em inúmeras passagens da Bíblia, o noivo é alegoria de Deus Pai ou de Cristo, a depender do contexto. A noiva, ora exuberante, ora anônima, ora pecadora a ser perdoada, é figura do povo, da Igreja. A celebração do matrimônio expõe, diante de nossos olhos, o mistério (sacramento) do Senhor que se derrete de amores por sua amada, antecipa-se e vai ao encontro dela no caminho (no corredor da igreja). Admirado por sua beleza, Ele a beija e firma com ela uma aliança. Para quem ainda não o fez, sugiro meditar, nessa ótica, o Cântico dos Cânticos. Assim, será fácil compreender o motivo de esse ser um dos principais textos de mística da história. Namorados, perdoem-nos por, muitas vezes, nós nos esquecermos de vocês em nossas comunidades de fé! Vocês costumam ser colocados de lado até na programação da Semana da Família, imaginem! No Dia dos Namorados, falamos mais contra o comércio aproveitador do que bendizemos a Deus pelo amor de vocês! Relevem nossa negligência, ao privá-los de espaço e tempo para ouvi-los e apoiá-los quando sofrem pelos desafios típicos desse tempo, como as discussões, as dúvidas, as fraquezas. Como perdemos em não lhes preparar um lugar digno em nossas paróquias, para saborearem juntos um sorvete. Queridos, lamentamos pelo descuido com vocês em tantos de nossos encontros vocacionais! Uma lástima! Como ainda temos coragem de falar de uma família cristã sólida sem um olhar carinhoso a vocês? Tenham misericórdia de nós! Nossas famílias também precisam (re)ver como lidam com os relacionamentos de seus filhos. Algumas se omitem, nem querendo saber com quem os seus estão saindo. Outras, por ciúmes ou superproteção, impedem ou embaraçam o desejo de seus filhos e filhas encontrarem a pessoa amada e com esta constituírem uma família. Quantos lares deixaram de surgir por isso! Também existem pais, mães e toda uma sociedade a forçar uma vocação matrimonial inexistente em alguns jovens, levando-os a uma vida de desventura. Uma pena! Vivemos tempos de culto idolátrico (inclusive por parte de “cristãos”) ao poder, à morte, à fome, ao “mercado”, às armas, à guerra. Assim, queridos casais apaixonados, precisamos muito de vocês! Clamamos por seu testemunho de beijos, abraços, conversas longas, ternas e “bobas”! Não se assustem com “D.R.” (no idioma namorês, “discutir a relação”), pois elas são normais na vida, quanto mais nesse tempo de discernimento. Ignorem os que confundem “namoro santo” com amor sem carícias. Quem inventou isso nunca namorou! Posso lhes garantir! Evitem o jejum de afeto! Apesar de tudo, não desanimem! Sejam muitíssimo bem acolhidos, bem-vindos em nossas comunidades de fé, em nossos encontros vocacionais, em nossos centros de apoio e pátios. Mesmo penitentes, ousamos abençoá-los. Louvado seja Deus por vocês! Dedico este texto a Tânia, minha namorada, com quem orgulhosamente sou casado (também, sim, temos nossas “D.R.”!). Obrigado por tudo! Eu te amo! Alessandro Faleiro MarquesDiácono permanente na Arquidiocese de Belo Horizonte, professor, editor de textos para as irmãs missionárias servas do Espírito Santo, membro da Equipe de Espiritualidade da Província Brasil Norte das SSpS.
