São José de Nazaré, sua disponibilidade nos inspira!

São José de Nazaré, sua disponibilidade nos inspira! Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado na liturgia deste 4º Domingo do Advento. A passagem está em Mateus 1,18-24.
4º Domingo do Advento

“Bendito o fruto do seu ventre!”Lucas 1,39-45 Para entender bem a finalidade de Lucas em relatar os eventos ligados à concepção e nascimento de Jesus, é essencial conhecer algo de sua visão teológica. Para ele, o importante é acentuar o grande contraste e também a continuidade entre a Antiga e a Nova Aliança. A primeira está retratada nos eventos que giram ao redor do nascimento de João Batista e tem seus representantes em Isabel, Zacarias e João; a segunda está nos relatos em torno do nascimento de Jesus, com as figuras de Maria, José e Jesus. Para Lucas, a Antiga Aliança está esgotada. Seus símbolos são Isabel, estéril e idosa; Zacarias, sacerdote que não acredita no anúncio do anjo; e o nenê que será um profeta, figura típica do Antigo Testamento. Em contraste, a Nova Aliança tem como símbolos a virgem jovem de Nazaré que acredita e cujo filho será o próprio Filho de Deus. Mais adiante, Lucas enfatiza esse contraste nas figuras de Ana e Simeão, no Templo (Lucas 2,25-38), quando Simeão reza: “Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar o teu servo partir em paz, porque meus olhos viram a tua salvação” (2,29). Assim, não devemos reduzir o texto de hoje a um relato que pretende mostrar a caridade de Maria em cuidar da sua parente idosa e grávida. Se a finalidade de Lucas fosse mostrar Maria como modelo de caridade, não teria colocado o versículo 56, que mostra ela deixando Isabel na hora de maior necessidade, “Maria ficou três meses com Isabel e depois voltou para casa”, antes do nascimento de João. Também não é verossímil que uma moça judia de mais ou menos 14 anos enfrentasse uma viagem tão perigosa como a da Galileia à Judeia. A intenção de Lucas é literária e teológica. Ele coloca juntas as duas gestantes para que ambas possam louvar a Deus por sua ação em suas vidas e para que fique claro que o filho de Isabel é o precursor do filho de Maria. Por isso Lucas tira Maria de cena antes do nascimento de João, para que cada relato tenha somente suas personagens principais: de um lado, Isabel, Zacarias e João; do outro, Maria, José e Jesus. O fato de que a criança “se agitou” no ventre de Isabel faz recordar algo semelhante na história de Rebeca, quando Esaú e Jacó “pulavam” em seu ventre, na tradução, da Septuaginta, de Gênesis 25,22. O contexto, especialmente o versículo 43, salienta que João reconhece que Jesus é seu Senhor. Com a iluminação do Espírito Santo, Isabel pode interpretar a “agitação” de João em seu ventre: é porque Maria está carregando o Senhor. As palavras referentes a Maria, “Você é bendita entre as mulheres, e bendito é o fruto do seu ventre” (vers. 42), fazem lembrar mais duas mulheres que, no Antigo Testamento, ajudaram na libertação de seu povo: Jael (Juízes 5,24) e Judite (Judite 13,18). Aqui, Isabel louva a Maria, que traz no ventre o libertador definitivo de seu povo. Finalmente, vale destacar o motivo pelo qual Isabel chama Maria de “bem-aventurada” (vers. 45): “Bem-aventurada aquela que acreditou”. Maria é bendita, em primeiro lugar, não por sua maternidade somente, mas pela fé; em contraste com Zacarias, que não acreditou. Assim, Lucas apresenta Maria principalmente como modelo de fé. Notemos que, neste capítulo primeiro, nós encontramos frases que podem fundamentar uma compreensão correta da visão bíblica da pessoa e função de Maria, que pode unir, em lugar de dividir, cristãos das diversas confissões: “Ave, Maria” (1,28), “Cheia de graça” (1,28), “O Senhor é convosco” (1,28), “Bendita sois vós entre as mulheres” (1,42), “Bendito o fruto do vosso ventre” (1,42). Lucas nos apresenta a Mãe do Senhor como modelo de fé para todos nós! Benditos somos nós se realmente acreditarmos na Palavra de Deus! Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
4º Domingo do Advento

