Desatai o futuro!

Desatai o futuro. O 1º Domingo do Advento abre o novo ano litúrgico e o ciclo do Natal. Veja a reflexão elaborada pelo jesuíta padre Adroaldo Palaoro, comentando o Evangelho proclamado na liturgia desse dia. A passagem está em Mateus 24,37-44.
Advento, a arte de viver despertos

Veja a reflexão bíblica elaborada por Adroaldo Palaoro, padre jesuíta, comentando o Evangelho deste 1º Domingo do Advento, início do ciclo do Natal e do ano litúrgico, narrado em Lucas 21,25-28.34-36.
1º Domingo do Advento

“A libertação de vocês está próxima”Lucas 21,25-28.34-36 Neste primeiro domingo do ano litúrgico, Lucas nos mergulha em um dos discursos escatológicos de seu Evangelho. Assim, usa imagens e símbolos que não são de nossa cultura e época, e por isso nem sempre são fáceis de serem compreendidos pelos ouvintes de hoje. Porém, na literatura apocalíptica, não é necessário interpretar cada imagem detalhadamente. O mais importante não é cada pedra do mosaico, mas o padrão inteiro, não cada imagem e símbolo, mas sua mensagem de conjunto. O texto nos apresenta a figura do “Filho do Homem”, o título que os Evangelhos mais usam para Jesus e que nós pouco usamos. Esse título vem de um trecho do livro apocalíptico de Daniel: “Em imagens noturnas, tive esta visão: entre as nuvens do céu, vinha alguém como um filho de homem… Foi-lhe dado poder, glória e reino, e todos os povos, nações e línguas o serviram. O seu poder é um poder eterno, que nunca lhe será tirado. E o seu reino é tal que jamais será destruído” (Daniel 7,13s). Jesus recorda a seus discípulos a mensagem de ânimo que trazia o Livro de Daniel aos perseguidos do tempo dos Macabeus, pelo ano 175 a.C., que, embora possa parecer que os poderes deste mundo, os impérios opressores, sejam mais fortes do que o poder de Deus, isso não passa de uma ilusão. Pois, na plenitude dos tempos, Deus, por meio de seu Ungido (o Filho do Homem), revelará seu poder e estabelecerá um Reino que jamais será destruído. Isso acontece agora, em Jesus! Qualquer interpretação de um texto apocalíptico que bota medo nos ouvintes que sofrem as consequências do reino opressor de qualquer época é necessariamente errada, pois a função da literatura apocalíptica é animar e dar coragem aos oprimidos e sofredores. Por isso, o ponto central de nosso texto de hoje é uma mensagem de ânimo, coragem e fé: “Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se e erguem a cabeça, porque a libertação de vocês está próxima” (vers. 28). Esse trecho tem uma dimensão fortemente cristológica. Ele nos afirma que Jesus, o Filho do Homem vitorioso, tem em seu controle todas as forças, sejam elas de guerra (vers. 9) ou do mar, símbolo de forças indomináveis na literatura judaica da época (vers. 25). O versículo acima citado traz uma mensagem cheia de confiança: em contraste com a atitude de covardia dos malvados (vers. 26), os discípulos ficarão com a cabeça erguida, para acolher o juiz justo, o Filho do Homem. Mesmo assim, os eleitos devem ficar atentos para não caírem. Devem cuidar muito para que “Os corações não fiquem insensíveis por causa da gula, da embriaguez e das preocupações da vida” (vers. 34). Pois é fácil assumir as atitudes do mundo sem que notemos, a não ser que sejamos vigilantes. Por isso, o texto de hoje termina com um conselho válido também para os discípulos dos tempos modernos: “Fiquem atentos e rezem todo o tempo, a fim de terem força” (vers. 36). O Advento é tempo oportuno para que examinemos nossa vida para descobrir se realmente estamos atentos, o tempo todo, para não perdermos as manifestações da presença de Jesus no meio de nós. É tempo de nos dedicarmos mais à oração, para renovarmos nossas forças, para não cairmos na armadilha da “inatenção” no meio das preocupações e barulhos do mundo moderno, para que nossos corações continuem “sensíveis” aos apelos do Senhor, por meio dos irmãos e irmãs, em nosso dia a dia. O ano litúrgico que se inicia neste domingo usa, nos domingos comuns, o Evangelho de Lucas, o Evangelho da Misericórdia por excelência. Sejamos vigilantes para que a misericórdia seja característica de nossas relações e para que não caiamos nas ciladas de atitudes de violência, vingança e dureza de coração, típicas de nossa sociedade e tão propagadas pela mídia hoje. Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
1º Domingo do Advento