Dimensões da sexualidade, diversidade e respeito

A diversidade nos enriquece, e o respeito nos une Durante o ano de 2021, todas as escolas de nossa Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo terão como tema transversal “A diversidade nos enriquece, e o respeito nos une”. Esse será o pano de fundo de todas as nossas ações pedagógicas e marca também como reflexão para que toda a nossa comunidade educativa, alunos, educadores e familiares, possa repensar nossas atitudes diante desse mundo tão plural que vivemos e, assim, trabalhemos na construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Além disso, aproveitamos também o mês de maio para conversarmos sobre esse tema. No dia 21, celebramos mundialmente o Dia da Diversidade Cultural para o Diálogo e Desenvolvimento. Falar sobre a diversidade é uma tarefa complexa, já que, aos olhos da Antropologia Teológica, todo ser humano é único e irrepetível diante Deus. Cada um, cada uma é parte de um todo que foi pensado e amado por Deus. Fomos criados à sua imagem e semelhança, e, por isso, chamados a viver no e por amor. Nessa lógica, podemos intuir que a diversidade existe desde que a primeira espécie humana (Homo erectus) surgiu neste planeta, há 2 milhões de anos. De acordo com as mais recentes descobertas, o Homo sapiens conviveu com alguns dos seus antepassados, dando mais ênfase a esse convívio diverso. A diversidade está presente em nosso cotidiano, 24 horas por dia. Está em nossas casas, em nossas escolas, em nossos trabalhos e em nossas igrejas. É de suma importância compreender que nossas diferenças nos ajudam a sermos melhores, nos enriquecem e nos tornam mais capazes de construir um mundo mais solidário. Devemos olhar nossas crianças, e digo as menores mesmo, pois, para elas, não existe preconceito, diferenças… Elas convivem de maneira harmônica em nossas salas de aula. Quem trabalha com a educação infantil pode nos ajudar nessa reflexão, mas, conforme o crescimento e as informações que vão recebendo, ou não, essas diferenças vão se tornando obstáculos quando não são bem elaboradas internamente. Jesus, em sua missão, encontrou diversas pessoas, de variadas etnias, opiniões, jeitos de ser, e sua postura foi única: O AMOR, trazendo com ele a misericórdia e a compaixão que derrubam barreiras e preconceitos. Basta olhar o grupo dos doze apóstolos, composto por uma diversidade de pessoas. Em nenhum momento, incitou a violência, de espécie nenhuma, mas acolheu todos aqueles que dele se aproximavam. Isso posto, vamos pontuar alguns aspectos mais específicos da diversidade que desejamos ressaltar. Ao olharmos nosso entorno ou até mesmo quando vemos dados de pesquisas oficiais, fica claro que nossa sociedade é diversa. Geralmente, tende-se a pensar que o modo como lidamos com a diversidade é um assunto já superado e compreendido pela maior parte da sociedade. Mas, ao nos depararmos com as questões que envolvem a diversidade sexual e as dimensões da sexualidade, ainda há caminhos que geram dúvidas e preconceitos. De início, é preciso entender que a sexualidade vai além do conceito biológico do sexo e atrelado ao processo reprodutivo. Ela é algo particular, estando relacionada ao gênero, à identificação das pessoas dentro das possíveis identidades de gênero, ao envolvimento emocional com outras pessoas e consigo próprias. É também uma questão cultural, já que, por ela, são estabelecidos vínculos afetivos e é pautada em padrões criados por grupos de pessoas e valores construídos em cada sociedade. Por conta de toda essa rede de relações (biológica, sociocultural, afetiva e ética), ela deve ser vista e estudada segundo suas várias dimensões e deve ser respeitada e levada a sério. Para que essa compreensão e respeito sejam colocados em prática, é preciso que alguns termos vinculados a essa temática sejam entendidos. Sempre que nos referimos ao sexo biológico, estamos falando da distinção entre macho e fêmea. Porém não devemos confundir o sexo biológico com a identidade de gênero, que se refere ao gênero com o qual o indivíduo se identifica. Desse modo, ser do sexo masculino é ter cromossomos XY; por outro lado, ser do gênero masculino é identificar-se com esse gênero. Embora sexo e gênero tenham uma forte correlação, nem sempre eles são coincidentes. Dentro desse contexto, uma pessoa cisgênero é aquela cuja identidade de gênero coincide com seu sexo biológico, enquanto uma pessoa transgênero é aquela que sua identidade de gênero não coincide com o sexo biológico. Há ainda as pessoas que não se identificam com nenhum dos dois gêneros ou com os dois. Existe ainda o que chamamos de orientação sexual, que é como se caracteriza o desejo sexual