Querido diário!

Passando aqui, rapidinho, no primeiro dia do ano de 2024, para conversar sobre a vida em 2023. Hora de fazer o balanço das promessas e atitudes, dos desejos e dos planos para esse ano ímpar. Primeiramente agradecer porque 2023 chegou ao fim e virou páginas que desejaríamos apagar. Lembra-se daquela promessa de ir para academia? Até tentei, mas ainda não deu! Aquela minha tia, para quem eu disse que ligaria toda semana, não conheceu meu afeto virtual. Está com Alzheimer e não se lembra mais de mim. Deu para se aproximar de Deus, nas orações diárias, nas presenças na vida comunitária da igreja de meu bairro. As árvores que desejei plantar, ainda não o fiz! Agora não gasto tudo o que ganho. Não comprei tudo o que gostaria e, a cada dia, quero menos coisas. Do bacon ainda não me despedi… Aquele trabalho voluntário até foi retomado, mas não com a disponibilidade que deveria. Respirei fundo e renovei meu olhar todas as vezes em que aquela pessoa que me fazia revirar os olhos chegou perto de mim. Lembra-se de uma amiga que me rondava feito urubu? Eu a tirei de minha vida. Coloquei pontualidade em minha correria. Passei a acordar mais cedo, para conseguir ser gentil no trânsito. Rezo toda noite, todo dia! Estou aprendendo a rezar o terço… Checkup médico em dia! Cada vez menos, eu deixo a pia adormecer com louças sujas. Ainda não aprendi a fazer pão caseiro e a produzi-lo toda semana. Meu coração segue batendo forte sempre que sigo vendo as crianças crescendo com dignidade. Existe vida virtual, mas o abraço presencial foi resgatado com sucesso. A saudade virou motivo de orgulho, pois só a tem quem amou! Ops! Era para eu dar boas-vindas para 2023! E saiba que foi o que eu fiz! Vamos vislumbrar 2023 construindo, a cada dia, a história que desejaremos contar na próxima virada. Que seja um ano de encontros, e que a fé na vida seja renovada, seja lá quantas e quais forem as linhas escritas pelo Criador neste ano que virá! Que nos encontre disponíveis e encantados! (Esse texto contém licença poética e brinca com o tempo! Que venha 2023!) Maria José Brant (Deka), assistente social, analista de políticas públicas na Prefeitura de Belo Horizonte-MG, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas.

Fim de ano e início de ano

Na história de cada um e na universal, todos os anos, celebramos um fim de ano e um ano novo. Cada vez, renovam-se as esperanças de que algo novo aconteça no ano novo. Ninguém quer celebrar a vida com tristeza e desesperança. Muito embora haja pessoas que, devido a doenças ou outros fatores, temem que o próximo ano seja o último de sua vida que durou os anos que tem. Mesmo assim, espera-se que o ano novo renove as esperanças e dias promissores apareçam. A contagem do tempo é assim. Medimos em dias, meses e anos. O mundo existe há milhões de anos, ninguém sabe ao certo. A história humana tem várias hipóteses que apontam para números calculados pela matemática especializada. Recentemente (!) nossa história mudou a contagem dos anos a partir da data do nascimento de Jesus. Ficou estabelecido em “antes” e “depois”. É daí que dizemos que o ano novo será 2023. A história assim mudada marcou um fim e iniciou um novo começo. Um fim do tempo de espera do Messias e um começo de sua presença salvadora no meio de nós. Se a data assim mudada se revestiu de sentido novo, então, ao celebrarmos um ano novo, temos como referência esse acontecimento, que, para nós, cristãos, é histórico. Deus se encarnou no meio de nós. Jamais houve fato assim e nunca mais haverá outro a não ser por ocasião de sua segunda vinda. Esse fato histórico abriu uma história nova que nos permitiu restabelecer contato com Deus e fazer com ele comunhão, e vivermos com esperança de que a vida não acaba nunca. A morte é apenas uma despedida deste mundo para uma mudança para outro nível, o da eternidade. Lá não celebraremos mais ano novo, porque tudo será novo e eterno. Enquanto nossa vez não chega, e ninguém tem pressa quanto a isso, vamos celebrando um novo ano, desejando uns aos outros o feliz Ano Novo, com festa e alegria. Afinal, celebrar a vida é sempre bom, melhor ainda quando ela está em paz, limpa de ódios e rancores. Ano novo é para ser novo mesmo, não apenas mudança de data no calendário. Para que isso aconteça, é necessária uma atitude interior, que brote do coração, sem fingimento, acreditando de verdade em dias melhores, começando com a melhora de si e com a contribuição de cada um. O mundo se renova conforme nós agimos com positividade, reconhecendo os próprios limites, mas também acreditando que podemos pôr o nosso lado bom a serviço dos outros, construindo uma convivência mais sadia. Então, que venha o novo ano, trazendo felicidade e assim vamos desejando uns aos outros FELIZ ANO NOVO! Pe. Deolino Pedro Baldissera, SDSPadre salvatoriano há 43 anos, professor e psicólogo pela Universidade Gregoriana de Roma, com mestrado em Psicologia e doutorado em Ciências da Religião. Atualmente é pároco em Videira-SC.

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