Casa Lab: novas perspectivas para as mulheres da periferia

Em 2019, participei como articuladora do projeto Casa Lab: Laboratório de Fazeres da Mulher Periférica, promovido pelo Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo, o CDHEP. A iniciativa foi idealizada e coordenada por Silene Monteiro e, a partir de abril de 2019, eu me juntei a ela para contribuir com a estruturação e execução do projeto. Em seu primeiro ano, o Casa Lab reuniu cerca de 15 mulheres moradoras dos distritos periféricos da Zona Sul de São Paulo-SP (Campo Limpo, Capão Redondo, Jardim Ângela e Jardim São Luís) para reformar uma edícula na sede do CDHEP e transformá-la numa oficina comunitária de fazeres criativos, com ferramentas de marcenaria, construção e artes. Esse processo, com dois encontros semanais, durou cerca de sete meses, com início em junho e encerramento em dezembro. Nesse período, nosso grupo, formado somente por mulheres, construiu bancadas e bancos de trabalho nas oficinas de marcenaria, realizou pequenos serviços de manutenção elétrica e hidráulica, pintou as paredes da casa, fez um grafite coletivo e construiu um banco no jardim do CDHEP. Além das ações práticas, realizamos rodas de conversa sobre os desafios cotidianos da mulher moradora da periferia. Em algumas das atividades, contamos com a ajuda de profissionais mulheres especialistas nas áreas em que estávamos trabalhando. Ao fim do processo, a partir do trabalho coletivo e da criatividade de várias mulheres, a antiga casinha no fundo do terreno do CDHEP estava transformada em oficina, pronta para ser utilizada e apropriada para a realização de novos projetos. “Entendíamos que cada uma ali tinha algum saber para compartilhar com o grupo” O resultado final desse primeiro ciclo do Casa Lab, com diversos produtos executados, é muito interessante. No entanto, mais importante do que isso, foram as trocas e aprendizados que ocorreram ao longo dos sete meses de trabalho. Todas as atividades do Casa Lab foram embasadas na educação popular de perspectiva freiriana e no processo circular. Dessa forma, tínhamos como premissas o diálogo, a horizontalidade, a colaboração e a escuta das diferentes agentes envolvidas no processo. Todos os nossos encontros começavam em roda, na qual cada uma de nós podia compartilhar como estava se sentindo, como estava sendo a semana e qual era a expectativa para a atividade do dia. Além disso, entendíamos que todas ali tinham algum saber para compartilhar com o grupo e, ao longo do projeto, buscamos fazer com que esses saberes fossem externalizados. “Nós nos fortalecíamos para conseguir sair de situações de opressões, como o machismo…” Nosso grupo era bastante diverso, com mulheres de diferentes idades, religiões e graus de escolaridade. Essa diversidade trouxe para o trabalho coletivo alguns desafios, mas, ao mesmo tempo, tornou o processo ainda mais rico. A chegada a um consenso, fosse sobre a cor de uma parede ou sobre o acabamento de um móvel, exigia longos debates e discussões, em que treinávamos nossa capacidade de argumentação e nossa generosidade ao renunciar a uma ideia ou ter de adaptá-la às escolhas do grupo. Nisso, além de construir um mobiliário e pintar uma parede, criávamos laços afetivos e trabalhávamos nossas habilidades socioemocionais, num processo emancipatório, em que nós nos fortalecíamos para conseguir sair de situações de opressão, como o machismo. Com o passar dos meses e todas as nossas conversas e discussões, consolidados um grupo de amigas, em que, mesmo com o encerramento do primeiro ciclo do projeto, continuamos nossas trocas e rede de apoio. “Sementes para a construção coletiva de um novo mundo” O Casa Lab me afirmou o quão potente e transformador é reunir mulheres para conversar em roda e produzir algo coletivamente. Para mim, que sou filha de pais que se formaram politicamente numa comunidade eclesial de base da Igreja Católica, o Casa Lab foi uma maneira de retomar, de certa forma, o trabalho dos grupos de mães, que, nas décadas de 1970 e 1980, reuniam mulheres nas periferias para, a partir da leitura da realidade do bairro e da reflexão crítica em cima disso, traçar ações práticas para transformação do contexto de carência e precariedade. Acredito que ações como o Casa Lab e os clubes de mães, cada uma em seu tempo, são capazes de construir uma nova realidade conduzida por mulheres moradoras das periferias, pobres, negras e indígenas. Cada participante do Casa Lab saiu fortalecida de alguma maneira, mas, mais importante do que a escala individual, talvez tenha sido que, em cada mulher, foram plantadas pequenas sementes para a construção coletiva de um novo mundo. Ana Cristina da Silva Morais Arquiteta e urbanista formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) e moradora de Capão Redondo. Durante a graduação, desenvolveu pesquisa de iniciação científica sobre participação social em um projeto de urbanização de assentamento precário da cidade de Medellín, na Colômbia. Para tanto, realizou estágio de pesquisa na Universidade de Antioquia, em Medellín. Desde 2017, atua em coletivos e ações da periferia da Zona Sul de São Paulo-SP que discutem território. Estagiou na Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo e, em 2019, trabalhou como articuladora do projeto Casa Lab, no Centro de Direitos Humanos e Educação Popular de Campo Limpo (CDHEP).
