Advento: novo tempo para escutar novas vozes

Advento: novo tempo para escutar novas vozes. Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado na liturgia deste 2º Domingo do Advento. A passagem está em Mateus 3,1-12.

2º Domingo do Advento

“Esta é a voz de quem grita no deserto: preparem o caminho do Senhor”Lucas 3,1-6 Atrás das informações históricas deste texto, referentes às autoridades seculares e religiosas que teriam influência nos primórdios do cristianismo, jaz a realidade trágica da resposta negativa deles à Palavra de Deus e a seus mensageiros: João, o Batista, e Jesus, o Cristo. Na pessoa de Pôncio Pilatos, a autoridade romana vai agir na decisão de assassinar o Messias; entre os governantes da Palestina, Herodes Antipas aparece diversas vezes no Evangelho, sempre com juízo negativo, e será o responsável pela morte de João, além de estar presente no sofrimento de Jesus na Semana Santa; Anás (sumo sacerdote de 6 a 15 d.C.) e seu genro Caifás (sumo sacerdote de 18 a 37 d.C.) só funcionam porque os romanos permitem e realmente são a estes que servem. Os sumos sacerdotes sempre serão hostis a Jesus e à sua pregação e, no fundo, são eles os responsáveis por sua morte. No meio desse elenco de poderosos corruptos e perseguidores, Deus manda João Batista como arauto do novo tempo de graça e salvação. Deus não permite que a perversidade e a maldade tenham a palavra final na história da humanidade. Esta será, mais tarde, a mensagem básica do Apocalipse: o mal já é um derrotado e, embora possa parecer diferente, é Deus e não a maldade que controla a caminhada da história. Mensagem de conforto às comunidades sofridas do fim do primeiro século. Mas essa vitória não se concretiza sem que haja luta, sacrifício, e cruz! Lucas põe na boca de João um trecho de Isaías (40,3-5): Esta é a voz daquele que grita no deserto: preparem o caminho do Senhor, endireitem as suas estradas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão aplainadas, as estradas curvas ficarão retas, e os caminhos esburacados serão nivelados. E todo homem verá a salvação de Deus (Lucas 3,4-6). Sem dúvida, podemos entender esse trecho com sentido metafórico, como descrição de uma mudança radical no estilo de vida de quem quer aceitar o convite à penitência e ao arrependimento. Os vales a serem aterrados, as montanhas e colinas a serem aplainadas, os caminhos esburacados a serem nivelados simbolizam os empecilhos em nossas vidas a um seguimento mais radical e coerente de Jesus. Quem aceita sua mensagem terá de mudar radicalmente (isto é, na raiz) sua vida. O Advento, embora não seja tempo de penitência no sentido que a Quaresma o é, torna-se tempo oportuno para uma revisão de vida, para descobrir quais são as curvas, as montanhas e as pedras que teremos de tirar para que o Senhor realmente possa habitar em nossos corações. O Papa Francisco indica um elemento a ser vivido mais profundamente na vida individual de todo cristão e na comunidade da Igreja: a misericórdia, tema tão caro ao autor do Terceiro Evangelho, e algo que, muitas vezes, falta em nossas relações, em todos os níveis. O último versículo, “E todo homem verá a salvação de Deus” (vers. 6), faz eco ao tema lucano da universalidade da salvação, usando essa frase que não se encontra no texto paralelo de Marcos (1,3). Ninguém é excluído da mensagem e da oferta da salvação. Mas a resposta depende de cada um de nós! Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

