Plataforma Laudato Si’: resiliência e empoderamento da comunidade

A Plataforma de Ação Laudato Si’ é inspirada na encíclica de mesmo nome, assinada pelo Papa Francisco. A intenção é contribuir com atitudes e soluções concretas e duradouras no contexto de crise ecológica, além de auxiliar os participantes a desenvolverem ações para proteger nossa casa comum. A plataforma conta com sete objetivos, e o último, “resiliência e empoderamento da comunidade”, é nosso tema do mês. Veja o artigo da prof.ª Marli Teresinha Everling.
Menos poder e mais autoridade

“Quem quiser entre vós ser grande, que se faça vosso servidor” (Mc 10,43) Enquanto fazem o caminho de subida a Jerusalém, Jesus vai anunciando aos seus discípulos o desenlace trágico de sua missão na capital. Mas os discípulos não o compreendem, pois estão disputando entre eles os primeiros lugares. Tiago e João, discípulos de primeira hora, se aproximam d’Ele para pedir diretamente que, no Reino, pudessem sentar-se “um à sua direita e outro à sua esquerda”. Tiago e João pedem privilégios a Jesus, e, diante deste pedido atrevido, os outros dez discípulos ficam indignados contra eles. O grupo está mais agitado que nunca. A ambição está dividindo o grupo. Ninguém no grupo dos discípulos entende que seguir Jesus de perto, colaborando em seu projeto de vida, nunca será um caminho de poder, de grandezas e ambição, mas de doação e compromisso fiel. Por isso, Jesus reúne a todos para deixar claro seu modo de ser e pensar. Recorda-os que aqueles que são reconhecidos como chefes utilizam seu poder para “tiranizar” os povos, e os grandes “oprimem” seus súditos. Jesus é taxativo: “entre vós, não deve ser assim”. Jesus dá tanta importância ao que está dizendo que se apresenta a si mesmo como exemplo, pois não veio ao mundo para exigir que lhe sirvam, mas “para servir e dar sua vida em resgate de muitos”. Ele não ensina ninguém a triunfar em sua nova comunidade nem alimentar uma ambição que acaba envenenando as relações entre seus seguidores. A atitude essencial no seu Reino é o serviço, desgastando-se em favor dos mais fracos e necessitados. O ensinamento de Jesus não é só para os dirigentes religiosos. A partir das funções e responsabilidades diferentes, todos devemos nos comprometer a viver com mais entrega no serviço de seu projeto. Na Igreja, não precisamos de imitadores de Tiago e João, mas de seguidores(as) de Jesus. Quem quiser ser importante, que desça do pedestal do poder e se coloque no lugar mais baixo, para trabalhar e colaborar com o Reino. É muito próprio do ser humano o impulso egoico por sobressair sobre os outros, ter privilégios, conquistar fama. Esta é uma das grandes tentações que afloram, sobretudo em muitos membros das comunidades cristãs, ou seja, o avassalador desejo de serem protagonistas, de se imporem sobre os outros, de subirem o pedestal para serem o centro das atenções; essa é a desejada posição onde possam ser vistos, serem obedecidos e receberem algum tipo de bajulação. Todos estamos expostos à tentação de nos sentirmos indispensáveis, insubstituíveis e únicos. E grande parte das tensões nos relacionamentos nas comunidades cristãs surge da confusão que fazemos entre “poder” e “autoridade”. Poder: é a faculdade de forçar, coagir ou pressionar alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força; exige submissão ou obediência cega. Autoridade: é a capacidade de convencer, atrair, seduzir…, pelo seu modo de ser e viver, pelos seus valores, pela sua causa mobilizadora. Desperta “seguimento”. O poder é definido como uma “faculdade”, enquanto autoridade é definida como uma “habilidade”. Uma pessoa pode estar num cargo de poder e não ter autoridade sobre as pessoas. Ou, ao contrário, uma pessoa pode ter autoridade sobre os outros sem estar numa posição de poder. Outro modo de diferenciar “poder” e “autoridade” é lembrar que o poder pode ser vendido e comprado, dado e tomado. A autoridade, por sua vez, não pode ser comprada nem vendida, nem dada ou tomada. A autoridade diz respeito àquilo que a pessoa é em sua essência, em sua identidade original; diz respeito ao seu caráter, à sua interioridade nobre e à sua presença inspiradora junto aos outros. Acontece que, muitas vezes, aqueles que não vivem a autoridade descentrada, se apoiam no poder. Deixam de convencer e passam a se impor; perdem o apreço pelos outros e se mantêm à base de força e opressão. O poder é uma tentação permanente, inclusive nas comunidades cristãs; isso se manifesta pela quantidade de vezes que encontramos no NT advertências às lideranças eclesiásticas para que não corrompam sua autoridade, convertendo-a em poder (1Pd 5,1-4). O poder encontra sua expressão visível e sua força numa instituição de estrutura piramidal, hierárquica. Neste paradigma “de cima para baixo”, todos estão olhando para cima, tentando agradar aqueles que ocupam cargos, e não dirigem o olhar para os lados, onde a verdadeira realidade de uma instituição está acontecendo. A estrutura hierárquico-piramidal fortalece a estrutura de poder, controle, vigilância, supervisão…; tal estrutura acaba por afetar e asfixiar a liberdade interna, a motivação e o compromisso dos membros da instituição; além disso, ela suprime iniciativas, criatividade e incentivos, em relação aos novos projetos. O poder religioso é o mais tóxico, pois manipula consciências, alimenta culpa e medo de Deus, centraliza as decisões, é incapaz de escuta e de discernimento… Quão distante está da “sinodalidade”, modo original de ser e proceder das primitivas comunidades cristãs! Na Igreja não há poderes, e sim funções diferentes. Nela, a autoridade é exercida como um serviço fraterno. Assim sendo, Jesus não se situou diante de seus discípulos como o superior que exige “obediência” de seus súditos, mas como o amigo exemplar que desperta “seguimento” de seus fiéis “amigos” (Jo 15,15). Jamais se disse dos discípulos ou de qualquer outro ser humano que se relacionasse com Jesus mediante a obediência ou a sujeição, que é a resposta obediente a uma ordem. Portanto, os Evangelhos não falam de “obediência” a um poder que se impõe, submete e manda. A relação que se estabelece entre os discípulos e Jesus é a do “seguimento”. De fato, nos evangelhos, o verbo “obedecer” nunca é aplicado a indivíduos ou grupos que se submetem a um superior. Com efeito, o verbo “obedecer” aparece nos Evangelhos apenas três vezes: quando se diz que “o vento e o mar obedecem” a Jesus (Mc 4,41); quando o próprio Jesus diz aos discípulos que, se tiverem fé, até uma amoreira silvestre lhes obedeceria (Lc 17,6); e quando as pessoas ficam espantadas ao verem que Jesus “manda até nos espíritos impuros
Irmã Theresia Messner nos propõe viver a fraternidade e a amizade social

