Agroecologia no centro do debate em Santarém

“Roda de conversa sobre homeopatia popular.” Esse é o tema do encontro promovido pela Associação de Defesa dos Direitos Humanos e Meio Ambiente na Amazônia (ADHMA), realizado de 13 a 16 de julho, no Centro de Formação Emaús, localizado na Rodovia Curuaúna, em Santarém-PA. O evento reuniu cerca de cem pessoas, entre agricultores, comunitários e ribeirinhos que praticam a agroecologia e utilizam a homeopatia no solo, no cuidado com o meio ambiente e com os animais. “Tivemos representantes desde Altamira até a Cachoeira do Aruã”, afirma a coordenadora do Projeto Beth Bruno, a irmã Marialva Oliveira da Costa, SSpS, também integrante da comissão organizadora do encontro. O Projeto Beth Bruno foi criado em 2010, com a finalidade de capacitar lideranças comunitárias e agentes multiplicadores de saúde para que atuassem no cuidado de quem vive em comunidades, utilizando as práticas integrativas e complementares. Irmã Marinalva relata que, nos quatro dias, houve debates, troca de experiências acerca do uso da homeopatia na agroecologia. “Quando falamos de agroecologia, temos que pensar na totalidade. Não tem como fazer agroecologia sem pensar na ‘casa comum’ em que nós vivemos: com todos os seres vivos que nela habitam: terra, água, animais e as pessoas. A homeopatia tem essa visão do todo”, explica. O encontro contou com a participação de diversas entidades ligadas a movimentos sociais, entre elas a Associação Brasileira de Homeopatia Popular (ABHP), cuja missão é proporcionar aos agentes populares espaços de formação de educadores em saúde, com o objetivo de apoiar a troca do conhecimento técnico e do produzido no meio popular, para criar novas relações com a natureza, gerando mudanças na sociedade. Além dos debates e das trocas de experiências, os participantes também puderam apreciar apresentações culturais e celebrações religiosas. Lenne SantosDoutora em Jornalismo e Estudos Mediáticos pela Universidade Fernando Pessoa (UFP), jornalista da Universidade Federal do Oeste do Pará (Santarém), colaboradora no Projeto Beth Bruno.

Parabéns às famílias agricultoras, cultivadoras da terra

Você já pensou o que seria da população urbana se não tivéssemos o trabalho dos agricultores e agricultoras? Você se lembra de agradecer àqueles que cultivam a terra toda vez que come um alimento ou bebe um suco? Pois é, muitas vezes, damos importância aos trabalhos oriundos da tecnologia, mas esquecemos que todos nós dependemos dos lavradores e lavradoras que, com suas famílias, todos os dias, acordam e trabalham com a terra, arando, semeando, colhendo, etc. Trabalhar numa indústria fabricando coisas, numa loja ou mesmo como funcionário em um órgão público não nos faz melhores que quem trabalha no campo. O dia 25 de julho é dedicado aos agricultores e agricultoras familiares, pois merecem ser homenageados nos quatro cantos do planeta Terra. Mas, o que significa ser agricultor? Segundo o dicionário Aurélio, “Aquele que agriculta, lavrador”. E o que é agricultura? Conforme o mesmo autor diz, “Arte de cultivar os campos; cultivo da terra; lavoura; cultura. Conjunto de operações que transformam o solo natural para produção de vegetais úteis ao homem”. O livro de Gênesis (ou Bereshit, na língua hebraica) narra a criação do mundo, quando tudo foi preparado para o homem ter alimento. “Que as águas debaixo do céu se ajuntem num só lugar e apareça o chão seco. E assim foi. Ao chão seco Deus chamou ‘terra’ […] E Deus disse: ‘Que enverdeça a terra de vegetação, ervas que semeiem semente e árvores que deem frutos sobre a terra, frutos que contenham semente por espécies. E assim foi. E a terra fez sair a vegetação, ervas que semeiam semente por espécies, e árvores que dão fruto com a semente por espécies” (Gn 1,9-12). Mas a narrativa apresenta o ser humano tendo de tratar a terra para manter-se, pois, ao conhecer o Jardim do Éden, também conheceu sua capacidade de dominar e reproduzir. Ora, a partir daí, Deus disse: “Você comerá o pão com o suor do seu rosto…” (Gn 3,17-19). Embora parecesse um castigo divino, após o cultivo, as bençãos surgem na colheita dos frutos. E, como gratidão, o ser humano procura ofertar o melhor para o Criador, por meio de doação em um determinado período do ano; antes ofertado como sacrifício, depois passou a ser em forma de festa, como a festa das batatas, da uva, da mandioca, da melancia, do pinhão, entre outras. Embora a terra tenha sido feita para todos, infelizmente, há bastante tempo, ela passou a ser cercada por uns que se achavam donos, provocando, assim, a desigualdade social. A miséria, a disputa e a ganância por explorar território, construir castelos, mansões, indústrias causam violências, assassinatos e muitas injustiças, como ainda hoje vemos ou ouvimos nas reportagens. Muitos líderes que defenderam os pobres sem-terra foram assassinados em nosso Brasil. Podemos citar Pe. Josimo, Pe. Ezequiel, Margarida Alves, Ir. Dorothy, entre outros tantos que deram a vida em prol dos agricultores e agricultoras expulsas de suas terras, por causa de latifundiários ou empresas multinacionais. Atualmente, há alguns projetos na Câmara ou no Senado que ameaçam a vida de muitas famílias agricultoras bem como as comunidades indígenas e quilombolas que também dependem e vivem da natureza. Em nosso país, o campesinato amazônida tem muito a ensinar ao campesinato de influência europeia, contudo ambos os grupos de agricultores do campo, seja na terra ou na várzea, todos buscam respeitar o ritmo da mãe terra que, generosamente, ainda nos oferece o alimento através das mãos cultivadoras. Parabéns a todas as famílias agricultoras! Maria Terezinha CorrêaMestra em Antropologia, especialista em Ensino de Filosofia, graduada em Filosofia e Pedagogia, cursou Teologia pelo Mater Ecclesiae, filiada à ABA, APEOESP, SBPC e APROFFIB, atualmente, professora de Filosofia na Prefeitura de São José-SC, voluntária na Comissão de Prevenção e Combate à Tortura pela ALESC e na Pastoral da Pessoa Idosa, ligada à Arquidiocese de Florianópolis.

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