2º Domingo do Advento

“Começo do Evangelho de Jesus, o Messias, o Filho de Deus”Mc 1,1-8 O Evangelho de Marcos foi o primeiro dos quatro evangelhos canônicos a ser escrito, provavelmente pelo ano 70, na Síria ou em Roma. Marcos tem o grande mérito de ser o criador desse gênero literário, hoje tão conhecido, chamado “evangelho”, o que literalmente significa “boa-nova” ou “boa notícia”. Porém, no primeiro versículo de sua obra, quando ele se refere ao “começo do Evangelho”, ele não diz sobre o gênero literário, mas à própria Boa-Nova, que é a mensagem de salvação em Jesus, “o Messias, o Filho de Deus”. Pois o escrito é somente uma das maneiras viáveis para comunicar a experiência dessa boa notícia, tanto que Paulo, que nunca leu um dos quatro Evangelhos (pois morreu pelo ano 66,), pôde falar aos Gálatas do “Evangelho por mim anunciado” (Gl 1,11). Por isso devemos sempre levar em conta que os quatro Evangelhos do Novo Testamento não se propõem a nos dar uma biografia de Jesus, nem de fazer um relatório sobre a vida dele. Eles são a “boa notícia” de Jesus. Dessa forma, a pergunta que devemos ter em mente ao ler ou ouvir um trecho evangélico não é “aconteceu assim ou não?”, mas “onde está a boa notícia de Jesus neste texto?”. Como parte de nossa preparação para o Natal, o texto de hoje nos apresenta a pessoa e a mensagem de um dos grandes personagens do Advento: João Batista. Usando uma mistura de citações do Antigo Testamento, tiradas do profeta Malaquias (3,20), Isaías (40,3) e Êx (23,20), Marcos enfatiza o papel de João como Precursor, aquele que prepara o caminho do Senhor. O fato de João estar vestido com pele de camelo faz uma ligação entre ele e o “pai do profetismo”, Elias. Assim, João é a última voz profética da Antiga Aliança, anunciando a chegada da Boa-Nova na pessoa e atividade de Jesus de Nazaré. O batismo de João era um rito conhecido naquele tempo. Significava o reconhecimento dos pecados e a conversão aos caminhos de Deus. Embora o Advento não seja primariamente tempo de penitência, mas de preparação, o texto nos lembra de que não será possível a preparação para a vinda do Senhor no Natal sem que passemos pelo processo de arrependimento, conversão e experiência da gratuidade de Deus no perdão dos pecados. Mas a ênfase mesmo está na aceitação não somente do batismo de João, mas de quem viria depois dele, literalmente como ele disse, “atrás de mim”. A expressão, que denota a dignidade, como num cortejo, põe toda a importância na pessoa que vem, pois tirar as sandálias era serviço de um escravo. Jesus é o mais importante, pois, com a vinda dele, inaugura-se o tempo de salvação, esperado naquela época, por muitas pessoas e grupos (como os essênios), somente para o fim dos tempos. A voz de João ressoa de novo hoje, nos primeiros anos do novo milênio, convidando a todos nós, pessoalmente e em comunidade, Igreja e sociedade, a preparar os caminhos do Senhor, endireitando suas veredas. A preparação para o Natal implica a necessidade de um empenho de todos para que os males, individuais ou sociais, sejam tirados, para que o Natal seja experiência real da vinda do Salvador e não somente uma festinha, vazia de sentido. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.

À Luz do Evangelho Dominical

Neste segundo domingo do Advento, a Igreja celebra a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria. A liturgia destaca o Evangelho de Lucas (1,26-38), que narra o anúncio de dois nascimentos: o de Jesus e o de João Batista, cumprindo as profecias. Padre Arlindo Dias, missionário do Verbo Divino, explica que a mensagem é dada pelo Anjo Gabriel, que significa “A Força de Deus”. No pequeno povoado de Nazaré, Deus encontra Maria e a chama “Cheia de Graça”. O evento é marcado por algumas transgressões às normas religiosas daquele tempo e um alerta contra aquilo que, em nome de Deus, é usado para marginalizar, oprimir. Ao responder “Eu sou a serva do Senhor”, a Mãe de Jesus se identifica com todo o povo que punha em Deus a confiança. Quais situações de hoje pequem que nos tornemos servos, servas do Senhor? Assista à produção da Verbo Filmes e saiba mais.

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