predominante de uma pessoa: se é por pessoa de gênero diferente (heterossexual), igual (homossexual) ou de mais de um gênero (bissexuais ou pansexuais). Muitos outros termos existem dentro desse guarda-chuva, mas esses são os mais populares. A discussão sobre sexualidade se torna cada vez mais importante, uma vez que jovens passam por situações de transtorno psicológico por não se entenderem/aceitarem ou não serem aceitos por outros, além de várias situações de preconceito que ainda são vistas e vividas em um país como o nosso, onde, teoricamente, temos a liberdade para viver a sexualidade do modo que nos convier. Compreender as dimensões da sexualidade é fazer com que ela não faça qualquer pessoa perder seus valores, sua atividade e sua vida. Em janeiro de 2015, o Papa Francisco recebeu Diego Neria Lejárraga, espanhol de 48 anos. Diego, que nasceu mulher, mas sempre se sentiu homem, tinha escrito ao Papa para pedir-lhe apoio diante da rejeição e da incompreensão que sofre por parte de seus conhecidos e até mesmo de religiosos quando vai à igreja, por conta de sua mudança de sexo. Durante seu encontro, perguntou ao Santo Padre se havia lugar para ele na casa de Deus. Como resposta, recebeu um abraço. Ao sair do encontro, Diego disse sentir uma imensa paz. É, portanto, imprescindível que seja parte de nossas atitudes diárias promover o acolhimento a todos a nosso redor, independentemente de suas características físicas, étnicas, culturais, religiosas ou sexuais, e que tenhamos em mente que, dentro da sociedade inclusiva
O amor não está de quarentena

O amor não está de quarentena. Continua livre para amar, porque ele nasce no e do coração. É ele que nos faz sentir o prazer de viver e servir. A pandemia não o atingiu nem há perigo de que ele seja afetado. O amor é uma atitude de vida que não olha para a condição do corpo; ele pode agir mesmo com o corpo estando doente. A pandemia aguçou o amor em muita gente. Muitas pessoas se tornaram mais afáveis, mais solidárias, mais compassivas. Descobriram a força do amor mesmo em situação de quarentena. Quando o amor move as pessoas, elas se transformam e revelam o lado bom da vida e enchem de esperança quando o caos quer dominar. O amor não está acorrentado pela doença, só precisa de um coração aberto e sensível, que se despoja do próprio egoísmo e abre espaço para acolher o outro, seja ele quem for, para desejar-lhe o bem, para fazer-lhe o bem, para encaminhá-lo para o bem. O amor conforta na hora da dor das perdas que alguém sofreu; o amor consola o coração abatido pelo sofrimento; o amor regenera quando alguém está fraco e abatido; o amor se solidariza quando alguém precisa dele; o amor é capaz de reconstruir as relações perturbadas pelos conflitos; o amor ouve aqueles que se sentiram emudecidos pela exclusão e por não terem espaços no tempo de cada um ocupado com suas coisas e surdos aos lamentos de quem precisa falar; o amor restabelece a paz onde ela foi perdida na agressividade, no ódio que brotou num momento de incompreensão; o amor salva onde alguém se havia perdido; o amor restabelece os laços lá onde eles haviam se desfeito; o amor encoraja lá onde a desesperança havia chegado. O amor dá um passo a mais com quem pediu para andar apenas um; o amor discerne lá onde a confusão quis tomar conta; o amor revitaliza as forças perdidas num momento de luta; o amor fala quando a voz se cala pelo sofrimento que apareceu; o amor fortalece quando o desânimo quis tomar conta; o amor se torna solícito quando a necessidade do outro se apresenta; o amor não se esgota, ele se renova a cada gesto que faz; o amor fica dentro de casa, solidário com os que ali estão; o amor vai para fora quando alguém bate à porta e pede um pão; o amor atende com gestos de atenção e partilha; o amor vai além da casa, da cidade, do país, ele se torna universal; o amor acompanha sempre o coração generoso; o amor reconstrói os vínculos lá onde eles haviam se rompido; o amor não dá aviso prévio, ele está sempre atento, disponível e permanente; o amor é a força que move o mundo e o mantém de pé; o amor faz reviver a vida lá onde ela estava morrendo. Por isso resgate o amor que há em você e deixe-o agir livremente, para que ele se torne sua marca registrada neste tempo de pandemia. Viva o amor, e ele o conduzirá à sua fonte original, da qual tudo brotou. Em toda a perfeição da harmonia do universo se manifestou a força criadora. Ame, porque Deus é amor, e tudo o que saiu dele veio marcado pelo amor. O amor é atitude eterna de Deus que nos amou por primeiro e deixou em nós sua marca, como imagem e semelhança. O amor não está de quarentena! Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.