Família Arnaldina: conheça um pouco da missão dos MLDUT

Os missionários leigos de Deus Uno e Trino (MLDUT) são um dos ramos da Família Arnaldina. Eles partilham da espiritualidade e da proposta evangelizadora de Santo Arnaldo Janssen. A missão principal desses homens e mulheres de fé é, por meio da própria vida, levar Jesus Cristo à sociedade. Assista ao vídeo e conheça um pouco desses companheiros de missão.
Óleo de cozinha residual: transformando o vilão em aliado

No Brasil, o óleo vegetal é muito usado na preparação de alimentos. A cada ano, mais de 8 milhões de toneladas de óleo são produzidas no País. Desse total, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais, aproximadamente 48% é destinada para o consumo alimentar doméstico e industrial. O uso em larga escala, nos espaços domésticos e comerciais, também gera uma preocupação: o que fazer com o óleo usado (residual)? O vilão: as consequências do descarte inadequado do óleo de cozinha usado Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, com base nos limites legais mais restritivos de lançamento de óleo vegetal em corpos d’água, um litro de óleo pode contaminar cerca de 20 mil litros de água. O descarte inadequado do óleo de cozinha residual pode gerar ainda outros males, como o entupimento da rede de esgoto, maior uso de produtos químicos para o tratamento da água e do esgoto, contaminação do solo e do lençol freático. Consequentemente, isso pode acarretar dificuldade do escoamento das águas pluviais, disseminação de pragas e doenças, aumento no custo dos serviços de tratamento de água e esgoto, morte de algumas espécies, entre outros. Transformando o vilão em aliado O que se percebe é que ainda há um grande desconhecimento sobre o potencial de reaproveitamento dos resíduos e a orientação sobre as possíveis alternativas para o emprego do óleo usado como recurso em diversas cadeias produtivas. Quando aproveitado de modo correto, o óleo de cozinha residual pode gerar benefícios ambientais, sociais e econômicos. Ele pode ser reciclado para diversos fins, seja na indústria ou no espaço doméstico. Dele se pode produzir, por exemplo, resina para tinta, detergente, sabão, amaciante de roupa, sabonete, ração para animal, glicerina, lubrificantes para motores e o biodiesel. Experimente fazer a reciclagem de óleo em sua casa: __________________________________________ Então, na prática o que você pode fazer? 1) A primeira atitude é coletar, num recipiente fechado, o óleo usado (pode ser até as famosas garrafas pet), em vez de jogá-lo na pia ou descartar inadequadamente em qualquer outro lugar. 2) Na internet, há várias receitas de sabão feito dos resíduos do óleo. São receitas fáceis e práticas. Além da economia com esse produto de limpeza, você ajuda o meio ambiente. 3) Nos maiores centros urbanos, há inúmeros centros de coleta de óleo de cozinha residual. Tome alguns minutos para pesquisar na internet os pontos mais próximos de sua casa. Há algumas organizações da sociedade civil que recolhem os resíduos no domicílio e ainda fazem a devolução de parte dos materiais de limpeza produzidos por eles. Informe-se! Com ações simples, você pode economizar e cuidar da vida de nosso planeta. Alie-se a essa causa! Ir. Stela Martins, SSpSCoordenadora da RedesRede de Solidariedade
Natureza pedagoga: as águas de março

