A surpreendente novidade que vem das “periferias existenciais”

“Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo” (Mt 11,4) Na prisão de Maqueronte, onde está confinado por ordem de Herodes, João Batista recebe notícias de Jesus; e o que ele ouve o deixa desconcertado, pois Jesus não corresponde às suas expectativas. João espera um Messias que se imponha pela força terrível do juízo de Deus, salvando àqueles que acolheram seu batismo e condenando àqueles que o rejeitaram. Quem é Jesus? Nem João, nem os rabinos, nem os sacerdotes, nem os apóstolos estavam capacitados para entender Jesus. Sua presença e atuação não se ajustavam ao que eles esperavam do Messias. Jesus rompe com todas as concepções e esquemas mentais, desmonta todas as expectativas, frustra uma visão… A novidade de Jesus é muito maior do que aquilo que podiam esperar; além disso, o que Ele traz vai na direção contrária do que esperavam do Messias. Não vem com poder e força; não vem impor nada, senão propor uma dinâmica de serviço e desatar a vida travada. Jesus tem um caso de amor com a vida. Para sair de suas dúvidas João envia dois discípulos que perguntam a Jesus sobre sua verdadeira identidade: “És tu, Aquele que há de vir, ou devemos esperar um outro”? A resposta de Jesus não é teórica, mas muito concreta e precisa: contai a João o que estais vendo e ouvindo. Eles perguntam a Jesus por sua identidade e este responde através de sua atuação terapêutica (curar e cuidar da vida); Ele se dá a conhecer através de ações concretas em favor da vida: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos ficam limpos, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam… O que o profeta Isaías anunciava como futuro, agora se faz presente em Jesus. Jesus sabe que sua resposta pode decepcionar àqueles que sonhavam com um Messias poderoso. Por isso acrescenta: “Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim!”. Que ninguém espere outro Messias que realize outro tipo de “obras”; que ninguém invente outro Cristo a seu gosto, pois o Filho foi enviado para tornar a vida mais digna e ditosa para todos, até alcançar a plenitude na festa final do Pai. Estes são os sinais da presença do Messias: alívio para quem sofre, acolhida para quem é excluído, vida para quem se sente morrer, visão para quem se encontra na penumbra, fortaleza para os joelhos frágeis… Feliz aquele que aceita que este é o Deus da Vida, Aquele que desce, se faz carne humana, para acolher em si a dor e o sofrimento de todos, sobretudo daqueles que são vítimas e estão excluídos. O modo de agir de Jesus em favor da vida deve também inspirar o nosso modo de agir durante o Advento. Não tem sentido despertar nossa sintonia com aquele que colocou a vida dos mais pobres e sofredores no centro de sua missão se não ativarmos nossa sensibilidade e nosso compromisso com aqueles que são vítimas das estruturas sociais e políticas injustas. Viver em “estado de Advento” não é se fixar no futuro, aguardando a vinda d’Aquele que já está sempre presente e que se faz visível nos rostos dessas vítimas. “Ser Advento” implica “descer” junto à humanidade, recompondo vínculos quebrados, superando ódios e intolerâncias, mobilizando energias e criatividade para que a vida de todos possa ser desbloqueada e encontre espaço para se expressar em sua plenitude. Portanto, Advento sem compromisso com a vida é Advento estéril, com cheiro de morte. Para conhecer Jesus, o melhor é ver de quem Ele se aproxima e a que Ele se dedica. Para captar bem sua identidade não basta confessar teoricamente que Ele é o Messias, Filho de Deus. É preciso sintonizar-nos com seu modo de ser Messias, que não é outro senão o de aliviar o sofrimento humano, curar a vida ferida e abrir um horizonte de esperança aos pobres. Os cegos, surdos, coxos, leprosos, pobres e muitos outros coletivos no mundo de hoje, continuam sendo símbolos da marginalização mais radical que afeta muitíssimos seres humanos. O texto do evangelho deste domingo quer ressaltar que a chegada do Reino terá consequências para todos, mas sobretudo para os mais excluídos, que tinham perdido toda esperança e o sentido do viver. Como podemos perceber, entre os sinais da presença do Messias não há um só sinal “religioso”: nem culto, nem rezas, nem sacrifícios, nem doutrinas, nem leis… Isto nos deveria fazer pensar. Nós cristãos, com frequência, esquecemos que, para Jesus, primeiramente vem a vida, depois o culto; em primeiro lugar, o compromisso em aliviar a dor humana, depois a religião. Não são só os cegos, surdos, coxos, doentes que fazem presente o Reino, mas também aqueles que se preocupam com eles. Só as ações em benefício dos outros deixam transparecer a presença de Deus. Entrar na dinâmica do Advento, significa estar dispostos a aproveitar qualquer ocasião para tornar presente o Reino, não frustrando aqueles que esperam de nós atitudes comprometidas com a vida. Nas páginas dos Evangelhos não vemos um Jesus fixo no deserto ou no templo, mas caminhando por toda a Galiléia; aproxima-se dos últimos e excluídos, vítimas do contexto social e religioso da época. O centro da sua missão é aliviar todo sofrimento humano, restabelecendo a vida onde ela está ferida. Quando se luta contra o sofrimento, quando se alivia a dor, quando se abre uma vida mais sadia… ali está atuando o Reino de Deus. O que Jesus fez, fundamentalmente, foi curar a vida. Pode-se dizer que toda a atuação de Jesus está encaminhada a criar uma sociedade mais saudável, mais humana, mais respirável, mais leve… Recordemos a rebeldia de Jesus frente a tantos comportamentos patológicos de raiz religiosa; como Ele critica o rigorismo, o legalismo, o culto vazio de amor… Jesus quer sanar a religião; seu esforço visa criar uma sociedade mais justa e solidária; sua oferta de perdão gratuito é para todos; sua atitude acolhedora envolve a todos os maltratados pela vida ou pela injustiça dos homens… Em tempos de fanatismos, intolerâncias e preconceitos, precisamos assumir uma

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