“Digo a todos: fiquem vigiando!”Mc 13,33-37 Com a celebração do 1º Domingo do Advento, a Igreja inicia um novo ano litúrgico, um ciclo que celebra todos os principais eventos da vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Advento é um tempo, não tanto de penitência, mas de expectativa e preparação para a vinda do Senhor no Natal. Três figuras muito importantes da liturgia do Advento são o profeta Isaías; o Precursor, São João Batista; e Maria de Nazaré, a Mãe do Senhor. Um tema constante no Advento é o da vigilância. “O que digo a vocês digo a todos: fiquem vigiando”. Obviamente, não no sentido de vigiar os outros, mas da vigilância evangélica, uma atitude constante de compromisso com o seguimento de Jesus. É preciso vigiar a nós mesmos, para que não deixemos de pôr em prática as mesmas atitudes e opções concretas de Jesus de Nazaré. É vigiar para que façamos sempre o que Jesus faria se estivesse no meio de nós hoje. É vigiar para que o comodismo não tome conta de nós, reduzindo nossa vivência cristã às práticas externas, que são indispensáveis, mas que seja uma concretização nas nossas realidades das atitudes e ações de Jesus de Nazaré. O convite à vigilância não é somente pessoal, mas também comunitário. Pois, com o decorrer dos anos, é possível que tanto os indivíduos como as instituições eclesiais (paróquias, congregações religiosas, pastorais específicas, movimentos de espiritualidade e até as próprias Igrejas) caiam na rotina cômoda, perdendo de vista a finalidade última da sua atuação, o Reino, e contentando-se com uma prática meramente externa de uma moral ou ética. O recente Sínodo ouviu muitas vezes do Papa um apelo nesse sentido, para que os prelados (e, na verdade, todos nós) saíssem de suas “torres de marfim” para sentirem as alegrias e as dores, as angústias e experiência do povo em geral. O texto de hoje convida a todos nós para que façamos do discernimento um modo de viver, sempre vigilantes para que nosso modo de ser, atuar e falar esteja coerente com as opções concretas de Jesus de Nazaré, em favor do Reino de Deus, da justiça, solidariedade e fraternidade. Daqui a quatro semanas, celebraremos o Natal. Para muitos, será simplesmente uma festa comercial ou uma oportunidade de festejar e alegrar-se. Para outros, mergulhados na miséria e na fome, endêmicas em muitas regiões do planeta, será sem sentido. A qualidade de nosso Natal dependerá, em grande parte, da qualidade de nosso Advento. Se fizermos desse tempo um verdadeiro momento de discernimento, avaliação, vigilância e renovação, então teremos realmente um Natal, um renascimento de Jesus na nossa vida. Caso contrário, somente teremos uma festa no dia 25 de dezembro, que logo acabará e passará sem deixar rastros, a não ser dívidas a pagar ou ressacas. Atendamos o convite de Jesus! Façamos do Advento deste ano um tempo de avaliação, de oração, de renovação e teremos a imensa alegria de um verdadeiro Natal, um reencontro verdadeiro com Jesus, o Emanuel, o Deus-Conosco! “O que digo a vocês digo a todos: fiquem vigiando.” Padre Tomaz Hughes, SVD, biblista e assessor da CRB e do Cebi. Dedicou-se a cursos e retiros bíblicos em todo o Brasil. Publicou diversos artigos e o livro “Paulo de Tarso: discípulo-missionário de Jesus”. Faleceu em 15 de maio de 2017. Suas reflexões bíblicas são muito atuais.
À Luz do Evangelho Dominical

Iniciamos o Tempo do Advento, época de uma alegre e sábia expectativa. Quando aguardamos a chegada de alguém que amamos, essa espera é sempre marcada pelo júbilo. O padre Arlindo Dias, missionário do Verbo Divino, ajuda-nos a refletir sobre a mensagem do Evangelho deste domingo, retirada de Mateus (24,37-44). O trecho afirma que o Filho do Homem virá numa hora a qual não sabemos. Jesus fala sobre a destruição do Templo de Jerusalém pelos romanos, ocorrida por volta do ano 70 d.C. Para Cristo, o evento não era necessariamente uma tragédia, mas o fim de um tempo em que se pensava que o Reino de Deus era apenas prerrogativa do povo de Israel e não de toda a humanidade. Deus não é propriedade de um povo, de uma religião. Jesus nos chama a atenção para o risco de nos perdemos em nossos afazeres cotidianos, esquecendo-nos de nos preparar para um novo tempo. Quem sente que o Senhor está às portas, busca a conversão e ajusta a própria vida conforme o desejo de Deus, em ações concretas e não somente em palavras. Este é o espírito deste tempo: viver a justiça, a solidariedade com os mais sofredores, o contato próximo com o Pai e com o irmão e irmã. Como está nossa preparação para o encontro com o Senhor? Assista ao vídeo produzido pela Verbo Filmes e veja mais.