Posso dizer que somos água, que a natureza nos aproxima do sagrado. Posso dizer que água é direito humano, que o futuro é agora. Para entender a magnitude e o alcance dessas afirmações, destaco: 71% da superfície da terra são cobertos por água; de toda água do planeta, apenas 2,5% são de água doce; os recursos hídricos no Brasil representam 12% do total mundial; o corpo humano apresenta entre 60 a 75% de água. Brasil, 2020… “São as águas de março fechando o verão, é a promessa de vida no teu coração.” Ao som de Tom Jobim, poderia intuir que o pior já passou e que o outono vai nos consolar, e que o que aconteceu passou… Mas, na imensidão das terras brasileiras, seguimos vivendo a contraditória realidade da falta da água e a emergência dos temporais. Para exemplificar, ao menos dez cidades em Minas Gerais foram afetadas, emergencial e alternadamente, pela seca e pelos temporais, duas faces de uma mesma calamidade. Trazemos na lembrança as recentes e impactantes imagens veiculadas, e muitos trazem na pele a força da mensagem das águas, seja na escassez, seja no transbordamento. É a natureza pedagoga… Só esses fatos e imagens já serviriam para nos alertar sobre a relevância de se propor essa discussão, especialmente considerando o simbolismo de 22 de março que, desde 1992, foi decretado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como o Dia Mundial da Água. Talvez pelo acirramento da vida urbana, o cotidiano de rios tampados, nascentes submersas, hidrantes e água canalizada tenhamos “perdido” o entendimento do ciclo vital da água, do ciclo vital de todo o meio ambiente. Não dá mais para negar o problema nem seguir resignados e acomodados, e muito menos acreditando que a solução é apenas técnica. A disputa pela água, a escassez crescente pelo mundo afora é uma realidade. Há de se cuidar da racionalidade em seu uso, de forma a permitir o desenvolvimento das nações, a justiça social e a manutenção dos ecossistemas. A proteção e a preservação para garantir a quantidade, a qualidade e os múltiplos usos dos recursos hídricos envolvem também gestão, política, financiamento, diálogo e parceria. Todos e todas, cada um e cada uma, com base em sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades, fazendo sua parte, conforme nos ensina o Papa Francisco. “São as águas de março fechando o verão, É a promessa de vida no teu coração” Ao som de Tom Jobim, prefiro entender que, onde brota a promessa de vida e onde reina o amor, o cuidado com nossa Casa Comum vai prevalecer, e isso depende de todos nós, de cada um de nós! Maria José Brant (Deka), assistente social, estudante de Antropologia, analista de políticas públicas no Programa Bolsa Família, mestra em Gestão Social, mosaicista nas horas vagas. ______ Referências: Papa Francisco. Carta Encíclica “Laudato Si’” sobre o cuidado da Casa Comum. Vaticano, 25 de maio de 2015. https://brasilescola.uol.com.br/geografia/agua.htm https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-brasil/2020/02/06/dez-cidades-mineiras-enfrentam-efeitos-da-seca-em-meio-a-chuva.htm https://www.hypeness.com.br/2013/10/conheca-a-comunidade-na-turquia-que-se-comunica-atraves-do-assobio/ https://www.letras.mus.br/tom-jobim/49022/ https://www.mma.gov.br/estruturas/161/_publicacao/161_publicacao03032011025235.pdf
Sobre sonhos e histórias…

Quando criança, meus pais não tinham o hábito de contar histórias de “Chapeuzinho Vermelho” ou “A Bela Adormecida” para eu dormir. Tampouco me compravam livros ou me levavam a bibliotecas… Entretanto assistimos a muitas peças teatrais, o que sempre me fascinava. Quando fui para a escola, onde existia uma biblioteca, por curiosidade, perguntei à moça responsável se havia um livro sobre a primeira peça que vi, “A Bonequinha Preta”, de Alaíde Lisboa. O livro estava disponível para empréstimo, e foi assim que essa peça teatral despertou em mim o gosto pela leitura. A biblioteca passou a ser meu lugar preferido na escola e, posteriormente, meu lugar predileto no mundo. Quando me formei no ensino médio, tive a certeza de que queria ser psicóloga, porém, durante o cursinho