“Faça-se em mim segundo a tua palavra”Lc 1,26-38 Maria de Nazaré é a terceira figura importante nas leituras do Tempo do Advento. O texto de hoje é riquíssimo e mereceria um tratamento muito mais pormenorizado. É essencial para entendermos a figura de Maria tal como apresentada nas Escrituras. No esquema de Lucas, a anunciação à Maria se contrapõe àquela feita a Zacarias (Lc 1,5-22). Naquele relato, é feita a um sacerdote, idoso, no Templo. No texto de hoje, a uma moça, jovem, no dia a dia de um lugarejo, Nazaré. O sacerdote não acredita e fica mudo, simbolizando que os ritos do Templo não têm mais nada a dizer. Maria acredita e é proclamada “bendita entre as mulheres” (1,42). Infelizmente, muitas vezes, este trecho é interpretado de maneira a nos apresentar uma Maria totalmente passiva, sem expressão. Ideologicamente, foi usado para insistir que as mulheres, no mundo e na Igreja, deveriam ficar passivas e sem expressão. Tal interpretação distorce totalmente o que Lucas quer nos dizer. Maria, embora não entenda plenamente (Lc 1,29; 2,19; 2,50ss), aceita não somente ser instrumento da vontade de Deus, mas ser protagonista da realização desse plano divino. A frase “faça-se em mim” não deve ser interpretada de uma maneira passiva, mas como o grito de entusiasmo de quem quer ser colaboradora na realização da visão que Deus tem para o mundo. Não se refere somente ao fato de engravidar (isso seria muito pouco), mas à grande visão de Deus para os seus filhos e filhas. Um pouco adiante Lucas vai mostrar o alcance dessa frase, quando, na boca de Maria, ele coloca o grande canto de libertação, que é o Magnificat. Não é possível entender a profundidade da frase de Maria, na Anunciação, sem ler também o Magnificat (1,46-55). O que Maria quer quando ela pede que seja feita nela a vontade de Deus? Ela quer a realização da viravolta no mundo, que é o advento do Reino de Deus, quando Deus vai “dispersar os homens de pensamento orgulhoso; precipitar os poderosos dos seus tronos e exaltar os humildes; cobrir de bens os famintos e despedir os ricos de mãos vazias” (1,51-53). Em um mundo onde a realidade é a prepotência e a violência dos poderosos contra pobres e indefesos, e onde as mulheres, muitas vezes, estão na liderança da resistência, Lucas nos apresenta Maria como protagonista da concretização do Reino. Como ela, quem realmente quer receber o Salvador no Natal deve comprometer-se, de uma maneira concreta, na construção de um mundo novo, de justiça e fraternidade, tão contrário ao que vivemos hoje, em tantos lugares, e que Maria canta no primeiro capítulo de Lucas. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
À Luz do Evangelho Dominical

Chegamos ao último domingo do Advento, um tempo de expectativa pelo encontro com o Senhor que veio, vem e virá. A Palavra de Deus na liturgia de hoje destaca o Evangelho de Mateus (1,18-25), que tem uma preocupação em confirmar a fé das comunidades, sobretudo as da Palestina e Síria. Reforça que Jesus é o verdadeiro Ungido que devia vir para resgatar o povo e anunciar um novo tempo. O missionário do Verbo Divino, Pe. Arlindo Dias, medita sobre como foi o anúncio do nascimento de Jesus na visão de Mateus. O texto começa destacando que a gravidez de Maria foi por obra do Espírito Santo e não de um homem. Aos olhos da sociedade da época e conforme a lei de Moisés, Maria merecia a pena de morte. Mas José, com sua grandeza e senso de justiça, decide salvar a vida da noiva e de Jesus. Em sonho, um anjo ajuda José, personagem de destaque em Mateus, a compreender o projeto de Deus. O Cristo recebe dois nomes: Jesus (Deus nos Salva) e Emanuel (Deus Conosco), mostrando que Deus não abandona seu povo. Os nomes cumprem e superam a esperança do povo. As figuras de Maria e José nos remetem aos pais e mãe que cobrem seus filhos com o manto do amor, mesmo em situações adversas. Assista ao vídeo da Verbo Filmes e veja mais.