Desde o início, a geração fundante da Família Arnaldina fez a experiência de ser uma comunidade missionária intercultural. Para a irmã Theresia Messner, a primeira superiora-geral da Congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo, a palavra “paz” era muito importante, sendo uma forma de vida. Neste Mês das Missões, a irmã Maria Inês Aragão, da Equipe de Espiritualidade da Província Brasil Norte, nos conta mais.
Ser professora é para a vida toda

Para celebrar o Dia dos Professores, comemorado em 15 de outubro, trazemos uma reportagem com Vera Gladis Kieling Martins. Por muitos anos, ela foi professora e coordenadora pedagógica no Colégio Espírito Santo (CES). Embora Vera tenha se aposentado em 1986, ela continua bem ativa, colocando seus dons a serviço da comunidade. O nosso carinho e gratidão a ela e a todos os educadores e educadoras de ontem e de hoje!
Missionárias partilham como é desenvolver ações conjuntas com as SSpS

As experiências intercongregacionais vêm ganhando destaque na Igreja do Brasil. As missionárias servas do Espírito Santo também unem forças com outras religiosas, buscando fortalecer a evangelização e responder aos atuais desafios da sociedade. As irmãs Rosilety Cruz e Alainhe Nascimento, ambas da Congregação do Preciosíssimo Sangue (IPS), partilham como é viver e trabalhar ao lado das SSpS.
Há vida nesta vida?

Veja a reflexão bíblica elaborada por Adroaldo Palaoro, padre jesuíta, comentando o Evangelho deste 28º Domingo do Tempo Comum, narrado em Marcos 10,17-30.
Espiritualidade: as crianças nos ensinam a ler a Bíblia

Nesta semana festiva, quando celebramos o Dia das Crianças, apresentamos cinco lições que elas nos dão quando devemos nos aproximar das Sagradas Escrituras e fortalecer nossa espiritualidade. Nunca é demais lembrar a palavra de Jesus: “O Reino de Deus é dos que são como elas”.
Outubro Rosa, meninas e democracia

O primaveril mês de outubro tem várias dadas comemorativas, algumas bem conhecidas, principalmente as religiosas. Outras também são relevantes e precisam ganhar o devido enfoque. Maria Terezinha Corrêa nos apresenta três delas. Saiba mais!
Caminhos da democracia: votar com fé eu vou…

Vamos às urnas escolher prefeitos, prefeitas e seus vices, vereadores e vereadoras que nos representarão. Por analogia, é como se estivéssemos escolhendo companheiros de viagem pelos próximos quatro anos. Devem ser pessoas que inspiram nossa confiança e mereçam nossa companhia… Nestes momentos importantes para nossa democracia, Maria José Brant (Deka) partilha sua reflexão-alerta.
Matrimônio: “amor originante” que se eterniza

Veja a reflexão bíblica elaborada por Adroaldo Palaoro, padre jesuíta, comentando o Evangelho deste 27º Domingo do Tempo Comum, narrado em Marcos 10,2-16.