para o vestibular, os professores de Língua Portuguesa, Literatura e História me apresentaram um curso que eu pouco conhecia, o de Biblioteconomia. A partir daí, já não tive mais aquela certeza. Então… troquei minha primeira opção de curso para Biblioteconomia. Passei no vestibular e, em 2011, iniciei a graduação. A graduação me trouxe novas perspectivas e percepções, mas a maior delas foi a descoberta de uma nova paixão: a área de Educação e, oportunamente, a “contação” de histórias. Durante toda a graduação, eu visei à especialização em bibliotecas escolares. Assim que me formei, fui trabalhar como bibliotecária num hospital, em Belo Horizonte-MG. O sonho de trabalhar em uma escola foi adiado. Ficou aguardando por mais três anos, adormecido… Mas foi despertado em 2018, quando iniciei minha carreira no Colégio Sagrado Coração de Jesus. A oportunidade de trabalhar no Colégio Sagrado Coração de Jesus abriu-me várias portas, inclusive a possibilidade de, finalmente, fazer meu curso de “contação” de história. No Colégio, a “contação” de histórias é algo muito forte e valorizado. Isso ocorre porque acreditamos que contar histórias é o maior incentivo à leitura que podemos dar às crianças, do infantil ao último ano das séries iniciais do fundamental I. Quando me vi diante desse cenário, percebi que precisava urgentemente de um curso, para eu aprender técnicas que transmitissem essas histórias de uma forma encantadora, que pudessem realmente tocar as crianças. As histórias são algo que nos transforma. Ouvir histórias é bom demais; contá-las é melhor ainda. A primeira história que narrei foi “A bofetada”, um conto africano. Lembro-me da expectativa e da emoção quando terminei. Posso relembrar vários momentos que me marcaram: o livro “A sopa de pedra”, pelo qual eu contei a história de um personagem conhecido do mundo adulto, mas, dessa vez, ele era uma criança, Pedro Malazartes. Outro momento muito interessante foi quando precisava contar na “Semana sem Fronteira”. Alguns dias antes, tive uma laringite e fiquei afônica. No dia, como um milagre, a voz voltou forte e, somente durante a “contação” de história, para depois sumir novamente. Essa apresentação foi realizada para os alunos do 2º ano do ensino fundamental. Eles contaram algumas partes comigo e fizeram a sonorização. O momento foi emocionante. Em minhas “contações” no colégio, sempre canto uma música antes de começar as histórias e uso um avental. A esse conjunto de preparação chamamos preâmbulo, para as crianças entrarem no clima. Depois conto a história e então deixo que elas também contem suas histórias. É lindo observar as crianças cantarem a música e, posteriormente, contarem a história da maneira deles. Guiomar Dantas (2019, p. 66) afirma que mediar leitura “é, sobretudo, contagiar filhos, sobrinhos, afilhados, alunos, amigos ou o público para o qual faz mediação com o vírus da leitura que, por sua vez, propaga no corpo e na mente um vício incurável: o amor pelos livros e pelas histórias”. E é exatamente com essa perspectiva que me preparo para os momentos de “contação”. Gosto de provocar emoções que tocam o coração e incentivam cada vez mais a busca por leitura e literatura. E assim, a cada história, vamos criando e recriando o famoso “felizes para sempre”. DANTAS, Guiomar. A arte de criar leitores: reflexões e dicas para uma mediação eficaz. São Paulo: Senac, 2019. 279 p. Raissa Cirilo, bibliotecária do Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Belo Horizonte-MG, contadora de histórias e autora do capítulo “A hora do canto como recurso de mediação de leitura na biblioteca escolar e disseminação da cultura afro-brasileira”, disponível no livro “Mulheres negras na Biblioteconomia”.