Maestro João Carlos Martins participa do Tecendo Relações nesta quinta

Nesta quinta-feira, 13 de agosto, às 19h, o maestro João Carlos Martins participa ao vivo de um bate-papo sobre a arte de agir com amor e emoção para superar os desafios. O artista é o convidado do webinar Tecendo Relações. A conversa será mediada pela professora Edja Camila, do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Rio de Janeiro-RJ. A transmissão será pelo canal da Rede de Educação Missionárias Servas do Espírito Santo, no Youtube. O professor Marcus Vinícius Leles de Barcelos, que leciona Literatura e História da Arte no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, conta um pouco mais sobre o maestro João Carlos: “Aos 5 anos, João precisou submeter-se a uma cirurgia para a remoção de um tumor benigno incrustrado em seu pescoço. Todavia o procedimento contou com alguns revezes. Sensibilizado, o pai do menino decidiu presenteá-lo com um instrumento, o piano. O pai de João lhe sentenciou ao apresentar o instrumento pelo qual o garoto desenvolveria verdadeira fascinação: ‘Nós vamos perseguir o sonho de você se curar, e você ficará curado’. Iniciou-se, assim, a relação entre o menino e a música. João, sanado em nova cirurgia aos 8 anos, debruçou-se cada vez mais sobre as teclas. Aos 13 anos, João Carlos Martins estabelecera-se como concertista com sólida carreira pelo Brasil. Aos 18, passou a constelar entre os nomes de lustre do cenário internacional. Pouco depois, consagrou-se em apresentações no Carnage Hall, em Nova Iorque, sempre com lotação esgotada. Em tais ocasiões, peças de Bach eram as melhores vitrines para o virtuosismo do brasileiro. João não apenas os versava com facilidade como adestrou seu corpo a um novo patamar de exigência. Tornou-se capaz de executar vinte e uma notas por segundo. Em 1965, o músico residia em Nova Iorque, quando o time da Portuguesa de Desportos visitou a cidade por ocasião de um jogo-treino, para o qual convidou João Carlos Martins a integrar a equipe oficial. Contudo, em um desfecho inusitado, a participação do pianista na partida foi interrompida por um acidente que provocou a perfuração de seu braço à altura do cotovelo e comprometeu o pleno funcionamento do nervo ulnar, relacionado à elaboração motora das falanges. Como consequência, João Carlos Martins precisou afastar-se temporariamente do piano, devido à atrofia de três dedos. A situação se agravou alguns anos depois, quando o músico, que em nenhum momento desistiu da vocação e manteve-se engajado em exaustivos tratamentos, desenvolveu um quadro de lesão por esforço repetitivo. Entretanto, em um exemplo incrível de superação, o pianista conseguiu voltar aos palcos após longas e atribuladas sessões de fisioterapia. Não se desapegou, aliás, da paixão por Bach. Entre 1979 e 1985, realizou várias e significativas gravações das composições do mestre barroco. Em 1995, uma nova pirueta do destino. Ao sair de um teatro na cidade de Sófia, na Bulgária, João Carlos Martins foi golpeado na cabeça com uma barra de ferro, em um assalto. A concussão causou uma sequela neurológica que impôs restrições ainda mais severas à mobilidade do braço direito. Passou a executar peças que demandassem apenas a utilização de sua mão sã, como o álbum Só para a mão esquerda, composto por Maurice Ravel para Paul Wittgenstein, pianista austríaco que perdeu o braço direito durante a Primeira Guerra Mundial. No entanto, acabou por ter a mão esquerda inviabilizada pelo acometimento de uma nova moléstia, a contratura de Dupuytren. Desse ponto em diante, iniciou um longo périplo pela regência antes que pudesse voltar ao piano. A transição à posição de maestro acarretou novas necessidades de adaptação. Impossibilitado de manusear as partituras em tempo hábil para reger a orquestra, João Carlos Martins passou a memorizar, nota por nota, as peças que se propunha apresentar. Ressignificou também sua fascinação por Bach por meio da criação da Bachiana Filarmônica e da Bachiana Jovem, instituições responsáveis pelo recrutamento e pela revelação de grandes talentos musicais. Surpreendentemente, em 2020, deu-se o reencontro do músico com o piano, por meio de um par de luvas biônicas projetadas pelo designer industrial Ubiratã Bizarro Costa, as quais restituíram a mobilidade às mãos de João. A trajetória de João Carlos Martins é uma peça executada a vários andamentos. Nunca em silêncio. E para aqueles que, a qualquer momento, pensaram-no fora de cena, não se iludam. Como todo bom prestidigitador de Bach, João Carlos Martins é mestre da invenção e do improviso. Tem a arte sutil do ardil e da saída. Tocata e Fuga. Conhecê-lo é um privilégio que será experimentado pelos colaboradores da Rede de educação das Missionárias Servas do Espírito Santo no webinar Tecendo Relações.” Marcus Vinícius Leles de Barcelos é graduado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais e mestre em Teoria da Literatura e Literatura Comparada pela mesma instituição. É professor de Literatura e de História da Arte do Colégio Sagrado Coração de Jesus.
Namorar pra quê?