Cuidar da vida e se defender do coronavírus

Um ser extremamente minúsculo, o coronavírus, ganhou destaque nos noticiários internacionais, mudando a vida das pessoas em diferentes países. Além de causar mortes e muito medo, está desencadeando uma crise econômica sem precedentes. Embora tão pequeno, esse vírus está sendo capaz de parar diversos países do chamado “Primeiro Mundo” e já chegou também ao Brasil. Diante desse quadro, é natural que todos nós estejamos preocupados e buscando informações do que devemos ou não fazer. E nós, missionárias servas do Espírito Santo, que temos como vocação o cuidado com a vida, estamos muito atentas e buscando a melhor maneira de colaborar para conter essa pandemia o mais rápido possível. Ter informações corretas e tomar as medidas necessárias é indispensável em situações como esta, em que pequenas atitudes pessoais podem fazer a diferença e salvar a vida de pessoas que sequer conhecemos. O momento exige consciência e responsabilidade. É necessário cuidar de si mesmo e dos outros, pois, conforme nos lembra o Papa Francisco, na Encíclica Laudato Si’, estamos todos interligados. Nesta entrevista, convidamos a médica geriatra Dr.ª Sílvia Bitar que, desde 2013, cuida de nossas irmãs idosas da Comunidade do Santana, em São Paulo-SP. Ela vai nos orientar quanto aos cuidados necessários para evitar o contágio e proteger a vida, especialmente das pessoas mais vulneráveis. Doutora Sílvia é especialista pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e pós-graduada em cuidados paliativos e, acima de tudo, uma profissional capaz de se colocar no lugar de quem sofre e de buscar todos os meios para garantir uma melhor qualidade de vida para seus pacientes. Vale a pena seguir suas recomendações. Irmã Ana Elídia C. Neves: Doutora Sílvia, o coronavírus está se alastrando rapidamente também no Brasil. O que os meios de comunicação estão falando, em sua opinião, é real ou há uma dose de exagero? Doutora Sílvia Bitar: O coronavírus já é considerado uma pandemia. Existe uma preocupação que considero real, pois é um vírus cuja disseminação é muito alta e que tem uma maior mortalidade em idosos. Temos de tomar cuidado com o excesso de informação, que está gerando um pânico na população e pode acabar fazendo com que as pessoas tomem atitudes irracionais. Os meios de comunicação têm um papel importante de educar e de orientar as pessoas em relação às medidas que devem ser tomadas. Ir. Ana Elídia: Como o covid-19 oferece mais riscos para pessoas idosas, que medidas preventivas instituições como a nossa e outras que cuidam de pessoas idosas devem tomar? Dr.ª Sílvia: Estamos tomando algumas medidas para proteger nossas idosas, como treinar e educar os funcionários: orientar de não trabalhar em caso se febre e, ou, sintomas respiratórios, reforçar a aderência a medidas de prevenção e controle de infecções, como a lavagem das mãos com água e sabão, álcool gel e uso correto de materiais de proteção individual, como luvas e máscaras… Também recomendamos reduzir as atividades em grupo e evitar concentrar grande número de pessoas em áreas de convivência, inclusive evitar saídas para consultas e exames de rotina. Orientamos também isolar no quarto a pessoa idosa com quadro respiratório e o profissional a utilizar os equipamentos necessários de proteção. Ir. Ana Elídia: E as famílias que têm pessoas idosas em casa, o que devem fazer para diminuir os riscos de contágio e não expor seus idosos ao coronavírus? Dr.ª Sílvia: O ideal é que o idoso evite sair de casa neste momento e as pessoas que moram na casa tomem todos os cuidados de proteção. Principalmente evitar contato físico. Também tomar as medidas de prevenção de infecção. Em caso de algum familiar ficar doente com sintomas respiratórios, será necessário isolá-lo em algum cômodo. Quando possível, pode ser interessante utilizar mascara em área coletiva. Ir. Ana Elídia: Nós também temos escolas e nos preocupamos com as crianças e jovens, suas famílias, professores e colaboradores… A senhora tem alguma recomendação especial para o cuidado de crianças e jovens? Dr.ª Sílvia: As crianças parecem estar mais protegidas do covid-19. Geralmente, os sintomas são leves, e muitas não apresentam sintomas. A vacinação deve ser estimulada nessa faixa etária. Tendo em vista a necessidade de evitar aglomerações e reduzir o volume do transporte público para prevenir a disseminação do coronavírus e assim evitar sobrecarga dos sistemas de saúde, todas as escolas do Estado de São Paulo terão as atividades gradualmente suspensas a partir do dia 16 de março, até a suspensão completa no dia 23 de março. Devemos ter uma atenção especial com as crianças com problemas respiratórios crônicos e imunodeprimidas. Também acho importante conscientizar e educar os jovens. “Atitudes individuais podem ajudar o coletivo.” Ir. Ana Elídia: Que atitudes ou comportamentos podem ajudar a conter o coronavírus? Dr.ª Sílvia: Orientar os pacientes a evitar aglomeração, etiqueta do espirro e manter as medidas básicas de higiene das mãos. Sintomas gripais leves podem ser tratados em domicílio. Pacientes com sinais de alarme, como febre persistente, falta de ar e queda do estado geral, devem ser encaminhados ao pronto atendimento. Uso de máscara para os indivíduos com sintomas respiratórios. Evitar contato físico, como aperto de mãos, abraços e beijos. Ir. Ana Elídia: Que lições, em sua opinião, podemos aprender com o coronavírus e suas consequências para o mundo? Dr.ª Sílvia: Acho que as pessoas estão mais conscientes em relação à necessidade de medidas de higiene e prevenção de infecção. Atitudes individuais podem ajudar o coletivo. Ao mesmo tempo, nosso papel como profissional de saúde é orientar a população a tomar medidas conscientes. Na Espanha, estão homenageando os profissionais de saúde que estão cuidando dos pacientes infectados, pois, enquanto a população está isolada em suas casas para evitar que o vírus se espalhe, os profissionais estão expostos para cuidar dos doentes. Cada indivíduo tem seu papel na sociedade para ajudar a combater essa pandemia. Irmã Ana Elídia Caffer Neves, SSpSJornalista, membro da Equipe de Comunicação Congregacional e coordenadora de Comunicação da Província Stella Matutina (BRN) _____
Águas de fevereiro: a raiz do problema

Nosso país ficou bastante chocado com o alto volume e a intensidade das chuvas que ocorreram na Região Sudeste, nos dois primeiros meses de 2020. Somente em Minas Gerais, 196 municípios decretaram emergência em consequência das chuvas, mais de 8 mil pessoas ficaram desabrigadas e houve 55 mortes. Muitas pessoas questionam as razões de tanta chuva. Cientistas não hesitam em apontar o aquecimento global como uma das causas. De acordo com Gilvan Sampaio, doutor e mestre em Meteorologia pelo INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), com a elevação da temperatura global, há um aumento de evaporação na atmosfera, com isso as nuvens aumentam e as chuvas tornam-se mais intensas. O pesquisador ressalta ainda que as emissões de gases de efeito estufa do outro lado do mundo podem causar impactos em qualquer outro lugar. A cientista brasileira Márcia Zilli fala dos efeitos e aponta para o surgimento de um novo padrão climático. As chuvas fortes estão acontecendo com mais frequência do que antes e há um período de seca mais extenso entre as chuvas. Apesar do impacto direto sobre a vida de inúmeras pessoas em todo o mundo, as ações de combate ao aquecimento global caminham a passos lentos. Em 2015, na COP 21, líderes mundiais ou seus representantes assinaram um pacto de combate global às mudanças climáticas. No entanto, em 9 de fevereiro deste ano, expirou o prazo simbólico para que esses Estados apresentassem às Nações Unidas suas contribuições determinadas nacionalmente (CDN) para fortalecer o conjunto de medidas de combate às mudanças climáticas. Apenas o Suriname, as Ilhas Marshall e a Noruega apresentaram planos climáticos atualizados. Entendemos a raiva da jovem Greta Thunberg ao confrontar os líderes mundiais e apontar a destruição de nossa Casa Comum. Mais do que nunca, é necessária e urgente uma atitude de conversão, conforme salienta o documento final do Sínodo da Amazônia. Que nesta Quaresma também nós possamos fazer um sincero exame de consciência a fim identificar a coparticipação pessoal na destruição do planeta e buscar uma conversão ativa que revitalize as relações socioambientais e garanta o futuro das gerações que nos sucedem. Ir. Stela Maris Martins, SSpSMembro da Redes – Rede de Solidariedade
Transformando vidas no Taquaril

As missionárias servas do Espírito Santo estão no bairro do Taquaril, na Região Leste do Município de Belo Horizonte, desde o início da década de 1990, poucos anos após o surgimento do bairro, em 1986. Apesar de ser uma área muito bonita, rodeada pela Serra do Curral, o Taquaril já foi considerado uma das regiões mais pobres do Brasil e a maior periferia da capital mineira. Sua população, em sua maioria, vinda do interior do Estado, precisou enfrentar muitos problemas sociais, além da violência, conflito entre gangues e tráfico de drogas. Graças ao trabalho dedicado da Igreja local e o empenho da população, muitas melhorias foram alcançadas. Exemplo disso é a presença da missionária polonesa Ir. Matilda Gorus. Quando ela chegou ao bairro, não havia praticamente nenhum serviço de atendimento à população. Então ela foi perguntando ao povo qual era a maior necessidade, e as famílias disseram que queriam uma creche, para deixar as crianças e, assim, permitir que as mães pudessem trabalhar. A Creche Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ligada à Paróquia São Gabriel, teve início em 1996 e vem transformando a vida das crianças e da população. Neste vídeo, você conhecerá um pouco da missão de Ir. Matilda no Taquaril e também verá o depoimento de alguns moradores da comunidade. Eles, incluindo o padre e um pastor evangélico, falam sobre a dedicação e o amor que a missionária tem para com aquele povo. Confira.