Hoje é Dia dos Namorados, uma data muito esperada pros pombinhos que já devem ter planejado algo bem legal pra curtir no dia de hoje. Independente do que você já preparou para a sua namorada ou namorado, queria conversar com você uma questão muito básica: Afinal, pra que serve o namoro? O namoro é um período importantíssimo para conhecer melhor a pessoa com quem você quer construir um relacionamento permanente. Não basta simplesmente estar apaixonado. É necessário descobrir se dá para construir uma vida a dois. Aí entra uma série de coisas, como afinidade, capacidade de aprender um com o outro, de crescer juntos, de abrir mão de interesses pessoais em vista de um interesse maior, como construir uma família, por exemplo. Tomara que o namoro de vocês seja bem divertido. Que vocês compartilhem momentos de muita alegria, carinho e ternura. Que vocês sejam criativos para descobrir o que faz feliz um ao outro e invistam o melhor de vocês mesmos para transformar a atração que sentem um pelo outro num amor duradouro. Isso implica em compromisso e respeito. Aqui vai um teste para ver se seu namoro está indo na direção certa: 1) Gastam tempo para conversar sobre os gostos pessoais, sonhos e projeto de vida? 2) Cada um expressa seus pontos de vista e escuta com respeito a maneira de pensar do outro? 3) Quando tem uma briga, são capazes de conversar honestamente, pedir perdão e recomeçar? 4) Cada um está realmente interessado no bem estar da outra pessoa e não apenas em realizar seus próprios desejos? 5) Existe afinidade entre vocês, uma complementariedade que não é pensar igual, mas a capacidade de se entender nas diferenças e dialogar? 6) Vocês sabem negociar entre vocês, não havendo uma parte que impõe sua ideia e outra que acaba sempre cedendo? 7) Juntos, vocês tem condições de construir um futuro viável e que seja bom para ambos e para os filhos que um dia vão ter? 8) O relacionamento entre os dois é intenso, mas é aberto para os amigos e, principalmente para as famílias de vocês, com bom entrosamento e aceitação mútua? Se você respondeu sim a todas estas perguntas, parabéns. O namoro de vocês tem boas chances de ir adiante, permitir um amadurecimento mútuo e favorecer um casamento que dê certo. Se a resposta positiva foi apenas para algumas perguntas, é hora de vocês sentarem para conversar e ver o que não está legal. Sempre é tempo de encarar a realidade e ver o que dá para melhorar. Para isso precisa de muita abertura e coragem dos dois lados. Mas se faltar essa disposição e boa vontade para corrigir os erros, será que não é hora de terminar? Namoro não tem que dar certo. É melhor descobrir logo que não se está com a pessoa certa, do que deixar o barco correr e depois se machucar. Há ainda outros sinais que é preciso levar em conta: seu namorado ou namorada é uma pessoa honesta, verdadeira? Tem algum vício que não consegue largar, como drogas, álcool ou outro? Se for assim, pense bem. Se não superar durante o namoro, não será depois de casados que as coisas vão melhorar. Se você construir sua casa sobre a areia, não fique surpreso quando ela desmoronar. E se você é cristão, há ainda algo muito importante: Deus faz parte do seu namoro? Vocês compartilham da mesma fé? Vocês rezam juntos? Há ainda outros aspectos que precisam ser bem pensados. O sexo é algo sagrado e deve ser vivido com responsabilidade e maturidade. Quem realmente ama sabe esperar. A sociedade atual faz propaganda do amor “livre”, mas não alerta sobre os sofrimentos que poderiam ser evitados a curto e longo prazo. A ilusão passa, mas ficam as consequências. Por isso, mesmo hoje, por mais careta que você possa achar, ainda é muito mais sensato esperar pelo casamento. E aí, bateu com vocês? Enviem seus comentários.
Um lar de amor

A adoção é um lindo gesto de amor que alguém pode fazer por uma pessoa. É dar uma nova chance de recomeçar para alguém que por algum motivo perdeu ou não pode estar junto da sua família. Hoje Comemoramos o Dia Nacional da Adoção, um dia que não apenas crianças adotadas festejam, mas a nossa Congregação também. Nós, irmãs Missionárias, estamos indo e vindo por diversos países, nos desprendemos de nossa vida, nossa família, nossos amigos e nossa cultura para ajudar aqueles que necessitam. E quando chegamos em outro país, sem conhecer ninguém, logo bate aquele sentimento de preocupação e muitas vezes até de tristeza. Porém, no momento em que somos recebidas e acolhidas pelas nossas irmãs do país em que chegamos, experimentamos o que é esse sentimento de adoção e por isso nos chamamos de “irmãs”. Nós somos uma família e convivemos em profundos laços de fraternidade. Quem faz parte da Congregação, nunca está sozinho.