Tema transversal 2020 – Escola viva: vê, sente e cuida

A Campanha da Fraternidade (CF) nos convida a uma nova reflexão e ação diante da vida. O tema traz algumas palavras importantes, como vida, dom, compromisso; e como lema palavras de igual importância, como ver, sentir, cuidar e ter compaixão. Todas essas palavras, se bem pensadas e vividas, tornam-se um (projeto) estilo de vida. O estilo de vida ensinado por Jesus, capaz de transformar nosso jeito de nos relacionar com nós mesmos, com os que caminham conosco e com o planeta, nossa Casa Comum. Por esse motivo, o tema transversal escolhido para as escolas da Rede de Educação das Irmãs Servas do Espírito Santo para 2020 é: “Escola viva: vê, sente e cuida”. Os verbos ver, sentir e cuidar estão presentes na história contada por Jesus e conhecida como a “Parábola do Bom Samaritano” (Lc 10,25-37). Ao ver a difícil situação de alguém, o personagem da narrativa olha, para e se coloca no lugar de homem ferido, procurando fazer o melhor que podia naquela circunstância. Cuidado e acolhida que devemos encontrar na família, na sociedade, entre nossos amigos e na escola. E por falar em escola, uma escola viva vive e ensina a fazer da vida dom e compromisso que se traduz no cuidado e na acolhida com as pessoas, lugar por excelência do sagrado. Colocar-se no lugar do outro Há 56 anos, a Campanha da Fraternidade nos convida anualmente a pensar temáticas que venham ao encontro das necessidades existentes em nossa sociedade. Pensando nas questões humanas e no que precisa ser transformado para que a vida seja vivida com dignidade, a CF nos chama a ver a realidade, pensar sobre ela e buscar ações eficazes de mudança. Diante de aspectos essenciais à vida, como saúde, educação, moradia, exclusão, justiça e tantos outros, a CF vem nos provocar neste ano para que vejamos, sintamos e cuidemos da vida. Contudo sabemos que isso exige, de cada um, de cada uma, o compromisso de deixarmos de lado a indiferença diante da necessidade dos que mais precisam de nós. Não por acaso, a Rede de Educação, inspirada na CF de 2020, escolheu com seus educadores um tema transversal para o ano letivo. Esse tema é responsável por motivar nossos alunos, educadores e familiares à sensibilidade e à diligência que nos tornam mais humanos. Ver, sentir e cuidar, como fez o personagem da parábola contada por Jesus, que sentiu empatia pela situação que presenciou e, colocando seu coração, procurou fazer o melhor. Em tempos de extremo individualismo, colocar-se no lugar de outra pessoa tem se tornado cada vez mais difícil. Por isso, a história do Samaritano é uma provocação e um convite feito por Jesus para se repensar uma sociedade indiferente diante das necessidades dos que mais precisam. Nesse sentido, a escola viva deve ser o lugar onde se aprende e se pratica nosso modo de ver, sentir e cuidar de nós, do próximo e do planeta, nossa casa. Verbos interdependentes que ganham sentido quando acontecem nesta mesma ordem: sente quem vê, cuida quem sente. Inevitavelmente só conseguiremos vivenciar essa trilogia se passar pelo coração, pois só quando a transformação acontece de dentro para fora é que conseguimos fazer diferença nos espaços onde atuamos. Agostinho Travençolo Júnior, educador e coordenador da Dimensão Missionária da Rede de Educação SSpS.
Missionários leigos SSpS participam de seminário em Roma

“Há diversidade de dons, mas um só Espírito. Os ministérios são diversos, mas um só é o Senhor. Há também diversas obras, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos”(1Cor 12,4-6). Com esse sentimento de diversidade de dons, ministérios e obras, mas um só Espírito, sou uma entre os doze missionários leigos SSpS da África, Ásia, América e Europa que participaram do seminário “Missionários leigos SSpS aprofundando a comunhão”, realizado na Casa-Geral, em Roma, de 23 a 29 de fevereiro. Com alegria, gratidão e fé, partilhamos nossa visão, desejos, sonhos, oportunidades, sugestões sobre a nossa participação como “companheiros da missão”. Cada um de nós falou sobre as atividades realizadas em seu país e, quando chegou minha vez, apresentei o que estamos fazendo no Brasil, começando por um breve histórico das servas do Espírito Santo (SSpS) no País e sua organização atual em duas províncias: Brasil Norte (BRN) e Brasil Sul (BRS). Depois fiz um resumo sobre nossos grupos de missionários(as) leigos(as) de Deus Uno e Trino (MLDUT): como nos reunimos, nossa formação, símbolos e identidade visual, como nos comunicamos, o acompanhamento espiritual e como nos mantemos. A Coordenadora-Geral, a irmã Maria Theresia Hornemann, assistiu às apresentações da Alemanha, Angola, Argentina, Coreia, Paraguai, Gana, Índia, Java, Filipinas, Taiwan, Holanda e, ao fim da apresentação do Brasil, reconheceu o trabalho que estamos realizando. A missa de abertura foi presidida pelo Superior-Geral da Congregação dos Missionários do Verbo Divino (SVD), Pe. Budi Kleden. Ele falou sobre o ânimo na construção de novos caminhos que o Espírito realiza bem como sobre os documentos das missionárias SSpS que manifestam a necessidade de aumentar a liderança participativa dos leigos e a coragem de aceitar e valorizar as diferenças. O seminário nos ajudou a fortalecer nossa colaboração como missionários leigos junto às irmãs SSpS e a compartilhar uma visão comum. Também propomos um plano de realização do seminário de acordo com a realidade de cada país, preparamos uma declaração e elegemos dois participantes para nos representar no 15º Capítulo-Geral da Congregação, que será realizado em Steyl, na Holanda de 19 de abril a 21 de maio próximos. Um momento muito especial para todos nós foi a saudação que o Papa Francisco fez na audiência-geral, no dia 26 de fevereiro, aos missionários leigos e leigas ligados às irmãs SSpS. Para nos representar, elegemos Juan Matías (Argentina) e Richar González (Paraguai). A seguir, apresento a declaração que preparamos. Nossos dois representantes vão levá-la ao Capítulo-Geral. Quem são os “companheiros da missão” Mulheres e homens (consagrados e não consagrados) de diferentes nacionalidades e idades, corresponsáveis pela missão com as SSpS: comprometidos com a espiritualidade trinitária e com o carisma missionário; escolhem compartilhar os dons e talentos nas diversas áreas e pastorais da missão. Sentem-se parte da Família Arnaldina como fonte de alegria, fortaleza e esperança. Caminham com as congregações fundadas por Santo Arnaldo Janssen, vivendo a espiritualidade e o carisma na vida cotidiana, ante a urgência dos tempos, e colaboram com o discernimento e trabalho da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo (SSpS); realizando a missão interna (igreja doméstica – família) e a missão externa (ad gentes), ampliando círculos de comunhão. Companheiros da missão Para os leigos missionários, é importante fazer parte da missão e visão da Congregação das SSpS, pois, ao ampliar os círculos, podem oferecer seus talentos em diferentes áreas da missão de Cristo, em coerência com a vida da Congregação, encontrando realização pessoal e alegria em compartilhar a missão de amar e glorificar o Deus Uno e Trino no coração de todas as pessoas, em uma dimensão espiritual e também concreta. São “companheiros da missão” e se oferecem totalmente, com suas luzes e sombras, para a evangelização, com humildade, honestidade, alegria e disposição para aprender e compartilhar a vida cristã. Desejam poder motivar, comunicar e animar, com entusiasmo, as comunidades, em compromisso com a liderança, com os valores do Evangelho; reconhecendo a ação de Deus em todos os estilos de vida. Visão Ampliar o círculo de comunhão, inspirados e fortalecidos pelo Espírito Santo que renova, dinamiza e alegra a missão com as SSpS e respondem a novos desafios de nosso mundo, promovendo a vida, a dignidade e cuidando da casa comum. Mensagem às SSpS Agradecidos e inspirados pelos frutos de viver no espírito de comunhão, os companheiros da missão desejam continuar juntos o caminho missionário com maior participação e colaboração junto às SSpS, fomentando o espírito de respeito e confiança mútuos, corresponsabilidade, formação contínua, compromisso mais profundo, renovado entusiasmo e fervor. Desejam criar equipes de liderança regionais, provinciais e intercontinentais para trabalhar em colaboração entre os companheiros da missão e as SSpS. Agradecemos muito a oportunidade de, reunidos em Roma, expressar à equipe de liderança congregacional e aquelas que tornaram o seminário possível, bem como a confiança para analisar abertamente novas formas de trabalho conjunto e participar do 15º Capítulo-Geral. Os companheiros da missão renovam o apoio contínuo e o compromisso para alargar cada vez mais os círculos de comunhão. Maria Cristina Queiroz MaiaMissionária leiga SSpS e participante do seminário, Roma, 2020.